Novo VW Golf GTI: como anda o esportivo que chega em breve ao Brasil
Mais potente e tecnológico, esportivo é um dos lançamentos mais esperados de 2025
É inegável que o Golf GTI é um dos carros mais emblemáticos da Volkswagen no mundo. Mas afinal de contas, o que faz esse carro ser tão desejado e elogiado por 50 anos? Particularmente, eu não andei em todas as gerações do GTI que existiram, mas sempre ouvi que é um dos carros mais divertidos que você pode ter por um preço "atrativo" comparado a outros carros que entregam potência e dinâmica semelhante.
Nesta geração MK 8,5, o Golf passou por atualizações, acompanhando as novidades da marca, como novas lanternas, conjunto dianteiro com o símbolo da Volkswagen iluminado e barra de LED e, por dentro, nova central multimídia e a volta do volante com comandos físicos, facilitando a usabilidade do carro.
O Golf deixou o Brasil na versão MK 7,5 com motor 2.0 turbo que entregava 230 cv de potência, 35,7 kgfm de torque máximo, câmbio automático DSG de 6 marchas e 0 a 100 km/h em 7 segundos. Agora, o hatch vai voltar ao Brasil na versão MK 8,5 com o mesmo 2.0 turbo, só que agora repaginado. Entrega 265 cv, 37,7 kgfm de torque máximo, câmbio DSG de 7 marchas e 0 a 100 km/h em 5,9 segundos.
Posso contar que, se vocês já achavam o conjunto anterior legal, este ficou melhor ainda. Nada daqueles delays de acelerador, trocas de marchas lentas e um carro sem alma como vemos ultimamente. O Golf GTI entrega aquela condução rápida, precisa e divertida. O câmbio tem respostas rápidas, como deve ser, tanto para subir quanto para descer uma marcha. O volante é pesado e extremamente direto, facilitando aquela condução esportiva e que empolga em cada curva rápida que você faz.
Além de tudo isso, o GTI ainda tem um emulador bem calibrado, mas o que chama a atenção é o ronco de verdade que o carro faz. É notável que ouvimos o ronco do próprio motor e também do ronco de escape, que possui aquele belo e característico estouro nas trocas de marcha e os pipocos quando você desacelera.
Claro que nem só de pontos positivos vive o Golf GTI. Também há pontos que não podem ser bons em terras brasileiras. A unidade que testei não contava com suspensão adaptativa, com isso o acerto do carro ficou bem firme, o que incomodava nas ruas da Espanha, agora imagina isso no Brasil. Inclusive, a unidade estava com rodas de 18" e perfil mais alto.
Pensando nisso, a VW pode ter duas opções: trazer o pacote com suspensão adaptativa ou fazer um setup específico para o Brasil, o que já aconteceu na geração passada do carro aqui. O nosso GTI era ligeiramente mais alto e com outra suspensão comparada ao europeu.
Mas existe o lado bom da suspensão firme. As curvas ficam muito mais fáceis, o carro responde melhor e você se sente muito mais confiante em subir uma serra mais emocionado no caso, entretanto, o dia a dia pode ser um pouco cansativo se as ruas por onde você passa não são os tapetes da Alemanha, por exemplo.
A vida a bordo do hatch alemão transita entre a era dos botões e o minimalismo que está em alta. A Volkswagen tentou inovar no MK8 com um volante touch moderno, mas rapidamente os clientes odiaram e na atual versão os comandos físicos voltaram (ainda bem). Isso torna a condução muito mais agradável, até porque, desta forma, você não aciona nenhum comando errado e também não tem que ficar olhando para o volante, justamente para saber se vai “apertar” o botão certo.
Já a central multimídia cresceu e muito nessa versão. Confesso que a primeiro momento eu achei um exagero. Até porque a tela é quase do tamanho do para-brisa do carro. Com o tempo, você se acostuma com ela, mas claramente poderia ser algo menor e que combinasse mais com o interior do carro, que claramente não foi concebido para ter uma tela daquele tamanho.
Com ela, você tem acesso a tudo do carro: consumo, luz ambiente, GPS e ar-condicionado. Mas tem uma coisa que não faz o menor sentido. Abaixo da tela você tem os comandos de ar-condicionado e volume que não possuem iluminação, ou seja, durante a noite você tem que descobrir se você vai fazer o comando certo, porque não tem nada que ilumine esses comandos.
Outro detalhe interno que me incomodou foi a manopla do câmbio. A geração passada tinha uma manopla de verdade, e nas versões GTI ela tinha um acabamento específico, com o nome da versão, costura vermelha, e tudo mais. Agora é só mais uma manopla como de qualquer outra versão, sem a emoção de ser algo mais exclusivo. Pelo menos os bancos xadrez continuaram bem bonitos, por sinal, trazendo toda aquela alma que o Golf GTI sempre teve e, para mim, isso deveria vir para o Brasil.
O novo painel de instrumento também foi atualizado e passa a ter as informações de performance, como boost, força G e várias outras coisas. Isso antes fazia parte da central multimídia, e agora está no painel de instrumentos.
O consumo de combustível é outro ponto que me surpreendeu. Com a excelente gasolina europeia, era fácil bater os 15 km/l na estrada, isso mantendo uma velocidade de 110 km/h a 120 km/h. Já na cidade, esse consumo era de 9 km/l a 10 km/l. Logicamente, com os 27% de etanol que temos na nossa gasolina, talvez vamos perder uns 10% deste consumo. Mas agora, se você está preocupado em fazer média de Golf GTI, está comprando o carro errado.
Em resumo, o Golf GTI continua sendo um excelente hatch esportivo, com respostas rápidas, dinâmica e beleza. A maior crítica fica por conta da suspensão ser mais firme que a da versão passada, mas faz parte, afinal são 265 cv de potência muito bem aproveitados. Tanto que nas minhas medições, o 0 a 100 km/h foi de 5,6 segundos.
O maior mistério do momento é quanto esse carro vai custar no Brasil. Levando em consideração o valor dele na Europa (55.000 euros), imposto de importação e etc, podemos apostar que esse carro vai chegar por aqui custando algo perto de R$ 400.000. Infelizmente, um valor bem salgado por um Golf que nada mais é que um hatch médio, mas em terras onde um Kwid já custa quase R$ 80 mil, o Golf custar R$ 400.000 é um absurdo, mas é a nossa realidade.
No fim, o Golf GTI entrega aquele prazer de dirigir que tínhamos nos carros há uns 10 anos atrás, ou seja, carro para quem gosta de carro. Ronco, potência, estilo, detalhes esportivos e aquele sentimento de um legado que a marca sempre soube trabalhar no hatch. Tudo isso não se perdeu em 50 anos de história. Poucas marcas conseguem fazer um carro ser o que é por muitos anos. A Porsche consegue com o 911, a Ford com o Mustang e a Volkswagen faz com o Golf que, apesar de tudo que já aconteceu com a marca de Wolfsburg, o Golf ainda é um Golf.
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