Ir para o conteúdo principal

Trump aceita chinesas nos EUA, mas Ford e GM querem bloqueio

Xi Jinping deve ir aos EUA em 24 de setembro, enquanto Trump sinaliza abertura às chinesas e montadoras pressionam por mais restrições

BYD celebra seu 13º milionésimo New Energy Vehicle
Foto de: BYD

Nada parece definitivo sob o comando de Donald Trump, especialmente quando o assunto é comércio. O presidente dos Estados Unidos fez das ameaças uma ferramenta recorrente de negociação e, depois de endurecer o discurso contra a indústria chinesa, agora dá sinais de que pode usar as barreiras para arrancar investimentos e empregos em solo americano.

Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que aceitaria montadoras chinesas produzindo carros nos Estados Unidos, desde que empreguem trabalhadores locais. A declaração surge às vésperas de um novo encontro com Xi Jinping e abre uma possibilidade até então praticamente fechada para marcas como Chery e Geely, embora a própria indústria americana pressione Washington na direção contrária.

O que teria de mudar para as chinesas produzirem nos EUA

“Se a China quisesse entrar e abrir uma fábrica para produzir seus carros aqui, eu ficaria de acordo com isso”, disse Trump à apresentadora Laura Ingraham. O presidente comparou a possibilidade à chegada das montadoras japonesas, que construíram fábricas nos Estados Unidos e passaram a produzir com mão de obra local.

“Eles contratam nosso povo”, afirmou. Para Trump, “o mais importante é que os americanos tenham empregos”, colocando a geração de postos de trabalho à frente da nacionalidade da marca que aparece no capô.

Fábrica Toyota Sorocaba

Para Trump, chineses devem seguir o que japoneses fizeram ao entrar no mercado local: contratar norte-americanos 

A abertura defendida pelo presidente, porém, ainda esbarra nas regras do país. Uma regulamentação aprovada no fim do governo Joe Biden impede, a partir do ano-modelo 2027, que fabricantes chineses vendam determinados veículos conectados nos Estados Unidos, mesmo quando a produção acontece dentro do país.

A restrição também alcança softwares chineses usados em sistemas de conectividade e condução automatizada. Componentes de hardware entram gradualmente no bloqueio nos anos seguintes. Como esses sistemas estão presentes em praticamente qualquer carro novo, a regra fechou uma das possíveis portas de entrada das fabricantes chinesas.

Trump não explicou como pretende conciliar a proibição com a abertura defendida na entrevista. Para uma BYD ou Geely construir uma fábrica e vender seus carros normalmente nos Estados Unidos, sua administração teria de rever parte das regras atuais ou permitir algum tipo de autorização.

O sinal verde também termina na fronteira americana. Trump voltou a rejeitar a possibilidade de fabricantes chineses instalarem fábricas no México para depois exportar seus carros aos Estados Unidos, estratégia que já ameaçou combater com tarifas elevadas e que fez várias marcas tradicionais - inclusive dos EUA - a desistirem de produzir por lá.

Ford, GM e companhia querem manter porta fechada

A indústria norte-americana, porém, não parece ter a mesma opinião. No início de setembro, a Alliance for Automotive Innovation pediu ao Congresso do país que transforme as restrições atuais em uma proibição permanente à venda, importação e fabricação de veículos conectados chineses nos Estados Unidos.

O que você pensa sobre isso?

A associação reúne praticamente todas as grandes fabricantes e grupos instaladas no país, incluindo Ford, General Motors e Stellantis, além de Toyota, Volkswagen, Hyundai e Honda. O pedido é para que o Congresso aprove a medida ainda neste ano.

As montadoras argumentam que as fabricantes chinesas avançam em outros mercados apoiadas por subsídios do governo de Pequim e alertam também para os riscos envolvendo softwares, componentes conectados e coleta de dados.

Compartilhe este artigo
Envie seu flagra! flagra@motor1.com