Ferrari Luce sai por US$ 40 mi em leilão e dono pegará o carro apenas em 2027
Primeira unidade do polêmico carro elétrico da Ferrari mostra que o interesse ainda está alto pela novidade
A primeira Ferrari Luce de produção acaba de se tornar um dos carros mais valiosos já vendidos em um leilão beneficente. Identificado como “Chassis 0”, o exemplar inaugural do primeiro modelo 100% elétrico da Ferrari foi arrematado por US$ 40 milhões, cerca de R$ 216 milhões em conversão direta.
O carro foi oferecido pela RM Sotheby's durante o Monterey Car Week, na Califórnia (EUA), como parte do lote 345 do Monterey Auction 2026. O valor arrecadado será destinado integralmente a iniciativas educacionais futuras por meio da Ferrari Foundation, organização beneficente reconhecida nos Estados Unidos.
Primeira Ferrari Luce produzida
O exemplar leiloado não é simplesmente uma unidade da primeira leva da Luce. Trata-se do Chassis 0, identificado pela própria Ferrari como o primeiro chassi de produção do programa e equipado com uma placa específica para registrar sua importância histórica.
A unidade também recebeu uma configuração exclusiva desenvolvida pelo programa Ferrari Tailor Made, que permite personalizar os carros da marca em colaboração com o estúdio de design da Ferrari.
A carroceria foi pintada na cor Madreperla Semi-Gloss, desenvolvida especificamente para este exemplar. O acabamento utiliza um pigmento exclusivo capaz de produzir reflexos que variam entre verde e violeta conforme a intensidade e o ângulo da luz.
No interior, a Ferrari utilizou couro metálico Le Mans Perla, também desenvolvido para o programa Tailor Made. Os elementos secundários, normalmente pretos, foram feitos em Grigio Corvara, reforçando o tema baseado na luminosidade.
Primeiro carro elétrico da Ferrari
A Luce representa uma mudança importante para a Ferrari por ser o primeiro modelo 100% elétrico da história da marca. O carro foi apresentado em maio e, segundo informações publicadas anteriormente pelo Financial Times, a fabricante teria alcançado em julho sua meta de vendas para 2026, de pouco menos de 500 unidades.
O modelo tem preço inicial de € 550 mil na Europa e a Ferrari planeja comercializar aproximadamente 2.500 unidades até 2030. Apesar de representar uma ruptura com a tradição da marca, a Luce não foi desenvolvida para substituir os esportivos equipados com motores V8 ou V12. A proposta é funcionar como uma demonstração da capacidade tecnológica da Ferrari e conquistar uma nova geração de clientes de alto poder aquisitivo.
Por baixo da polêmica
Cada roda possui um motor elétrico dedicado, desenvolvido e produzido em Maranello, como manda a tradição da Ferrari. Os motores dianteiros chegam a 30.000 rpm, enquanto os traseiros atingem 25.500 rpm. São motores síncronos de ímãs permanentes com fluxo radial, derivados diretamente dos utilizados na F80 e resultado do conhecimento acumulado pela marca na Fórmula 1 e no WEC. Os motores traseiros entregam 310 kW cada, enquanto os dianteiros fornecem 105 kW.
A potência, porém, não é disponibilizada integralmente o tempo todo. É o e-Manettino que determina isso, modulando curva de torque, tipo de tração e desempenho máximo.
No modo Range, pensado para longas viagens, a potência é limitada a 320 kW, com tração traseira e velocidade máxima de 260 km/h. No modo Tour, voltado ao uso cotidiano, sobe para 460 kW com tração integral. Já no modo Performance, a potência chega a 725 kW — equivalentes a 986 cv — com tração integral permanente e velocidade máxima de 310 km/h.
Há ainda o Launch Control, que libera os 1.050 cv totais: aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e de 0 a 200 km/h em 6,8 segundos. Difícil ficar indiferente diante desses números.
Uma das soluções mais originais da Luce, porém, está atrás do volante. As borboletas não controlam marchas — afinal, não há câmbio — mas redefinem a dinâmica de condução através do que a Ferrari chama de Torque Shift Engagement, uma solução inédita no setor automotivo.
Com a aleta direita, o motorista escolhe cinco níveis de entrega de torque. Com a esquerda, cinco níveis de freio-motor regenerativo. Na entrada das curvas, portanto, é possível modular o torque negativo; na saída, calibrar a potência conforme a aderência e o raio da curva. Não se trata da simulação de um câmbio convencional: é algo completamente novo, que promete revolucionar a condução esportiva.
O conjunto de baterias — projetado e montado em Maranello — trabalha em arquitetura de 800 volts e faz parte estrutural do carro. Seu posicionamento reduz o centro de gravidade em quase 95 milímetros em relação ao Purosangue. Segundo a Ferrari, o efeito percebido equivale a dirigir um carro 400 kg mais leve. É algo desejável em um carro com 2,2 toneladas.
O mérito também é do sistema de vetorização de torque proporcionado pelos motores independentes e do eixo traseiro esterçante. Segundo os engenheiros de Maranello, com o motorista posicionado próximo ao eixo dianteiro, a dirigibilidade se aproxima da de uma 296 GTB. Algo extraordinário.
Os 15 módulos da bateria foram desenvolvidos em conjunto com a coreana SK On. A autonomia estimada é de 530 km em condições ideais. A Ferrari garante powertrain e componentes por oito anos sem limite de quilometragem. Há um detalhe importante: a estrutura já foi preparada para, no futuro, receber módulos de nova geração com tecnologias ainda pouco difundidas atualmente. Uma arquitetura pensada para envelhecer lentamente.
A recarga rápida chega a 350 kW, potência considerada mais que suficiente para o perfil típico do cliente Ferrari, que provavelmente carregará o carro majoritariamente em casa.
Ferrari Luce volta para Maranello antes da entrega
Apesar de ter sido vendida nos Estados Unidos, a unidade do leilão retornará para Maranello, na Itália, após a conclusão da venda. A entrega definitiva está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
O carro foi construído de acordo com as especificações para o mercado norte-americano. Caso o comprador seja de outro país, ficará responsável pelos procedimentos de exportação, importação e eventual adequação às regulamentações locais.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Foi o destino? Ferrari F40 de Hamilton usa motor número 44 produzido paro o superesportivo
Sandero volta a ser o carro mais vendido da Europa; VW Polo fica em 27º
Lewis Hamilton compra Ferrari F40 e montadora a restaura para o piloto
Carro nacional, 70 anos: os 10 modelos mais produzidos na história do Brasil
Poucos sabem, mas apenas 14 grupos são donos de quase todos os carros do mundo
Hyundai i20 terá versão barata que pode decretar fim do HB20 no Brasil
Ferrari Luce esgota em dois meses sua meta total de vendas para 2026