Teste Kwid Techno 2027: moderno, mas vale R$ 75.990?
Cabine aprimorada, mais conectividade e baixo consumo são prós, espaço e preço pesam contra
O Renault Kwid Techno 2027 é o tipo de carro que exige separar a aparência e da essência. A segunda reestilização deixou o compacto muito mais moderno, principalmente por dentro, com duas telas combinadas no painel, conectividade aprimorada e detalhes de acabamento capazes de elevar a percepção de qualidade. Na parte mecânica, porém, o modelo continua sendo basicamente o mesmo Kwid que já conhecíamos há cerca de 9 anos.
A versão Techno ocupa a posição intermediária da gama e substitui a antiga Intense, denominação utilizada desde o lançamento do carro no Brasil, no fim de 2017. Seu preço de tabela é de R$ 85.890, mas a Renault oferece a configuração por R$ 75.990 na campanha de lançamento da linha 2027. A fabricante ainda não informou quando essa condição será encerrada.
Produzido em São José dos Pinhais (PR), este novo Kwid 2027 recebeu uma atualização desenvolvida especificamente para o mercado brasileiro. A decisão mostra a importância do Kwid para a Renault, que ainda tem no compacto um dos poucos automóveis novos vendidos no País por pouco mais de R$ 70 mil na configuração de entrada.
Visual renovado tira o peso da idade
As mudanças externas estão concentradas principalmente na dianteira. O novo para-choque tem formas mais marcadas, enquanto a grade com acabamento preto brilhante incorpora a identidade visual mais recente da Renault. O resultado é um Kwid mais expressivo e com aparência menos simples que a do modelo anterior.
Galeria: Renault Kwid Techno 2027
Na traseira, as modificações são mais discretas. As lanternas mantêm o formato conhecido, mas agora adotam lentes transparentes e máscara escurecida. Há ainda uma nova antena do tipo barbatana de tubarão que acaba com a piadinha que virou meme nas redes, com frases como "Kwid no asfalto, antena pro alto" e "Kwid na rua, antena pra lua".
Não houve alteração estrutural, mas o redesenho foi suficiente para retirar parte do peso da idade do projeto. Mesmo próximo de completar uma década no mercado brasileiro, o Kwid 2027 não parece tão antigo quanto realmente é.
Renault Kwid Techno 2027
Duas telas transformam a cabine
A principal evolução está no interior. O novo painel combina o quadro de instrumentos digital TFT de 7 polegadas com a central multimídia Media Evolution de 10,1 polegadas. Posicionadas lado a lado, as duas telas formam uma espécie de cockpit e mudam completamente a aparência da cabine.
A central é a mesma utilizada pelo Kardian. Ela oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de respostas mais rápidas e uma apresentação muito superior à do antigo equipamento. A Techno também tem comandos de áudio no volante e duas conexões USB-C.
Renault Kwid Techno 2027
O console inferior foi redesenhado e passou a oferecer dois porta-copos, além de espaços mais bem aproveitados para pequenos objetos. São mudanças aparentemente simples, mas que corrigem carências importantes do Kwid anterior, sobretudo para quem usa diariamente o celular no carro.
Simples, mas com mais capricho
Não há materiais macios no painel ou nas portas. O acabamento continua recorrendo quase integralmente ao plástico rígido, algo esperado em um automóvel de entrada. A diferença está no cuidado com as cores, texturas e pequenos detalhes visuais.
Os bancos da versão Techno têm revestimento de tecido com desenho em relevo e o nome da configuração bordado. Mesmo mantendo o encosto inteiriço com apoio de cabeça integrado, a apresentação ficou mais elaborada que a do modelo anterior.
Uma faixa colorida atravessa o painel e conversa com os detalhes das portas e dos porta-objetos. O tom verde-esmeralda também aparece no tecido dos bancos, quebrando a predominância do preto e dando um pouco mais de personalidade ao interior.
Renault Kwid Techno 2027
Essa combinação não transforma o Kwid em um carro refinado, mas cria uma cabine mais agradável e menos espartana. Entre os modelos de entrada, o conjunto ficou bem mais moderno que o do Fiat Mobi e visualmente mais elaborado que o do Citroën C3.
Ao volante, continua sendo um Kwid
Apesar da transformação visual, a experiência ao volante permanece igual. O Kwid Techno mantém o motor 1.0 SCe flex de três cilindros, capaz de entregar 71 cv e 10 kgfm com etanol, ou 68 cv e 9,4 kgfm com gasolina. O câmbio continua sendo manual de cinco marchas, com tração dianteira.
Renault Kwid Techno 2027
Os números parecem modestos, mas o baixo peso trabalha a favor do carro. Nas arrancadas e no trânsito urbano, o Kwid responde com agilidade e transmite uma disposição superior à sugerida pela ficha técnica. Com poucos ocupantes e sem muita bagagem, entrega boa agilidade.
O Motor1.com Brasil aferiu exatamente os mesmos 13,5 segundos declarados pela Renault para a aceleração de zero a 100 km/h com etanol. A fabricante informa ainda 14 segundos com gasolina e velocidade máxima de 159 km/h.
Renault Kwid Techno 2027
Nas retomadas, foram 12,6 segundos para ir de 40 a 100 km/h em terceira marcha e 15 segundos de 80 a 120 km/h em quarta. Esses resultados mostram que ultrapassagens exigem algum planejamento, reduções de marcha e espaço suficiente para serem concluídas com segurança.
