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Teste: BYD Dolphin SE 2026 melhora para enfrentar nova concorrência

Novo visual e acabamento fazem um dos hatches elétricos mais vendidos do Brasil dar um passo na direção certa

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18:25

O lançamento do novo BYD Dolphin Special Edition, ou SE para os íntimos, marcou o início de uma nova estratégia da marca chinesa no mercado brasileiro. Sem contar o Dolphin Mini, há três Dolphin nas lojas: o GS para quem quer a versão de entrada, o Plus para quem quer mais potência e autonomia, e o SE com visual e interior renovados, mas com a bateria menor que a do Plus e um motor um pouco mais potente que o do GS.

A aposta do Dolphin SE é ser uma opção intermediária mais modernizada que a versão GS, mas sem cobrar tanto quanto o Dolphin Plus. Além disso, a fila do mercado brasileiro de hatches elétricos andou, com MG MG4 Urban, Geely EX2 e GAC Aion AT querendo uma fatia do bolo da família Dolphin. Mas a versão SE custando R$ 169.990, já R$ 10 mil a mais que no lançamento, está valendo a pena ainda?

O que mudou no BYD Dolphin?

O hatch elétrico da BYD não trocou de geração. O facelift chega por enquanto apenas nova versão intermediária e renova a identidade da linha Ocean, sendo concentrado em alguns elementos do carro que já conhecemos. Com isso, o comprimento cresceu um pouco, indo de 4.125 mm para 4.280 mm, ganho de 155 mm, mas ainda menor que o Dolphin Plus, com 4.290 mm.

No entre-eixos, nada muda. Continuam os bons 2.700 mm, números dignos de alguns modelos médios. A largura e a altura, por sua vez, ficam em 1.770 mm e 1.570 mm. O porta-malas também permaneceu inalterado, com 250 litros, volume pequeno para um carro de seu porte. Não foi desta vez, também, que o Dolphin passou a contar com o "frunk", um porta-malas dianteiro, comum em rivais como o Geely EX2. Na internet, proprietários adotam soluções aftermarket para resolver esta questão.

Teste BYD Dophin SE 2027 - dianteira
Foto de: Motor1 Brasil

A nova cara fez bem ao Dolphin, agora mais limpo e próximo do que a BYD oferece nos carros dessa linguagem "oceânica". A dianteira continua característica, com faróis conectados à grade iluminada, mas deixa de contar com os elementos mais retangulares para algo mais aerodinâmico e curvilíneo. A grade dianteira traz elementos tribais na parte interna.

O destaque nas laterais fica para as novas rodas de liga leve de 17'', que também parecem mais uma evolução do GS. As linhas um tanto próximas às de uma minivan, com teto alto e vidro fixo na coluna A, reforçam a ideia de um carro mais espaçoso e continuam iguais, fugindo do visual redondo e mais "fofo" de alguns concorrentes, como GWM Ora 03 e o já citado EX2.

Teste BYD Dophin SE 2027 - traseira
Foto de: Motor1 Brasil

Tal como a dianteira, a traseira também apresenta mudanças, com novo desenho e o logo da BYD ao centro, que passa a ser iluminado. Ele assume o lugar do antigo Build Your Dreams, em desuso há algum tempo desde a padronização das letras no mundo todo.

Por fim, o interior foi atualizado. Assim como ocorreu no Dolphin Mini, agora traz tons mais escuros e próximos do gosto brasileiro. A cabine é predominantemente preta, deixando a desejar apenas por algumas partes do forro de porta que não são macios ao toque. Na parte externa, serão oferecidas as cores Preto Obsidian, Azul Atlantis, Branco Cheese e Cinza Time.

Teste BYD Dophin SE 2027 - painel
Foto de: Motor1 Brasil

A mudança da cabine também inclui o novo console central, que mando o seletor de marchas para a coluna de direção. O sistema multimídia tem uma nova tela de 12,8", que tirou um dos features mais "curiosos" do Dolphin ao não girar, mas recebeu uma interface Google nativa. O Dolphin SE também vem com pacote ADAS completo.

