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Teste: Jetour T2 1.5 PHEV tem visual de off-road e é mais barato que Tank 300

Rivalizando tanto com SUVs tradicionais quanto os aventureiros, SUV prova que tamanho também pode significar economia e refinamento

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 2026 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Carroceria de SUV, visual de jipe, bom acabamento e consumo parecido como de um carro de entrada. Parece sonho, mas é o que propõe a estreante Jetour com seu maior modelo oferecido por aqui, o T2. Pense só: por menos de R$ 300 mil, preço de médios comuns, a marca do grupo Chery te oferece um modelo pouco menor do que um Toyota SW4 e que parece muito mais caro do que realmente é.

Ao menos em outros mercados, a proposta parece ter encontrado seu público. Recentemente, a Jetour anunciou que o modelo - que não é exatamente barato em nenhum lugar onde é vendido - já passou da marca de meio milhão de unidades em cerca de 33 meses. Não é pouco e reforça que há interessados nesse tipo de proposta.

Maior - e mais refinado - que o Tank 300

Visualmente, tal como acontece no T1, ele é inegavelmente próximo de um Land Rover Defender da geração atual. As semelhanças aparecem principalmente na traseira, com tampa que se abre lateralmente, estepe pendurado com cobertura plástica e amplas caixas de roda. A dianteira, por sua vez, aposta mais em "homenagens" aos Jeep, com a grade dianteira que remete às tradicionais fendas, enquanto o layout dos faróis e do para-choque lembra bastante um Ford Bronco.

No porte, falamos de um carro levemente maior do que o GWM Tank 300 - outro chinês com apelo off-road mais rústico e quadradão. O T2 conta com 4.785 mm de comprimento (com estepe), 2.006 mm de largura, 1.875 mm de altura e entre-eixos de 2.800 mm. Para se ter uma ideia, ele é maior em comprimento e entre-eixos do que o rival da GWM, que mede 4.760 mm e 2.750 mm, respectivamente. Já na mala, são 580 litros, bem mais do que os 360 litros do Tank.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Falando no porta-malas, a tampa mantém a abertura lateral - com abertura para a direita - é típica de utilitários desse tipo e ainda utiliza um sistema de sucção que puxa a porta nos centímetros finais do fechamento. A ideia é transmitir uma sensação de requinte, dispensando a necessidade de batê-la.

Na prática, porém, é comum esquecer que basta apenas encostá-la para o mecanismo atuar, resultando naquele estampido típico de quem bateu a porta com força. A abertura, feita em 90º, também exige um pouco mais de atenção na hora de estacionar.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

O impacto visual diminui um pouco ao abrir a porta. Se por fora o T2 realmente parece um SUV de categoria superior, por dentro ele entrega exatamente o que se espera de um produto em sua faixa de preço.

Há material macio ao toque em praticamente todo o painel e nas portas, boa montagem e acabamento caprichado, mas sem o refinamento que o desenho externo faz imaginar. No geral, a escolha de materiais foi feliz, com a cabine combinando tonalidade preta com detalhes em prata. Mesmo sendo uma versão de entrada, surpreende o enorme teto solar panorâmico que ocupa boa parte da área envidraçada.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Seguindo uma tendência comum entre as fabricantes chinesas, a maioria das funções está concentrada na central multimídia de 15,6". Os comandos dos faróis estão lá, assim como os ajustes dos espelhos retrovisores externos e a seleção dos modos de condução. Para regular a inclinação dos espelhos, por exemplo, o motorista é obrigado a navegar pelas várias subtelas da central e, mesmo sendo rápida e sem travamentos, ela ainda deixa essa operação pouco intuitiva no dia a dia.

Em compensação, a conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay funcionou de maneira impecável durante toda a semana em que o carro esteve na redação do Motor1.com Brasil, sem qualquer desconexão ou instabilidade.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Entre os pontos negativos estão algumas traduções - ou a falta delas - tanto no cluster de instrumentos quanto na central multimídia. Há frases como "o carro da frene se movimentou", além de traduções literais que não fazem sentido em português brasileiro e o uso frequente de termos de Portugal, como "travão". Tipo de coisa, é claro, que atualizações certamente resolverão e que não atrapalham a vida a bordo.

