Projeto Saga, Amarok, ID.4 e mais: a ofensiva de lançamentos da VW contra chineses
Com novos lançamentos no mundo todo, alemã quer correr atrás do prejuízo em todos os segmentos, confira como
O Grupo Volkswagen vive um momento díficil em sua terra natal, a Europa. Por lá, fala-se no fechamento de fábricas históricas, encerramento de modelos considerados pouco rentáveis e no encerramento de até 100 mil postos de trabalho, o dobro do previsto anteriormente.
De qualquer forma, a alemã não fará apenas cortes em sua carne, mas já tem planos para também voltar a ter atratividade e poder competir em pé de igualdade no mundo dos híbridos e elétricos com a nova concorrência chinesa. E, para isso, prepara uma ofensiva de modelos que chega ainda em 2026. Abaixo, reunimos alguns dos mais importantes deles.
ID.Polo - o Anti-Dolphin
Esqueça os antigos modelos da linha ID com pouca ou nenhuma identificação com a linha tradicional da alemã. A nova grande aposta da Volkswagen no segmento atende pelo nome de ID.Polo, nova geração movida 100% a baterias do hatch compacto da marca.
Ele não mata a versão a combustão - fabricada hoje só no Brasil e na África do Sul - mas, com o passar do tempo, deve ganhar cada vez mais seu espaço, principalmente no Velho Continente. Ele é feito na nova base MEB+ com tração dianteira, que também estará no ID.Cross, o equivalente elétrico do T-Cross;
A ideia é que ele seja significativamente mais barato do que o ID.3 e, também, faça frente aos novos rivais chineses, como o BYD Dolphin e o MG MG4, aproximando-se da casa dos 25.000 euros (cerca de R$ 147.250).
O modelo se posiciona no portfólio como um clássico compacto com carroceria hatchback, medindo cerca de 4,05 metros de comprimento total. Mesmo compacto, oferece um volume de carga considerável de 441 a 1.243 litros com o banco traseiro rebatido, graças aos módulos elétricos mais compactos.
Com o ID.Polo, retornam também os botões físicos para a maioria dos comandos essenciais, como funções do ar-condicionado ou volume da central multimídia. A mudança já se estendeu para o ID.3 Neo e estará em todos os futuros Volkswagen.
Os clientes podem escolher entre diferentes níveis de potência. O modelo de entrada desenvolve 85 kW (116 cv) e extrai energia de uma bateria de fosfato de ferro-lítio de 37 kWh, o que é suficiente para uma autonomia de cerca de 329 quilômetros pelo ciclo WLTP. Para exigências maiores, há uma variante com bateria de níquel-manganês-cobalto de 52 kWh, que permite um alcance máximo de até 455 quilômetros.
Há até uma variante esportiva, que mantém a clássica sigla GTI - mesmo que seu sentido original, Gran Turismo Injection, já não faça tanto sentido em um carro 100% elétrico - e é o Polo de rua mais potente já feito.
Ele possui um motor instalado no eixo dianteiro com potência de 166 kW (226 cv), acelerando o compacto elétrico de zero a 100 km/h em menos de sete segundos. O conjunto é acoplado ainda a uma bateria maior de 52 kWh. Segundo a VW, a pré-venda deve começar no outono europeu por um preço pouco abaixo de 39.000 euros (R$ 229.710).
Ainda não sabemos se a Volkswagen tem planos de trazê-lo ao país, visto que viria importado da Europa e com taxas de importação. No segmento de compactos, essas limitações tarifárias fazem toda a diferença.
SUVs: sai ID.4, entram ID.Tiguan e ID.Cross
Seguindo a filosofia de dar mais identidade - e personalidade - aos seus elétricos, o best-seller da alemã entre os elétricos mudará tanto que ganhará até novo nome. É o caso do ID.4, modelo que ganhará um novo lote importado para o Brasil ainda em 2026, mas desta vez vendido oficialmente nas lojas.
Já na Europa, como roda sem grandes modificações - no visual, ao menos - desde 2020, chegou a hora de uma renovação de meio de ciclo. Ela virá na forma do ID.Tiguan, ainda que seja um facelift extenso do carro vendido há cerca de seis anos. O design abandona o estilo totalmente arredondado por linhas mais retas e quadradas, adotando uma dianteira próxima visualmente do ID.Polo e maçanetas físicas tradicionais no lugar das antigas embutidas.
Lote que será comercializado no Brasil ainda tem cara antiga
Ele mudará tanto que a base também será modificada, passando a contar com a MEB+ com tecnologia Cell-to-Pack para as células de bateria. O arranjo melhora a taxa de recarga rápida para até 175 kW e eleva a autonomia para mais de 500 quilômetros. Por dentro, ele receberá acabamento mais refinado e botões físicos.
Já para o segmento de SUVs compactos, o atacante da marca virá na forma do ID.Cross. Como o nome pode sugerir, é a versão elétrica do T-Cross, e pouco tem em comum com o carro vendido hoje ao redor do mundo.