Com a melhora na ergonomia, o Dolphin renovado também passa a contar com um carregador por indução de 50W. Além disso, o painel de instrumentos agora tem tela maior e mostra o GPS, tanto do Google Maps quanto do Waze. São poucas, mas suficientes as mudanças para que o Dolphin tenha fôlego com sua nova concorrência. Bem longe dos tempos em que reinava sozinho, o modelo agora tem concorrentes fortes e que estão ganhando espaço.

Teste BYD Dophin SE 2027 - motor
Foto de: Motor1 Brasil

No conjunto elétrico, a BYD deu à nova versão um pacote diferente das disponíveis na família. Na Special Edition, o Dolphin traz um motor elétrico de 177 cv e 29,5 kgfm de torque. É um ganho bem significativo pelos R$ 20.000 a mais que a marca cobra em relação ao GS, que conta com 95 cv e torque máximo de 18,3 kgfm. Ao mesmo tempo, é menos do que os 204 cv de potência e 31,6 kgfm da versão mais cara, Plus.

O gerenciamento de carga também melhorou significativamente, com ganho de 15 kW na potência máxima de entrada em DC, agora de 80 kW. A melhora aparece no tempo de carregamento, indo de 30% a 80% em aproximadamente 20 minutos. A reestilização também trouxe mudanças na suspensão, que continua sendo independente na dianteira, mas agora tem multilink no eixo traseiro, além de ajustes para suportar o novo motor.

Teste BYD Dophin SE 2027 - traseira
Foto de: Motor1 Brasil

É Uber?

Poucos carros geraram tanta curiosidade em nossos testes como o Dolphin SE. As pessoas já conhecem os carros da BYD e já conhecem o Dolphin, mas este é diferente. Quem andou, aprovou a nova cabine escura e ninguém reclamou do espaço interno do carro. Agora, do bagageiro ninguém gostou. São apenas 250 litros e os novatos MG4 Urban (477 litros) e GAC Aion UT (340 litros) oferecem mais espaço. Até o Geely EX2, menor e consideravelmente mais barato, leva mais bagagens: 375 litros mais 70 litros no pequeno bagageiro frontal, coisa que o Dolphin SE não tem.

Ter privilegiado o espaço interno em sacrifício do porta-malas gerou uma impressão comum em quem pegou carona: parece carro pensado para rodar em aplicativos de transporte, como o Uber. Por outro lado, o Dolphin SE é um dos poucos da categoria com estepe de série.

Teste BYD Dophin SE 2027 - traseira
Teste BYD Dophin SE 2027 - saída de ar para o banco traseiro
Teste BYD Dophin SE 2027 - banco traseiro
Fotos de: Motor1 Brasil
Fotos de: Motor1 Brasil

A mudança no visual, interno ou externo, deu um ar mais moderno ao BYD Dolphin, com a marca dando uma cara mais 'brasileira' para seu hatch. Ter passado a alavanca de marchas para a coluna de direção também ajudou a aproveitar melhor o espaço interno, deixando o console central mais prático e usável que no Dolphin GS.

Para quem dirige com o celular espelhado por meio de Android Auto ou Apple CarPlay, não ter mais a função de tela giratória não faz diferença. Espelhada, ela nunca girou mesmo. O novo painel de instrumentos é bem-vindo: mais moderno e com informações mais claras, passa uma impressão mais premium e afasta o carro do simples Dolphin Mini. Mas a fonte usada para velocímetro, estado de carga e autonomia continua pequena, nem parecem ser informações relevantes em meio a tantas coisas acontecendo na tela.

A "mecânica" também traz ganhos importantes. O motor é mais potente que o do GS, tanto que o Dolphin SE faz o controle de tração trabalhar duro se você acelerar forte, além de fazer o volante virar sozinho apenas em consequência ao torque chegando às rodas, num efeito conhecido como torque steer.