À frente do motorista, o cluster digital de 10,25" foge do padrão adotado por muitos rivais e fica integrado ao painel, em vez de parecer uma tela flutuante. O desenho vertical da cabine amplia ainda mais a sensação de espaço.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Os bancos seguem a mesma proposta do restante do interior, com desenho bastante reto e pouca preocupação em envolver o corpo. A espuma poderia ter densidade um pouco maior para um SUV dessa faixa de preço e pessoas de menor estatura podem demorar um pouco para encontrar uma posição realmente confortável ao volante. Ainda assim, sobra espaço em praticamente todas as direções. Para facilitar o acesso, o T2 traz estribos laterais e alças de apoio nas colunas dianteiras.

Atrás, a vida é tranquila para os passageiros, que tem espaço mais do que suficiente para pernas e cabeça graças ao entre-eixos de 2,80 m. O piso quase plano permite acomodar três adultos com conforto, enquanto as saídas dedicadas do ar-condicionado e as portas USB ajudam quem costuma viajar por longos períodos.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Desde a versão Advance há banco do motorista com ajustes elétricos, memória e função de afastamento automático para entrada e saída. O passageiro dianteiro, porém, não recebe ajuste de altura nem de apoio lombar, item restrito a versão Premium.

O console central abriga duas portas USB dianteiras (uma do tipo A e outra do tipo C), carregador de celular por indução e um amplo apoio de braço com compartimento refrigerado. Na parte superior do console há alguns comandos físicos. É dali que o motorista ativa ou desativa o assistente de permanência em faixa. Logo abaixo, à esquerda, fica um atalho para o sistema de câmeras 540°, facilitando manobras sem depender da navegação pela central multimídia.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Já do lado oposto, no canto superior direito, está o comando tradicional do desembaçador do para-brisa. A tecla inferior aciona diretamente o ar-condicionado, embora continue sendo necessário recorrer à tela para ajustar temperatura, intensidade da ventilação e direcionamento do fluxo de ar.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Como anda

A bordo do T2, a expectativa é que os 320 cv apareçam imediatamente ao menor toque no acelerador, como acontece em muitos eletrificados. Ledo engano. No dia a dia, a entrega não consegue esconder o peso de tirar os 2.110 kg da imobilidade.

Na verdade, sabe-se exatamente quando ele entra com o motor a combustão e quando atua apenas no elétrico pelo comportamento do curioso câmbio DHT de três marchas com embreagem tripla. Ele não faz questão nenhuma de ser discreto: a transição entre as marchas físicas é tão nítida que você sente no pé exatamente quando o comportamento do carro muda, independentemente do modo de condução selecionado.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Funciona assim: abaixo de 20 km/h, o motor a combustão permanece desligado e o SUV roda puramente no modo elétrico. A partir daí, a transmissão engata a primeira marcha e conecta o motor térmico para ajudar na força. Próximo aos 50 km/h, o sistema passa para a segunda marcha, focando em velocidades urbanas. Acima dos 80 km/h, entra a terceira marcha, funcionando como uma relação mais longa para privilegiar a eficiência na estrada.

O sistema nunca esgota completamente a bateria de tração, mantendo cerca de 15% de carga disponível. A partir desse ponto, o motor a combustão passa a trabalhar com maior frequência para recuperar energia. O carro fica perceptivelmente mais fraco e nota-se o ruído do propulsor. Com menor carga disponível, o desempenho naturalmente também cai. Durante nossos testes instrumentados, registramos 9,4 segundos no 0 a 100 km/h, bem acima dos 7,5 segundos divulgados oficialmente.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 2026 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Mais econômico que muito 1.0 

Já no consumo, mesmo com os testes realizados já com a bateria em baixa carga, o resultado surpreendeu: foram 16,7 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada, contra 11,4 km/l e 10,5 km/l informados pela Jetour. No modo totalmente elétrico, também superou o Inmetro: percorremos 87 km, ante os 75 km homologados.

Curiosamente, foi melhor que o GWM Haval H6 PHEV35 - que custa a mesma coisa e também é um SUV médio plug-in - que testamos com os mesmos padrões no início do ano. Na ocasião, o modelo atingiu 12,2 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada. 

