Teste: Chevrolet Sonic RS acelera melhor que o prometido e surpreende no consumo
Novo SUV supera números oficiais de desempenho e consumo nos testes do Motor1.com Brasil
O Chevrolet Sonic chegou ao mercado cercado de expectativa. Primeiro pelo sucesso comercial imediato, com 14 mil pedidos nas duas primeiras semanas de vendas. Depois, pela responsabilidade de ocupar um espaço estratégico entre Onix e Tracker. Agora, após os primeiros testes instrumentados realizados pelo Motor1.com Brasil, o novo SUV compacto mostrou que tem argumentos além do visual moderno e do pacote tecnológico.
Em nossas medições, o Sonic RS acelerou de 0 a 100 km/h em 9,8 segundos, resultado melhor que os cerca de 10 segundos divulgados oficialmente pela General Motors, abastecido com gasolina. O consumo também chamou atenção. Registramos médias de 12 km/l na cidade e 15,7 km/l na estrada com gasolina, número superior ao homologado pelo Inmetro, que indica 12,1 km/l e 14,8 km/l, respectivamente.
Leveza faz diferença nas acelerações
Sob o capô está o conhecido motor 1.0 turboflex de três cilindros com injeção direta, capaz de entregar 115 cv e 18,9 kgfm de torque, que até então estava apenas no Tracker, o SUV maior que o Sonic. Associado ao câmbio automático de seis marchas, o conjunto se mostrou mais eficiente na prática do que os números sugerem (na ficha técnica, é um dos menos potentes do segmento).
O Sonic acelera de maneira progressiva e transmite sensação de agilidade desde baixas velocidades. O atraso na entrada do turbocompressor é praticamente inexistente e a entrega de torque acontece de forma linear, sem os atrasos (lag) que costumam marcar alguns motores sobrealimentados de menor cilindrada.
Parte desse comportamento está diretamente relacionada ao baixo peso. Com apenas 1.139 kg em ordem de marcha, o Sonic figura entre os SUVs mais leves do segmento. Os números aferidos pelo Motor1 Brasil mostram isso claramente. O modelo cumpriu o 0 a 60 km/h em 4,2 segundos, chegou aos 80 km/h em 6,7 segundos e atingiu os 100 km/h em 9,8 segundos. Nas retomadas, registrou 7,3 segundos entre 40 e 100 km/h e 7,1 segundos entre 80 e 120 km/h.
Importante ressaltar que não se trata de um SUV esportivo, mas que entrega um conjunto com respostas rápidas e agradáveis no uso diário.
Correia banhada a óleo continua, mas motor mostra refinamento
Muito do debate em torno do Sonic passa pela manutenção da correia dentada banhada a óleo. A solução permanece no motor 1.0 turbo, mas agora acompanhada de uma cobertura de fábrica que chega a 240 mil quilômetros.
Em 2025, a Chevrolet promoveu mudanças importantes no componente. Houve troca de fornecedor, revisão dos materiais utilizados e ampliação da garantia para tentar encerrar a controvérsia que atingiu principalmente a linha Onix.
Segundo a montadora, boa parte dos casos registrados anteriormente estava relacionada à utilização de lubrificantes fora da especificação recomendada e/ou de marcas diferentes da homologada pela empresa (que utiliza produtos da ACDelco, que pertence à GM).
Independentemente da discussão, o fato é que o motor do Sonic continua exibindo qualidades importantes. O funcionamento é suave, silencioso e apresenta níveis reduzidos de vibração. Na prática, isso se traduz em uma condução mais confortável que em alguns concorrentes com motores 1.0 turbo.
Câmbio é um dos destaques do conjunto
Se o motor trabalha bem, o câmbio automático de seis marchas tem parcela importante no resultado. As trocas são rápidas e acontecem no momento adequado, acompanhando bem diferentes estilos de condução. O sistema privilegia rotações mais baixas sempre que possível, favorecendo o consumo sem transmitir sensação de falta de fôlego.
Os números obtidos em nosso teste reforçam essa eficiência. Mesmo com desempenho superior ao anunciado oficialmente, o Sonic entregou médias de consumo ainda melhores que as divulgadas pela própria Chevrolet.
As únicas ausências sentidas ficam por conta dos paddle-shifts e de um modo Sport. Ambos poderiam adicionar um pouco mais de "tempero" e combinar melhor com a proposta visual da versão RS.
