Jeep Compass Blackhawk Flex: os Prós e Contras do SUV de 272 cv
Versão tem desempenho de esportivo, ótimo acerto dinâmico e é a mais potente, mas cobra caro por um projeto que sente a idade
O Jeep Compass está longe de ser uma novidade no mercado brasileiro. O SUV foi lançado em 2016 e, apesar de todas as mudanças feitas, continua essencialmente baseado no mesmo projeto. A versão Blackhawk é uma história um pouco diferente: com motor 2.0 turbo, tração integral e 272 cv, é disparado o Compass mais potente já vendido. A novidade mais recente foi a transformação em flex.
Depois de alguns dias com o Blackhawk, fica fácil entender por que essa versão ainda tem seus argumentos mesmo diante de uma concorrência que mudou radicalmente. O Compass anda muito, é bem acabado, recheado de equipamentos e continua sendo excelente de dirigir. O problema é que estamos falando de aproximadamente R$ 280 mil por um SUV sem eletrificação e cujo projeto está completando uma década. Confira abaixo os Prós e Contras.
Galeria: Jeep Compass Blackhawk flex 2026
Prós do Jeep Compass Blackhawk
Ele anda como poucos SUVs desta faixa de preço
Este é o aspecto mais fácil de defender. O Compass Blackhawk é realmente rápido. Não apenas porque tem 272 cv, mas pela maneira como entrega essa potência. Basta apertar um pouco mais o acelerador para o Hurricane responder rapidamente. Seja em uma saída de semáforo, uma ultrapassagem ou uma retomada, há sempre bastante força disponível e o câmbio automático de nove marchas trabalha bem com esse motor, fazendo trocas dinâmicas sem ter que levar o giro ao limite.
Os números do Motor1.com Brasil comprovam essa sensação. Com gasolina, o Compass que testamos acelerou de 0 a 60 km/h em 3 segundos, chegou aos 80 km/h em 4,5 s e completou o 0 a 100 km/h em apenas 6,3 segundos. Nas retomadas, foram 4,4 segundos para ir de 40 a 100 km/h e apenas 4,1 s de 80 a 120 km/h. São números que ajudam a explicar por que o Blackhawk é tão ágil no uso cotidiano. Realmente sobra desempenho nesta versão do SUV.
| Jeep Compass Blackhawnk Flex | |
| 0 a 60 km/h | 3,0 s |
| 0 a 80 km/h | 4,5 s |
| 0 a 100 km/h | 6,3 s |
| 40 a 100 km/h | 4,4 s |
| 80 a 120 km/h | 4,1 s |
| 201 metros | 9,2 s a 124,8 km/h |
Potência não é tudo: Jeep faz curva e freia muito bem
Essa talvez seja uma característica até mais importante que os 272 cv de potência. O Compass Blackhawk não é simplesmente um Compass com motor mais forte. O acerto de suspensão é muito bom, a direção é precisa e o carro transmite confiança quando você aumenta o ritmo. A carroceria é bem controlada nas curvas e os freios também estão à altura do desempenho do Hurricane. É um SUV que permite explorar a potência sem dar a impressão de que motor e chassi pertencem a carros diferentes ou não foram devidamente ajustados.
Nesse aspecto, a idade do projeto tem até um lado positivo. A Jeep teve praticamente uma década para amadurecer o Compass e a versão Blackhawk mostra o quanto essa plataforma ainda é competente dinamicamente.
A tração integral também ajuda a colocar os 272 cv nas rodas e dá ao Blackhawk uma característica que vai além do desempenho em linha reta. Não é exatamente um esportivo, claro, mas tem uma pegada esportiva convincente para um SUV médio da categoria.
Compass Blackhawk ainda entrega a "grife Jeep"
Outro ponto no qual o Compass envelheceu relativamente bem está na cabine. O acabamento continua acima da média, há materiais agradáveis ao toque e uma percepção geral de qualidade que ajuda a justificar o posicionamento do Blackhawk no topo da gama.
Também é um carro bastante equipado. E há aqui um componente menos objetivo, mas importante para quem está disposto a gastar quase R$ 300 mil: é um Jeep. A marca construiu uma reputação no Brasil, e o Compass foi um dos principais responsáveis por isso. Para parte dos consumidores, essa grife ainda pesa na decisão de compra, principalmente diante de marcas chinesas que chegaram ao País há pouco tempo. Existe, porém, um parêntese curioso entre os equipamentos, que veremos no próximo tópico.
Versão tem lista robusta, apesar da polêmica do som
O Blackhawk oferece um pacote bastante completo de série e a unidade testada tinha o sistema de áudio Beats com 506 watts. A questão aqui é que os sistemas de som premium da Jeep acabaram envolvidos em uma discussão inesperada nos últimos meses.
Um caso específico ganhou repercussão envolvendo um proprietário de Jeep Commander com sistema Harman Kardon. Ele foi à Justiça após encontrar alto-falantes identificados como Mopar, a divisão de autopeças da Stellantis. A discussão acabou levantando questionamentos também sobre outros sistemas premium oferecidos pela marca, incluindo o Beats usado pelo Compass.
