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Primeiras impressões CAOA Changan CS55: mira direta contra Compass e Corolla Cross

Feito em Anápolis, SUV médio parte de R$ 144.990, tem motor 1.5 turbo de 180 cv e aposta em espaço, equipamentos e preço agressivo

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
18:47
Thomas Tironi Thomas Tironi

Depois de um começo um tanto tímido com Uni-T e CS75, a CAOA Changan, em atividade no País desde o começo de 2026, resolveu entrar de vez na briga pelo volume com o novo CS55, um SUV médio um pouco maior que Compass e Corolla Cross, mas nem por isso menos refinado que seus irmãos maiores.

O Motor1.com Brasil acompanhou de perto o lançamento do CAOA Changan CS55, realizado em Curitiba (PR), no último dia 15 de setembro. A escolha do lugar não foi por acaso. É lá que se encontra, hoje, a maior concessionária da América Latina, que atende tanto à Changan quanto à Chery em uma estrutura de mais de 24 mil m² e dois andares. Maior que esse espaço, só a confiança que a marca deposita em seu novo SUV médio de entrada.

Já produzido em Anápolis (GO), assim como Uni-T e CS75, o CS55 também será o primeiro híbrido plug-in da Changan vendido no Brasil — e já com tecnologia flex. Sobre a versão PHEV, porém, falaremos mais adiante.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

CS55 é SUV médio de verdade

Todas as versões do CS55 são praticamente idênticas em porte e visual externo. Independentemente da escolha do cliente, são 4,55 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,68 m de altura e 2,66 m de distância entre os eixos. No porta-malas, a CAOA Changan declara capacidade de 525 litros.

Pelo porte e pelas proporções, o CS55 é quase um CS75 em escala reduzida, com carroceria mais quadrada e visual menos ousado que o do Uni-T. Na traseira, chega até a lembrar o novo Volkswagen Tiguan e o Honda HR-V em alguns detalhes.

As lanternas de LED atravessam praticamente toda a extensão da tampa do porta-malas, com o logotipo da CAOA Changan ao centro. Na versão híbrida plug-in, o emblema também recebe iluminação própria.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

Na dianteira, o novo SUV deixa de lado a tendência dos faróis divididos e adota um conjunto único, integrado às extremidades da grande grade frontal. Os faróis são totalmente de LED e unidos por uma barra horizontal iluminada. Pessoalmente, lembra um pouco os Kia mais modernos, como o novo Sportage, mas há identidade própria.

Interior tem bom acabamento, mas poucos botões

No interior, há bom acabamento no geral, com materiais macios ao toque em quase toda a cabine. A exceção fica para algumas partes dos forros das portas traseiras. De qualquer forma, o CS55 segue a ideia dos irmãos ao combinar diferentes texturas e fugir dos painéis excessivamente quadrados encontrados em alguns modelos chineses.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

Onde ele acaba pecando é na falta de botões físicos para funções essenciais. Quer regular os espelhos elétricos? Terá que recorrer à tela central. Faróis? Idem. Abrir o teto solar ou recolher a cortina? Tudo passa pela central multimídia. Ao menos, a tela é ampla, com 14,6 polegadas, e sua navegação é rápida, sem engasgos ou dificuldades na conexão com celulares por Android Auto ou Apple CarPlay.

O multimídia faz parte de um conjunto destacado ao centro do painel, que a marca chama de Smart Cockpit. Ele reúne ainda o quadro de instrumentos digital de 10,3 polegadas. Juntas, as duas telas somam 24,9 polegadas.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Fotos de: Reprodução
Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Fotos de: Reprodução

Há algumas evoluções nesse aspecto em relação aos irmãos. O CS55 traz botões para aumentar ou diminuir a temperatura do ar-condicionado, bem como para ligar ou desligar o compressor. Outras funções, como a útil ventilação dos bancos presente na versão Infinity que testamos ou os ajustes das saídas de ar, ficam concentradas na tela principal.

Espaço interno é um dos destaques

O espaço também é destaque. Apesar de estar longe de ser o maior SUV médio da categoria, o CS55 aproveita muito bem suas dimensões, em grande parte graças ao formato mais “caixote” que o do Uni-T. Com isso, acomoda bem cinco passageiros de estatura mediana, inclusive em largura no banco traseiro. Também há espaço suficiente para as pernas, mesmo com pessoas mais altas ocupando os bancos dianteiros.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

Para motorista e passageiro da frente, a situação também é acolhedora. Todas as versões contam com banco elétrico para o condutor, enquanto a intermediária Infinity oferece ainda ajustes elétricos para o passageiro.

Independentemente da versão, os assentos são confortáveis, possuem boas abas laterais e não deixam os ocupantes em posição alta demais. Como ponto negativo, fica a ausência de ajuste de altura dos cintos de segurança.

