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Vale a pena? Conheça pontos fortes e fracos do novo GWM Ora 05

Novo SUV elétrico da empresa chega por R$ 159 mil; veja onde ele supera os rivais e os pontos que ainda podem evoluir

GWM lança o Ora 5 elétrico no Brasil
Foto de: GWM

A GWM do Brasil apresentou no último dia 23 de junho seu primeiro SUV compacto no País, o Ora 5. Inicialmente 100% elétrico, o modelo quer brigar com gente grande, principalmente modelos flex, como Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, Nissan Kicks e companhia, algo apontado pela própria chinesa durante o evento.

Nesta primeira fase, será vendido por aqui em versão única, ao preço de R$ 159.000. Como referência, são R$ 2.490 a menos do que a VW pede em um T-Cross 200 TSI, primeira versão acima da Sense, focada no público PcD. Também está próximo de hatches elétricos, como o BYD Dolphin SE, de R$ 159.990. Abaixo, te contamos em detalhes todos os pontos positivos - e negativos - da novidade.

 

Mais potente - e barato - que o Ora 03

Alguns meses antes da chegada do Ora 5, a GWM mudou toda a linha de versões do seu hatch elétrico - oferecido em três versões com três níveis de bateria diferentes - passando a ser vendido só na BEV58, de R$ 169.000.

No SUV, surpreendentemente, a marca oferece um conjunto mais potente do que no BEV58 - 204 cv/26,5 kgfm versus 171 cv/25,5 kgfm - mantendo layout de propulsor na dianteira, bem como o conjunto de suspensão independente nas quatro rodas.

 

Interior é mais maduro e tem comandos físicos

Crítica comum em modelos chineses, a GWM seguiu caminho inverso ao de concorrentes - como a Leapmotor - e resolveu apostar muito mais em comandos físicos do que funções concentradas na central multimídia.

Há, por exemplo, botão para ligar e desligar o carro, ao lado direito do volante, bem como botões do tipo tecla para todas as funções do ar-condicionado. De negativo, ele mantém os comandos dos faróis e outros na tela principal, tal como nos Haval H6 ou Wey 07.

Mesmo lembrando muito o jeito retrô presente no Ora 03, o acabamento e a escolha de tons do SUV também estão mais maduras e próximas do gosto local do consumidor brasileiro, mas não espere refinamento como nos irmãos maiores: ainda há partes em plástico duro pelo painel, console e nos forros de porta.

Na parte de personalização, haverá duas opções de tonalidades: Cinza Urbano, quando o carro é pintado em tons mais escuros, e a Marrom Avelã, mais próxima do bege, quando o carro vem em cores claras.

 

Bem equipado

A central multimídia de 14,6'' é equipada com o sistema operacional de terceira geração da montadora, o Coffee OS 3, que estreou nos modelos globais mais caros do grupo. A interface utiliza inteligência artificial para reconhecer mais de 300 comandos de voz - controlando funções como ar-condicionado, navegação e abertura da cortina do teto solar. O cluster de instrumentos também é digital, personalizável e conta com uma tela de 10,25" configurável em até três modos de visualização.

No conforto, há ainda bancos dianteiros elétricos e com ventilação ajustável, memória de posição para o banco do motorista, iluminação ambiente configurável, saída de ar-condicionado dedicada aos bancos traseiros e até um compartimento climatizado de 3,2 litros na parte traseira do console central. Não, não é uma geladeira como no Wey 07 ou no GAC Aion V, mas utiliza a refrigeração do sistema de ventilação para manter garrafas em temperaturas mais altas.

Por fim, a segurança também é destaque. Há seis airbags, freios ABS com disco nas quatro rodas, pacote de assistência à condução semiautônoma (ADAS 2+) e câmera 540° com função de chassi transparente.

GWM lança o Ora 5 elétrico no Brasil
Foto de: GWM

Teto solar é de série, mas vidro é fixo

Em comodidade, um dos grandes destaques do Ora 5 é vir sempre com teto solar panorâmico, cujo vidro ocupa boa parte da folha do teto (1,65 m²). Ele ajuda muito na sensação de mais espaço a bordo e conta com cortina elétrica com comandos no plafonier na parte dianteira. Ponto negativo? O vidro, mesmo de grandes dimensões, é fixo.

 

Grade que abre e fecha

Geralmente utilizada em carros esportivos, a grade dianteira - posicionada na parte inferior do para-choque - é do tipo ativa. Segundo a GWM, além de ajudar na ventilação, tem função de melhorar o coeficiente aerodinâmico do carro, de 0,276.

Na dianteira, conta ainda com faróis redondos do tipo Full LED, com função de iluminação de boas-vindas. A lateral, que também lembra levemente o Ora 3, dispensa molduras em plástico ao redor das caixas de roda para parecer mais aventureiro, mas traz pneus maiores - 225/60 versus 215/50 - ainda que mantenha os aros de liga leve de 18''.

