Teste: Mini Cooper S brinca com lúdico e emocional em mundo conservador
Hatch não é racional e dá vontade de dirigir mesmo sem motivo
As ruas foram tomadas por SUVs e a matemática do mercado ficou previsível: mede-se o valor de um carro pelo porte e pelos centímetros de tela no painel, quase sempre empacotados com eletrificação e uma anestesiante falta de dinâmica. Prazer ao dirigir e legado histórico? Viraram raros itens opcionais. É exatamente por isso que cruzar com o novo Mini Cooper S na rua se tornou um evento.
Ele anda na contramão de tudo o que a indústria dita como regra para a sua garagem. Mas essa exclusividade cobra seu preço. São R$ 309.990 nesta versão Top, a intermediária da gama. O hatch recusa a ditadura do "quanto maior, melhor", mas entrega a tecnologia dos novos tempos sem abrir mão do apelo lúdico e do peso de sua história. A questão que fica é: esse tempero clássico e a tocada afiada ainda justificam a etiqueta de preço no showroom, ou o Cooper S virou apenas um brinquedo caro de nicho?
Atualizado, mas ainda Mini
O Mini Cooper trocou de geração, mas ainda é reconhecível de longe. A clássica silhueta ainda está ali, mesmo que não seja mais um carro tão compacto como já foi, mas a geração F66 deixou o hatch mais limpo e direto, com a eliminação da entrada de ar no capô e para-choques mais lisos. Os faróis redondos seguem vivos, com tecnologia full LED adaptativa, assim como as portas sem colunas, um charme.
As laterais seguem limpas e arredondadas, com as grandes portas e as rodas de 18" que parecem até maiores em um carro de 3,86 m de comprimento. Pena que a traseira perdeu as lanternas no formato clássico por peças triangulares que, ao menos, seguem com a bandeira do Reino Unido; lamentamos também a eliminação das ponteiras de escape centrais, agora exclusivas do John Cooper Works.
A engenharia da Mini tinha um desafio claro: fazer um novo carro, mas sem gastar rios de dinheiro justamente por ser algo cada vez mais de nicho. Ao elétrico, restou uma parceria com a GWM e a base compartilhada com o Ora; ao modelo a combustão, restou a atualização da mesma plataforma do F56, a UKL, para novas tecnologias.
Por isso é que o Mini Cooper não cresceu em sua estrutura, mantendo, por exemplo, os 2.495 mm de entre-eixos. O foco ficou em atualizar a parte tecnológica, principalmente para os sistemas de condução, segurança e conectividade, mantendo o restante quase intocado, o que definitivamente não foi ruim para o Cooper S.
Simples, moderno ou minimalista?
O Mini Cooper clássico é conhecido justamente pelo painel de instrumentos central que, nas gerações mais modernas, foi para a coluna de direção em formato menor. Na F66, esta peça foi trocada pelo Head-Up Display com os dados básicos e mais importantes e, ao centro, a tela OLED de 9,5" usa tecnologia de smartphones para ser rápida e com alta resolução.
O acabamento usa tecidos e LEDs para dar um ar moderno ao minimalismo. Ao centro, a Mini manteve os clássicos comandos, mas ali estão o botão de partida, o seletor de modos de condução e o seletor de marchas e, mais abaixo, o carregador por indução que deixa o smartphone em pé e uma caixa com acabamento em tecido que, na verdade, é um porta-objetos fixo. Nesta versão, o sistema de som é assinado pela Harman Kardon e o preto predomina no teto e nas colunas.
O lúdico é visto em peso na tela central, com desenhos para cada função, um Bulldog Inglês (o Spike) que trabalha como assistente virtual, tela com o painel de instrumentos clássico e flores no indicador de consumo se você está dirigindo de modo eficiente. Pena que o espelhamento (Apple CarPlay e Android Auto, sem fios) fica pequeno para não atrapalhar visualizações como a velocidade, os ajustes de ar-condicionado e outros comandos básicos que ficam na tela.