Outro aspecto positivo do CAOA Changan CS55 é a ampla área envidraçada nas laterais, na dianteira e também na traseira. O capô alto fica bem à vista do motorista. Mesmo pessoas mais baixas conseguem enxergar bem ao redor e ter uma referência clara de onde termina o carro, algo que facilita bastante as manobras.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

Por fim, o SUV passou pelo processo de tropicalização da CAOA. No caminho, ganhou pneus Pirelli 225/55, sempre com rodas de 19 polegadas, além de um estepe no porta-malas. Embora não seja igual às rodas de uso normal, ainda é uma solução muito melhor que o kit de reparo encontrado na maioria dos carros chineses.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

Versões flex brigam com todo mundo, até o Tiggo 7

Apesar do grande barulho feito ao redor da versão híbrida plug-in, já com motorização bicombustível, o modelo disponível para o teste foi justamente aquele que a marca acredita ter maior potencial de vendas: o intermediário Infinity, tabelado inicialmente em R$ 154.990.

A versão é equipada com motor 1.5 turbo flex, com injeção direta e comando acionado por corrente. O conjunto também está presente nos outros dois carros da Changan vendidos no Brasil. E já deixo o spoiler: há bons motivos para a marca confiar no potencial do CS55 Infinity.

Olhando para o mercado nessa faixa de preço, os R$ 154.990 pedidos pelo Infinity são suficientes para levar para casa a maioria dos SUVs compactos tradicionais, como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Fiat Fastback, ou versões de topo dos novos SUVs de entrada, casos de Volkswagen Tera e Jeep Avenger. Entre os SUVs médios, a principal alternativa é justamente o “primo” CAOA Chery Tiggo 7 Sport, atualmente tabelado em R$ 141.990.

CAOA Chery Tiggo 7 Sport e Pro 2027 (BR)

CAOA Chery Tiggo 7 Sport está perigosamente próximo do novo SUV da Changan

Foto de: Fábio Trindade

É aí que entra a parte mais curiosa desses números. A CAOA Changan foi enfática durante a apresentação ao dizer que os preços são promocionais de lançamento e, portanto, deverão aumentar em breve. Mesmo assim, o CS55 ocupa praticamente a mesma faixa do Tiggo 7, o que abre dúvidas sobre até onde o grupo brasileiro pretende levar a nova marca e quanto espaço ela poderá ocupar dentro de sua própria operação.

Changan pode repetir trajetória da Chery?

A própria história da CAOA ajuda a alimentar essa discussão. Quando sua relação com a Hyundai começou a ficar mais complicada, após a chegada da operação própria da fabricante sul-coreana ao Brasil, em 2012, o grupo brasileiro buscou outros caminhos. Em 2017, assumiu metade da operação nacional da Chery no Brasil.

A parceria com a Hyundai ainda duraria alguns anos, mas a produção de modelos da marca em Anápolis terminou em 2025, justamente quando a Changan começava a ocupar esse espaço.

CAOA Changan CS55 é lançado no Brasil
Foto de: CAOA Changan

Com a Chery, a CAOA conseguiu transformar uma fabricante até então pouco expressiva no Brasil em uma operação bem mais relevante, apoiada em produção nacional, rede própria e uma linha de SUVs ampliada ao longo dos anos.

Agora, com a Changan chegando sob controle direto do grupo brasileiro, enquanto Omoda & Jaecoo e Jetour seguem caminhos independentes da CAOA, não é difícil enxergar algumas semelhanças.

Suposições à parte, o que já é concreto é que a CAOA Changan quer volume com o CS55. Para isso, calibrou equipamentos, motorização e preço para brigar diretamente com as referências da categoria de SUVs médios, usando justamente o pacote agressivo pelo qual o grupo ficou conhecido.

CAOA Changan CS55 é lançado no Brasil
Foto de: CAOA Changan

Como anda o CAOA Changan CS55?

Com 180 cv e 29,2 kgfm de torque, tanto com gasolina quanto com etanol, o CS55 anda muito bem para seu porte. Segundo a marca, acelera de 0 a 100 km/h em cerca de oito segundos. Durante a volta relativamente curta que fizemos pelas ruas e estradas da região de Curitiba, o modelo surpreendeu positivamente pela disposição do motor JL473ZQE. De concepção moderna, o propulsor não parece ter perdido o fôlego após a calibração para atender às regras do Proconve L8.

Na maioria dos carros turbo atuais, há algum atraso entre pisar no acelerador e receber toda a força do motor, mais ou menos perceptível dependendo do conjunto. No CS55, esse intervalo é quase imperceptível. Na verdade, é preciso até certa cautela ao pisar mais fundo no acelerador.

CAOA Changan CS55 é lançado no Brasil
Foto de: CAOA Changan

Não é um esportivo, longe disso, mas realmente transmite a sensação de entregar os 180 cv declarados, sem aquela impressão de motor estrangulado que ainda aparece em alguns turbos mais antigos sem eletrificação. E olha que, na unidade testada, o CS55 ainda tinha a tarefa de carregar três jornalistas e um porta-malas abarrotado de malas, mochilas e equipamentos.

Câmbio de dupla embreagem divide opiniões

Quem talvez não agrade a todos é o câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas, o mesmo utilizado pelo Uni-T. Ironicamente, mesmo sendo o carro mais conservador da Changan até aqui, o novato da família ficou com o DCT do irmão cupê, em vez da transmissão automática convencional de oito marchas do CS75.