 

Maior que Compass e espaço de Corolla

Mesmo que não pareça, o Ora 5 é um carro bem mais próximo de modelos médios do que de outros SUVs compactos. No comprimento, por exemplo, são 4.471 mm, mais do que um Jeep Compass - que tem 4.404 mm -.

Na largura, conta com 1.833 mm, pouco mais do que o Ora 03 (1.825 mm), enquanto a altura fica em 1.641 mm, pouco para seu porte e responsável por deixá-lo visualmente menor do que realmente é. Por fim, o entre-eixos também traz medidas generosas, mais do hatch do qual deriva, contando com 2.720 mm (ou 70 mm a mais).

E, apesar do porte superior e do motor mais potente, o peso em ordem de marcha ficou em 1.685 kg, ou 1 kg a menos do que o Ora 03.

 

V2L e recarga em 20 minutos 

Embora compartilhe baterias da SVOLT, o conjunto elétrico do Ora 5 não é exatamente o mesmo presente no Ora 03. O SUV estreia já com algumas evoluções técnicas, caso da bateria de tração Short-blade de segunda geração (LFP). Com 58,3 kWh de capacidade, esse pacote traz células mais longas e finas dispostas em formato de lâmina curta.

Essa nova arquitetura garante maior densidade energética (147,8 Wh/kg) e pesa 422 kg. O que isso significa no carro final? A marca conseguiu conter o peso total do SUV em ordem de marcha, fazendo com que ele pese praticamente o mesmo que o hatch menor, mesmo sendo consideravelmente maior em porte e espaço interno.

Para os usuários, porém, o maior avanço ficou para a velocidade de recarga em corrente contínua (DC), que salta dos 64 kW do Ora 03 BEV58 para ótimos 120 kW no Ora 5. Com o dobro de potência suportada, o modelo recupera de 30% a 80% da energia em apenas 20 minutos - tempo equivalente a uma rápida pausa para o café na estrada.

Em termos de autonomia, o modelo alcança até 435 km no ciclo global - e mais otimista - WLTP, número que se traduz em 349 km na medição oficial do Inmetro (PBEV). Outro destaque herdado da nova plataforma é a presença da tecnologia V2L (Vehicle-to-Load), que oferece uma potência de descarga de até 6.000 W para alimentar aparelhos eletrônicos externos.

GWM lança o Ora 5 elétrico no Brasil
GWM lança o Ora 5 elétrico no Brasil
GWM lança o Ora 5 elétrico no Brasil
Fotos de: GWM
Fotos de: GWM

Habemus estepe 

A GWM reforçou bastante durante a apresentação do SUV que não é uma marca que "só traz carros importados da China", mas que os adapta para a realidade brasileira junto de sua engenharia. Sim, ele vem, ao menos nessa etapa, importado de lá, mas traz alterações significativas para o consumidor local.

Uma delas é a presença de estepe, fugindo da onda de kits de reparo comuns a veículos importados e, em especial, elétricos. Do tipo temporário, ele tem dimensões menores do que as rodas tradicionais do carro, utilizando um conjunto aro 17'' com pneus 135/90. O porta-malas - que traz abertura com tampa automatizada - por sua vez, também é bem maior do que o do Ora 03, ainda que não seja o maior entre os SUVs compactos.

Ao todo, segundo a marca, são 362 litros, ou 194 litros a mais do que no hatch elétrico (228 litros). Comparado ao seu rival mais próximo em porte, o BYD Yuan Pro (265 litros), o SUV da GWM sai na frente com 97 litros extras. Com os bancos rebatidos, passa de 1.060 litros.

Já entre rivais a combustão, perde para a maioria dos principais players do segmento, como o Hyundai Creta, com 422 litros, Honda WR-V, que traz 458 litros, a nova geração do Nissan Kicks, com 470 litros, e o veterano Renault Duster, com 475 litros.

Futuro nacional e híbrido 

Sem esconder muito dos seus planos futuros, a marca também falou muito sobre como planeja investir cada vez mais como uma montadora "multi-energia" e como pretende avançar ainda mais em volume de vendas do que já faz hoje com a linha Haval H6, atual queridinha do segmento de SUVs médios.

O que você pensa sobre isso?

Tal como a BYD fez com o Yuan Pro - que agora passa a contar com versão híbrida como Atto 2 - a ideia da marca é avançar ainda mais nas opções ao público com o Ora 5 no médio a longo prazo. Recentemente, Motor1.com Brasil apurou que a ideia com o SUV é ir além, oferecendo até motor turbo flex em algum momento.

Ele é, aliás, candidato a ser feito na segunda fábrica que a chinesa planeja ter no país. O novo complexo deve atuar em conjunto com a fábrica de Iracemápolis (SP) e ser instalado em Aracruz, no Espírito Santo. A planta será um dos pilares da expansão da companhia no Brasil.

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