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Não é só a VW: BMW também fará cortes de milhares de empregos

Grupo alemão cita queda nos lucros e vendas baixas em mercados importantes; ao todo, serão 8 mil postos de trabalho

BMW X3 30 xDrive M Sport 2025
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

O Grupo BMW anunciou, na manhã desta quarta-feira (29), um amplo plano de redução de funcionários na Europa. Segundo a montadora alemã, até o fim de 2027 serão eliminados cerca de 8.000 postos de trabalho por meio de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), em resposta à queda dos lucros e ao desempenho abaixo do esperado em mercados importantes, como a China.

Para isso, a empresa oferecerá indenizações aos funcionários que aderirem voluntariamente ao programa. O acordo foi firmado com o conselho de trabalhadores e terá como foco as áreas administrativas e de desenvolvimento, sem afetar os empregados das linhas de produção.

Reestruturação mira recuperação da rentabilidade

Atualmente, a BMW emprega cerca de 150 mil pessoas em todo o mundo. Apesar de ser considerada uma das montadoras alemãs mais sólidas financeiramente, a fabricante revisou para baixo sua projeção de lucros para este ano em junho, atribuindo a decisão principalmente ao desempenho abaixo do esperado no mercado chinês, onde as vendas vêm perdendo força nos últimos meses.

Na ocasião, a empresa informou que aceleraria seus esforços para reduzir custos. Durante uma assembleia com funcionários realizada nesta quarta-feira, executivos da montadora afirmaram que o setor automotivo passa por uma transformação profunda e que o modelo de negócios da BMW precisou ser adaptado às novas condições do mercado.

Segundo participantes da reunião, a direção classificou o programa de demissão voluntária como uma medida necessária para preservar a competitividade e elevar a rentabilidade da fabricante nos próximos anos.

VW Golf e T-Roc R-Line Hybrid 2027

VW Golf 

Foto de: Volkswagen
Mercedes-AMG CLA 45 4Matic+ (2026)

Mercedes-AMG CLA 45 

Foto de: Mercedes-Benz

Indústria europeia em crise

A decisão da BMW reforça um movimento que já atinge praticamente toda a indústria automotiva europeia e, em especial, a alemã. No início deste mês, o Grupo Volkswagen confirmou um dos maiores planos de reestruturação de sua história, com a previsão de eliminar 100 mil postos de trabalho até 2030, além de reduzir significativamente sua gama de veículos e avaliar o fechamento de fábricas na Europa.

A Mercedes-Benz também vem implementando medidas para reduzir custos, enquanto a Porsche anunciou nesta semana que pretende diminuir seu quadro de funcionários em aproximadamente 20% até 2035. Já trabalhadores da Audi realizaram protestos na fábrica de Neckarsulm após o avanço dos planos de reorganização do Grupo Volkswagen.

Concorrência chinesa aumenta pressão

Os cortes acontecem em um momento de transformação acelerada da indústria automotiva europeia. Além dos elevados investimentos exigidos pela eletrificação, as fabricantes tradicionais enfrentam uma concorrência cada vez maior de marcas chinesas e ainda precisam lidar com as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre veículos importados.

Os números mais recentes do mercado alemão explicam em parte essa mudança. Em junho, os emplacamentos de veículos cresceram 15,7%, impulsionados principalmente pelos modelos elétricos. Entre os destaques esteve a gigante chinesa BYD, que registrou 6.259 unidades, um avanço de 273,7% na comparação anual e suficiente para superar a Toyota no ranking de fabricantes.

A norte-americana Tesla também mostrou forte recuperação, com crescimento superior a 300% nas vendas. O Model Y, principal SUV da marca, voltou ao pódio dos carros mais vendidos da Alemanha, quebrando a hegemonia da Volkswagen pela segunda vez em 2026.

Embora a Volkswagen continue líder isolada do mercado alemão, o avanço de fabricantes chinesas e de marcas especializadas em veículos elétricos aumenta a pressão sobre os grupos tradicionais, que buscam reduzir custos e simplificar suas operações para recuperar margens de lucro.

O que você pensa sobre isso?

A BMW divulgará seus resultados financeiros do segundo trimestre nesta quinta-feira (30), quando investidores e analistas esperam mais detalhes sobre o desempenho da companhia e os impactos do plano de reestruturação.

Fonte: Reuters

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