Teste Leapmotor C10 REEV 2026: nunca pare de aprender
SUV é elétrico com extensor com autonomia a combustão, mas essa não é a única coisa que você vai ter entender
Dizem que é bom nunca parar de estudar, mas não imaginei que o Leapmotor C10 REEV 2026 me ensinaria que isso se aplica também a avaliações de carro. O SUV da nova marca da Stellantis no Brasil é fundamentalmente elétrico, mas o motor a gasolina embaixo do capô adiciona uma nova camada de complexidade para o simples ato de conduzir.
Mas não é só isso que o Leapmotor C10 REEV te obriga a aprender: lógica de celular, funcionamento de computador, interfaces gráficas de internet...afinal, não é só um novo carro, é um novo jeito de se locomover. E deixo aviso: melhor aprender agora, pois será o novo padrão para os próximos anos. Pelo menos em preço, não preciso explicar muito. São R$ 199.990 pelo SUV na configuração com extensor de autonomia e um pacote de itens de série certeiro não só para um carro elétrico, como também para qualquer carro que queira brigar nesse segmento.
Galeria: Teste Leapmotor C10 REEV (BR)
Uma versão, duas propostas
A Leapmotor entrou no mercado como mais uma marca do grupo Stellantis em novembro. Todos os seus carros são elétricos, tanto o de entrada B10 quanto o C10, mas este último tem uma particularidade de duas versões. Em ambas, enquanto a propulsão é sempre feita somente pelo motor elétrico no eixo traseiro, a versão BEV conta com baterias maiores, mas você que que se vire para carregá-lo.
O REEV (range-extended electric vehicle) tem um motor 1.5 aspirado embaixo do capô que não é ligado de forma alguma às rodas. Ele é acoplado a um gerador de energia que atua para alimentar a bateria de 28,4 kWh (69,9 kWh no BEV) e auxiliar na manutenção da tensão e corrente em situações de alta demanda se necessário. Com o C10 REEV, você ainda pode rodar normalmente mesmo se não tiver onde carregar. Não é eficiente, mas não te deixa na rua sem carga.
Enquanto há duas opções de "mecânica", o Leapmotor C10 chegou ao Brasil em versão única. Apenas com bateria ou com gerador, o SUV traz de série sete airbags, ar-condicionado automático de duas zonas, saídas de ar comandadas pela tela, teto panorâmico, sistema de som de 840 W com 12 alto-falantes, iluminação completa por LEDs, multimídia com tela de 14,6", atualizações remotas, controle de cruzeiro adaptativo atuante também em congestionamentos, monitor de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente de permanência em faixa e bancos de couro com aquecimento, ventilação e memória.
Nas medidas, o novo SUV médio entre as marcas da Stellantis tem 4.739 mm de comprimento, 1.900 mm de largura, 1.680 mm de altura e 2.825 mm de entre-eixos. As rodas são sempre de 20". A única diferença física entre o C10 BEV e o REEV é a capacidade do porta-malas: 435 no REEV aqui testado, enquanto o BEV tem 465 litros mais um pequeno bagageiro de 32 litros sob o capô. O primeiro ocupa o espaço dianteiro com o motor gerador e ainda tem equipamentos elétricos extras no bagageiro traseiro, por isso a diferença.
Ambas as configurações do Leapmotor C10 são impulsionadas por um motor elétrico traseiro capaz de entregar 215 cv de potência (218 cv no BEV) e 32,6 kgfm de torque. Pelo Inmetro, a autonomia das baterias é de 111 km no REEV, mas no uso urbano, obtive 153 km usando o modo que prioriza o máximo de uso da bateria antes de ligar o gerador, o que aconteceu aos 9% de estado de carga. A tecnologia de elétrico com extensor de autonomia é tão recente no Brasil que o Inmetro ainda não tem um ciclo de teste para ele. Por conta disso, a Leapmotor declara uma autonomia total de 950 km, medida pelo ciclo WLTP.
Olha a onda sino-brasileira
Quando o C10 REEV me foi entregue, um representante da Leapmotor me avisou: "a curva de aprendizado é íngreme". E não é brincadeira. Passei os primeiros 3 dias de teste xingando cada função escondida sob dois submenus e que nem teclas de atalho na tela resolviam. Em alguns momentos, essa curva de aprendizado parecia uma parede. Sinceramente, pra quê reinventar a roda e colocar o ajuste das saídas de ar do painel em um menu da tela que opera motores elétricos para resolver uma questão que não era um problema? É uma complexidade desnecessária.
