Hyundai HB20 de entrada ainda vale a pena? Veja pontos fortes e fracos
Hatch ainda tem bons argumentos contra Polo Track e Argo, mas o novo i20 custa pouco mais e complica sua vida
Nascido em 2012, o Hyundai HB20 foi o grande responsável por consolidar de vez a coreana no país como marca de volume, após anos de construção de imagem com os importados vendidos pela CAOA. Coube a ele, nessa época, virar uma das referências do que deveriam ser os hatches de entrada daquela década e, mesmo sem ocupar a liderança, ajudar no fim do até então inabalável VW Gol.
Passados mais de quatorze anos, no entanto, agora é o HB20 que se torna o veterano de sua categoria. Apesar de ter ganhado uma nova geração em 2019, ainda utiliza a mesma base e boa parte da motorização da primeira. E isso começa a pesar justamente quando novos rivais - inclusive dentro da própria Hyundai - elevam novamente a régua do segmento.
Mas, afinal, ainda vale a pena levar o hatch para casa? A seguir, analisamos o Hyundai HB20 Comfort 1.0 MT, tabelado em R$ 96.140 e hoje porta de entrada da gama, para entender onde ele ainda se destaca - e em quais aspectos o peso da idade já começa a aparecer.
Entre os menores
A idade do projeto começa a aparecer nas dimensões. O HB20 mede 4.015 mm de comprimento, 1.720 mm de largura e tem 2.530 mm de entre-eixos, números que hoje o colocam entre os menores hatches de sua faixa de preço. Até o Polo Track é 59 mm mais comprido, 31 mm mais largo e oferece 36 mm adicionais entre os eixos.
A diferença para o Chevrolet Onix aumenta principalmente no comprimento: são 4.169 mm, ou 154 mm a mais que o Hyundai. O Chevrolet também leva vantagem na largura, com 1.746 mm, e no entre-eixos, de 2.551 mm. Curiosamente, o porta-malas do HB20 não sofre tanto: são 300 litros, exatamente o mesmo volume do Polo Track e apenas 3 litros a menos que os 303 litros do Onix.
Dentro da própria Hyundai, porém, a comparação fica ainda mais complicada. O novo i20 tem 4.130 mm de comprimento, 1.780 mm de largura e 2.580 mm de entre-eixos. Na conta, são 115 mm a mais de comprimento, 60 mm extras na largura e 50 mm adicionais entre os eixos. O porta-malas também cresce consideravelmente, passando dos 300 litros do HB20 para 346 litros no irmão mais novo.
Hyundai HB20 1.0 Comfort 2023
Visual é igual aos mais caros
Um dos destaques do HB20, no entanto, é o visual atual do hatchback. Reestilizado precocemente após o desenho polêmico da segunda geração, o modelo ficou mais sóbrio e ainda atual, com lanternas interligadas por uma peça plástica vermelha na traseira e a linguagem visual adotada pela Hyundai na virada da década passada para os dias atuais.
E, mesmo nesta versão de R$ 96 mil, a marca não seguiu o caminho da Volkswagen com o Polo Track e manteve o Comfort alinhado aos HB20 mais caros. Com isso, quem levar a porta de entrada da gama para casa não terá que conviver com um visual tão franciscano. O que mais denuncia a versão mais barata são as rodas de aço de 15" com calotas, além do interior menos tecnológico e sem alguns dos materiais e detalhes presentes nas configurações superiores.
Setas ficam nos para-choques
A polêmica das setas traseiras
Solução recorrente em modelos da Hyundai e da Kia nos últimos anos, as setas posicionadas no para-choque traseiro são um dos detalhes mais controversos do HB20. No hatch, elas ficam bem abaixo das lanternas principais, próximas à extremidade inferior da carroceria, o que pode dificultar sua percepção por quem vem atrás.
É especialmente estranho porque todo o restante do conjunto óptico fica em posição elevada e bastante visível, enquanto justamente a indicação de mudança de direção foi separada e levada para baixo. Não chega a ser um defeito capaz de condenar o carro, mas é uma solução pouco intuitiva, que foi inclusive abandonada no novo i20.
Motor é destaque
Se a idade pesa contra o HB20 em espaço e aproveitamento interno, na mecânica ela acaba jogando a favor. O conhecido Kappa 1.0 aspirado de três cilindros está há anos nas ruas e se tornou um conjunto bastante difundido no país, inclusive entre motoristas profissionais que submetem o hatch a rotinas de uso intenso.
Com comando duplo no cabeçote, 12 válvulas e corrente de sincronismo, ele também foge tanto da polêmica das correias banhadas a óleo de alguns concorrentes quanto das trocas periódicas previstas para correias convencionais. São 80 cv com etanol e 75 cv com gasolina, sempre ligados ao câmbio manual de cinco marchas.
Os números não estão entre os mais impressionantes da categoria, mas o baixo peso ajuda bastante. Com apenas 993 kg, o HB20 é consideravelmente mais leve que Polo Track (1.054 kg), Onix (1.049 kg) e até o novo i20 (1.075 kg). Isso ajuda a explicar por que, mesmo com potência inferior à de Polo e Onix, o Hyundai não fica tão para trás na aceleração: vai de 0 a 100 km/h em 14,5 segundos e é, inclusive, um segundo mais rápido que o i20 equipado com o mesmo Kappa.
