Radares de velocidade média: ANTT dá Ok e 8 Estados vão testar novas câmeras
ANTT autoriza projetos em trechos de 15 rodovias; equipamentos ainda não poderão aplicar multas
Os radares de velocidade média estão prestes a ganhar escala nacional. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou projetos-piloto em oito Estados para testar a tecnologia em condições reais de operação. Os equipamentos serão instalados em trechos de rodovias do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Nesta primeira etapa, os sistemas terão caráter técnico, educativo e experimental. Isso significa que nenhum motorista poderá ser multado exclusivamente com base na velocidade média calculada entre os dois pontos de monitoramento. As concessionárias ainda precisam implantar os equipamentos e a sinalização, por isso não existe uma única data para o início dos testes em todas as rodovias.
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Não adianta frear apenas diante do radar
O novo sistema funciona de maneira diferente dos radares convencionais. Em vez de medir a velocidade do veículo em apenas um local, duas câmeras registram a placa e o horário de passagem em pontos distintos. Como a distância entre eles é conhecida, o sistema calcula quanto tempo o motorista levou para completar o percurso.
Se o carro chegar à segunda câmera antes do tempo mínimo compatível com o limite da rodovia, significa que a velocidade média ficou acima da permitida. Dessa maneira, reduzir apenas ao passar pelo equipamento e voltar a acelerar logo depois deixa de ser suficiente para permanecer dentro da fiscalização.
A tecnologia não deve ser confundida com os novos radares equipados com inteligência artificial, que conseguem identificar motoristas usando o celular ou ocupantes sem cinto de segurança. No controle por velocidade média, o sistema não precisa enxergar dentro do veículo nem interpretar o comportamento do condutor. Basta reconhecer a mesma placa nos dois pontos e comparar os horários.
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Quais Estados terão radares de velocidade média?
A maior concentração de testes ficará no Paraná. Os equipamentos serão avaliados em trechos das rodovias PR-444, PR-862, PR-151, BR-163, BR-376 e BR-277. Nesta última, o monitoramento será realizado em diferentes pontos, incluindo um segmento de 19,6 km entre os km 457,290 e 476,895, um dos mais extensos previstos no projeto.
Minas Gerais também terá diversos trechos monitorados nas rodovias BR-040, BR-050, BR-116 e BR-381, a Fernão Dias. No Rio de Janeiro, os testes alcançarão a BR-116 e a BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, onde o sistema acompanhará 9,02 km no sentido de Niterói, entre os km 323,700 e 332,720.
No Espírito Santo, três segmentos da BR-101 foram selecionados, com extensões de 4,34 km, 7 km e 11,42 km. Goiás terá um trecho de 5,46 km da BR-414, enquanto Mato Grosso do Sul receberá o sistema em 11 km da BR-163. No Rio Grande do Sul, o teste será realizado na BR-386, entre os km 304 e 308.
Santa Catarina completa a lista com um segmento de 3 km da BR-101 sobre a Ponte Anita Garibaldi, em Laguna. O trecho entre os km 312 e 315 já havia sido autorizado pela Decisão Surod nº 1.340/2026 e terá 180 dias de experimento, contados somente a partir da implantação efetiva do sistema.
Veja as rodovias que receberão os testes:
| Estado | Rodovia |
| Espírito Santo | BR-101 |
| Goiás | BR-414 |
| Mato Grosso do Sul | BR-163 |
| Minas Gerais | BR-040, BR-050, BR-116 e BR-381 |
| Paraná | BR-163, BR-277, BR-376, PR-151, PR-444 e PR-862 |
| Rio de Janeiro | BR-101 e BR-116 |
| Rio Grande do Sul | BR-386 |
| Santa Catarina | BR-101 |
Testes terão pelo menos 180 dias
As autorizações foram emitidas pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária da ANTT para pontos específicos de diferentes concessões. Segundo o comunicado oficial da agência, o objetivo é verificar a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos, o comportamento dos motoristas e o desempenho da operação.
Os experimentos terão duração inicial de 180 dias, mas o prazo poderá ser prorrogado ou encerrado antecipadamente. Cada concessionária deverá instalar sinalização informando os usuários sobre o monitoramento e enviar relatórios mensais à ANTT. A agência também poderá pedir dados e avaliações complementares ao longo do projeto.
Não haverá um modelo único de equipamento nem uma velocidade média específica válida para todos os testes. Os limites continuarão seguindo a sinalização de cada rodovia, enquanto os sistemas poderão ser ajustados às características dos diferentes trechos monitorados.
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Quando os radares poderão aplicar multas?
Apesar da capacidade técnica de calcular a velocidade, os equipamentos ainda não estão autorizados a aplicar multas por esse método. A própria ANTT reforça que o projeto experimental não significa liberação da fiscalização sancionatória, ou seja, voltada à emissão de autuações e penalidades.
Qualquer uso futuro dependerá de avaliações técnicas, jurídicas e regulatórias, além das autorizações necessárias. A regulamentação brasileira atual foi desenvolvida principalmente em torno da velocidade medida em um ponto específico, com registro da velocidade indicada pelo equipamento e da velocidade considerada após a aplicação da margem de erro.
No cálculo por média, a possível infração é identificada a partir do tempo utilizado para percorrer determinada distância. Será necessário definir como essas informações aparecerão na notificação, quais margens de tolerância serão adotadas e como o motorista poderá consultar os registros e apresentar defesa.
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Tecnologia não é exatamente nova no Brasil
O País testa esse modelo há mais de uma década. Em 2017, o Motor1.com Brasil mostrou que São Paulo monitoraria a velocidade média entre equipamentos instalados nas avenidas 23 de Maio e dos Bandeirantes e na pista expressa da Marginal Tietê. A experiência também tinha finalidade educativa e não gerava multas.
Na época, um estudo realizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego indicou que a quantidade de motoristas acima da velocidade média permitida poderia ser sete vezes maior do que o número de veículos apanhados pelos radares pontuais. Mesmo assim, a ausência de regulamentação específica impediu que o sistema avançasse para as autuações.
Agora, a tecnologia volta a ser avaliada em uma escala consideravelmente maior, envolvendo diferentes tipos de rodovias, concessionárias e condições de tráfego. Os testes têm respaldo na Resolução ANTT nº 6.000/2022, que permite à agência experimentar soluções técnicas e métodos de engenharia ainda não normatizados.
A expansão para oito Estados mostra que o controle por velocidade média voltou ao radar das autoridades. Ainda não há multa, mas o projeto pode abrir caminho para uma fiscalização em que respeitar o limite apenas diante da câmera não será mais suficiente.
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