A explicação da Stellantis é que um sistema de áudio desse tipo não significa necessariamente que cada alto-falante precise carregar a marca parceira. O desenvolvimento envolve projeto acústico, amplificação, equalização, software e calibração específica.
Não desmontamos o forro das portas do Compass que testamos — obviamente, essa não era a proposta da avaliação. Mas vale registrar a polêmica porque envolve justamente um item usado para valorizar versões mais caras, e que realmente é um diferencial. No convívio com o SUV, o som da Beats mostrou competência para subir o volume sem falhar. A qualidade sonora do sistema da Beats que encontramos é acima da média, entregando graves e agudos de alta frequência com fidelidade.
Contras do Jeep Compass Blackhawk
Consumo é aceitável para 272 cv, mas só até certo ponto
Aqui começa a parte mais complicada da defesa do Blackhawk. No teste urbano do Motor1.com Brasil, o Compass fez 7,9 km/l com gasolina e 6,6 km/l com etanol. Na estrada, surpreendeu positivamente ao registrar 13,5 km/l com gasolina. Ou seja, o SUV superou os números oficiais do Inmetro na cidade com o combustível vegetal (6,0 km/l) — com o fóssil, a média é de 8,5 km/l. E, na estrada, com gasolina, foi melhor que os 11 km/l do PBEV.
Considerando que estamos falando de um SUV com 272 cv, câmbio de nove marchas e tração integral, não são números absurdos. Na estrada, principalmente, o resultado é bom. A 120 km/h, o Compass estava em nona marcha a apenas 1.700 rpm. O problema aparece quando deixamos de analisar o Compass isoladamente e olhamos para o mercado atual.
Você pode não querer um híbrido, mas mercado mudou
O segmento de SUVs de quase R$ 300 mil mudou muito mais rapidamente do que o próprio Compass. Hoje, o Blackhawk precisa dividir a atenção do comprador com modelos eletrificados de marcas como BYD e GWM, além de novos SUVs chineses de Jetour e outras fabricantes.
Há híbridos plug-in com potência superior, possibilidade de rodar dezenas de quilômetros sem ligar o motor a combustão e autonomias combinadas que podem se aproximar dos 1.000 km em determinadas condições. Sem falar em rivais de marcas tradicionais, como o novo Volkswagen Tiguan e o inédito Renault Koleos.
O Compass não oferece nada disso. Por outro lado, nem todo comprador quer lidar com recarga, bateria de grande capacidade ou mesmo mudar seus hábitos por causa de um híbrido plug-in. O Blackhawk continua seguindo uma receita extremamente convencional: abastecer, ligar e acelerar. Para esse consumidor, a combinação do Hurricane flex com o câmbio automático e a tração integral ainda faz sentido. Só é preciso aceitar que a conta no posto será maior.
Compass continua ótimo, mas envelheceu
Este talvez seja o ponto mais importante desta avaliação. O Compass chegou ao Brasil em 2016 e claramente já acusa o peso da idade. Apesar das reestilizações, o desenho mudou relativamente pouco e a base do projeto continua a mesma. Em um mercado que recebe novos SUVs praticamente todos os meses, dez anos fazem diferença.
Curiosamente, o Renegade consegue esconder melhor a passagem do tempo. Seu desenho quadrado e as referências históricas aos Jeep clássicos permitem que envelheça de maneira diferente. O Compass sempre foi mais urbano e menos ligado visualmente ao fora de estrada, ficando mais vulnerável às mudanças de estilo.
Mas velho não significa ruim nesse caso. O Blackhawk é uma demonstração disso. A plataforma continua muito bem acertada, o acabamento é ótimo, o carro é super equipado e o motor Hurricane transforma completamente seu desempenho, entregando números de aceleração e um acerto dinâmico que poucos concorrentes entregam, sobretudo os rivais chineses.
Então, por que comprar o Compass Blackhawk?
É um carro para quem quer um Compass e não quer abrir mão de desempenho. O Blackhawk é o ápice que essa geração conseguiu atingir. Tem 272 cv, tração integral, ótimo comportamento dinâmico, acabamento caprichado e acelerou de 0 a 100 km/h em 6,3 segundos nos nossos testes.
O problema não está o que ele entrega. É o que está ao redor dele. Por aproximadamente R$ 280 mil, entram na lista SUVs de projetos mais recentes e uma quantidade crescente de híbridos completos e do tipo plug-in. Alguns entregam mais potência, outros gastam muito menos combustível e há aqueles que fazem as duas coisas.
Por isso, a compra do Blackhawk em 2026 é muito menos óbvia do que seria alguns anos atrás. Ele continua sendo um excelente Compass. Provavelmente o melhor que essa geração já teve. Só que, depois de dez anos, ser um excelente Compass já não basta para vencer os seus novos concorrentes.
E há um agravante: o SUV já tem uma nova geração na Europa, com dimensões maiores, nova plataforma e diferentes níveis de eletrificação. Resta agora entender o que a Jeep e a Stellantis farão para não deixar o Compass definhar no Brasil. Afinal, é um modelo de grande sucesso por aqui, que liderou a categoria ao longo da última década, mas que já não é capaz de sustentar essa posição mesmo com promoções e preços reduzidos.
Jeep Compass Blackhawk Flex 2027
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