Outro ponto forte está no consumo. Com etanol, o HB20 faz 9,9 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada. Com gasolina, são 13,3 km/l e 15,4 km/l, respectivamente. Não é o mais econômico em todas as situações, mas continua bastante próximo dos rivais mais novos e, diante do i20, leva vantagem em três dos quatro cenários de consumo. O tanque de 50 litros também supera o da novidade, que leva 45 litros.
Mais seguro e refinado que os rivais
Mesmo sendo hoje a versão mais barata da gama, o HB20 Comfort ainda preserva algumas das características que ajudaram o modelo a construir sua reputação. A cabine é simples e dominada por plásticos rígidos, mas desenho, montagem e sensação geral de acabamento passam uma impressão de maior cuidado e refinamento do que a encontrada em rivais diretos como VW Polo Track e Fiat Argo.
Ele também sai na frente em equipamentos. Todas as versões do Hyundai vêm de fábrica com seis airbags, algo que ainda não é regra nesta faixa de preço. Também traz de série faróis com sensor crepuscular, piloto automático e central multimídia de 8" com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A Hyundai ainda dá ao consumidor a possibilidade de escolher entre sete cores diferentes para a carroceria.
O problema é que essa vantagem fica menos evidente quando a comparação sai dos rivais tradicionais e vai para dentro da própria Hyundai. O novo i20 oferece uma estrutura mais recente e um pacote de segurança mais completo por pouco mais - assunto que pesa bastante na conta e que merece um capítulo próprio mais adiante.
De referência a carro de frota?
Quando lançado, o HB20 rapidamente virou objeto de desejo e uma das referências entre os compactos de entrada justamente por não parecer um carro de entrada. Hoje, porém, seu perfil comercial é bastante diferente. As vendas diretas, que representavam apenas 23,2% dos emplacamentos em janeiro, já respondiam por 50,1% em fevereiro e passaram dos 60% nos últimos meses do primeiro semestre.
Entre abril e junho, foram 14.397 unidades comercializadas nessa modalidade dentro de um total de 22.035 HB20 emplacados, uma participação de 65,3%. Em outras palavras, praticamente dois de cada três carros vendidos no período saíram por vendas diretas, canal que engloba locadoras, empresas, taxistas, PcD e outros públicos.
O movimento não é exclusividade da Hyundai. Em junho, por exemplo, as vendas diretas também representaram 72,4% dos registros do Polo, 79,2% dos do Argo e 62,4% dos do Onix. O fato é que a presença cada vez maior do HB20 em frotas e no uso profissional ajudou a mudar parte da imagem construída desde 2012, fazendo o hatch conviver hoje também com a pecha de "carro de aplicativo", ainda que em menor grau do que modelos fortemente associados a esse mercado, como Argo e Polo Track.
Futuro é incerto
E é justamente essa mudança no perfil do consumidor, somada à chegada do i20, que deixa o futuro do HB20 cada vez mais incerto. O recém-chegado parte de R$ 99.990 na versão Comfort 1.0 MT, apenas R$ 3.850 acima dos R$ 96.140 cobrados pelo HB20 desta matéria, e utiliza exatamente o mesmo motor Kappa 1.0 aspirado.
A diferença é que o i20 traz um projeto mais recente e avança justamente nos pontos em que a idade do irmão mais velho começa a aparecer. É maior, tem entre-eixos 50 mm superior, porta-malas de 346 litros contra 300 litros e uma cabine mais moderna, além de oferecer mais equipamentos e tecnologias. Por menos de R$ 4 mil de diferença, fica difícil justificar o HB20 pelo preço cheio para quem compra no varejo.
Isso não significa, porém, que o veterano tenha perdido completamente sua função. Um caminho possível seria seguir uma estratégia parecida com a adotada pela Volkswagen com o Polo Track: simplificar a gama, abrir uma distância maior de preços e concentrar de vez o modelo nas versões mais acessíveis e em públicos como empresas, PcD e vendas diretas. O crescimento justamente dessa modalidade nos últimos meses mostra que o HB20 já começa, de certa forma, a ocupar esse espaço.
A outra possibilidade é uma substituição gradual. A Hyundai afirma que o i20 não chegou para tirar imediatamente o HB20 de linha, mas a proximidade de preços, a repetição dos conjuntos mecânicos e o espaço limitado de produção na planta de Piracicaba (SP) tornam difícil imaginar os dois ocupando posições tão próximas no médio e longo prazo. Conforme o novo hatch aumentar seu ritmo de fabricação e ganhar espaço nas concessionárias, manter o veterano pode fazer cada vez menos sentido.
De todo modo, quem escolher levar o HB20 para casa ainda encontrará um hatch competitivo diante dos rivais diretos, especialmente em mecânica, consumo, segurança e equipamentos. Pelo preço cheio, porém, a conta ficou mais difícil de fechar. Hoje, vale procurar promoções e ofertas que abram uma distância maior para o novo i20 e façam os argumentos do veterano pesarem novamente a seu favor.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
M1 nas lojas: Hyundai I20 Comfort é básico que vai acelerar fim do HB20
Royal Enfield renova a Meteor 350 para 2027; veja os preços e o que muda
Análise: estamos assistindo à volta das minivans?
Trator a 600 km/h? JCB bate recorde com motores a hidrogênio
Fiat Pulse ainda vale a pena ou é melhor esperar pelo Argo X?
Antes do Avenger, Jeep Renegade cai para R$ 124.990 em promoção
M1 nas lojas: CAOA Chery Tiggo 8 é sete lugares bem mais barato que Commander