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Rock in Rio 1985: quais eram os carros mais vendidos do Brasil?

Scorpions no K7, álcool no tanque e inflação nas alturas davam o tom do mercado há 41 anos

Monza no espírito da época
Foto de: Divulgação

Janeiro de 1985. A excitação do Rock in Rio tomava a Cidade Maravilhosa. Pela primeira vez na história, o Brasil veria um festival de música reunindo um monte de atrações estrangeiras de primeira linha: Queen, AC/DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Scorpions, Yes, Rod Stewart e James Taylor… Pelo lado nacional, vivíamos o apogeu do Rock Brasil, com Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Titãs, Blitz…

No dia 15 de janeiro, Tancredo Neves foi eleito, por via indireta, o primeiro presidente civil do país depois de 21 anos de regime militar. Naquela noite, Cazuza, vocalista do Barão Vermelho, cantou “Pro Dia Nascer Feliz” acompanhado por um coro de 85 mil vozes. E, três dias depois, houve outra apresentação antológica: a imagem de Freddie Mercury conduzindo uma multidão com “Love of My Life” tornou-se um dos símbolos daquela edição de estreia do Rock in Rio e da própria história dos grandes shows no Brasil.

Desde então, o Rock in Rio mudou muito. Em 2026, o rock divide espaço com K-pop, funk, música eletrônica, reggaeton, piseiro e axé, com nomes como Stray Kids, Alok, J Balvin, João Gomes e Ivete Sangalo. Representando a velha guarda, ainda temos Elton John, aos 79 anos e em sua terceira participação no festival. 

E, se o Rock in Rio de 1985 parece pertencer a outro mundo, o que dizer dos carros que circulavam pelas ruas brasileiras há 41 anos? Não havia SUVs, picapes médias de cabine dupla ou elétricos chineses.

Nosso mercado era dominado por apenas quatro grandes fabricantes, com amplo domínio da Volkswagen, seguida por General Motors, Ford e Fiat. A importação de automóveis estava proibida, enquanto uma pequena e criativa indústria brasileira de modelos fora de série se encarregava de atender a quem tinha dinheiro suficiente para querer um “carro diferente”.

É hora de pôr “Still Loving You”, dos Scorpions, no toca-fitas Motoradio Albatroz, abrir o teto solar Santilli e voltar ao clima do primeiro Rock in Rio para conhecer o Top 10 da parada de sucessos automotiva de 1985.

Fiat Uno
Foto de: Divulgação

10º LUGAR - FIAT UNO

A fábrica da Fiat no Brasil não tinha sequer completado nove anos quando o primeiro Rock in Rio foi realizado. Última das quatro grandes a estrear no país, a marca italiana levou um bocado de tempo para conquistar sua clientela por aqui.

Em janeiro de 1985, o pioneiro 147 ainda estava em linha, mas o modelo de destaque da marca era o Uno, lançado poucos meses antes. Com desenho de Giugiaro, o moderno hatch se destacava pelo espaço interno incrivelmente amplo para um carro com apenas 3,64 m de comprimento.

Ainda havia, contudo, um bocado de preconceito: era crença geral que a manutenção era cara e que os Fiat eram ruins na terra e em alagamentos, uma imagem exatamente oposta à que se tem dos Uno hoje em dia… O acrônimo “Fui Iludido, Agora é Tarde” era repetido à exaustão, como piada.

Ninguém podia imaginar que a marca um dia seria líder do mercado nacional. Só em agosto de 1990 o Uno ganharia sua versão Mille e a Fiat começaria a dar a volta por cima.

VW Parati (1)
Foto de: Divulgação

9º LUGAR - VW PARATI

Lançada em 1982, a Parati substituiu a Variant II na linha Volkswagen. De quebra, conquistou os órfãos da Brasília que queriam um carro mais espaçoso que o Gol. O modelo provou que uma station wagon também podia ter alma jovem. Sonho de consumo dos surfistas, era a única perua no Top 10 nacional.

