Teste GAC GS4 híbrido Elite 2026: aprendeu com o que a Toyota não fez
SUV médio se inspira nos Toyota, mas com preço de SUV compacto
Você já deve ter ouvido essa anedota: a GAC é a parceira chinesa de Toyota e Honda e produz carros de ambas, além dos próprios, para aquele mercado. E depois de ter andado no GS4 Elite 2026 posso dizer que a empresa já aprendeu uma coisa ou outra sobre como fazer um carro direito.
Afinal, é um híbrido com conjunto mais atualizado que o do Toyota Corolla Cross, tem mais bateria, roda mais em modo elétrico e ainda conta com um visual ousado, sem contar um pacote de equipamentos de série que supera o esperado para o seu preço de R$ 209.990. Se no papel impressiona, andando supera a expectativa pela maturidade.
Galeria: Teste GAC GS4 Elite (BR)
O único híbrido da marca, mas o mais vendido
O SUV da GAC compete no aquecido segmento dos médios, mas seu preço o coloca na faixa mais disputada, indo de modelos compactos completos topo de linha a tradicionais com porte similar, passando por novos chineses que podem ser 100% elétricos. O GS4 tem duas versões: Premium (R$ 191.990) e a aqui testada, Elite (R$ 209.990).
O GS4 é o único GAC oferecido no Brasil com motor a combustão, sendo os demais elétricos. Sob o capô, tem um sistema híbrido pleno (HEV) a gasolina, formado por um motor elétrico de 182 cv e 30,6 kgfm, associado a um motor a combustão 2.0 aspirado rodando em ciclo Atkinson, que entrega 140 cv e 18,3 kgfm. A potência combinada chega a 235 cv, sempre com tração dianteira, com a bateria de lítio ternário, com 2,1 kWh de capacidade.
Vale lembrar que o mercado brasileiro ainda engatinha na eletrificação. Por isso ter um híbrido convencional, onde você não se preocupa em carregar as baterias em fonte externa, faz sentido e facilita a vida do usuário. Quando a Toyota renovou o Corolla Cross, perdeu a oportunidade de atualizar o conjunto da versão híbrida, que manteve o 1.8 flex de somente 122 cv de potência combinada, ao invés de usar o novo conjunto 2.0 com baterias atualizadas de um conjunto usado no exterior - e ainda assim menores que as do GAC.
O consumo homologado pelo Inmetro é de 14,1 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada, mas os testes do Motor1.com Brasil obtiveram números melhores, de 18,5 km/l e 15,6 km/l respectivamente. A direção é elétrica, a suspensão dianteira é McPherson independente e a traseira é multilink independente. Os freios dianteiros usam discos ventilados e, atrás, discos sólidos. A capacidade do tanque de combustível é de 50 litros, enquanto o porta-malas oferece 638 litros.
As duas versões do GAC GS4 compartilham um pacote amplo de itens de série. Como destaque, ar-condicionado automático (mas não de duas zonas, apenas uma), banco do motorista com ajustes elétricos, chave presencial, freio de estacionamento eletrônico com autohold, portas USB dianteiras e traseiras e sistema multimídia com tela de 10,1" com Apple CarPlay sem fio (mas Android Auto, apenas com aplicativo externo).
Em segurança, são 6 airbags, piloto automático adaptativo, aviso de mudança de faixa, assistente de manutenção de faixa, alerta de colisão frontal e frenagem autônoma de emergência com reconhecimento de pedestres e ciclistas. Na versão Elite, são acrescentados alerta de colisão em ré com frenagem, monitor de ponto cego e assistente de mudança de faixa.
Esta versão ainda acrescenta rodas de 19", porta-malas com abertura e fechamento elétricos, teto panorâmico, banco do passageiro com ajuste elétrico, luz ambiente, Head-Up Display, painel de instrumentos digital de 10,25", carregador de celular por indução, aviso de não afivelamento dos cintos de segurança no banco traseiro, câmera com visão de 360 graus e trava eletrônica para crianças no banco traseiro.
Baque e alegria
Numa das visitas que fizemos às loja da GAC antes mesmo da estreia da marca, lembro de o vendedor ter citado a parceria com Toyota e Honda três vezes em menos de meia hora. A marca está bancando muito nesse fator. Mas, aos olhos, o GS4 pode lembrar outros carros, mas não os sóbrios das japonesas.
As linhas são ousadas, angulares e sem medo de ser feliz. A GAC diz que o visual traz inspiração na franquia Guerra nas Estrelas, e parece mesmo. O GS4 parece uma nave pronta para disparar no espaço. No entanto, da mesma forma que há espaço para um carro chamativo, há outro para modelos discretos e o SUV da chinesa pode não ser para todo mundo. Talvez por isso o carro tenha vindo para o teste na discreta cor preta, escondendo os apliques pretos nas caixas de rodas, que ficam contrastantes com a carroceria nas outras cores.
Fica o destaque para a dianteira, tridimensional e com elementos cromados dentro dos buraquinhos da grade. Conforme você passa pelo carro, o reflexo vai mudando. Na traseira, as lanternas em ângulo e a terceira luz de freio continuam a temática espacial.
Por dentro, a loucura continua: as maçanetas internas são alavancas integradas nos puxadores, enquanto o grande "cilindro" no painel abriga na ponta direita uma enorme aleta para o controle de temperatura. Comparando aqui não apenas com Toyota e Honda, mas com outras chinesas que tentam reinventar a roda, a GAC mostrou uma maturidade ímpar: entrega uma cabine diferente de qualquer rival sem complicar o que não precisa.
O padrão de acabamento é elevado, com bastante uso de materiais macios ao toque em toda a cabine. A multimídia peca por não ter Android Auto de série, mas pelo menos é fácil e rápida de usar. O banco traseiro também é espaçoso, apesar de ser um espaço com pouca visibilidade por conta das grandes colunas traseiras.
Mas há algo que a GAC manteve de suas parceiras japonesas: o acerto de condução do GS4. O SUV tem uma suspensão levemente puxada para o firme e uma direção relativamente leve. Em outras palavras, anda como qualquer carro da Toyota, incluindo o silêncio a bordo.
A comparação mais óbvia seria com o Corolla Cross HEV, pelo tipo de propulsão. Mas as entregas do GAC GS4 são superiores. Com baterias de maior capacidade, o SUV chinês roda mais tempo no modo elétrico antes de acionar o propulsor a combustão, por isso nosso teste de consumo superou até o declarado pelo Inmetro. E como tem 235 cv, não 122 cv como o Toyota, o desempenho é superior. Continua sendo um SUV relativamente pesado, não é dado a estripulias, mas um 0 a 100 km/h registrado em 8,2 segundos é para deixar o Corolla Cross HEV e seus 12,9 segundos literalmente para trás.
Após uma semana com o GAC GS4 Elite, ele me respondeu uma pergunta que ninguém jamais pensou em fazer: e se a Toyota fosse ousada? O SUV da chinesa consegue entregar um visual muito menos conservador, um pacote de equipamentos recheado e desempenho melhor, mas o faz cobrando menos que o Corolla Cross HEV mais barato (XRX Hybrid, R$ 219.890). E a versão de entrada ainda tem preço mais próximo do Yaris Cross híbrido mais caro (XRX Hybrid, R$ 189.990).
Com tantos tipos de híbridos disponíveis, o pleno (HEV) é o mais amigável para os compradores de primeira viagem que querem eletrificação, não perturbação. O GAC GS4 é essa solução para quem não quer a sobriedade de um carro japonês.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
GAC GS4 Elite 2026
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