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No Hall da Fama, presidente da Toyota pede união entre rivais

Akio Toyoda aproveitou uma das maiores homenagens da carreira para defender mais união entre montadoras diante do avanço dos chineses

Akio Toyoda introduzido no Hall da Fama Automotivo 2026
Foto de: Toyota

O avanço das fabricantes chinesas já havia levado a Toyota a defender mais cooperação entre as marcas japonesas, mas Akio Toyoda resolveu ampliar esse recado para toda a indústria. Diante de mais de 700 representantes de montadoras, concessionários, fornecedores e profissionais do automobilismo reunidos em Detroit (EUA), o presidente do conselho da Toyota pediu que antigos rivais passem a colaborar mais e competir menos.

A fala aconteceu em 23 de setembro, durante a cerimônia em que Toyoda entrou para o Automotive Hall of Fame. Ele se tornou o quarto integrante de sua família a receber a honraria, ao lado do avô Kiichiro Toyoda, do pai Shoichiro Toyoda e de Eiji Toyoda, primo de seu avô, mas aproveitou o palco para falar muito mais sobre o futuro da indústria do que sobre sua própria trajetória.

Toyoda quer menos rivalidade entre montadoras

Ao agradecer a homenagem, Akio dividiu o reconhecimento com funcionários, fornecedores, concessionários e clientes que fizeram parte de sua carreira, antes de direcionar o discurso aos representantes de outras empresas presentes no evento.

Segundo ele, a indústria automotiva tem capacidade muito maior de melhorar a vida das pessoas quando trabalha de forma conjunta, defendendo que as fabricantes deveriam concentrar um pouco menos de energia na rivalidade e um pouco mais na colaboração.

Comparativo Toyota Yaris Cross vs. Nissan Kicks vs. Honda HR-V
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

A declaração não veio acompanhada do anúncio de uma nova aliança, plataforma compartilhada ou projeto conjunto entre Toyota e alguma concorrente, mas ganha outro peso quando observada dentro do momento atual da indústria. Montadoras tradicionais precisam investir simultaneamente em eletrificação, software, baterias, sistemas de assistência, novas fábricas e redução de emissões, enquanto grupos chineses avançam rapidamente em praticamente todas essas frentes.

Akio também não citou BYD, Geely, Chery ou qualquer outra fabricante chinesa durante o discurso, portanto não se trata oficialmente de uma convocação para uma espécie de frente comum contra a China. Ainda assim, o contexto competitivo ajuda a explicar por que a defesa por mais cooperação aparece justamente agora.

Akio Toyoda incluído no Automotive Hall of Fame 2026

Akio Toyoda incluído no Automotive Hall of Fame 2026

Foto de: Toyota

Marca já vinha defendendo mais união

A ideia apresentada em Detroit reforça uma discussão que a própria Toyota já vinha colocando publicamente sobre a mesa. Em julho, Koji Sato, presidente da fabricante e também da Associação dos Fabricantes de Automóveis do Japão, defendeu que as empresas japonesas precisariam cooperar mais para reduzir custos e preservar competitividade diante de uma transformação cada vez mais rápida do setor.

Durante uma reunião com fornecedores, Sato chegou a afirmar que, “se nada mudar, não aguentaremos”, ao defender maior padronização de componentes que praticamente não são percebidos pelo consumidor, como tipos de aço, chicotes elétricos e peças plásticas utilizadas em diferentes veículos.

Comparativo: BYD King vs. Honda Civic vs. Nissan Sentra vs. Toyota Corolla
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

A lógica é relativamente simples: quanto menos dinheiro cada fabricante precisar gastar desenvolvendo milhares de variações de componentes escondidos dentro do carro, maior será a capacidade de investir justamente nas áreas que passaram a pesar mais na decisão de compra, como software, sistemas de assistência, baterias, velocidade de recarga e motores mais eficientes.

Um exemplo citado pela própria Toyota ajuda a mostrar o tamanho do problema, já que fornecedores japoneses produzem hoje dezenas de milhares de variantes diferentes apenas de chicotes elétricos para atender às exigências individuais de cada fabricante e modelo. Reduzir essa complexidade permitiria aumentar escala e diminuir custos sem obrigatoriamente tornar os carros iguais naquilo que o consumidor realmente vê ou sente.

Chinesas já pressionam japonesas dentro e fora de casa

A preocupação não existe apenas no discurso dos executivos. Em maio, grupos chineses como Geely, SAIC, BYD, Chery e Leapmotor venderam juntos mais carros na Europa do que Toyota, Suzuki, Honda, Nissan, Mazda e Mitsubishi somadas, invertendo uma relação que poucos anos atrás pareceria bastante improvável.

Na China, a situação é ainda mais sensível, já que a rápida adoção de carros elétricos, híbridos plug-in e veículos definidos por software reduziu bastante o espaço das fabricantes estrangeiras. Toyota, Honda, Nissan e outras marcas japonesas vêm perdendo participação justamente em um dos maiores mercados do mundo, enquanto empresas locais conseguem lançar novos produtos em ciclos cada vez mais curtos.

O mesmo movimento começa a aparecer em regiões nas quais as japonesas construíram posições particularmente fortes ao longo de décadas, como Sudeste Asiático e Austrália. A combinação entre preços agressivos, eletrificação e grande velocidade de desenvolvimento colocou concorrentes chineses em segmentos que antes eram praticamente dominados por Toyota, Honda, Mitsubishi e companhia.

O que você pensa sobre isso?

Nesse ambiente, a proposta defendida primeiro por Koji Sato e agora reforçada por Akio Toyoda sugere uma mudança importante na maneira como essas empresas podem encarar antigas rivalidades.

Compartilhar componentes, desenvolver padrões comuns ou dividir determinados investimentos pode deixar de ser apenas uma estratégia para economizar dinheiro e passar a ser uma forma de liberar recursos para competir justamente nas áreas em que os novos rivais avançam mais rapidamente. Resta saber se as marcas concordam com isso.

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