Na direção, surpreendeu positivamente no uso diário, embora quem venha de carros menores estranhe suas dimensões nos primeiros quilômetros. O diâmetro de giro de 11,64 metros ajuda bastante nas manobras, mas a ausência de sensor de estacionamento dianteiro - disponível apenas na versão Premium - é difícil de justificar em um veículo de mais de 4,70 metros e com tantos pontos cegos.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Depois de alguns quilômetros, porém, você se acostuma com as dimensões e o T2 passa bastante confiança em curvas. Mesmo com 1.875 mm de altura, a suspensão independente nas quatro rodas, com conjunto multilink na traseira, controla bem os movimentos da carroceria e passa um rodar sólido. Os bons ângulos de entrada e saída também fazem com que valetas, lombadas e acessos de garagem deixem de ser motivo de preocupação no uso cotidiano.

Também não espere que a potência e o visual se traduzam em comportamento esportivo. A carroceria ainda apresenta rolagem acima da média - algo difícil de evitar em um SUV tão alto e de linhas retas - e os pneus Chaoyang RP76, na medida 255/60 R19, começam a demonstrar seus limites quando o ritmo aumenta, especialmente em curvas mais fechadas.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Vale a pena?

O Jetour T2 surpreende pela construção geral e pelo consumo para um modelo desse porte. Você dificilmente encontrará algo semelhante entre os SUVs a gasolina na mesma faixa de preço, e é inegável que o carro causa um verdadeiro frisson por onde passa.

Em dois anos de avaliações no Motor1.com Brasil, por exemplo, foi o SUV que mais atraiu curiosos. Diversas pessoas perguntaram sobre sua origem, se era elétrico e até se se tratava de algum novo modelo da Land Rover. E sabemos que, para parte do público, esse fator novidade pesa bastante a favor na hora de confirmar o pix.

Jetour T2 1.5 PHEV Advance 4X2 2026 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

De qualquer forma, se você simplesmente procura um SUV diferente de um Volkswagen Tiguan, Jeep Commander ou qualquer outra referência na faixa dos R$ 300 mil, ele cumpre seu papel de forma exemplar e com gostinho de produto diferente. Poderia melhorar? Sim. Os pneus urbanos fogem da proposta aventureira e a ausência de tração integral pode frustrar quem busca um off-road raiz. A Jetour, contudo, justifica a escolha do 4x2 pelo fato de que a imensa maioria dos donos de SUVs utilitários raramente sai do asfalto

A chinesa promete, ainda em 2026, lançar uma nova configuração com sistema AWD e potência próxima dos 600 cv para enfrentar o GWM Tank 300 em condições de maior igualdade. Ela, porém, deverá custar algo em torno de R$ 350 mil.

O que você pensa sobre isso?

Conselho de amigo? Se você já decidiu levar um T2 vale a pena investir os R$ 10 mil da diferença para a versão Premium. Os itens exclusivos, como o sistema de som Sony, a grade iluminada com animação ao travar e destravar as portas, as rodas de 20'' e a iluminação ambiente configurável fazem mais diferença no dia a dia do que o preço sugere. 

Fotos: Mario Villaescusa para o Motor1.com/Teste: David Costa

   

Prós

  • Visual robusto
  • Bons ângulos de entrada e saída
  • Bem equipado
   

Contras

  • Tração 4X2
  • Peso perceptível no consumo e na aceleração
  • Diferença pequena de preço para versão topo

Jetour T2 FWD PHEV

Motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.499 cm3comando duplo com variador no escape e admissão, injeção direta, turbo, gasolina + elétricos
Potência e torque Combinada: 320 cv e 62,2 kgfm; Elétricos: 122 cv e 22,4 kgfm (dianteiro) e 102 cv e 17,3 kgfm (traseiro)
Bateria 26,7 kWh
Transmissão automática DHT; 3 marchas com embreagem tripla; tração dianteira (4x2)
Suspensão McPherson na dianteira, independente multilink na traseira; rodas de aro 19'' com pneus 255/60
Comprimento e entre-eixos 4.785 mm; 2.800 mm
Altura 1.875 mm
Largura 2.006 mm
Peso 2.110 kg em ordem de marcha
Capacidades porta-malas: 580 litros; tanque de combustível: 70 litros
Preço como testado R$ 289.900
Aceleração 0 a 60 km/h: 4,9 s; 0 a 80 km/h: 7,2 s; 0 a 100 km/h: 9,4 s em 144,13 m/ 201 metros em 11,03 s a 112,15 km/h
Retomada 40 a 100 km/h (em S): 6,1 s em 119,01 m; 80 a 120 km/h (em S): 5,1 s em 141,91 m
Autonomia elétrica 87 km
Consumo de combustível cidade: 16,7 km/l; estrada: 13,5 km/l (gasolina)
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