Mitsubishi Eclipse Cross ganha versão GLS por R$ 155.990
Nova versão mantém motor 1.5 turbo de 165 cv e sete airbags, mas perde alguns equipamentos
A Mitsubishi Motors ampliou silenciosamente a linha do Eclipse Cross 2027 com uma nova versão de entrada. Batizada de GLS, a configuração já aparece no configurador oficial da marca por R$ 155.990 e aposta em uma lista de equipamentos mais enxuta para colocar o SUV médio na mesma faixa de preço dos compactos mais vendidos do Brasil.
A novidade chega na esteira do recente reposicionamento da Mitsubishi no mercado nacional. Conforme noticiamos no Motor1.com Brasil, a marca japonesa reduziu os preços de todos os modelos vendidos no País, com descontos que chegaram a R$ 55 mil. Agora, a GLS transforma parte dessa estratégia promocional em uma nova configuração do SUV.
Galeria: Teste: Mitsubishi Eclipse Cross Rush 2025
Eclipse Cross GLS e Rush custam o mesmo — por enquanto
Neste primeiro momento, a nova versão custa exatamente os mesmos R$ 155.990 pedidos pelo Eclipse Cross Rush. A diferença é que o valor da Rush é promocional: seu preço cheio permanece em R$ 176.990, representando uma redução temporária de R$ 21 mil.
A tendência é que a promoção da Rush seja encerrada ou reduzida nos próximos meses, deixando a GLS como a verdadeira porta de entrada da linha. A nova configuração também servirá para medir a aceitação do público por um Eclipse Cross mais acessível, porém bastante simplificado no conteúdo.
O preço coloca o SUV médio abaixo de diferentes versões intermediárias e superiores de modelos compactos como Chevrolet Tracker, Hyundai Creta, Nissan Kicks e Volkswagen T-Cross. Para alcançar essa faixa, no entanto, a Mitsubishi realizou cortes que ficam evidentes principalmente dentro da cabine.
Mitsubishi Eclipse Cross Black 4x4 2026
Sem central multimídia e câmera de ré
A ausência mais perceptível é a central multimídia de 10,25 polegadas, que na versão Rush oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Em seu lugar, o Eclipse Cross GLS traz uma tampa plástica no painel, transformada em um pequeno porta-objetos.
O carro mantém chicote elétrico, preparação para instalação posterior de um equipamento de áudio e quatro alto-falantes nas portas. A Mitsubishi, porém, ainda não informa se venderá uma central multimídia como acessório ou quanto custará a instalação do equipamento nas concessionárias.
A simplificação também eliminou as entradas USB-A dianteiras e a câmera de ré, que dependia da tela central para exibir as imagens. Os bancos abandonam o revestimento de couro e passam a ser cobertos por tecido, embora o acabamento mais sofisticado possa ser instalado posteriormente por um valor ainda não divulgado.
A oferta de cores também foi limitada. Inicialmente, o Mitsubishi Eclipse Cross GLS será vendido apenas na pintura sólida Branco Fuji, sem custo adicional. Por fora, o protetor inferior do para-choque dianteiro recebe acabamento preto, no lugar da peça cinza usada pelas demais versões.
MItusbishi Eclipse Cross Tarmac 2026
O que o Eclipse Cross GLS ainda oferece?
Apesar dos cortes, a versão preserva equipamentos como ar-condicionado digital automático, computador de bordo com tela colorida, volante revestido em couro, piloto automático convencional e comandos de áudio no volante. O banco traseiro mantém o ajuste de inclinação do encosto e pode ser rebatido para ampliar o compartimento de bagagens.
Por fora, o Eclipse Cross GLS traz rodas de liga leve de 18 polegadas, calçadas com pneus 225/55, luzes diurnas e lanternas traseiras de LED. Os faróis principais são halógenos, reforçando o posicionamento mais simples da nova configuração.
O pacote de segurança não sofreu cortes relevantes em relação à versão Rush. São sete airbags — frontais, laterais, de cortina e para os joelhos do motorista —, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, monitoramento da pressão dos pneus, Isofix e freios ABS com distribuição eletrônica da força de frenagem.
Mitsubishi Eclipse Cross Black 4x4 2026
Motor 1.5 turbo de 165 cv foi mantido
A Mitsubishi preservou integralmente o conjunto mecânico. O Eclipse Cross GLS utiliza o conhecido motor 1.5 MIVEC turbo de quatro cilindros, ainda movido exclusivamente a gasolina, que desenvolve 165 cv de potência e 25,5 kgfm de torque.