Equipada com motor 1.6 refrigerado a água, ganhou, no fim de 1984, a opção de câmbio de cinco marchas nas versões LS e GLS, melhorando sobretudo o consumo em estrada.

Ford Del Rey 4p
Foto de: Divulgação

8º LUGAR - FORD DEL REY

A Ford queria lançar um sedã de luxo, mas, com a economia do país em frangalhos, teve que bolar uma solução local. Assim, em junho de 1981, foi lançado o Del Rey.

A plataforma e o motor vinham do projeto do Renault 12, que, em 1968, deu origem ao Ford Corcel no Brasil. Até o entre-eixos de 2,43 m permanecia o mesmo dos dois modelos.

O pacato e suave Del Rey era um típico “carro de coroa”. Tinha como destaques o acabamento muito esmerado e a extrema economia do motor, originalmente Renault Cléon-Fonte, que evoluiu para o Ford CHT 1.6 a álcool. Para 1985, o Del Rey passou pela única cirurgia plástica de sua história, ganhando uma grade com três largas barras horizontais. Copiada do Ford Granada MkII europeu, a peça dava ao retilíneo Del Rey uma aparência mais aerodinâmica (digamos assim).

VW Santana
Foto de: Divulgação

7º LUGAR - VW SANTANA

O Santana nasceu na Alemanha, em 1981, como um sedã derivado do Passat de segunda geração. Fracasso de vendas em seu país de origem, o modelo decolou no exterior.

A estreia no Brasil aconteceu em maio de 1984, marcando a entrada da Volkswagen no segmento dos sedãs grandes e de luxo. Sim: no Brasil da época, um carro com 4,53 m de comprimento e 2,55 m de entre-eixos era considerado “grande”.

Seus rivais eram o veterano Opala, lançado em 1968, e o Del Rey, que, como já dissemos, era derivado estruturalmente do Corcel. Não deu outra: o Santana nadou de braçada. Era o Audi que os executivos brasileiros podiam ter.

VW VOYAGE (2)
Foto de: Divulgação

6º LUGAR - VW VOYAGE

Em 1984/1985, o Voyage representava uma espécie de “Gol de terno”: o sedã compacto da nova família Volkswagen, mais tradicional e familiar que o Gol, mas ainda abaixo do recém-chegado Santana. Era uma peça importante na modernização da linha VW, que progressivamente abandonava os modelos refrigerados a ar. Um carrinho leve, confiável, esperto e gostoso de guiar.

No mês do primeiro Rock in Rio, o Voyage custava entre Cr$ 19 milhões e Cr$ 25 milhões, mas essa referência não significava muito em um país com inflação anual de 230%. Melhor dizer que o sedanzinho da VW era rival direto do Ford Escort. Havia até uma versão de quatro portas, mas ninguém queria saber disso em 1985 (talvez algum motorista de táxi).

VW Fusca 1985
Foto de: Divulgação

5º LUGAR - VW FUSCA

Em agosto de 1984, o Fusca ganhou um belo pacote de evoluções: motor 1.600 a álcool com dupla carburação e 57 cv, freios a disco na dianteira, alternador de maior capacidade e bancos mais anatômicos e fáceis de ajustar. Veio até uma série especial, hoje conhecida como Love.

O modelo havia sido campeão de vendas no país por 24 anos consecutivos, de 1959 a 1982, mas seu prestígio já não era o mesmo: o besourinho deixara de ser o sonho de consumo de todo jovem brasileiro que completava 18 anos.

Na época do primeiro Rock in Rio, o antigo superastro da Volkswagen já começava a ensaiar sua despedida dos palcos brasileiros. Mesmo com as vendas em declínio, porém, estava prestes a alcançar 3 milhões de unidades comercializadas no país, uma marca até então inédita. Por Cr$ 12 milhões, era o carro mais barato do Brasil e ainda tinha boa procura entre os frotistas.

O Fusca saiu de cena em 1986, mas ainda voltaria da aposentadoria para uma curta turnê entre 1993 e 1996.