O melhor está escondido, como sempre
No banco traseiro, pouco espaço e apenas dois lugares. No porta-malas, são 210 litros, metade de muitos hatches e SUVs compactos. Se isso segue não importando para você, seguimos em frente. Ao volante, ele tenta justificar seu preço de diversas formas com o seu clássico lema "Go-Kart Feeling".
Em um carro de 1.285 kg, peso menor do que o de muitos modelos compactos, o Mini Cooper S usa o motor 2.0 turbo bem conhecido da BMW, o B48. Nesta geração, são 204 cv e 30,6 kgfm que acordam cedo, combinados ao câmbio de dupla embreagem de 7 marchas que, como um erro gigantesco em um carro com essa proposta, não tem trocas manuais por aletas no volante.
O motorista é quem mais ganha no Mini Cooper S. No dia a dia, a suspensão é firme e repassa as imperfeições ao interior, mas longe do que o Cooper S já foi no passado; já o 2.0 turbo entrega força em baixas rotações e, com o câmbio de trocas suaves, se torna um carro bom de usar, principalmente pela agilidade no trânsito pesado. Junto a isso, um consumo urbano bom para sua potência: registramos 10,9 km/l em nosso teste padrão, assim como 16,7 km/l na estrada.
A sensação de um carro divertido aparece até nesses momentos mais comuns, principalmente em como ele é comunicativo. A posição de dirigir baixa, o volante de boa pega, a direção direta e as boas respostas do motor colocam a dose de diversão no dia a dia, complementando toda a parte lúdica que o Mini Cooper já entrega mesmo estacionado.
A atual geração não trouxe ao Cooper S a suspensão adaptativa, então a seleção de um modo de condução mais esportivo muda as respostas do motor, do câmbio e a atuação, por exemplo, do vetorizador de torque. Fica nítido o quão ele fica mais arisco e acordado, reduzindo marchas a todo momento e entrando em curvas mais fechadas com maior vontade.
Com 0 a 100 km/h em 6,5 segundos, o Cooper S entra na média dos modelos com esta potência, mas o câmbio se destaca pelas trocas rápidas. Se quiser trocas manuais, até é possível ativar, mas é tão complicado e exige uma combinação de comandos para usar os botões do piloto automático para isso que nem dá coragem de fazer, e deixei o carro sozinho nesta função.
Em pacote, é difícil não encontrar diversão no Mini Cooper S. Pouco tempo antes, testei o Golf GTI e posso dizer que o fator esportividade é semelhante, mesmo em um carro com menor potência, muito pelo DNA que a Mini se preocupou em manter nesta geração. Arrisco dizer que, em uma pista rápida, o Cooper pode levar alguma vantagem pela carroceria que dobra menos, pela direção mais direta e por ser, se provocado, até mais arisco, com aquela tendência de apontar nas curvas. E isso que ainda não estamos com o John Cooper Works.
Não se deixe levar pelo racional
Este é um conselho que te dou se gostou do Mini Cooper S. Eu mesmo comecei me questionando sobre o valor, mas na hora de devolvê-lo, fiquei pensando em justificativas para levá-lo para casa. É divertido, estiloso, diferente do que está nas ruas e ainda completo, com pacote ADAS, sistema de som assinado e outros itens interessantes para o uso.
Esse carro não é para você que faz contas de valor por metro, mas para quem paga para ter diversão e ser diferente nas ruas, como o Mini Cooper sempre foi. A racionalidade passa longe, mas ele vai fazer você se apaixonar e querer mais, inclusive sair dirigindo por aí sem motivos exatos.
Fotos: Leo Fortunatti e divulgação/Teste: David Costa
Mini Cooper S 2.0T DCT7
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Há 25 anos, Mini renascia sob a BMW e com motor brasileiro
BYD confirma marca de ultraluxo Yangwang no Brasil em 2027
Mini celebra 67 anos com JCW GP Inspired e Countryman a combustão
Semana Motor1.com: BYD muda Seal em tempo recorde, Geely EX5 mais potente e mais
Avaliação VW Saveiro Trendline 1.6 2027: velha escola ainda tem muito a ensinar
Cadillac está de volta ao Brasil com SUVs elétricos de quase R$ 1 milhão
Teste: Mitsubishi Outlander PHEV entrega luxo, mas cobra caro