Teste: Novo Nissan Kait Advance Plus 2026 é evolução do Kicks para brigar com VW Tera
Afinal, dá ou não para chamá-lo de Kicks reestilizado?
Não precisamos de muito para perceber que o novo Nissan Kait é uma ampla reestilização da geração anterior do Kicks. Pensado para brigar com os novos SUVs compactos na faixa dos R$ 120 mil a R$ 150 mil, é um projeto que trouxe muita coisa nova, mas ao mesmo tempo não tão novo para, justamente, se posicionar nesta faixa de preço e não subir para onde está o novo Kicks.
Este é o novo Nissan Kait Advance Plus 2026, versão intermediária de R$ 149.890 que chegou para nos mostrar como ele evoluiu e se posiciona tanto dentro da própria Nissan para brigar com uma turma cheia de novidades liderada por VW Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian. Afinal, é justo chamar o Kait de novo Kicks ou ele criará uma identidade própria com o passar do tempo?
Um retrofit bem feito?
No ramo imobiliário, é comum o chamado retrofit. Esse processo pega uma casa mais antiga e atualiza seu visual, mobiliário e tecnologias modificando nada ou pouco em sua estrutura. O Nissan Kait passa essa sensação principalmente para quem conhece bem o Kicks, seja isso bom ou ruim. Fato que há um esforço para trazer o antigo SUV ao novo mundo.
Em design, o trabalho foi bem amplo, ao ponto de muita gente nem perceber a lateral herdada do Kicks. Na dianteira, os faróis em LEDs bem finos acompanham um capô vincado e alto o suficiente para ser visto de dentro do carro, com aquela marra de SUVzão. No Kait Advance Plus, as luzes diurnas estão nos faróis, deixando a peça abaixo apenas como enfeite, enquanto o Kait Exclusive recebe esta peça em LEDs para o DRL.
Nas laterais, as duas versões de topo, Advance Plus e Exclusive, recebem novas rodas de 17", mas todos os Kait estão com um aplique de portas e de caixa de ar diferentes. Na traseira, as lanternas em LEDs assumem um visual reto e, para deixar claro que não é um Kicks, o Kait escrito em letras grandes ocupam o lugar que antes era da placa, que foi para o para-choque.
Por dentro, a mesma temática. As portas receberam novos forros, mas mantém elementos como as maçanetas e botões de vidros elétricos. No dashboard, percebe-se que a estrutura básica é do Kicks, mas recebeu novas saídas de ar, um novo acabamento central, algumas cores e um carregador por indução. O console central é conhecido, mantendo freio de estacionamento na alavanca, dois porta-copos e um bom porta-objetos no apoio de braços.
Mas a Nissan arrumou duas soluções tecnológicas duvidosas. A primeira, trocou o painel de instrumentos, que tinha o velocímetro analógico e a tela de 7", por uma peça vinda do novo Kicks em versões de entrada, com a tela de 7" em nova interface, mas um duvidoso velocímetro digital que não é tão bonito como o anterior e nem tecnológico como um painel completamente digital. Era melhor como era.
Outra solução foi para a central multimídia. As duas versões de entrada usam o antigo sistema com a tela de 8" e espelhamentos por cabo, já ultrapassado e ainda funcional, mas as solução para um sistema sem fios e com tela maior veio do mercado aftermaket: uma central Pioneer DMH-AP6650BT/XEBR, que pode ser encontrada por cerca de R$ 2.500 em lojas da internet. Funciona e se comunica com o carro, como câmera de ré (e sistema 360 no Exclusive), sensor de estacionamento traseiro e alerta de portas abertas, que funciona bem, mas deixa claro que rolou uma economia no desenvolvimento dessa parte.
Alma de...Kicks
Tudo isso não tirou a alma de Kicks do Kait. Afinal estamos falando da mesma plataforma e praticamente as mesmas dimensões, como os 2.620 mm de entre-eixos e, no comprimento, o novo design deixou o Kait com 4.304 mm, enquanto o Kicks Play tinha 4.310 mm, muito pela nova dianteira. No porta-malas, os bons 432 litros bem aproveitados que já conhecemos, sempre um ponto elogiável do...Kicks.