Chevrolet Chevette (1)
Foto de: Divulgação

4º LUGAR - CHEVROLET CHEVETTE

O Chevette chegou ao primeiro Rock in Rio ainda com moral de campeão: em 1983, havia conseguido a façanha de destronar o Fusca e se tornar o carro mais vendido do Brasil. Lançado em 1973, já era um veterano, mas acabara de passar pela maior renovação de sua carreira. Ganhou frente e traseira redesenhadas, novo interior, motor 1.6 e câmbio de cinco marchas, mudanças que lhe deram novo fôlego.

Em 1985, porém, começava a sentir o peso da idade diante de uma nova geração de compactos, como Fiat Uno e VW Gol. Ainda vendia muito bem e guardava uma peculiaridade cada vez mais rara: motor longitudinal e tração traseira. Naquele ano, ganhou até a opção de câmbio automático de três marchas.

Ford Escort Ghia
Foto de: Divulgação

3º LUGAR - FORD ESCORT

Lançado em 1983, o Escort era um dos símbolos da modernização do mercado brasileiro. Com motor transversal, tração dianteira e suspensão independente nas quatro rodas, representava uma revolução para a Ford.

O hatch tinha versões para vários bolsos, mas sua grande estrela era o XR3. Com aerofólio emborrachado, spoilers, rodas de liga leve, faróis auxiliares e teto solar, o esportivo fazia parte dos sonhos de boa parte dos jovens presentes ao primeiro Rock in Rio (mesmo que seu motor 1.6 CHT não entregasse um desempenho tão espetacular quanto o visual prometia).

E o Escort ainda ficaria mais desejado em 1985: em abril, a Ford lançaria o XR3 Conversível, que rapidamente se tornaria um dos carros mais charmosos e caros do país.

VW Gol
Foto de: Divulgação

2º LUGAR - VW GOL

Em 1985, o Gol ainda não era o fenômeno de vendas que dominaria o mercado brasileiro por 27 anos consecutivos. Lançado em 1980 para modernizar a linha de entrada da Volkswagen, teve um começo difícil, prejudicado pelo fraco motor 1.3 refrigerado a ar.

A virada veio em meados da década. Na linha 1985, ganhou motor 1.6 refrigerado a água e câmbio de cinco marchas nas versões superiores. E havia o Gol GT, lançado em 1984 com motor 1.8, bancos Recaro e visual esportivo para brigar com o Escort XR3 pelo título de carro mais desejado pela galera. O BX “a ar” ainda resistiu como versão básica até 1986.

Enquanto o Fusca ensaiava sua primeira despedida, seu herdeiro começava a mostrar a que vinha. Em 1987, o Gol assumiria a liderança do mercado brasileiro, posto que só deixaria no fim de 2013.

Monza, um sucesso nos anos 80 (1)
Foto de: Divulgação

1º LUGAR - CHEVROLET MONZA

Na época do primeiro Rock in Rio, em 1985, quem mandava no mercado brasileiro não era Fusca, Chevette ou Gol. Era o Chevrolet Monza. Em 1984, o modelo havia conseguido a façanha de levar um carro médio ao topo absoluto das vendas no país, liderança que manteria até 1986.

O que você pensa sobre isso?

O mais curioso é que seu apogeu aconteceu em plena crise econômica. Com a inflação em disparada e a consequente corrosão do poder de compra, o carro zero-quilômetro se tornava um sonho cada vez mais distante para as famílias de menor renda. O mercado total encolheu e passou a depender cada vez mais de quem ainda preservava liquidez para trocar de automóvel.

Lançado por aqui em 1982, o Monza era a interpretação brasileira do “carro mundial” da General Motors, nascido a partir do projeto J. Moderno, com motor transversal e tração dianteira, estreou como hatch de três portas, mas foi a chegada do sedã, com duas ou quatro portas, que o transformou em um verdadeiro fenômeno de vendas.

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