CEO da BMW questiona preços de carros chineses: 'não faz sentido'
Fala vem semanas após grupo anunciar corte de 8 mil empregos; executivo rejeita novas tarifas e defende acordo com a China
Poucas semanas depois de anunciar o corte de cerca de 8 mil empregos na Europa, a BMW voltou a colocar a pressão das fabricantes chinesas no centro da discussão. Desta vez, o novo CEO Milan Nedeljković questionou diretamente os preços praticados por algumas delas no continente, afirmando que certos valores simplesmente “não fazem sentido comercialmente”.
Em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, o executivo evitou defender novas tarifas contra os carros chineses, mas afirmou que preços que considera impraticáveis podem distorcer a concorrência e aumentar a pressão por medidas protecionistas. Para ele, Europa e China deveriam tentar resolver a questão por meio de acordos comerciais.
“Preços não fazem sentido”
Questionado sobre a possibilidade de fabricantes chinesas estarem praticando dumping na Europa, Nedeljković foi cuidadoso na resposta, mas não escondeu a insatisfação. O termo é usado no comércio internacional quando um produto é exportado por um preço inferior ao seu chamado valor normal, geralmente calculado a partir do preço praticado no mercado de origem.
Segundo o executivo, alguns carros chineses estão sendo oferecidos na Europa por valores que simplesmente não fechariam a conta do ponto de vista comercial. Para ele, preços desse tipo acabam fortalecendo justamente as alas que defendem maior proteção à indústria europeia. A BMW, por outro lado, depende fortemente do comércio internacional e continua se posicionando a favor de mercados abertos.
A discussão já ultrapassou há algum tempo os discursos das fabricantes. Desde 2024, a União Europeia cobra tarifas compensatórias adicionais sobre elétricos produzidos na China após concluir uma investigação sobre subsídios. As alíquotas foram fixadas em 17% para a BYD, 18,8% para a Geely e 35,3% para a SAIC, além de percentuais diferentes para outras fabricantes. As medidas têm duração prevista de cinco anos.
Pressão chinesa já chegou à BMW
A fala do novo CEO vem poucas semanas depois de a BMW anunciar a eliminação de cerca de 8 mil postos de trabalho até o fim de 2027. O programa de demissão voluntária faz parte de um esforço maior para reduzir custos depois de uma queda de 35% no lucro antes dos impostos no segundo trimestre e do desempenho abaixo do esperado em mercados importantes.
A China é justamente um dos pontos de maior pressão para a alemã. As vendas do grupo por lá caíram de 847.900 carros em 2021 para cerca de 626 mil unidades em 2025, enquanto fabricantes locais ganharam espaço rapidamente. Mesmo assim, o país continuou sendo o maior mercado individual da BMW no ano passado.
Agora, parte dessa mesma concorrência também chega ao mercado europeu. Marcas chinesas como BYD, Geely e SAIC ampliam sua presença no continente justamente enquanto fabricantes tradicionais tentam reduzir custos e recuperar margens.
Alemã não quer nova guerra de tarifas
Apesar das críticas aos preços, Nedeljković não defende simplesmente aumentar as barreiras contra os carros chineses. O executivo prefere que Bruxelas e Pequim negociem acordos voluntários capazes de estabelecer condições que considere mais próximas das praticadas normalmente pelo mercado.
A própria União Europeia mantém essa possibilidade aberta. Além das tarifas já em vigor, a Comissão Europeia permite que exportadores apresentem propostas de compromisso de preços como alternativa dentro das regras que regulam as medidas compensatórias.
Fonte: Frankfurter Allgemeine Zeitung, Euronews, European Commission, BMW Group
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