O mesmo vale para o espaço interno. Os bancos receberam um novo padrão de tecidos e, nos dianteiros, novos encostos de cabeça mais ergonômicos. Diante dos novos SUVs compactos, tem a vantagem do espaço interno amplo, principalmente no banco traseiro, que acomoda dois adultos com conforto e tem duas portas USB-C para recarga de smartphones, mas não saídas de ar-condicionado.
E aqui está também o motor 1.6 aspirado, com 110/113 cv e 14,9/15,2 kgfm, ligado ao CVT que simula 6 marchas. Sempre polêmico no SUV, segue o mesmo, com rodar suave na cidade, bem casado com o câmbio, mas que gosta de girar para ganhar mais velocidade, subindo a rotação a qualquer toque extra no acelerador. Se conhecer bem, consegue rodar em baixas rotações, mas vai pedir certa paciência para ganhar velocidade.
Tem um bom isolamento acústico, o que suaviza um pouco esse trabalho áspero do motor e câmbio. O Kait é um carro que dá para passar horas dirigindo pelo conforto geral, principalmente no circuito urbano, onde o 1.6 atende melhor e consegue entregar um bom torque em vias planas, mas vai reclamar nas subidas e retomadas, por exemplo. Isso vem nos números.
Em nossos testes, andou na mesma tocada do Kicks Play. Com gasolina, 0 a 100 km/h em 11,4 segundos e retomadas na faixa dos 8 a 9 segundos. Se na cidade vai bem, na estrada já reclama, principalmente quando carregado, e o consumo é apenas ok, com 9,7 km/litro na cidade e 14,3 km/litro na estrada, sempre com gasolina.
Desempenho segue seu ponto fraco, mas a dinâmica é boa. A Nissan falou sobre um novo eixo traseiro, mas o que não mudou em conforto e estabilidade, pode ser pela questão de histórico de quebras no Kicks. No demais, o SUV compacto segue a boa relação de conforto e estabilidade, com baixa rolagem de carroceria mesmo em velocidades mais altas e boa absorção de impacto mesmo nas piores ruas, ajudado também pelos pneus 205/55 nas rodas de 17".
Afinal, vale a pena?
O Nissan Kait nasceu para brigar no segmento de SUVs menores e mais baratos que nasceu nos últimos tempos e tem como grande trunfo o porte, espaço interno e porta-malas. Quem mais se aproxima dele no pacote geral é o novo Honda WR-V, com seu 1.5 aspirado e preços de R$ 147.100 no EX e R$ 152.100 no EXL, justamente a faixa dos dois Kait topo, Advance Plus (R$ 149.890) e Exclusive (R$ 152.990).
Ao mesmo tempo, é o carro que vai levar os atuais donos de Kicks para as lojas sem medo de ter que colocar muito dinheiro na troca, já que o novo Kicks começa em R$ 168.690 e vai aos R$ 199 mil, além da confiança que este público já tem no conjunto do carro, agora em um pacote visual novo que justifica a troca. Muitos Kicks estão nas ruas a trabalho, outro ponto importante a ser observado.
Mas vou repetir algo que falei na avaliação do Kicks Play: pense na versão. Por R$ 117.990, o Kait Active já vem bem equipado, além dos descontos que a rede aplica, e aqui realmente impacta os novatos. O Kait Advance Plus é interessante, mas por cerca de R$ 3 mil, dá para subir ao Exclusive e levar piloto automático adaptativo, ar-condicionado automático e bancos em couro, além de outros concorrentes do mesmo porte que já tem versões nesta faixa, como um Chevrolet Tracker LT (R$ 145.490) ou Hyundai Creta Comfort (R$ 151.290).
No fim das contas, não é vergonha ao Kait ser comparado ao Kicks. Tem boa história e vai entrar na briga aquecida do mercado com uma proposta de preço interessante, mais uma vez, pelo metro quadrado, e pela confiabilidade que os atuais donos de Kicks gostam. Vamos ver como serão seus primeiros meses de mercado durante 2026.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Nissan Kait 1.6 CVT
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