Volvo EX30 Ultra tem 428 cv e não quer saber dos chineses
Reposicionamento do menor SUV entrega muita potência e as curiosidades já conhecidas
O mercado de elétricos está sendo dominado por modelos de entrada de marcas chinesas, e outros ainda virão nos próximos anos. Para os modelos mais potentes e caros, fica a missão de conquistar um público de nicho, que observa métricas diferentes, como a potência máxima e o status que o carro transmite nas ruas. A Volvo percebeu isso.
A chegada da linha 2026 trouxe um reposicionamento do EX30, o menor modelo da marca. Agora, apenas a versão de entrada possui motor único (por R$ 239.950), enquanto as outras duas recebem um motor em cada eixo, que entrega 428 cv, um número expressivo para o seu porte. Este é o Volvo EX30 Ultra, de R$ 309.950, um valor interessante pelo que oferece.
Presença nas ruas
Antes de escrever este teste, busquei o desempenho de vendas do EX30 em 2025, já que é comum ver ao menos um exemplar por dia nas ruas. Curiosamente, atrás apenas dos chineses da BYD, GWM e Geely, ele foi o elétrico mais vendido do ano passado: foram 2.017 unidades da versão Ultra, 765 da Ultra Plus e 396 da Core, todas ainda com motor único na época.
Esta sempre foi a proposta do EX30. Nascido como um elétrico "acessível", tornou-se o carro premium mais barato do mercado brasileiro, atraindo quem buscava o primeiro elétrico ou de uma marca de status. A nova estratégia visa diferenciá-lo ainda mais do que as marcas chinesas oferecem nessa faixa de preço, focando principalmente nos 428 cv.
Sua base é a SEA2, a mesma que diversas marcas do grupo Geely utilizam em modelos maiores e mais modernos. Com 4.233 mm de comprimento, ele é pouco maior que um Renault Kardian (4.119 mm), mas possui entre-eixos de 2.650 mm, quase o mesmo de um VW Taos (2.680 mm). A largura de 1.837 mm garante porte, mas a altura de 1.549 mm engana: é baixa em prol da aerodinâmica, o que acaba prejudicando o espaço interno. Lado a lado com um hatch, ele não parece um SUV.
A principal novidade é a adoção do segundo motor elétrico, no eixo dianteiro. Com isso, a potência saltou de 272 cv para 428 cv, e o torque subiu de 35 kgfm para 55,3 kgfm. O conjunto é alimentado pela bateria de NMC (lítio-manganês-cobalto), um composto mais caro e com maior densidade energética, totalizando 69 kWh (64 kWh úteis). Não há mais a bateria menor de composição simplificada, nem mesmo na versão Plus.
Hábitos minimalistas
Em 2024, testei o EX30 Core, versão de entrada que já contava com essa bateria de maior capacidade (um opcional na época). Na versão Ultra, há mais mimos, como o teto panorâmico - que é quente e não possui cortina, uma falha - e o sistema de som Harman Kardon com uma soundbar no painel, um subwoofer e dois falantes nas portas traseiras. Surpreendentemente, o áudio é excelente para um sistema simplificado.
Revisitar o EX30 trouxe de volta memórias de seus detalhes peculiares. A chave, na verdade um cartão, já apresentava riscos na coluna B da porta e não é tão prática quanto uma chave presencial comum. Existe a opção de usar o smartphone, mas não realizei o pareamento para não complicar a logística de uso por outras pessoas da equipe. No EX90, a solução é uma chave presencial propriamente dita, bem superior.
Por dentro, os bancos em tecido (opcional sem custo) agradam mais que os de couro, tanto no visual quanto no conforto. Nas portas, o plástico reciclado tem aspecto rústico, mas é bem complementado pelo tecido e pelos LEDs ambientes com temas discretos.
Em certas ocasiões, precisei explicar ao manobrista que a "chave" era aquele cartão e que ele deveria ser posicionado no carregador por indução para liberar a partida. Outro ponto de adaptação são os botões dos vidros no console central; nos primeiros dias, busquei-os nas portas por hábito. O minimalismo atinge seu ápice (ou exagero) na falta de um painel de instrumentos atrás do volante. Olhar sempre para a tela central para conferir a velocidade, mesmo que a informação esteja no topo, torna-se cansativo e menos prático que as telas auxiliares presentes no Zeekr X ou no Volvo EX90.
Em termos de tecnologia, o pacote é moderno: ACC e assistente de faixas bem calibrados, alerta de ponto cego e frenagem automática. A central multimídia Google Built-in permite traçar rotas prevendo a carga da bateria na chegada, além de oferecer Apple CarPlay e Android Auto sem fios.
Rápido para dois
Mesmo potente, o EX30 é dócil. A calibração do acelerador não entrega força desnecessária de imediato.Entrega tudo só vem ao pisar fundo. No dia a dia, ele é confortável e fácil de guiar. Nesse cenário urbano, marcou 6,3 km/kWh (alcance estimado de 403 km).
Na estrada, ele desmistifica o sofrimento dos elétricos. Mantém o ritmo sem esforço e a sobra de potência evita o dreno excessivo da bateria e registramos 5,8 km/kWh (alcance de 371 km). Em um eletroposto da Volvo, onde clientes da marca não pagam pela recarga, o carro foi de 15% a 100% em um carregador de 11 kW enquanto eu fazia compras. Se precisar de rapidez, ele suporta até 150 kW em carregadores DC.
Nas medições de desempenho, o EX30 atingiu os 100 km/h em impressionantes 3,9 segundos, com retomadas na casa dos 2 segundos. É muito rápido, mas não é um esportivo puro. A suspensão, calibrada para o conforto, balança mais do que o esperado para um carro dessa potência e sofre um pouco com o asfalto brasileiro. Merecia um ajuste mais firme para acompanhar o fôlego do motor.
Quanto ao espaço, o carro acomoda bem quem vai na frente. Atrás, o assoalho alto (devido às baterias) e o pouco espaço para as pernas tornam viagens longas desconfortáveis. O porta-malas de 317 litros reforça a vocação de hatch compacto. É um carro ideal para duas pessoas.
Vale a pena?
O fato de o EX30 ter vendido mais nas versões topo em 2025 mostra que o público valoriza a potência e quer se distanciar da concorrência chinesa generalista, ainda que a Volvo pertença à Geely. É um excelente produto, apesar das limitações de espaço e de algumas escolhas ergonômicas exóticas. Por pouco mais de R$ 300 mil, o pacote de equipamentos e desempenho é competitivo.
Além do carro, a experiência premium, a rede de concessionárias e a infraestrutura de carregadores próprios pesam na decisão. Enquanto alguns competem apenas no preço, a Volvo aposta no valor do conjunto completo.
Volvo EX30 Twin Motor
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