Teste Honda HR-V Touring 2026: ainda há espaço pro tradicional?
Com poucas mudanças, quer manter seu lugar nas garagens de sempre e já fiéis da marca
Em 2015, se você queria estar na moda, um dos elementos mais importantes era ter um Honda HR-V na garagem. Desde então, o SUV compacto segue uma vida estável, com troca de geração em 2022, como um bom japonês sempre faz. Não foi diferente com esta reestilização para a linha 2026, com melhorias em pontos bem específicos para renovar os votos com seus clientes fiéis.
Aqui, o Honda HR-V Touring 2026, de R$ 209.900, mostra como se posiciona, seja com uma concorrência chinesa híbrida nesta faixa dos R$ 200 mil, quanto despreocupado com a chegada do WR-V, com outra proposta de cliente, principalmente pelo preço e motor 1.5 aspirado. Afinal, essa estratégia ainda funciona após 10 anos?
Um minuto da sua atenção
Para perceber tudo o que mudou no HR-V 2026, você terá que prestar um pouco de atenção. A grade dianteira ficou um pouco maior e ângular, com um novo desenho interno, sendo colmeia nas versões com motor 1.5 turbo. A versão Touring se diferencia um pouco mais, com as novas rodas de 18" - um pedido antigo dos donos da versão topo - e as lanternas em LEDs com nova formação interna. Os faróis fullLEDs receberam setas dinâmicas na versão Touring.
Especificamente nas versões turbo, há um conjunto visual mais esportivo e o discreto filete cromado na grade inferior e a saída de escape duplo na traseira. O perfil visual do HR-V é mais urbano e talvez esportivo, principalmente pela área dos vidros menores e até a já clássica maçaneta traseira camuflada na coluna C, algo que vem da geração anterior, assim como o estilo mais cupê do caimento da traseira.
Por dentro, a nova interface da central multimídia deixa de ser algo genérico e tem mais a cara da Honda, além de ganhar um aspecto de tela realmente flutuante. Na usabilidade, um novo porta-objetos abaixo dos comandos de ar-condicionado, de duas zonas, e uma pequena mudança na área do carregador por indução, agora com a companhia de uma porta USB-C para recargas mais rápidas.
Com as poucas novidades estéticas, o HR-V 2026 não muda em suas dimensões ou especificações técnicas, inclusive do motor 1.5 turbo, de 177 cv e 24,5 kgfm com gasolina ou etanol, e no câmbio tipo CVT com simulação de sete marchas. Foram feitas apenas recalibrações eletrônicas para atender normas de emissões e, segundo a Honda, melhorar seu consumo.
O bom de sempre - e o negativo também
O HR-V nasceu com a plataforma do Fit e segue com ela. Com 4.385 mm de comprimento, tem 2.610 mm de entre-eixos, mas o destaque fica pelo aproveitamento desta última medida. Mesmo não sendo a maior do segmento, o espaço interno é destaque, principalmente no banco traseiro, onde acomoda dois adultos com conforto e, caso precise de um terceiro ocupante, há um piso plano para, ao menos, facilitar um pouco, e todos os bancos confortáveis.
Só que a Honda acabou prejudicando o porta-malas, com 354 litros. Longe de brilhar dentre os concorrentes, foi um ponto que acabou perdendo na virada de geração - em compensação, no Touring, tem o acionamento elétrico da tampa com a função de fechar automaticamente ao afastar com a chave do carro. O Magic Seat ainda é um dos sistemas de modularidade de bancos mais interessantes do mercado, permitindo levar objetos mais altos dentro do carro.
O mesmo vale para o pacote tecnológico. De bom, a funcionalidade e calibração dos sistemas de piloto automático adaptativo, assistente de faixas e alerta de colisão, mas a insistência da Honda na câmera no retrovisor no lugar de um alerta de ponto-cego tradicional ainda é questionável. Ponto positivo para o fato dos assistentes serem de série em todas as versões do HR-V.
Agora, se você é aquele que gosta de telas e impacto visual futurista no interior, lamento. No painel, a tela auxiliar de 7" é completa de informações e resolução, mas não é a coisa mais moderna do mercado. Ao seu lado, o sistema multimídia funciona bem, mas também não é um show de funcionalidades - modelos mais caros da Honda já adotaram sistema Google Built-In, mas não nos nacionais por enquanto. Até o design geral do interior é bem conservador, com boa montagem, mas nada revolucionário.
Ao conservador? Sim, sem dúvidas
Como a maioria de seus concorrentes diretos, o Honda HR-V ainda não entrou na era da eletrificação, mesmo que no exterior ele já viva essa realidade. Por aqui, o HR-V Touring se orgulha do 1.5 turbo, com injeção direta, que já se tornou um conhecido do nosso mercado desde o Civic G10. Flex, chegou aos 177 cv e 24,5 kgfm, em parceria com o câmbio CVT.
Um seletor de modos de condução tem a variação tradicional, entre eco, normal e sport, e trabalha nas respostas de acelerador e transmissão. Um bom motor, mesmo atendendo novas normas de emissões, trabalha bem, sem dalay exagerado de respostas, em conjunto com a conversa bem conservadora e boa com o câmbio. Apesar das aletas para trocas de marchas no volante, não é algo necessário.
Mesmo em modo eco, o HR-V turbo responde bem. Na cidade, entrega a força de forma linear, mas ainda competente, sem pulos ou exageros. Um motor quieto e que trabalha em baixa rotação, só vai aparecer quando afunda o pé, onde realmente vai entregar seu máximo, principalmente no modo sport, onde cresce e ganha velocidade com fôlego.
Em consumo, foi bem considerando sua potência: com gasolina, 11,3 km/litro na cidade e 15,9 km/litro na estrada. Ainda longe dos híbridos, faz o possível diante dos concorrentes diretos até menos potentes, e vai bem também na hora de acelerar, com 0 a 100 km/h em 8,7 segundos, segundo o nosso teste instrumentado.
Na suspensão, a Honda fez alguns ajustes no HR-V 2026. É um carro firme e bom de curva, com uma direção comunicativa - e até um pouco pesada em manobras...-, que reclama um pouco em buracos mais fundos e asfaltos mais judiados. Não pula e não bate, porém não é o mais confortável do segmento, indo mais para aquele ajuste japonês, que tem a colaboração de uma boa estrutura e construção. Você precisa dirigir para ver se te atende e te diverte.
Mas vale os R$ 210 mil?
Não é de hoje que se questiona o preço do HR-V. Sempre teve um valor mais alto, mas sempre vendeu bem. Teve vida tranquila há 10 anos, mas a concorrência foi chegando e se inspirando nele para vender, inclusive no preço. Mais recente, chegaram os chineses para o desafiar, mas nem todos os seus clientes o abandonaram, pelo contrário.
E parece que é para este público que a Honda mexeu no HR-V. Bom motor, bom espaço interno, pacote de equipamentos que convence, mas não brilha. Com isso, estão mais de olho no comprador tradicional, que boa parte já tem um HR-V, do que em uma nova faixa que procura as tecnologias como grandes telas e o além-do-carro. Nem um teto panorâmico a Honda colocou no seu SUV compacto mais caro...
Por R$ 210 mil, está alinhado com seus concorrentes diretos, mas se aproveita do fato de ser um Honda e seu tempo de mercado para convencer os clientes, principalmente quem busca a estabilidade e revenda de um japonês. Isso o sustenta no mercado brasileiro? Hoje, sim, mas novidades não podem esperar 10 anos para chegar em uma era bem diferente de compradores. Nem só de fiéis vive uma referência.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Honda HR-V Touring 1.5T
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