Ram Rampage vale a pena? Veja qual versão faz mais sentido
Picape custa de R$ 230.990 a R$ 275.990 e muda bastante entre Big Horn, Rebel, Laramie e R/T
Primeiro produto da Ram pensado para o Brasil, a Rampage é hoje o principal modelo de volume da marca norte-americana por aqui. Posicionada no segmento de picapes intermediárias, rivaliza principalmente com a prima Fiat Toro e com a Ford Maverick por um público que busca a versatilidade da caçamba, mas com dirigibilidade mais próxima à de um SUV.
E o parentesco com os modelos da Jeep também é bastante próximo. A Rampage utiliza a plataforma Small Wide, compartilhada com Compass e Commander, e divide com eles não apenas componentes mecânicos, como também a linha de produção do complexo da Stellantis em Goiana (PE). Hoje, sua gama utiliza os motores 2.2 turbodiesel e 2.0 turboflex em cinco configurações, todas posicionadas acima de onde termina a Fiat Toro.
Fiat Toro Ultra e Ram Rampage usam a mesma base, propulsores e tem dimensões próximas
Diferentemente da picape da marca italiana, no entanto, a Ram não recebeu nenhum sistema de eletrificação leve em seus propulsores. Essa mudança deverá ficar para uma próxima geração, esperada somente para o fim da década.
Não que a Rampage esteja precisando disso para encontrar compradores. No primeiro semestre de 2026, foram 14.351 unidades, colocando a Ram atrás apenas da Toro entre as picapes de seu porte e bem à frente de Chevrolet Montana (10.215), Renault Oroch (6.452) e Ford Maverick (2.614).
Mas, afinal, o que cada uma oferece e onde está o melhor negócio? Abaixo, mostramos as diferenças entre as versões da Rampage e qual delas faz mais sentido para levar para casa em 2026.
Ram Rampage 2.2 TD Big Horn - R$ 230.990
Apesar de ser a opção de entrada da gama, a Big Horn não penaliza quem a escolhe com visual simplificado demais nem equipamentos de menos. Pelo contrário. Há detalhes em cromado na grade dianteira, nos retrovisores e ao redor dos vidros das portas, além do para-choque traseiro.
Somente os mais atentos perceberão as rodas de menores dimensões, com aro 17'' e pneus 235/65, mas sem pintura cromada ou diamantada. Já por dentro, a picape usa menos mistura de tonalidades e texturas em seu acabamento, ainda que mantenha acabamento em couro preto.
Já em equipamentos, traz de série multimídia UConnect de 12,3'' com câmera de ré, ar-condicionado digital dual zone com saída na traseira, quadro de instrumentos digital de 10,3'', carregador por indução, retrovisores elétricos e com rebatimento, seis airbags e freios ABS com discos nas quatro rodas.
Ela é equipada sempre com o motor 2.2 Multijet turbodiesel de 200 cv e 45,9 kgfm, que também está na Toro e no Commander, além do sistema de tração do tipo integral e do câmbio automático de nove marchas.
Não há opcionais, mas há sete possibilidades de escolha de cores diferentes, sendo elas: Vermelho Flame (a única sem custos), a sólida Preto Diamon (R$ 2.000), as perolizadas Sting Grey e Branco Pérola e as metálicas Azul Patriot e Prata Billet.
Ram Rampage 2.2 TD Rebel - R$ 259.990
Logo acima, a Rebel já traz posicionamento mais aventureiro, com vários detalhes em plástico preto fosco nas molduras das caixas de roda, na grade e também ao redor das portas. As rodas de liga leve têm desenho exclusivo e contam com pneus Pirelli Scorpion All Terrain Plus, mantendo o aro 17''.
Por dentro, há detalhes em prata nas portas e também no painel, além de alguns luxos, como banco do motorista elétrico, e mais itens de segurança, como controle de cruzeiro adaptativo com Stop & Go, monitoramento de pontos cegos e tráfego traseiro cruzado, assistente de centralização em faixa, sensores de chuva e crepuscular e retrovisor interno eletrocrômico.
Também não há opcionais, mas os interessados podem configurar a picape nos mesmos sete tons da Big Horn.
Ram Rampage Laramie - R$ 259.990 e R$ 269.990
No meio da gama, a Laramie volta a apostar em cromados por toda a carroceria, mas agora com mais refinamento na cabine, tendo sistema de som Premium Harman Kardon (10 alto-falantes e subwoofer), luzes ambientes, bancos dianteiros com ajustes elétricos (12 vias para motorista e passageiro), com duas memórias para o condutor, e couro que mistura tom claro e escuro.
