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Novo Jaecoo 5 veio pra incomodar todo mundo, até quem não é híbrido

SUV híbrido pleno mostra que a dita invasão chinesa, se por nada, democratizou as opções de carros eletrificados

Jaecoo 5 é lançado no Brasil
10:29
Thiago Moreno Thiago Moreno

Se você é uma montadora e quer arranjar sarna para se coçar, basta lançar um SUV na faixa entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. Tem de tudo: compacto, médio, a combustão, elétrico, híbrido leve, híbrido pleno, híbrido plug-in e até elétricos puros. É nesse cenário que a Omoda Jaecoo solta no Brasil o Jaecoo 5 Hybrid.

Para ver todos os detalhes do lançamento, basta clicar aqui. Agora, vamos focar em como anda o Jaecoo 5 Prestige, de R$ 184.990 (ou R$ 179.990 no lançamento). Na parte técnica, como um híbrido pleno, seria rival direto do Toyota Yaris Cross Hybrid, mas seu preço e porte o colocam pra incomodar vários nomes de peso. Contem alguns comigo: VW T-Cross, Hyundai Creta, Honda HR-V, BYD Atto 2, BYD Song Pro e, dependendo da promoção, médios como VW Taos e Jeep Compass. Mas será que o Jaecoo 5 se garante?

Teto, LED e rodão: quer mais o quê?

Pode-se fazer até um argumento que a versão de entrada do Jaecoo 5, a Comfort de R$ 154.990 na promoção, é um tanto cara para um carro sem teto-solar, com faróis halógenos e bancos de tecido com regulagens manuais. Mas a Prestige corrige isso. A lista de itens de série está dentro da média para o valor que a Omoda Jaecoo cobra.

O essencial, afinal, veio: teto panorâmico Sky Screen de 1,45 m², faróis em LED, multimídia de 13,2" com CarPlay e Android Auto sem fio e som Sony de oito alto-falantes — com direito à função karaokê, algo mais apreciado pelos chineses do que por nós, mas está lá. Bancos dianteiros elétricos e ventilados, carregador de celular por indução de 50 W com refrigeração, porta-malas elétrico e câmera 540° com sensores dianteiros completam o pacote. E há ainda a proposta pet-friendly, com acabamento nos bancos que promete aguentar arranhões.

Jaecoo 5 é lançado no Brasil
Foto de: Jaecoo

Já a segurança tem uma divisão clara entre as versões. O básico de série (seis airbags, controles de estabilidade e tração, Auto Hold, Isofix e monitoramento de pressão dos pneus) é igual nas duas, mas o pacote ADAS 2.5 — com cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência e monitor de ponto cego, entre 17 recursos — existe apenas na Prestige. A Comfort não oferece ADAS nenhum, o que, para um carro vendido como tecnológico, é uma escolha que merece discussão.

Do que a Prestige divide com a Comfort, sobra pouco além da mecânica: rodas de 18", ar-condicionado automático de duas zonas, partida sem botão, chave presencial e o conjunto híbrido idêntico, com os mesmos 224 cv e 30,1 kgfm, boa para até 800 km de autonomia considerando os dados de consumo do InMetro. Ou seja, os R$ 25 mil de diferença compram tecnologia, conforto e mais segurança. A estrutura e a mecânica são as mesmas.

Jaecoo 5 é lançado no Brasil
Foto de: Jaecoo

Andando: dois motores e uma conversa

No asfalto, o Jaecoo 5 Prestige acelera muito bem. Os 224 cv estão lá quando você pede — só que, às vezes, não de imediato. A resposta ao acelerador pode não vir na hora, e a explicação está no conjunto: são dois motores, uma bateria e uma transmissão híbrida dedicada tentando se entender antes de agir. Quando a conversa acontece, o carro entrega o que promete.

A dirigibilidade agrada. O carro tem pouco rolamento de carroceria, a suspensão é relativamente firme e, de olhos fechados, lembra um pouco o comportamento de um T-Cross. O volante tem bom peso e precisão, algo que nem todo o chinês oferece. O consumo é o argumento mais forte até agora. Segundo o computador de bordo, o carro cravou 19,5 km/l, mesmo em uso rodoviário mesclado com trechos de serra. Para um híbrido pleno sem tomada, o número impressiona.

Jaecoo 5 é lançado no Brasil
Foto de: Jaecoo

O ruído interno fica na média. Rivais elétricos ou PHEVs ainda entregam cabines mais silenciosas, especialmente em altas velocidades. Não chega a ser incômodo, mas quem vem de um elétrico puro ou plug-in percebe a diferença.

Isso nos leva ao espaço interno, que também não é ruim, mas rivais chineses oferecem mais, e quem já viu de perto um Geely EX2 (este bem mais em conta e elétrico) ou um BYD Atto 2 antes de sentar no Jaecoo vai notar. O porta-malas, este sim, é bom para um segmento que teve por anos como líder o Jeep Renegade, que tinha um bagageiro que mal ultrapassava os 300 litros.

Jaecoo 5 é lançado no Brasil
Foto de: Jaecoo

Mas há o que pontuar de fato. O painel de instrumentos usa tela de LCD, o que tira a aparência premium da cabine. As fontes são pequenas e, pior, os alertas de segurança — como o da frenagem autônoma de emergência — aparecem na multimídia, e não diante dos olhos do motorista. A leitura no trânsito fica mais difícil do que deveria. Os painéis de porta traseiros, em plástico, não têm o mesmo padrão dos dianteiros. Num carro que custa R$ 184.990, a economia de material não passa despercebida.

O que você pensa sobre isso?

E não há estepe. Pode não ser uma questão na China, mas aqui é. Da mesma forma, é difícil prever até quando o consumidor brasileiro aceitará carros que não são flex.

Jaecoo 5 é lançado no Brasil
Foto de: Jaecoo

Invasão do bem

A conclusão que fica é que a dita invasão chinesa ao menos está trazendo benefícios práticos para quem importa: o comprador. O Jaecoo 5 se estabelece como uma opção sólida para essa faixa de R$ 190 mil e uma alternativa para quem não aguenta mais carros de quase R$ 200 mil apenas a combustão e, ao mesmo tempo, os que ainda não estão prontos para pular para um híbrido plug-in ou um elétrico puro, que ainda dependem de estrutura de carregamento para valerem a pena. E tem mais: mencionei que ele tem quase o dobro da potência de um Toyota Yaris Cross?

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