Mas essa tem sido a realidade da nova onda de carros chineses no Brasil: impressionar pela tecnologia embarcada, mesmo que ela possa atrapalhar ações simples. Tive problemas similares com BYD Song Plus e Geely EX5, que possuem uma arquitetura de menus muito parecida. E como esses dois, o Leapmotor C10 quer conquistar também pelo preço mais acessível e espaço interno farto, além de oferecer um visual mais discreto. Sabem onde esses elementos são bem apreciados? Exatamente, na China.
Mas, querendo ou não, eles estão chegando. BYD e GWM já com fábrica própria, Geely em parceria com a Renault e a Leapmotor com o peso do maior conglomerado automotivo do Brasil nas costas. Tanto que toda a pós-venda de B10 e C10, incluindo fornecimento de peças, é feita pela Mopar, divisão de peças e acessórios da Stellantis que já atende Fiat, Jeep, Ram, Peugeot e Citroën.
Foram dias desesperadores, mas em algum momento aprendi o básico para conviver com o carro. Acertei meus presets, organizei os widgets mais usados e não pensei mais a respeito. A dica aqui é: na dúvida, trate a multimídia como se fosse um celular e provavelmente você vai conseguir o que quer.
Para a surpresa de ninguém, um carro da Stellantis
Com a curva de aprendizado de software superada, finalmente pude avaliar o C10 como um SUV médio que ele é. Como veículo, a única rusga que tenho é com a efetividade de se levar um gerador a tira colo, limitando o tamanho da bateria e adicionando complexidade a um carro que, por ser elétrico, deveria ser simples. E a maçaneta, essa ninguém acerta como abrí-la de primeira.
Ainda acho que o C10 100% elétrico é melhor. Mas eu moro em uma cidade grande com boa oferta de carregadores rápidos e, mais importante, não sou quem vai comprar. É você quem vai dar quase R$ 200 mil no carro e, se você quer um gerador para te garantir que não vai ficar na mão mesmo sem ter onde carregar, que bom que a Leapmotor ofereça a opção. Fica apenas um aviso: se você não carregar as baterias nem usar o modo elétrico, o consumo não é lá essas coisas. Em nossos testes, cravou 12,4 km/l em uso urbano e 14,9 km/l no rodoviário.
Mas se o Leapmotor C10 está pagando pelo pioneirismo de ser o primeiro elétrico com extensor de autonomia do Brasil e pela complexidade inerente da arquitetura de software dos novos SUVs chineses, o lado da Stellantis dentro da empresa pode ser o grande diferencial.
Não estou nem falando de a Leapmotor se apoiar na rede de lojas e pós-venda das outras marcas da Stellantis por aqui, mas do conhecimento que o grupo tem do mercado brasileiro. O C10 da China é um carro, o vendido na Europa é outro e o que chega no Brasil é um terceiro.
Depois de ter avaliado o Geely EX5, achei que os SUVs elétricos chineses teriam sempre suspensão voltada ao conforto. Grata surpresa ao rodar no Leapmotor C10 foi o acerto de suspensão e o peso da direção. Para deixar forma simples: o SUV elétrico roda com a compostura de um produto da Jeep. Equilibrado nas curvas, confortável nos buracos. O C10 é o que tem o acerto ao rodar mais maduro nessa nova leva de chineses.
Outro ponto em que o SUV da Leapmotor despontou da concorrência foi no acabamento. Traz material macio ao toque em todo o painel e nas portas com montagem impecável. O tratamento é extendido aos passageiros do banco traseiro, que ainda contam com um espaço farto.
O desempenho não é explosivo. São mais de 30 kgfm de torque, mas também são praticamente duas toneladas de carro. Você não sente falta de potência, mas se você espera patada toda vez que acelera, não vai ter. Nessa faixa de preço, é difícil encontrar algo melhor na categoria.
A faixa dos R$ 200 mil é um verdadeiro "pega pra capar" atualmente. Você pode comprar de tudo: de SUV compacto convencional a carros totalmente elétricos das mais variadas origens. Ao oferecer a opção do gerador de bordo com acabamento de ponta e um acerto maduro, o Leapmotor desponta numa categoria em que não faltam rivais. Isso se contar toda a força de ter a Stellantis por trás.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Leapmotor C10 REEV
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