Por fim, diferencia-se também pelas rodas de liga leve de aro 18'' com pneus 235/60. Não há opcionais, enquanto as cores podem ser configuradas nos mesmos tons das versões anteriores.
Reparou que a Laramie é a única versão que aparece com dois preços diferentes? Isso se deve à possibilidade de equipá-la com a motorização 2.0 turboflex também usada no Compass BlackHawk.
Com esse conjunto, ela é capaz de render até 272 cv e 40,8 kgfm, sempre com câmbio automático de nove marchas. Além do propulsor flex, ela também pode ser configurada com o propulsor 2.2 turbodiesel, que adiciona mais R$ 10.000 ao preço total da versão.
Ram Rampage R/T flex - R$ 275.990
Por fim, na R/T, topo de linha, a marca aposta em visual mais esportivo, sempre com o propulsor 2.0 turboflex. Exclusivo dela, há o modo R/T, que altera o comportamento dinâmico da picape e, principalmente, a relação do acelerador, além das rodas de liga leve de aro 19'' em preto brilhante.
No visual, traz sempre teto com pintura contrastante em preto brilhante, que é acompanhado pelos retrovisores, emblemas, grade dianteira e apêndice na parte inferior do para-choque dianteiro. No capô, há mais uma faixa preta com uma linha vermelha nas laterais, enquanto, no interior, há detalhes em camurça no painel, além de costuras vermelhas que também aparecem nos forros de porta.
Panorama do plano estratégico da Stellantis para o Brasil
Nova geração chega até 2030
O anúncio de novos investimentos do grupo Stellantis no Brasil não focou apenas nos próximos lançamentos da Fiat. Ram e Jeep, consideradas prioritárias pela companhia, também terão novidades importantes nos próximos anos.
É o caso de Ram Rampage e Fiat Toro, que já acumulam alguns anos de mercado e ainda utilizam a veterana plataforma Small Wide. Em ambos os casos, a produção continuará em Goiana (PE), mas a tendência é que as próximas gerações migrem para a STLA Medium, base mais moderna e já utilizada pelo novo Jeep Compass europeu.
Do tipo multienergia, a arquitetura permite trabalhar com motores a combustão, híbridos e elétricos, além de sistemas de assistência à condução mais avançados. Para o Brasil, a Stellantis já indicou que pretende apostar principalmente em híbridos leves de 48 volts e híbridos plenos.
Entre as soluções que podem servir de referência está o conjunto usado pelo novo Jeep Cherokee em outros mercados. O SUV combina um motor 1.6 turbo a dois propulsores elétricos, sendo um deles responsável pela geração de energia e o outro por tracionar as rodas. Por aqui, não seria surpresa se uma eventual aplicação futura recorresse ao 1.3 T270 flex já utilizado por vários modelos da Stellantis.
Vale a pena?
A Rampage custa bem mais do que uma Toro equivalente, mas também entrega algumas coisas que a Fiat não oferece. Dependendo da versão, há pacote ADAS mais completo, motor 2.0 turbo de 272 cv e propostas bem diferentes entre si, indo da Rebel mais aventureira à Laramie luxuosa e à R/T esportiva. Há ainda, claro, o peso de levar uma Ram para casa.
Comparando com Toro e Maverick, a Rampage é disparada a mais caprichada por dentro, com couro e materiais de melhor qualidade também no painel e nos forros de porta. Nesse aspecto, chega a ser superior até à Dakota, sua irmã maior.
O ponto negativo? A picape da Ram ainda não recebeu nenhum tipo de eletrificação e não deve ganhar no curto prazo. A Toro já conta com sistema híbrido leve que, mesmo sem mover as rodas ou mudar radicalmente o consumo, livra o motorista do rodízio em São Paulo e ainda pode garantir incentivos em alguns estados.
Já a Maverick Hybrid, com sistema do tipo pleno, vai além. Segundo o Inmetro, faz 15,7 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada. Na Rampage R/T, por exemplo, o 2.0 turbo Hurricane faz 6 km/l e 7,5 km/l com etanol ou 8 km/l e 10,5 km/l com gasolina, respectivamente.
Ou seja, a Rampage continua sendo a opção mais sofisticada entre as três, mas cobra por isso e não é a mais racional quando o assunto é consumo. Para quem valoriza acabamento, desempenho, equipamentos e uma gama com mais personalidade, ainda faz bastante sentido. E como a troca de geração ainda deve levar alguns anos, a chegada de novidades tampouco parece motivo para deixar de considerar a atual agora.
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