O câmbio é automático do tipo CVT, com modo sequencial e simulação de oito marchas. Nesta versão, a tração é dianteira, enquanto o sistema 4x4 permanece reservado às configurações mais caras da família.
Outro diferencial mantido é a suspensão independente nas quatro rodas, com arquitetura McPherson na dianteira e multilink na traseira. Trata-se de um conjunto mais elaborado do que o eixo de torção encontrado na parte traseira da maioria dos SUVs compactos que custam valores próximos.
Mitsubishi Eclipse Cross Black 4x4 2026
Tamanho de SUV médio pelo preço de compacto
O Eclipse Cross GLS mede 4,54 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,68 m de altura e 2,60 m de distância entre os eixos. A distância livre do solo é de 21,5 cm, enquanto o porta-malas acomoda 405 litros na medição convencional ou 579 litros quando considerado o espaço até o teto.
É justamente no porte que a Mitsubishi tenta compensar a lista de equipamentos reduzida. Por R$ 155.990, o modelo entrega dimensões de SUV médio, motor turbo e suspensão independente, custando menos do que versões mais completas de vários utilitários compactos.
A questão é que o segmento mudou rapidamente. Central multimídia, câmera de ré e conexão com smartphones passaram a ser vistas como equipamentos básicos mesmo em modelos consideravelmente mais baratos. A retirada desses itens pode exigir que o proprietário procure uma solução paralela logo após retirar o carro da concessionária.
Mitsubishi Eclipse Cross Black 4x4 2026
CS55 aumenta a pressão sobre o Mitsubishi
A disputa ficou ainda mais apertada com a chegada do CAOA Changan CS55, lançado no Brasil por R$ 144.990. Ou seja, o novo concorrente chinês parte por R$ 11 mil a menos que o Eclipse Cross GLS e chega ao mercado com uma lista de equipamentos muito mais generosa.
O CS55 de entrada traz central multimídia, painel digital, câmera de ré, bancos revestidos em material sintético, chave presencial, ar-condicionado digital e faróis de LED, entre outros itens. Também utiliza motor 1.5 turbo, mas associado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem. É um exemplo claro de como as marcas chinesas estão elevando a pressão sobre produtos já estabelecidos.
Além dele, o Mitsubishi ainda precisa dividir compradores com Jeep Compass e CAOA Chery Tiggo 7 entre os SUVs médios, ao mesmo tempo em que enfrenta as versões mais caras de Creta, Kicks, Tracker, T-Cross e Honda HR-V. O preço agressivo ajuda, mas a falta de itens básicos pode pesar na comparação feita dentro da concessionária.
Fábrica Mitsubishi em Catalão (GO)
Eclipse Cross precisa gerar volume em Catalão
A criação da GLS também tem uma explicação industrial. O Eclipse Cross é produzido na fábrica da HPE Automotores em Catalão (GO), onde divide as linhas com a picape Triton. A unidade tem capacidade instalada para 120 mil veículos por ano e precisa de produtos com maior volume para aproveitar melhor sua estrutura.
A própria HPE já revelou planos de ampliar fortemente a produção nacional. Como o Motor1.com Brasil mostrou anteriormente, o grupo anunciou investimentos de R$ 4 bilhões até 2032 e estabeleceu como objetivo aumentar gradualmente o volume da fábrica goiana.
Nesse cenário, baixar a barreira de entrada do Eclipse Cross é uma tentativa de aproximá-lo dos SUVs compactos e, consequentemente, ampliar as vendas. É uma receita que a própria Mitsubishi já havia ensaiado com a versão Rush, cujo lançamento foi baseado justamente na combinação de porte médio e preço de modelo menor.
A nova GLS leva essa estratégia ao limite. O consumidor recebe o mesmo motor turbo, o espaço e a estrutura das demais versões, mas precisará aceitar uma cabine sem central multimídia e câmera de ré. Em um mercado no qual o recém-chegado CS55 custa menos e entrega muito mais conteúdo, essa economia de R$ 21 mil sobre a tabela da Rush poderá cobrar um preço alto na comparação.
Enquanto isso, o Eclipse Cross já segue por um caminho completamente diferente na Europa. A nova geração elétrica apresentada pela Mitsubishi usa a plataforma do Renault Scenic E-Tech, tem motor de 218 cv, bateria de 87 kWh e autonomia superior a 600 km no ciclo WLTP. O modelo europeu, porém, não tem lançamento confirmado para o Brasil.
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