Direção parece mais firme
A diferença dinâmica mais perceptível está na direção elétrica. O volante parece ter ganhado um pouco mais de peso, embora não tenha ficado pesado nas manobras. Essa calibragem transmite uma sensação maior de precisão e firmeza, especialmente quando o carro está em movimento.
A Renault não anunciou modificações na suspensão ou na estrutura. O Kwid continua tendo uma rodagem relativamente firme, mas lida bem com buracos, valetas e lombadas. Os 185 mm de altura livre do solo também continuam sendo úteis nas ruas brasileiras.
O comportamento permanece adequado à proposta urbana. Na estrada, a carroceria estreita e o baixo peso exigem mais atenção com ventos laterais e deslocamentos de ar provocados por veículos maiores. Acima de 120 km/h, o motor também passa a trabalhar em rotações elevadas, fica ruidoso e deixa mais evidentes as limitações do conjunto.
Peso muda completamente o desempenho
Com o carro leve, o desempenho é satisfatório. O cenário muda quando entram passageiros e bagagem. Como acontece com praticamente todo carro de entrada com baixa potência, o Kwid sente rapidamente o aumento de carga e perde parte da agilidade que surpreende no uso individual.
Renault Kwid Techno 2027
Em aclives ou ultrapassagens, será necessário reduzir marchas e manter o motor em rotações mais altas. Próximo dos 140 km/h, o ganho de velocidade se torna bastante lento, lembrando que o Kwid foi desenvolvido prioritariamente para trajetos urbanos e rodoviários curtos.
Em compensação, a pouca massa contribui para o baixo consumo. O sistema Stop & Start desliga automaticamente o motor em paradas e ajuda a reduzir o gasto de combustível na cidade. Nas medições do Motor1, o Kwid Techno 2027 alcançou 13,5 km/l no ciclo urbano e 17,6 km/l no rodoviário com gasolina — ou seja, foi um pouco abaixo dos 14,4 km/l de consumo urbano homologados no Inmetro, mas muito superior no rodoviário, cuja média do PBEV é de 15,4 km/l.
Espaço suficiente para quatro
A Renault continua utilizando a expressão “SUV dos compactos”, apoiada na posição de dirigir elevada, na boa altura livre do solo e nos ângulos de entrada e saída. Na prática, porém, o Kwid é um subcompacto bastante estreito e com limitações claras de espaço interno.
O banco traseiro oferece distância razoável para as pernas e boa altura para as cabeças, considerando as dimensões externas. O principal problema é a largura. Dois adultos viajam de maneira aceitável atrás, mas um terceiro passageiro compromete o conforto de todos.
Renault Kwid Techno 2027
O Kwid funciona melhor com até quatro ocupantes. Para uma família que viaja com frequência, o Citroën C3, por exemplo, é um pouco maior, embora tenha números inferiores de consumo. Além disso, há opções de carros usados de categorias superiores capazes de entregar cabine maior, mais desempenho e melhor isolamento acústico.
O porta-malas, por outro lado, continua sendo um bom trunfo. São 290 litros, capacidade respeitável para um carro com apenas 3,68 metros de comprimento. Com o banco traseiro rebatido, o volume pode chegar a 1.100 litros.
Renault Kwid Techno 2027
O preço continua sendo o problema
Quando foi lançado no Brasil, em 2017, o Kwid custava a partir de R$ 29.990. Na linha 2027, a versão Evolution tem tabela de R$ 82.790 e preço promocional de R$ 71.090. A Techno avaliada custa oficialmente R$ 85.890, mas está sendo oferecida por R$ 75.990 durante a campanha de lançamento.
Naturalmente, não é possível comparar os valores nominais de dois momentos econômicos tão diferentes. Ainda assim, a proximidade dos R$ 80 mil transforma a percepção sobre o produto. O comprador passa a cobrar mais espaço, desempenho, acabamento e isolamento do que normalmente esperaria de um carro popular.
A Renault respondeu a parte dessas críticas com uma atualização eficiente. O novo painel, o multimídia maior, o espelhamento sem fio mais eficiente e os detalhes coloridos melhoraram uma cabine que estava claramente cansada pelo tempo. Hoje, entrar no Kwid não transmite imediatamente a sensação de estar diante de um projeto lançado há quase dez anos.
Kwid ficou melhor, mas não virou outro carro
O Kwid Techno 2027 chega à melhor forma desde o seu lançamento. A cabine finalmente está mais conectada e visualmente atualizada, o acabamento ganhou um charme e a direção parece mais firme. O baixo peso continua favorecendo o desempenho urbano e o consumo permanece entre os melhores argumentos do carro.
Renault Kwid Techno 2027
As limitações, porém, não desapareceram. O espaço lateral é reduzido, o motor sente bastante o aumento de carga e as retomadas exigem planejamento. Acima das velocidades usuais de cidade, fica evidente que se trata de um automóvel básico e de baixa potência.
Por R$ 75.990 na campanha de lançamento, o Kwid Techno faz mais sentido que pelo preço cheio de R$ 85.890. A Renault conseguiu melhorar a percepção de valor sem alterar sua essência. O resultado é um carro de entrada mais moderno, conectado e agradável — mas ainda caro diante do que entrega e das alternativas disponíveis no mercado de usados.
Renault Kwid Techno 2027
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