CAOA Changan CS55 é lançado no Brasil

Todas as versões trazem rodas de aro 19''

Foto de: CAOA Changan

Como é comum em câmbios desse tipo, as trocas são rápidas, mas perceptíveis, especialmente nas reduções. Há também um pouco de ruído do motor invadindo a cabine quando o giro sobe, mas nada que atrapalhe a convivência a bordo. De qualquer forma, é uma escolha curiosa e até ousada da marca, já que a maioria dos rivais utiliza transmissões automáticas mais tradicionais.

O SUV oferece três modos de condução, todos acessados facilmente por um botão à esquerda do volante. São eles: Eco, no qual se sente bem o câmbio segurando o carro; Normal, o mais confortável para o trânsito de anda e para; e Sport, que exagera um pouco nas reduções sem que necessariamente o CS55 se torne esportivo por isso.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

A seleção das marchas é feita por uma alavanca posicionada à direita do volante. Não há modo manual nem aletas para trocas atrás do volante. Tudo é gerenciado pelo próprio CS55, algo compreensível pela proposta familiar do modelo, mas que faz falta para quem gosta de ter maior controle da transmissão.

Suspensão foi adaptada ao Brasil

A suspensão do CS55 também foi um ponto positivo. Como dissemos, ele vem sempre calçado com pneus Pirelli 225/55 em rodas de 19 polegadas, com perfil relativamente generoso para o tamanho do aro. A calibração tenta equilibrar conforto e boa absorção de buracos e outros obstáculos das ruas brasileiras. Todas as versões têm tração dianteira.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

A região metropolitana de Curitiba não é exatamente o melhor lugar para colocar essa capacidade à prova, mas o SUV se saiu bem quando encontramos pisos mais irregulares, especialmente na Serra de Morretes, ao longo dos cerca de 33 km de curvas e belas paisagens do percurso.

Mesmo com pista simples, espaço por vezes apertado e mais de 150 curvas ao longo do trecho, o CS55 se comportou muito bem. Cercada pela vegetação fechada da Mata Atlântica, a estrada alterna curvas de diferentes raios, trechos estreitos e pouca margem para erro.

Em alguns pontos, ainda preserva paralelepípedos bicentenários, que deixam o piso bem mais irregular e tornam o trajeto pouco amigável para praticamente qualquer veículo.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

Ainda assim, o SUV manteve a carroceria bem controlada e transmitiu segurança, ajudado pelo bom acerto da suspensão McPherson na dianteira e independente do tipo multilink na traseira. Completam o pacote os freios a disco ventilados na frente e sólidos atrás, que também passaram confiança durante o percurso.

CS55 PHEV tem 286 cv e roda 76 km no modo elétrico

O gostinho de quero mais ficou pela ausência da versão híbrida plug-in durante o test-drive. A marca anunciou o modelo junto das configurações 1.5 turbo flex, e os equipamentos praticamente não mudam em relação à Infinity que testamos.

A principal diferença está na motorização. A potência combinada salta dos 180 cv e 29,2 kgfm do modelo convencional para 286 cv e 47 kgfm, considerando os motores a combustão e elétrico.

O consumo também muda consideravelmente. No CS55 1.5 turbo flex, o Inmetro aponta médias de 7,3 km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada com etanol, além de 10,4 km/l e 12,1 km/l, respectivamente, com gasolina.

No híbrido plug-in, são 10,5 km/l na cidade e 9,1 km/l na estrada com etanol, além de 15 km/l e 13 km/l com gasolina. Rodando apenas com eletricidade, a autonomia homologada fica em 76 km.

Primeiras impressões: CAOA Changan CS55 1.5T Infinity Flex 2027
Foto de: Reprodução

CAOA Changan CS55 vale a pena?

A CAOA Changan surpreendeu até mesmo a imprensa durante o lançamento ao anunciar oficialmente os preços do CS55. Os valores promocionais deverão mudar em breve, mas conseguiram causar o barulho que o grupo costuma fazer quando lança novos carros — principalmente modelos com potencial de volume, como este SUV médio.

Mesmo que os preços aumentem, o pacote de equipamentos da versão Infinity continuará sendo um grande diferencial diante das configurações de entrada da categoria. O CS55 deve complicar, nos próximos meses, a vida de rivais mais tradicionais como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos.

É uma pena que a versão híbrida, anunciada com tanta pompa por ser o primeiro Changan eletrificado bicombustível, provavelmente não se traduza em grandes volumes como acontece com GWM Haval H6, BYD Song Pro ou Geely EX5.

O que você pensa sobre isso?

Ao menos pelo que ouvimos na rede de concessionárias, o CS55 PHEV deverá seguir o caminho dos CAOA Chery Tiggo 7 e Tiggo 8 híbridos plug-in e ser vendido apenas por encomenda.

Para quem busca um SUV médio convencional, porém, o CS55 1.5 turbo flex mostrou bons argumentos neste primeiro contato. É espaçoso, bem equipado, confortável e tem desempenho convincente. Resta saber por quanto tempo a CAOA Changan conseguirá preservar os preços agressivos de lançamento.

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