Para ficar barato, primo do Renault Kwid troca multimídia por celular
Solução para cortar custos já apareceu no Fiat Mobi e no Ford Ka vendidos no Brasil
á imaginou comprar um carro elétrico novo em 2026 e descobrir que a central multimídia é o seu próprio celular? Para conseguir transformar o novo Spring, conhecido por aqui como o primo europeu do Renault Kwid E-Tech, no elétrico mais barato da Europa, a Dacia resolveu economizar justamente em um dos equipamentos que mais cresceram nos carros nos últimos anos e eliminou completamente a tela central da versão de entrada.
No lugar dela, há um suporte integrado ao painel que transforma o smartphone do proprietário no sistema de entretenimento do carro. A solução pode parecer uma gambiarra diante das enormes telas oferecidas hoje até por modelos baratos, mas tem precedente inclusive no Brasil, já que Fiat e Ford apostaram em ideias semelhantes no Mobi e no Ka.
Seu celular vira a central multimídia
Batizada de Media Control, a solução permite usar o próprio smartphone para navegação, músicas, rádio e chamadas. Depois de conectado ao carro, parte das funções também pode ser comandada pelos botões do volante, evitando que o motorista precise mexer constantemente na tela do aparelho.
A Dacia não se limitou a colocar uma simples presilha no painel. O Spring tem um espaço próprio no centro do console para receber o celular na vertical, justamente onde estaria a central multimídia das versões superiores. Quando não está sendo utilizado, o compartimento pode ser fechado por uma tampa.
A ideia não nasceu com esta geração e já aparece há alguns anos em versões mais simples de outros modelos da marca. O curioso é encontrá-la justamente em um elétrico completamente novo, numa época em que até carros de entrada passaram a oferecer telas cada vez maiores.
Apesar da associação histórica com o Renault Kwid E-Tech vendido no Brasil, o Spring também mudou completamente nesta geração. O compacto abandonou a antiga arquitetura derivada de um carro a combustão e agora utiliza a plataforma RGEV Small do novo Renault Twingo E-Tech, desenvolvida desde o início para elétricos.
Fiat e Ford já tentaram receita parecida no Brasil
A solução deve trazer algumas lembranças para quem acompanhava os carros populares brasileiros na década passada. Nas versões mais simples do Mobi, a Fiat oferecia o Live On, que trocava uma central multimídia convencional por um suporte para celular instalado no painel.
O smartphone se conectava ao carro por Bluetooth e, através de um aplicativo próprio, assumia funções como música e navegação. Também havia comandos pelo volante e recursos como o EcoDrive, capaz de analisar acelerações, desacelerações, velocidade e trocas de marcha para dar uma nota ao motorista.
A Ford seguiu uma ideia semelhante no Ka com o MyFord Dock, também aproveitando o celular do proprietário como parte do sistema de entretenimento. As duas receitas acabaram perdendo espaço conforme centrais multimídia com Android Auto e Apple CarPlay ficaram mais comuns e baratas.
A Dacia agora recupera essa lógica por uma razão bastante parecida com a que motivava os carros populares brasileiros. Se praticamente todo comprador já leva uma tela no bolso, eliminar outra do painel é uma maneira relativamente simples de reduzir custos.
2027 Dacia Spring base model without a center screen
Onde mais o primo do Kwid economizou?
A tela está longe de ser o único corte. Na França, o Spring básico parte de 17.900 euros, cerca de R$ 107 mil em conversão direta, enquanto a configuração imediatamente superior começa em 19.400 euros, aproximadamente R$ 116 mil.
Mesmo assim, o modelo de entrada mantém quadro de instrumentos digital de 7", ar-condicionado, vidros elétricos dianteiros, retrovisores com ajuste elétrico e até freio de estacionamento eletrônico. As rodas que parecem ser de liga leve nas fotos são, na realidade, peças de aço aro 15 cobertas por calotas bicolores.
Vidro das portas traseiras deixou de ser elétrico e virou basculante
A economia fica evidente em outros detalhes. O botão de partida foi substituído por uma chave convencional, enquanto os vidros traseiros não descem e apenas basculam para fora. Essa última solução aparece também no Twingo, com quem o novo Spring divide plataforma e diversos componentes.
Subindo de versão, boa parte dessas concessões desaparece. O elétrico recebe central multimídia de 10", rodas aro 16'', câmera de ré, acesso sem chave, botão de partida e conexões USB-C. Também passa a oferecer itens como bancos dianteiros aquecidos, carregamento rápido de 50 kW, função V2L e compartimento dianteiro de 18 litros.
Novo Spring ficou maior e mais potente
Apesar dos cortes de equipamentos, não estamos falando apenas de uma atualização barata do antigo primo do Kwid. A nova geração foi desenvolvida em apenas 16 meses aproveitando componentes e soluções do Twingo e será produzida em Novo Mesto, na Eslovênia, deixando para trás a fabricação chinesa do antecessor.
O comprimento passou de 3,70 para 3,85 metros, enquanto a largura cresceu de 1,56 para 1,74 metro. O motor dianteiro agora entrega 82 cv e trabalha com uma bateria LFP de 27,5 kWh, suficiente para autonomia declarada de 250 km pelo ciclo WLTP.
No Brasil, o Kwid E-Tech deixou de ser importado no início de 2026, poucos meses depois de receber sua última atualização e ainda tabelado em R$ 99.990. O novo Spring segue agora um caminho próprio na Europa, mas continua cumprindo uma missão bastante familiar para quem conheceu seu antigo primo brasileiro: oferecer mobilidade elétrica gastando o mínimo possível onde a Dacia acredita que o comprador pode abrir mão.
Fonte: Dacia
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