GAC Aion UT será feito no Brasil: produção começa neste ano
Hatch elétrico será o primeiro GAC montado em Catalão (GO), na fábrica da HPE Automotores
O GAC Aion UT será o primeiro carro da fabricante chinesa produzido no Brasil. A confirmação foi feita nesta terça-feira (29) por Mauro Correia, CEO da HPE Automotores, durante um dos painéis do Summit Futuro da Mobilidade 2026, evento organizado pela revista Autoesporte e pelo jornal Valor Econômico.
Segundo Correia, as primeiras unidades do hatch elétrico serão montadas ainda neste ano na fábrica de Catalão (GO), onde atualmente são produzidos os modelos Mitsubishi Eclipse Cross e Triton. A operação começará em regime SKD (Semi Knocked Down), com os veículos enviados parcialmente desmontados da China para a montagem local, num processo semelhante ao adotado inicialmente pela BYD em Camaçari (BA).
O executivo da HPE também confirmou que a unidade de Catalão deverá estar preparada, dentro de aproximadamente um ano, para ampliar as etapas industriais, avançando para processos de montagem mais completos e com maior índice de nacionalização.
A escolha do Aion UT não chega a surpreender. Lançado no Brasil no início de junho, o hatch elétrico rapidamente se tornou o carro mais vendido da GAC no País, superando o SUV híbrido GS4 e assumindo um protagonismo comercial que inicialmente era esperado de outros modelos da fabricante.
A decisão também representa um passo importante para a HPE, tradicional parceira industrial da Mitsubishi Motors no Brasil, que passará a produzir veículos de uma segunda fabricante em Catalão.
Fábrica HPE - Catalão (GO)
Produção começa em SKD, mas terá mais etapas
O início da montagem do Aion UT ocorrerá na estrutura industrial da HPE Automotores, responsável pela produção nacional da Mitsubishi Triton e do Eclipse Cross. A empresa, que também representa a Suzuki Veículos no Brasil, será a parceira da GAC nesta primeira etapa de fabricação local, aproveitando a estrutura já instalada em Goiás para receber os componentes importados da China e realizar a montagem dos veículos localmente.
O regime SKD permite iniciar a operação com investimentos e adaptações industriais menores do que os necessários para uma linha de produção completa. Nesse formato, os veículos chegam ao País em conjuntos parcialmente montados, enquanto etapas como estampagem, soldagem e pintura da carroceria podem permanecer concentradas na fábrica de origem. A extensão exata das atividades realizadas em Catalão dependerá da configuração industrial definida pelas empresas.
A previsão apresentada por Mauro Correia é que, em cerca de um ano, a fábrica esteja apta a incorporar novas etapas produtivas, avançando para um processo de montagem mais completo, peça a peça, e ampliando gradualmente o conteúdo nacional. O executivo não detalhou, durante a confirmação, o volume inicial de produção, o investimento específico destinado ao Aion UT ou o percentual de nacionalização previsto para essa segunda fase.
A operação brasileira da GAC terá, portanto, início com o modelo que apresentou a melhor resposta comercial desde a chegada da fabricante ao País. Até então, a expectativa era de que a produção nacional pudesse contemplar outros veículos da linha, como o SUV compacto GS3, que chegou com mecânica tradicional e expectativa de maior volume. Mas o desempenho do hatch elétrico acabou colocando o Aion UT na dianteira dos planos industriais.
Galeria: GAC Aion UT Elite
Aion UT virou o carro mais vendido da GAC
Os números ajudam a explicar a escolha. Segundo os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Aion UT acumulou 2.725 emplacamentos até agosto, último mês completo com dados consolidados. Desse total, 1.549 unidades correspondem à versão Elite, de R$ 159.990, enquanto outras 1.176 são da Premium, que custa R$ 139.990. O volume foi suficiente para superar o SUV híbrido GS4, que registrou 2.657 unidades entre janeiro e agosto.
O resultado chama atenção especialmente pelo pouco tempo de mercado. Em apenas três meses de comercialização, o Aion UT passou à frente de um modelo que já vinha sustentando boa parte das vendas da GAC no Brasil. E ganhou relevância comercial diante do GS3, que chegou no início do ano com a expectativa de alcançar volumes expressivos.
A preferência pelo Aion UT dentro da linha GAC é particularmente interessante porque contraria a premissa de que um SUV compacto a combustão teria maior facilidade para conquistar compradores. Embora ainda seja cedo, os resultados indicam que o consumidor brasileiro tem demonstrado maior interesse por hatches elétricos do que modelos com mecânica tradicional.
Elétricos em alta explicam escolha da GAC
O desempenho do Aion UT acompanha o crescimento do mercado brasileiro de veículos eletrificados. Segundo a ABVE, o País registrou 57.386 emplacamentos de eletrificados leves em agosto, dos quais 27.166 foram de automóveis 100% elétricos. No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, as vendas de eletrificados chegaram a 328.477 unidades, crescimento de 160,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Embora modelos como BYD Dolphin Mini, Dolphin e Geely EX2 ainda concentrem volumes muito superiores, o Aion UT conseguiu conquistar espaço numa faixa de preço mais elevada, entre R$ 140 mil e R$ 160 mil. Além de se tornar o GAC mais emplacado, o hatch já aparece entre os elétricos de maior volume do mercado brasileiro, mesmo tendo iniciado sua comercialização somente em junho.
O modelo também reúne características que ajudam a explicar sua aceitação. Com 4,27 metros de comprimento e 2,75 metros de entre-eixos, tem dimensões de hatch médio, cabine bastante espaçosa e porta-malas de 340 litros. As duas versões utilizam motor elétrico dianteiro de 204 cv, enquanto a configuração Elite recebe bateria de 60 kWh e autonomia homologada de 310 quilômetros pelo Inmetro. A Premium utiliza bateria de 44,12 kWh, com alcance de 253 quilômetros.
Espaço da GAC ficará ao lado da Mitsubishi, no Catalão (GO)
Catalão será a primeira base industrial da GAC no Brasil
A confirmação da produção do Aion UT também amplia a utilização da fábrica de Catalão, uma das principais operações industriais da Mitsubishi na América Latina. Além de produzir a picape Triton e o SUV Eclipse Cross, a unidade passará a receber os conjuntos importados da GAC para a montagem do hatch elétrico, inicialmente em regime SKD.
O avanço para etapas industriais mais completas, previsto por Mauro Correia para aproximadamente um ano após o início das atividades, será importante para determinar o alcance da operação nacional. A ampliação do conteúdo local dependerá da incorporação de novos processos e do desenvolvimento da cadeia de fornecedores, especialmente num veículo elétrico, cuja bateria e demais componentes de alta tensão representam parcela relevante do custo de fabricação.
Ainda não há confirmação de mudanças nos preços do Aion UT em decorrência da montagem brasileira, tampouco de quais outros modelos da GAC poderão integrar a operação de Catalão. Por enquanto, o fato novo é que o hatch elétrico, lançado há apenas três meses e já responsável pelo maior volume de vendas da fabricante no país, será também o primeiro modelo da marca a sair de uma linha de montagem nacional.
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