Teste BYD Dophin SE 2027 - dianteira em movimento
Foto de: Motor1 Brasil

Para mim, a evolução mais importante é a da suspensão. O Dolphin SE está absorvendo melhor os impactos, sem ficar pulando mais duas ou três vezes depois de passar num buraco como GS faz. Se você andar de olhos fechados, o BYD está com um acerto mais próximo ao de um Volkswagen, caso você consiga acreditar nisso.

O acerto também ajuda na dirigibilidade, com mudanças de direção acontecendo de forma previsível. Ainda se percebe o rolamento da carroceria, mas tudo ocorre progressivamente. O mérito aqui é da suspensão traseira multilink. No entanto, é fácil ver que é uma adaptação, pois parece que a frente e a traseira não se conversam.

Ao entrar na curva, o peso se transfere primeiro para a dianteira e, no meio da curva, vai para o eixo traseiro numa transição bem marcada. Até parece que um passageiro sentou no banco de trás no meio da manobra. Para um motorista comum, vida que segue. Ninguém vai usar um Dolphin SE para corridas, talvez nas de aplicativo.

Teste BYD Dophin SE 2027 - painel de instrumentos
Foto de: Motor1 Brasil

O ponto de atenção mesmo vai para a autonomia. Não tanto por ser pouca, mas por ser muito diferente entre uso urbano ou rodoviário. Em nossos testes, o Dolphin SE obteve média de 9 km/kWh, o que já aproxima sua autonomia total dos 400 km. Porém, na estrada, caiu drasticamente: 6,5 km/kWh, ou menos de 300 km de autonomia. Se for pegar estrada, planeje-se de acordo, pois o carro vai ter que parar com mais frequência do que na cidade.

Dentro da linha da BYD, o Dolphin SE é uma grande evolução em termos de visual, acabamento, performance e dirigibilidade. Mas, em 2026, o que não faltam são alternativas. O Geely EX2 é bem mais barato (R$ 136.800) sem sacrificar espaço. O MG4 Urban é maior e até mais em conta: R$ 129.990.

Mas ambos perdem em torque e em performance para o BYD Dolphin SE, que fica como uma das melhores opções para quem não tem demanda para um porta-malas grande, mas quer bons desempenho e autonomia na cidade.

O que você pensa sobre isso?

Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)/Teste: David Costa

   

Prós

  • Novo visual e acabamento
  • Espaço interno
  • Desempenho
   

Contras

  • Porta-malas pequeno
  • Baixa autonomia na estrada
  • Ausência de bagageiro dianteiro

Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)/Teste: David Costa

BYD Dolphin SE 2027

Motor elétrico elétrico, síncrono de imã permanente, dianteiro
Potência e torque 177 cv e 29,6 kgfm
Bateria 45,1 kWh (líquidos), LFP
Tipo de tomada 6,6 kW (AC) Tipo 2 / 80 kW (DC) CCS Combo
Suspensão McPherson na dianteira; multilink na traseira; rodas de 17" com pneus 205/50; estepe temporário
Comprimento e entre-eixos 4.280 mm e 2.700 mm
Altura 1.570 mm
Largura 1.770 mm
Peso 1.485 mm
Capacidades Porta-malas: 250 litros
Preço como testado R$ 169.990
Aceleração 0 a 60 km/h: 3,6 s; 0 a 80 km/h: 5,4 s; 0 a 100 km/h: 7,9 s em 128,4 m; 201 metros em 9,98 s a 112,73 km/h
Retomada 40 a 100 km/h: 5,5 s e 115,35 m; 80 a 120 km/h: 6,0 s e 171,49 m
Autonomia elétrica Consumo médio: 9 km/kWh (urbano) e 6,5 km/kWh (rodoviário) Autonomia: cerca de 400-410 km (urbano) e 290-300 km (rodoviário)
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