Ranking mostra modelo mais vendido de cada marca e sua dependência no Brasil
Algumas fabricantes concentram mais de 50% das vendas em um único modelo, outras distribuem melhor o volume entre diferentes segmentos
O mercado brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com 1.359.107 automóveis e comerciais leves emplacados, alta de 20,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento foi impulsionado pela chegada de novos modelos, pela expansão das marcas chinesas e pela recuperação de diferentes segmentos. Mas, por trás dos números gerais, há outro indicador que ajuda a entender a estratégia de cada fabricante: o quanto ela depende de seu veículo mais vendido.
Entre as dez montadoras com maior participação no mercado brasileiro, a diferença é significativa. Enquanto algumas concentram praticamente metade de seus emplacamentos em apenas um modelo, outras conseguem distribuir o volume de vendas entre diferentes produtos, reduzindo a dependência de um único carro. Os dados da Fenabrave mostram que essa concentração varia de 24% a mais de 50%.
Lista: o modelo mais vendido de cada marca no Brasil
| Modelo | Emplacamentos | Total montadora | Participação |
| Fiat Strada | 83.032 | 270.941 | 30,6% |
| VW Polo | 54.091 | 224.923 | 24% |
| Chevrolet Onix | 45.109 | 140.706 | 32% |
| BYD Dolphin Mini | 35.669 | 99.028 | 36% |
| Hyundai HB20 | 38.930 | 95.723 | 40,7% |
| Toyota Hilux | 23.363 | 79.969 | 29,2% |
| Renault Kwid | 30.564 | 63.873 | 47,8% |
| Jeep Compass | 27.038 | 56.418 | 47,9% |
| Honda HR-V | 27.508 | 53.540 | 51,4% |
| Caoa Chery Tiggo 5x | 15.755 | 37.013 | 42,6% |
A Honda lidera o levantamento. O HR-V respondeu por 27.508 unidades emplacadas entre janeiro e junho, o equivalente a 51,4% de todas as vendas da fabricante no período. Jeep e Renault aparecem logo atrás, com Compass e Kwid representando 47,9% e 47,8% dos respectivos volumes, mostrando como esses modelos continuam sendo fundamentais para o desempenho comercial das duas marcas.
Honda HR-V
Na outra ponta está a Volkswagen. Embora o Polo seja o automóvel mais vendido da fabricante, ele responde por apenas 24% dos emplacamentos da marca no semestre. O índice reflete um portfólio bastante pulverizado, sustentado por modelos fortes em diferentes segmentos, como T-Cross, Nivus, Saveiro, Virtus e, mais recentemente, o Tera. Toyota e Fiat seguem uma lógica semelhante: Hilux e Strada lideram internamente, mas representam menos de um terço das vendas totais de suas respectivas fabricantes.
A BYD merece um destaque à parte. Quando o Dolphin Mini chegou ao Brasil, havia dúvidas se um hatch compacto totalmente elétrico conseguiria alcançar volumes relevantes em um mercado tradicionalmente dominado por SUVs e modelos a combustão. Pouco mais de um ano depois, o cenário é outro. O compacto responde por 36% das vendas da marca e se consolidou como o principal produto da fabricante chinesa no país, ajudando a impulsionar sua rápida ascensão entre as maiores montadoras do mercado brasileiro. Mais do que liderar internamente, o Dolphin Mini passou a disputar espaço diretamente com modelos consagrados das fabricantes tradicionais.
Tiggo 5x Pro 2027
Também chamam atenção os índices registrados por Hyundai e Caoa Chery. O HB20 continua sendo responsável por 40,7% dos emplacamentos da Hyundai, enquanto o Tiggo 5X concentra 42,6% das vendas da Caoa Chery, confirmando a importância dos dois modelos dentro da estratégia comercial de suas respectivas fabricantes.
Os números mostram que não existe uma fórmula única para construir uma operação de sucesso. Marcas com portfólios mais enxutos tendem naturalmente a concentrar maior parte das vendas em poucos modelos, enquanto fabricantes com uma gama mais ampla conseguem distribuir melhor seu volume entre diferentes segmentos. Ainda assim, o levantamento evidencia quais são os veículos que sustentam cada operação e mostra como alguns modelos se tornaram decisivos para o desempenho de suas marcas no mercado brasileiro.
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