Ram Rampage Big Horn 2026 aposta em preço sem perder prestígio
Versão mais barata tem preço de Fiat Toro e ainda joga com doses de marca de luxo
Mesmo tendo nascido como uma marca de veículos comerciais, a Ram se estabeleceu no Brasil respondendo a uma pergunta que só os proprietários de bons alqueires de terra fazem: posso ter uma picape de luxo? 1500, 2500, 3500 respondem que sim, é possível. E isso elevou a empresa a um patamar de marca desejada.
É exatamente a mesma fórmula do Jeep Renegade em 2015: as pessoas querem uma Ram, só não podiam comprar. Mesmo a chegada da Rampage não mexeu nessa "acessibilidade" da marca. Agora, com a versão Big Horn, de R$ 228.990, essa história muda. Mais barata que uma Fiat Toro topo de linha, com o mesmo motor, mas com um dos logotipos de maior valor agregado da Stellantis, seria essa uma picape de luxo honesta?
Galeria: Teste Ram Rampage Big Horn 2026
Big Horn, Big lista de equipamentos
Parece que meu argumento de que a Rampage Big Horn é um luxo honesto é quente. A versão de entrada foi lançada para a linha 2025 e, em novembro de 2024, custava R$ 237.990. Em pouco mais de um ano, essa configuração se tornou um raríssimo caso no mercado brasileiro de um veículo que ficou mais barato desde seu lançamento. Pode-se argumentar que ninguém queria uma Ram "básica" e a marca fez o reajuste. Mas pelo menos o fez.
A Big Horn já nasceu com o 2.2 turbodiesel da Stellantis. E a Rampage é apenas uma das várias aplicações, que incluem as Fiat Toro e Titano, a própria Ram Dakota e o Jeep Commander. E se há um caminho garantido para os corações dos picapeiros brasileiros é um motor a diesel. Nesse caso, ele entrega 200 cv de potência e 45,9 kgfm de torque. Da mesma forma, o câmbio é o automático de 9 marchas e a tração é integral podendo ter acionamento automático, conjunto encontrado na Toro e no Commander.
Visualmente, tem grade dianteira em filetes pretos com borda cromada, para-choque dianteiro na cor do carro e as rodas de 17", mesma configuração que já vimos para exportação. Tem a capacidade de carga de 1.015 kg semelhante às demais versões.
Mas o que ela perde para ser a mais barata? Os bancos usam tecido e couro, além de mudanças em pequenos detalhes de acabamento. A Rampage Big Horn mantém o painel com tela de 10,3" e o sistema multimídia com 12,3" com espelhamentos sem fios, mas perde itens como o airbag de joelho para o motorista (são 6 bolsas no total), acendimento automático dos faróis, retrovisor interno fotocrômico, farol-alto automático, piloto automático adaptativo, sensor de chuva, alerta de colisão com frenagem automática, sensor de estacionamento dianteiro, alerta de saída de faixas, alerta de ponto-cego e os bancos elétricos.
O pacote de equipamentos da Rampage Big Horn ainda mantém os faróis em LEDs, ar-condicionado de duas zonas, chave presencial com partida remota, freio de estacionamento eletrônico com autohold, carregador por indução, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré e piloto automático.
Menos é mais
São poucos elementos externos que entregam que a Rampage Big Horn é uma versão de entrada. Uma delas é um alívio bem-vindo no excesso de cromados da Laramie, mas sem aquele mar de peças escurecidas da Rebel e da R/T. Tem um pouco de cromo, mas apenas o suficiente para delinear alguns elementos da grade e os espelhos. O acabamento das rodas de liga leve é o outro, com pintura convencional, sem acabamento diamantado ou pintura preta.
Mas você precisa escolher bem as cores. Branco Pérola, Cinza Sting Grey (como o carro das fotos) e Prata Billet apagam os poucos cromados. Foque em Vermelho Flame (única sem adicional), Preto Diamond ou Azul Patriot, que destacam o acabamento mais minimalista e, na minha opinião, o resultado é mais chique que simplesmente passar cromado em tudo o que dá.
O interior da Ram Rampage Big Horn tem uma ideia similar. Imitação aqui, só de costuras no painel emborrachado. Nada de algo que parece madeira, couro ou alumínio. A cabine fica menos poluída e os bancos, mesclando couro e tecido, são mais aconchegantes que os totalmente de couro.
Há alguns sacrifícios, como a ausência de ajustes elétricos para os assentos dianteiros ou dos sistemas de segurança de um pacote ADAS. Mas mantêm-se o ar-condicionado de duas zonas com saída para o banco traseiro, iluminação de LED, painel digital e a multimídia das demais versões. Você perde o luxo de esperar motorzinhos colocar seu banco no lugar e a oportunidade de assistir à cacofonia de alertas e luzes piscando toda vez que você fica muito perto do carro da frente.
Mas a base originária da Toro impõe algumas limitações já conhecidas. É o caso do banco traseiro: restrito em espaço para os ombros, apenas ok para as pernas e com o encosto muito vertical. O mesmo vale para a caçamba. Picape não é carro de família: pra usar os 980 litros de capacidade, você vai empilhar coisas. Para usar apenas uma fração dele, vai ter amarrar a carga.
Ainda assim, tinha para mim que uma Rampage era apenas um jeito mais caro de comprar uma Toro. O que eu precisava era andar na versão Big Horn. Sem ostentação, apenas mais equipamentos, um visual mais acertado e melhor acabamento interno fazem dela uma Ram, não uma Fiat.
Mesmo com o antigo 2.0 turbodiesel, a Rampage não sofria com falta de fôlego. Com o 2.2 anda bem, fazendo o 0 a 100 km/h em 9,7 segundos em nossos testes. Ao mesmo tempo, entrega bom consumo para uma picape de quase 2 toneladas: 10,9 km/l em ciclo urbano e 14,1 km/l no rodoviário.
Não há dúvidas de que a Rampage é uma Ram, por mais que sua origem seja mais humilde e que a Big Horn seja uma versão de entrada. Além de desempenho, o que é mais difícil de colocar em palavras é conforto de se pegar a estrada com uma. Silêncio e serenidade são as qualidades que mais chegam perto. É uma picape para se rodar 700 km com um tanque com tranquilidade não apenas porque sua autonomia é o suficiente, mas também porque os bancos e o isolamento acústico permitem.
Uma picape intermediária, porém, ainda vai encontrar a maior parte de seu uso na cidade e, nessa situação, fica no limite para começar a incomodar. São mais de 5 m de comprimento, não cabe em qualquer vaga (para a alegria de minha síndica) e o raio de giro é grande. Você vai ficar manobrando em lugares que você não teria com um SUV ou hatch menor.
Mas se a sua vida pede uma caçamba, autonomia grande e um mínimo de 4x4, uma Ram já passou por sua cabeça. A Rampage Big Horn é o melhor jeito de entrar na marca. Ao invés de pensar custo-benefício, pense custo-prestígio e essa talvez seja a picape médio-compacta que mais entrega por menos e sem perder a dignidade.
Ram Rampage Big Horn 2.2 TD
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