Maior, mais tecnológico e só elétrico, ele faria até mais sentido que o ID.Polo por aqui, mas deverá servir apenas de inspiração visual para um dos SUVs do Projeto Saga, previstos para serem lançados por aqui até o fim da década.
Por enquanto, o SUV só foi exibido como conceito, mas a versão final não mudará muito, principalmente no porte. No comprimento, tem 4.161 mm, enquanto o entre-eixos está na casa dos 2.601 mm. Já na mecânica, usa os mesmos conjuntos do irmão hatch e os mesmos conjuntos de baterias de 37 kWh e 52 kWh. A apresentação oficial ocorre em meados de julho de 2026.
Híbridos: T-Roc e Golf adiantam novidades do Projeto Saga
Para além dos elétricos, a Volkswagen sabe que a estratégia de se tornar uma marca 100% movida a baterias ainda vai demorar mais do que o previsto, e voltará a apostar em bases multi-energia. A prata da casa, nesse aspecto, será o conjunto HEV que estreia em breve nos T-Roc e Golf MK8, e servirá de base para os híbridos da empresa vendidos em outras regiões.
Como funciona? O sistema une o motor 1.5 TSI evo2, sucessor do nosso 1.4, e por lá traz desativação de cilindros para ajudar na economia. A parte inédita fica por uma dupla de motores elétricos, um atuando diretamente na tração e o outro servindo como gerador. No trânsito urbano do tipo para e anda, segundo a alemã, ele pode rodar até 80% do tempo de condução puramente elétrica.
T-Roc europeu será base do SUV cupê do Projeto Saga
Na transmissão, usa o conhecido DSG de dupla embreagem com uma caixa integrada para acoplar e desacoplar o motor térmico de forma suave através de uma embreagem multidisco. Esse conjunto desenvolve uma potência combinada de 105 kW (143 cv) e traz bateria de íons de lítio com capacidade de 1,6 kWh brutos alojada no assoalho traseiro.
Toda essa engenharia servirá como ponto de partida para os futuros médios do Projeto Saga no Brasil, que dará origem à nova geração do Nivus - que pode trocar de nome e vem sendo considerado uma versão nacional do T-Roc - e de um SUV mais tradicional, com porte de Taos. Construídos sobre a base MQB37, eles crescerão para a casa dos 4,50 metros para brigar com médios de entrada, como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
Galeria: Flagra: VW usa T-Roc no Brasil como mula para sistema HEV
Segundo a revista Auto Esporte, porém, o arranjo dos SUVs nacionais será um pouco diferente. Eles abrirão mão do sistema de desativação de cilindros europeu. Isso ocorre porque o 1.5 TSI flex nacionalizado funcionará essencialmente como um gerador estacionário em velocidades de até 55 km/h, movendo o carro de forma elétrica na maior parte do tempo urbano. Com isso, o HEV brasileiro será mais forte, entregando 170 cv e 31,6 kgfm, além de trazer uma bateria de 1,6 kWh com refrigeração líquida sob o banco traseiro.
A surpresa chinesa
E, tal como fizeram a Chevrolet e a Ford, a Volkswagen também se aproveitará de suas parcerias com fabricantes chineses para buscar elétricos e híbridos mais baratos e com menor custo de desenvolvimento para a América do Sul, inclusive no Brasil.
O primeiro fruto dessa parceria será a nova geração da Amarok, agora irmã da SAIC Maxus Interstellar X. Fabricada na Argentina, ela substituirá a veterana em 2027, e deve chegar próxima ou depois do lançamento da Tukan, nova picape intermediária da alemã e substituta da Saveiro - essa sem relação com os chineses.
O que ambas compartilharão é a oferta de sistemas híbridos. Na Tukan, a marca irá com um conjunto MHEV - híbrido leve - associado ao motor 1.5 TSI, enquanto a Amarok usará conjuntos herdados da Maxus, com potência bem acima do atual V6 diesel oferecido hoje.
Em março, em conversa com o CEO do Motor1.com Brasil, Alexander Seitz, chairman da Volkswagen para a América Latina, citou que a picape terá potência de Porsche Panamera, ou seja, algo próximo dos 470 cv.
ID.Evo, ID.Aura e ID.Era
Correndo por fora, a marca também não esconde que estuda trazer outros eletrificados rebatizados para cá. Na ocasião, Seitz citou que veículos totalmente elétricos dificilmente serão produzidos localmente no curto prazo e deverão chegar importados, principalmente de mercados com maior escala industrial.
E quais são os candidatos? Ainda não se sabe, mas fique de olho nos produtos da SAIC, Xpeng e também da FAW, duas das grandes parceiras da alemã por lá, e que têm desenvolvido uma linha completa de híbridos e elétricos, caso de ID.Aura, ID.Evo, ID.Era e ID.Unyx. Independentemente da escolha, os produtos seriam adaptados para cá como já faz a Chevrolet com os Spark EUV e Captiva EV, ou como a Ford faz com o Territory.
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