Podcast E-Days 2026: Alexandre Aquino, diretor de produto da BYD do Brasil
Em entrevista durante o E-Days 2026, no Energy Summit, executivo fala sobre lançamentos e a fábrica na Bahia
A BYD encerrou o primeiro semestre de 2026 consolidando uma das maiores ofensivas de produtos no mercado brasileiro. Foram seis lançamentos desde janeiro e um sétimo modelo já está a caminho. A ampliação do portfólio faz parte de um plano maior: disputar praticamente todos os segmentos estratégicos do país e transformar a fabricante na líder do mercado brasileiro até 2030.
A estratégia foi detalhada por Alexandre Aquino, diretor de produto da BYD do Brasil, em entrevista ao editor-chefe do Motor1.com Brasil, Leonardo Fortunatti, durante o E-Days 2026, realizado entre os dias 23 e 25 de junho, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.
Aquino assumiu recentemente a liderança da área de produtos da fabricante após uma longa trajetória na Stellantis e encontrou uma operação em ritmo acelerado. Segundo ele, a velocidade de lançamentos acompanha a própria expansão da marca no País, que amplia sua presença em diferentes faixas de preço e tecnologias para aumentar participação no varejo.
BYD Dolphin Mini GS 2026 (BR)
Dolphin Mini se consolida como porta de entrada da eletrificação
Entre todos os modelos comercializados pela BYD, o Dolphin Mini segue como principal responsável pela expansão da marca no Brasil. O hatch elétrico tornou-se referência entre os veículos de entrada e, segundo Aquino, seu desempenho comercial está diretamente relacionado ao custo de uso significativamente menor em comparação a um automóvel equipado com motor exclusivamente a combustão.
O executivo explica que muitos consumidores já perceberam que a economia com abastecimento e manutenção reduz o custo total de propriedade a ponto de recuperar, em poucos anos, a diferença investida na compra do veículo. Na avaliação dele, esse fator financeiro vem acompanhado de outras características que ajudam a ampliar a aceitação dos elétricos.
O Dolphin Mini utiliza um motor elétrico de 75 cv e 13,8 kgfm de torque, alimentado por uma bateria Blade de 38,8 kWh, com autonomia de até 280 km pelo Inmetro. Além da eficiência energética, Aquino destaca que a resposta imediata do motor, a condução silenciosa, o conjunto tecnológico e a qualidade construtiva têm ajudado a desmistificar a ideia de que um carro elétrico é destinado apenas a consumidores de alta renda.
BYD Atto 2 DM-i Flex
Atto 2 é a nova aposta para o segmento mais disputado
Se o Dolphin Mini abriu caminho entre os elétricos de entrada, a próxima etapa da estratégia da BYD passa pelo segmento mais competitivo do país: os SUVs compactos. O Atto 2 chegará às concessionárias brasileiras entre setembro e outubro trazendo uma configuração inédita para a marca no segmento.
O utilitário utilizará a tecnologia híbrida plug-in flex, ampliando a estratégia iniciada pelos Song Pro, Song Plus e King. A proposta é combinar autonomia elétrica elevada com a flexibilidade do abastecimento por etanol ou gasolina, mirando consumidores que hoje consideram SUVs compactos equipados apenas com motores flex convencionais, além de híbridos e elétricos.
Segundo Aquino, a montadora entende que não poderia ficar fora justamente da categoria que hoje concentra a maior disputa entre as fabricantes no Brasil.
Teste: BYD Atto 8 DM-p (BR)
Linha vai cobrir segmentos estratégicos
A expansão da BYD vai além do Atto 2. O executivo afirma que a empresa trabalha para oferecer alternativas em praticamente todas as faixas do mercado.
Na base da gama estão os elétricos Dolphin Mini e Dolphin SE. Logo acima aparecem os híbridos plug-in flex King, Song Pro, Song Plus e Song Premium. Em um patamar superior, a marca aposta em modelos como o Seal, equipado com dois motores elétricos que entregam até 531 cv. Aquino também destacou o recém-lançado Sealion 07, considerado por ele o modelo mais interessante atualmente dentro do portfólio da fabricante no Brasil.
A estratégia ainda contempla modelos maiores, como o Atto 8, que deverá ampliar a oferta de híbridos plug-in com baterias maiores e maior alcance em modo elétrico, além da expansão da Denza, marca posicionada em um segmento mais sofisticado.
BYD Mako 2027
Picape Mako será produzida na Bahia
Outro projeto confirmado durante a entrevista foi a chegada da picape Mako, prevista para os próximos meses. Segundo Aquino, o modelo será produzido em Camaçari (BA) e utilizará motorização híbrida plug-in flex. A proposta é oferecer uma alternativa eletrificada em uma faixa de preço mais acessível, aproveitando a arquitetura já utilizada pelo Song Pro.
A fabricação nacional faz parte da estratégia de nacionalização da operação brasileira. Além da picape, a planta baiana produzirá o Dolphin Mini EV, o Song Pro híbrido plug-in e o sedã King híbrido plug-in.
byd---producao-na-fabrica-de-camacari-ba
Fábrica de Camaçari avança para produção completa
A fábrica instalada no complexo de Camaçari continua evoluindo para ampliar o índice de nacionalização dos veículos. O investimento anunciado pela BYD chega a R$ 5,5 bilhões e contempla a implantação gradual de todas as etapas industriais.
Atualmente, parte da operação utiliza processos de CKD e SKD, sistemas em que os veículos chegam desmontados em kits provenientes da China e passam por montagem local. Segundo Aquino, essa fase representa apenas uma etapa da implementação da fábrica.
Os próximos passos incluem a entrada em operação das áreas de estamparia, soldagem, pintura e fabricação completa dos veículos, permitindo elevar significativamente o conteúdo produzido no Brasil e ampliar a capacidade industrial da unidade baiana.
Eletrificação, produção local e expansão de portfólio
Ao longo da conversa, Aquino deixou claro que a estratégia da BYD não está concentrada em um único produto ou tecnologia. A empresa trabalha simultaneamente na ampliação da linha de elétricos, na consolidação dos híbridos plug-in flex, na produção nacional e na ocupação dos segmentos de maior volume do mercado brasileiro.
A combinação entre modelos de entrada, SUVs compactos, sedãs, utilitários esportivos de maior porte e, em breve, uma picape eletrificada produzida localmente mostra que a fabricante pretende acelerar sua presença em praticamente todos os nichos relevantes do mercado. Para a BYD, o crescimento registrado nos últimos anos representa apenas a primeira etapa de um projeto mais amplo, cujo objetivo declarado é disputar a liderança do setor automotivo brasileiro até o fim da década.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Podcast E-Days 2026: Ariel Montenegro, CEO da Renault Geely do Brasil
McLaren retoma projeto de superesportivo engavetado há quase 60 anos
Motor1.com Podcast #325: novo Hyundai i20 na área, acabou para o HB20?
“Na verdade, não precisamos da VW”, afirma o CEO da Ducati após rumores de venda
Motor1.com Podcast #324: Atto 2 no Brasil, Haval H6 flex e mais novidades
Vai dirigir em São Paulo (SP) no feriado? Veja como fica o rodízio
Podcast Motor1.com #323: Volvo explica crescimento recorde no Brasil e antecipa novidades do EX60