Teste rápido: BYD Yuan Plus é lobo em pele de cordeiro de 449 cv e mira Volvo EX30
Reposicionado, SUV quer brigar no andar de cima e até flertar no público premium; consegue?
Um pega-bobo. Essa, talvez, seja a melhor definição para o novo BYD Yuan Plus, reposicionado pela chinesa em sua linha 2027 e, agora vendido em versão única, com tração AWD e quase 500 cv de potência. A mudança tenta reanimar as vendas do SUV, que não empolgaram tanto quanto seus irmãos menores - e híbridos - da linha Song. E, ao que depender dos números, tem potencial para isso.
Lançado originalmente em 2022, o Yuan Plus não é exatamente o que se pode chamar de sucesso. Ele veio em uma fase um tanto desconhecida da BYD junto ao público comum, ainda longe das propagandas em horário nobre na TV, e continuou um outsider dentro da gama da chinesa desde então. Em 2026, por exemplo, foram só 837 unidades emplacadas entre janeiro e março.
Como é o Yuan Plus AWD 2027
Não que a linha renovada seja revolucionária. Na verdade, está bem longe disso. Ele continua com visual pacato e familiar, e já mesmo atualizada começa a mostrar sinais de idade comparado aos novos carros da BYD, como os SUVs da linha Atto. A grande novidade, de fato, está onde ninguém vê.
Com a família Song indo muito bem na faixa dos SUVs médios, a BYD enxergou que há um nicho sem elétricos mais potentes na parte alta dos R$ 200 mil. De exceção, o grande destaque é o Volvo EX30, e é justamente com ele que o Yuan Plus pretende concorrer.
Para isso, a marca deixou de lado a configuração vendida até 2026, quando ainda era oferecido na versão GL. Saem os 204 cv e 31,6 kgfm de torque do motor único dianteiro, mesmo do Dolphin Plus, passando agora para 224 cv e 28,6 kgfm no eixo dianteiro e 225 cv e 28,6 kgfm. Juntos, são 449 cv e 57,1 kgfm, graças ao ingresso de um motor traseiro. Sim, você não leu errado. Mas falaremos da motorização mais tarde.
O design também sofreu leves alterações. Na dianteira, ele tenta se aproximar do Atto 8, principalmente pela barra superior em preto brilhante que une os faróis. O para-choque perdeu os grandes recortes triangulares nas extremidades e passou a adotar entradas de ar laterais menores e mais discretas, enquanto a tomada de ar inferior ficou mais larga e integrada. Ironicamente, também ficou menos esportiva do que antes.
Na lateral, as mudanças são discretas e ficam concentradas principalmente nas novas rodas de liga leve agora com desenho menos chamativo e que até lembram calotas. De aro 18'', ela é sempre pintada de grafite e conta com bons pneus 215/55 Hankook Ion GT SUV Sound Absorver EV.
Já na traseira, a barra de LED que une as lanternas foi mantida, mas ganhou um novo grafismo interno em "X", alinhado aos lançamentos mais recentes da BYD. A mudança mais notável, é claro, é a aposentadoria das letras "Build Your Dreams" na tampa, que deram lugar apenas ao logotipo da fabricante - sem iluminação - enquanto o para-choque perdeu as grandes molduras prateadas nas extremidades e passou a adotar um acabamento mais simples.
Na traseira, maior novidade está no fim das letras Build Your Dreams ao centro
O layout do painel segue o mesmo, com linhas onduladas - e que cairiam melhor em um carro da linha Ocean do que em um Dynasty - mas agora com tonalidade quase totalmente preta. Há alguns poucos detalhes em cinza, além das costuras dos bancos claras, mas bem longe dos tons diversos de antes.
Por falar em tonalidade, o Yuan Plus ficou mais careta do lado de fora. O belo tom de azul do modelo anterior deixou de ser oferecido, sendo agora oferecido apenas em cores monocromáticas: Time Grey (cinza), Skiing White (branco) e Obsidian Black (preto). Para um carro que quer apelar mais ao emocional, faz falta opções de cores mais vivas.
Modificações visuais e mecânicas não mudaram dimensões, mas porta-malas está maior
Ele também está mais tecnológico, graças a nova multimídia de 15,6'' e um novo cluster para os instrumentos de 8,8'', que agora passa a contar com visualização do GPS via Waze e Maps tal como no Song Plus e no Dolphin SE. Por fim, o porta-malas ganhou um adicional de 178 litros, indo agora aos 490 litros, na parte traseira e um inédito frunk de 101 litros.
Por fim, nas medidas, nada muda. Continua a contar com 4.455 mm de comprimento, 1.875 mm de largura, 1.615 mm de altura e possui distância entre-eixos de 2.720 mm. É consideravelmente mais do que o Volvo EX30, que conta com 4.233 mm, 1.836 mm, 1.555 mm e 2.650 mm, respectivamente.
Como anda
Lembra o que eu disse sobre a potência? Apesar do visual pacato, estamos falando de um SUV médio com potência parecida com a de alguns Porsches de entrada, e isso pede alguma atenção extra de motoristas menos experientes com carros tão potentes.
A tração integral que veio junto da atualização do motor ajudou muito nesse sentido, sente-se o carro mais firme nas curvas, sem sustos, mas é comum cantadas de pneus em acelerações mais pesadas. Na aceleração, o SUV conseguiu ir dos 0 a 100 km/h em 4,1 segundos, pouco mais do que os 3,9 segundos divulgados oficialmente, mas números ainda impressionantes para um modelo que não tem proposta esportiva.
Já no consumo, foi ainda melhor do que os dados oficiais, com 7,8 km/kWh na cidade e 5,6 km/kWh na estrada, muito graças ao uso das baterias Blade de 74,88 kWh.
Vale?
É inegável que o Yuan Plus ganhou fôlego extra com a nova motorização, mas ainda é cedo para dizer se o SUV ganhará uma nova chance no mercado. Predicados ele tem, principalmente ao oferecer um nível de potência, torque e aceleração sem igual na mesma faixa de preço.
O grande problema é que elétricos, por si só, já não são novidade e não conseguem atrair o cliente da faixa dos R$ 200 a R$ 300 mil com o mesmo apelo de um híbrido plug-in. A maior prova disso está no gap de vendas do SUV e do Song Plus. De qualquer forma, qualquer ganho em relação ao volume atual, mesmo que pequeno, já será considerável.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)/Teste: David Costa
BYD Yuan Plus AWD
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