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Dona de Fiat, Peugeot e Jeep cita eleição no Brasil e pode fechar fábricas

CEO quer mais previsibilidade no Brasil e não esconde que pode fechar fábricas do Peugeot 208 e da Fiat Titano na Argentina

Nova Fiat Titano fabricada na Argentina
Foto de: Fiat
Thomas Tironi Thomas Tironi

Apesar das boas vendas no Brasil, o grupo Stellantis está cauteloso quanto aos rumos do mercado na América Latina e, em especial, na Argentina. Segundo o site local Autoblog.ar, o presidente do conglomerado na região, Herlander Zola, demonstrou insatisfação com a falta de previsibilidade nas regras para a indústria automotiva e afirmou que o resultado da disputa presidencial entre Lula e Bolsonaro poderá influenciar as próximas decisões da dona de Fiat, Jeep, Peugeot e Ram.

Na Argentina, onde a queda nas vendas e os altos custos de produção já preocupam a empresa, a situação é ainda mais delicada. Zola admitiu que pode fechar até duas fábricas mantidas no país vizinho, caso de El Palomar, responsável pelos Peugeot 208 e 2008, e de Córdoba, onde são produzidas as picapes Fiat Titano e Ram Dakota.

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Foto de: Fiat

Eleições no Brasil também preocupam o grupo

Embora o Brasil continue sendo o principal mercado da Stellantis na América do Sul, respondendo por 65% do volume regional, Zola teme que a indefinição sobre as políticas para a indústria automotiva dificulte os investimentos nos próximos anos.

A preocupação envolve principalmente o avanço das fabricantes chinesas e as condições oferecidas para quem produz veículos no país, diante da possibilidade de importar carros prontos ou montá-los a partir de kits vindos do exterior.

"Enquanto não tivermos previsibilidade sobre o que vai acontecer no mercado brasileiro, é difícil tomar com segurança qualquer decisão industrial na América do Sul", afirmou o executivo à revista EXAME, durante uma conversa com jornalistas em São Paulo.

Na avaliação de Zola, a discussão precisa acontecer independentemente de quem vencer as eleições, já que o grupo depende de regras claras para decidir onde produzir seus próximos veículos. Isso inclui definir como o Brasil pretende proteger a indústria instalada no país e quais condições serão oferecidas às novas fabricantes, especialmente aquelas que ainda dependem de componentes importados.

Stellantis admite fechar até duas fábricas na Argentina

Na Argentina, o principal problema apontado por Zola é a falta de competitividade da indústria local, que enfrenta custos de produção elevados justamente quando a abertura do mercado facilita a entrada de veículos importados. Em declarações reproduzidas pelo AutoIndústria, o executivo admitiu que o grupo considera diferentes possibilidades para suas duas unidades no país.

"O mercado aberto da Argentina nos deixou fora do jogo e tudo pode acontecer. Podemos fechar uma ou ambas as fábricas, assim como podemos mantê-las. Mas o custo de produção lá é muito elevado: em relação à mão de obra, por exemplo, é o dobro do Brasil. Além disso, a cadeia de fornecedores é pequena. A maioria das peças vem do Brasil", afirmou Zola.

O que você pensa sobre isso?

Entre as duas fábricas, a situação mais delicada é a de El Palomar, na região de Buenos Aires, responsável pela produção dos Peugeot 208 e 2008. Segundo o executivo, as picapes ainda conseguem competir melhor com os veículos importados, o que favorece a unidade de Ferreyra, em Córdoba, onde são fabricadas Fiat Titano e Ram Dakota, além do sedã Fiat Cronos.

Apesar da possibilidade de fechamento, o conglomerado ainda mantém investimentos previstos para a Argentina, incluindo a abertura de uma fábrica de motores em Córdoba, programada para dezembro. A unidade deverá produzir o 2.2 turbodiesel Multijet a partir de 2027, tanto para as picapes montadas no país quanto para exportação ao Brasil, onde o propulsor equipa a Fiat Toro e o Jeep Commander.

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