Suspensão eleva o nível do projeto
Já havíamos destacado esse aspecto nas primeiras impressões, mas vale reforçar após mais tempo ao volante: a suspensão é um dos grandes diferenciais do Sonic. Embora compartilhe sua arquitetura com o Onix, o SUV recebeu amortecedores de nova calibração e válvulas flexíveis desenvolvidas especificamente para o projeto. O resultado aparece imediatamente.
O Sonic absorve melhor imperfeições, transmite mais robustez em pisos irregulares e vibra menos tanto em áreas urbanas quanto em rodovias. Tudo isso sem comprometer a precisão da direção. As respostas do volante não são tão diretas quanto em rivais como o Volkswagen Tera, mas o conjunto entrega controle dinâmico e equilíbrio convincentes.
Outro ponto positivo está na altura livre do solo de 201 mm. Somada aos ângulos de entrada de 18 graus e saída de 27 graus, o SUV é menos propenso a raspar em lombadas, valetas e rampas.
Espaço interno é próximo ao de um hatch
Apesar do visual robusto, o Sonic não pretende rivalizar com SUVs maiores em espaço interno. O entre-eixos de 2,55 metros é exatamente o mesmo do Onix hatch, e isso se reflete diretamente na cabine. O espaço para pernas no banco traseiro é apenas adequado, embora a altura para cabeças seja melhor graças à carroceria mais elevada.
Nesse aspecto, o modelo dificilmente criará conflitos dentro da própria Chevrolet com o Tracker. O principal destaque continua sendo o porta-malas de 392 litros, um dos maiores da categoria e superior ao de boa parte dos concorrentes diretos.
Tecnologia finalmente acompanha o segmento
O Sonic traz uma evolução importante para a Chevrolet em termos de equipamentos. A bordo, o SUV traz o Virtual Cockpit formado por um quadro de instrumentos digital de 8" integrado à central multimídia de 11". Há espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, internet embarcada via chip 5G e acesso aos serviços conectados da plataforma OnStar, além de comandos remotos pelo aplicativo myChevrolet no celular.
Na versão RS, o pacote inclui carregador por indução, acabamento exclusivo com detalhes vermelhos, cintos de segurança na mesma cor e elementos visuais próprios.
Mas o principal avanço está no pacote ADAS. O Sonic oferece frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, assistente de manutenção de faixa, alerta de saída involuntária, monitoramento de ponto cego e farol alto automático. Ele só fica devendo o controle de cruzeiro adaptativo (ACC).
O sistema Easy Park também está presente e realiza manobras de estacionamento automaticamente. São recursos que colocam o SUV em um patamar tecnológico acima do restante da linha Onix e o aproximam dos concorrentes mais modernos.
Sonic entrega o que promete
Depois dos testes, fica a conclusão de que o Sonic não veio reinventar a fórmula da Chevrolet, mas sim refiná-la. O SUV evolui a base do Onix em praticamente todos os aspectos importantes: conforto, isolamento acústico, comportamento dinâmico, consumo e tecnologia. Ao mesmo tempo, mantém características típicas de um projeto voltado ao custo-benefício, como o amplo uso de plásticos rígidos e o espaço interno apenas razoável.
Ainda assim, o conjunto convence. O Sonic entrega desempenho acima do esperado, consumo eficiente, suspensão bem acertada e um pacote tecnológico competitivo. Para um modelo que chega custando R$ 134.990 — e que em breve passará para R$ 140.990 —, são qualidades que explicam sua ótima largada nas lojas.
Fotos: Diogo de Oliveira/ Testes: David Costa
Chevrolet Sonic 1.0T AT6
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Teste BYD Atto 8: experiência de elétrico em um SUV híbrido de 7 lugares
Quem diria: Ferrari está amando quem odeia a Luce
Teste: Jetour T2 1.5 PHEV tem visual de off-road e é mais barato que Tank 300
Franquia Need For Speed pode acabar; desenvolvedora foca em Battlefield
Renault Boreal Techno: os prós e contras da versão do SUV médio de R$ 199.990
Argentina x Espanha: um jogo disputado no Brasil dos anos 1990
Teste: BYD Sealion 7 mostra como a China entenderá até a Europa para garantir mercado