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O Gordini está de volta: Renault R8 renasce como esportivo elétrico de 270 cv

Nome que fez história nas ruas e nos ralis agora retorna na forma de um carro conceito

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Foto de: Divulgação
Jason Vogel Jason Vogel

Para os brasileiros, Gordini é apenas um sedanzinho com fama de frágil fabricado pela Willys-Overland entre 1962 e 1968. Para os franceses, porém, esse nome significa muito mais. Remete a Amédée Gordini (1899-1979), piloto, preparador e construtor que ficou conhecido como Le Sorcier — “O Feiticeiro” — pela habilidade de extrair desempenho de motores originalmente modestos.

A parceria com a Renault começou em 1957, com o Dauphine, primeiro modelo da marca a receber sua assinatura. Amédée Gordini trabalhou no motor e no câmbio do pequeno sedã, que originalmente rendia 32 cv. Anos mais tarde, no Brasil, essa receita daria origem ao famoso slogan “40 hp de emoção!”.

Gordini 1963 - 40 hp de emoção
Foto de: Divulgação

Nas décadas seguintes, o sobrenome do preparador ítalo-francês identificaria alguns dos Renault esportivos mais famosos da história, como o Renault 12 Gordini (1970) e o Renault 17 Gordini (1974). Afora a pintura azul e branca, eram carros bastante diferentes entre si, mas ajudaram a transformar Gordini numa espécie de assinatura para os Renault de rua mais ligados às competições.

Décadas depois, a Renault ainda ressuscitaria a grife Gordini em versões especiais do Twingo II, do Clio RS e até do obscuro roadster Wind.

Nenhum deles, porém, ficou tão associado ao nome quanto o Renault 8 Gordini. Lançado em 1964, o pequeno e retilíneo sedã de quatro portas tinha motor e tração traseiros e rendia 88 cv (DIN) em sua versão mais braba. Era o suficiente para servir de escola a uma geração de pilotos.

Primeira vitória - Fittipaldi aos 18 anos, com o R8

Primeira vitória - Fittipaldi aos 18 anos, com o R8

Foto de: Divulgação

O modelo teve até uma ligação direta com o Brasil. Em 1964, a Willys-Overland comprou dois exemplares do R8 para competir por aqui. Trouxe também kits completos com os componentes da versão Gordini e preparou os Renault no Brasil. Em vez da característica pintura Bleu de France, atravessada por duas faixas brancas longitudinais, os sedãs receberam o verde e amarelo da Equipe Willys. Em um desses R8, Emerson Fittipaldi, aos 18 anos, conquistou sua primeira vitória geral numa corrida de automóveis (e não de kart): foi no circuito da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, em novembro de 1965. 

A receita de transformar o popular R8 em um esportivo pra valer, mas mantendo preços ainda acessíveis, antecipou em uma década o fenômeno dos GTI. Agora, a Renault tenta reinterpretar, em um conceito retrô, essa combinação de carro pequeno com grande prazer de guiar.

De R8 Gordini a “cadeira elétrica”

O Renault 8 Gordini Concept abandona as quatro portas do sedã original para assumir a forma de um cupê elétrico de dois lugares.

As proporções também mudaram: são 4,12 metros de comprimento, 1,88 m de largura e apenas 1,27 m de altura, com rodas de 19 polegadas na dianteira e 20 na traseira. No carro dos anos 60, eram 3,99 m x 1,49 m x 1,31 m, com aros de 15 polegadas e pneus estreitinhos.

O motor ainda vai instalado na traseira, mas agora é elétrico e rende 270 cv. A Renault não divulgou dados de bateria, autonomia, torque ou desempenho — uma indicação clara de que estamos diante de um estudo de design, e não do protótipo de um futuro modelo de produção.

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Foto de: Divulgação

Segundo a Renault, a inspiração vem do universo das motocicletas café racer: eliminar elementos desnecessários, simplificar formas e valorizar materiais e componentes mecânicos.

O friso cromado lateral do R8, por exemplo, virou um vinco estrutural. Muitas linhas de separação entre painéis desapareceram e nem sequer existe uma emenda convencional delimitando o capô: toda a peça dianteira pode ser retirada de uma vez.

As aberturas dos para-lamas ainda são achatadas na parte superior. O rebaixo central no capô também continua lá. Os retrovisores são cônicos, ao melhor estilo dos que eram usados nos esportivos dos anos 60. Até a grade na base do para-brisa foi recuperada.

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Foto de: Divulgação

Os seis faróis redondos são uma referência direta aos que eram usados nos R8 de rali. Já as lanternas traseiras ficam praticamente invisíveis quando apagadas, por estarem completamente niveladas com a superfície.

O logotipo “Gordini” preserva aquela tão característica tipologia original que conhecemos dos exemplares fabricados pela Willys no Brasil. Um barato! A pintura foi desenvolvida a partir do histórico Bleu de France, mas recebeu um moderno acabamento tricoat. E há as duas faixas brancas, típicas da linha Renault Gordini francesa.

Na cabine, nada de um gigantesco tablet dominando o painel. O que se vê são instrumentos circulares que lembram os belos mostradores analógicos Jaeger, mas são pequenas telas digitais. Embora a carroceria utilize fibra de carbono, o material não é ostensivamente mostrado.

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Foto de: Divulgação

Diferentemente do R17 elétrico apresentado anteriormente pela Renault em parceria com o designer Ora Ïto, o novo R8 Gordini foi todo desenvolvido dentro da empresa. O projeto começou de maneira incomum: com um concurso interno.

A iniciativa despertou tamanho interesse que mais de 300 desenhos foram apresentados espontaneamente. Houve de tudo: interpretações retrô, propostas futuristas, modelos GT e exercícios misturando referências históricas com soluções contemporâneas.

Duas propostas chegaram à fase seguinte e foram construídas como modelos em escala 2:5. A equipe então comparou os dois estudos e reuniu as melhores soluções de cada um no desenho definitivo. O resultado é, portanto, menos o trabalho de um único estilista e mais uma síntese produzida pelo departamento de design da Renault.

Renault 17 Gordini (1975)

Renault 17 Gordini (1975)

Foto de: Divulgação

Reverências ao passado

O R8 Gordini Concept faz parte de uma sequência de exercícios com os quais a Renault vem revisitando seus 128 anos de história. Nos últimos anos, a fabricante francesa já apresentou show cars como o Renault 5 Diamant e o já citado R17 elétrico restomod.

O que você pensa sobre isso?

Mais importante: trouxe de volta sucessos do passado, agora eletrificados, como os novos R4, R5 e Twingo. A estratégia tem dado certo, com boas vendas desses modelos retrô — tradição, afinal, é a única coisa em que as rivais chinesas ainda não igualaram as europeias.

O Gordini moderno será uma das atrações do estande da Renault no Salão de Paris, entre 12 e 18 de outubro de 2026. Depois disso, passará a integrar o acervo do futuro museu Les Collections, que a Renault abrirá em Flins-sur-Seine, nos arredores de Paris, em 2027.

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