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Após fechar lojas, JAC Motors entra em segunda recuperação judicial

Grupo SHC, de Sérgio Habib, fez novo pedido à Justiça para renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas envolvendo 44 empresas

JAC Hunter HD 4x4 AT
Foto de: JAC Motors Brasil
Thomas Tironi Thomas Tironi

O empresário Sérgio Habib, responsável pela JAC Motors no Brasil desde 2011, terá de enfrentar mais uma recuperação judicial. Na última terça-feira (6), o Grupo SHC, que controla a operação da marca chinesa no país, entrou com um novo pedido para renegociar R$ 239,5 milhões em dívidas, envolvendo nada menos que 44 empresas. A informação foi revelada em primeira mão pela revista EXAME, que já acompanhava as negociações do grupo com seus credores.

Não é a primeira vez que Habib passa por isso, já que a SHC havia recorrido à Justiça em 2018, depois de enfrentar os efeitos do chamado super IPI do Inovar-Auto e ver seus planos de construir uma fábrica da JAC no Brasil ficarem pelo caminho. De lá para cá, a operação encolheu bastante, a ponto de a marca vender apenas 988 automóveis e comerciais leves em 2025, uma queda de 51,1% em relação ao ano anterior.

jac j3

Marca estreou com pompa, propaganda com Faustão e linha J3 com valores menores do que rivais

Não é a primeira vez

Em novembro de 2018, quando as dívidas do grupo alcançaram R$ 517,7 milhões, a empresa apontou a crise do mercado brasileiro e as regras do Inovar-Auto entre os principais motivos para suas dificuldades, especialmente pelo aumento dos impostos sobre veículos importados, dos quais a JAC dependia para abastecer suas concessionárias.

Quando desembarcou no Brasil, em março de 2011, a chinesa abriu 50 concessionárias em um único dia, apostando em carros mais equipados e baratos que os concorrentes. As boas vendas iniciais levaram Sérgio Habib a anunciar uma fábrica na Bahia, com investimentos previstos de R$ 1 bilhão, mas o projeto nunca saiu do papel.

Além das dificuldades com a JAC, o SHC enfrentou o fim de uma parceria de 28 anos com a Citroën, que durante muito tempo representou uma parte importante dos negócios do grupo. O plano da primeira recuperação judicial foi homologado em setembro de 2019, mas o processo só terminou em maio de 2025, apenas 17 meses antes do novo pedido.

Segundo a EXAME, o grupo negociava uma nova reestruturação com os credores, tentando manter parte das dívidas fora do processo. Um único banco teria mais de R$ 100 milhões a receber, enquanto outras instituições financeiras enfrentariam dificuldades para localizar e recuperar veículos dados como garantia dos empréstimos.

JAC tentou elétricos, mas sem sucesso 

Passada a primeira crise, a marca tentou mudar sua gama de produtos e apostar no crescimento dos carros elétricos, sendo uma das primeiras a oferecer modelos mais acessíveis no país, como o hatch compacto E-JS1, derivado do antigo J2. Como na primeira fase, a aposta acabou sendo quase um voo de galinha, já que a chegada de rivais mais baratos e modernos afetou bastante a competitividade da linha.

Em agosto, a revista Autoesporte revelou que a JAC havia deixado de vender o SUV elétrico E-JS4 e o sedã E-J7, reduzindo sua gama praticamente ao E-JS1 e à picape Hunter. Pouco depois, visitamos duas concessionárias da marca em São Paulo e encontramos a antiga loja da avenida Gastão Vidigal praticamente vazia, com apenas um funcionário e três exemplares do pequeno elétrico, enquanto toda a operação comercial havia sido transferida para a sede da empresa, no bairro do Limão, na zona norte da capital.

Lá, conversamos com Nicolas Habib, filho de Sérgio e CFO do Grupo SHC, que explicou que a empresa estava tentando novamente mudar seu modelo de negócios, desta vez concentrando as vendas na internet e no atendimento por telefone, enquanto cerca de 150 oficinas credenciadas continuariam responsáveis pela manutenção e pelo pós-venda.

Na mesma conversa, Nicolas também explicou por que a marca havia desistido de lançar o E-JS3, hatch elétrico que chegou a ser homologado e preparado para enfrentar BYD Dolphin Mini e Geely EX2.

Segundo ele, a volta do Imposto de Importação de 35% sobre carros elétricos inviabilizou os preços planejados para o modelo, justamente quando a JAC já enfrentava dificuldades para competir com as novas chinesas. Para ter uma ideia, o E-JS1 emplacou apenas 119 unidades no primeiro semestre de 2026, contra 42.946 exemplares do Dolphin Mini no mesmo período.

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Marca prometeu rival do Jeep Commander para novembro

Mesmo com a linha reduzida e a aposta nas vendas on-line, o executivo reafirmou ao Motor1.com que pretendia voltar a ampliar sua gama ainda em 2026. A promessa é apresentar em meados de novembro o JS8 Pro, SUV de sete lugares com porte semelhante ao Jeep Commander e ao CAOA Chery Tiggo 8, que nossa reportagem conheceu em primeira mão na sede da empresa, em São Paulo.

Com a abertura do novo pedido de recuperação, fica a dúvida se a marca manterá firme o compromisso do novo lançamento. Até o momento, o grupo SHC não deu novos detalhes, datas ou confirmações sobre o modelo, o que deixa em aberto se ele realmente chegará por aqui.

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