SUVs de entrada alcançam R$ 150 mil e mudam o patamar de preços no Brasil
Ticket médio dos 0km sobe e antigos SUVs compactos ficam mais caros, abrindo espaço para novatos
Ao fim do primeiro semestre de 2025, a K.LUME Consultoria divulgou os dados consolidados de emplacamentos do mercado automotivo brasileiro com base nos números da Fenabrave e revelou um dado bastante significativo sobre o novo comportamento do consumidor no país: o ticket médio dos carros novos já chegou à casa dos R$ 150 mil, com os SUVs dominando os rankings em praticamente todas as faixas de preço.
Não à toa, muitos dos lançamentos de 2025 foram pensados levando esses dois fatores em consideração. O efeito colateral desse movimento é claro: com a chegada de SUVs menores e mais simples, os antigos SUVs compactos tradicionais, como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Chevrolet Tracker e Honda HR-V, passaram a ocupar faixas mais altas de preço, com algumas versões já ultrapassando os R$ 200 mil.
VW Tera
Maior aposta da marca alemã no país desde o Gol - segundo palavras da própria Volkswagen -, o Tera chegou no início do ano para ocupar a posição de SUV de entrada da fabricante, abaixo do T-Cross e do cupê Nivus.
Com a missão de encarar Fiat Pulse, Renault Kardian e Citroën Basalt, o modelo não economizou na diversidade de versões. A gama vai desde uma configuração de entrada com motor 1.0 MSI aspirado e câmbio manual, com preço de R$ 105.890 até versões equipadas com o 1.0 TSI e transmissão automática que podem chegar aos R$ 141.890.
Na parte técnica, o Tera compartilha sua base estrutural com Polo e Nivus. Mede 4,15 metros de comprimento, 1,77 m de largura e 1,50 m de altura, com entre-eixos de 2.566 mm. As proporções, aliadas ao visual robusto e à posição de dirigir mais elevada, reforçam sua proposta de SUV urbano voltado ao uso familiar. O porta-malas comporta 350 litros pelo padrão VDA, volume adequado para o uso cotidiano.
A estratégia parece ter funcionado. Lançado em maio, o modelo já acumula 37.695 unidades emplacadas até novembro. Segundo dados internos da própria marca, o Tera vem atraindo consumidores de outras categorias e fabricantes: 66% dos usados entregues na troca vieram de marcas concorrentes, enquanto 56% eram hatches.
Em setembro, esses índices eram de 63% e 58%, respectivamente, reforçando a migração para SUVs compactos de entrada, como destacou Fernando Silva, vice-presidente de Vendas & Marketing da Volkswagen.
Honda WR-V
Nascido na década passada como um derivado do Fit, a primeira geração do WR-V esteve longe de ser um sucesso comercial. Durante todo o período em que foi vendido no Brasil, o modelo somou apenas 63.958 unidades emplacadas.
Na nova geração, apresentada em outubro, o WR-V passa a ser um projeto próprio, deixando de lado o vínculo direto com o hatch. O SUV chega com uma proposta mais agressiva, oferecendo espaço interno semelhante ao do HR-V, porém em uma embalagem mais racional e com foco em custo-benefício. Prova disso é a gama enxuta, com apenas duas versões, sempre equipadas com motor 1.5 16v aspirado e câmbio CVT, com preços entre R$ 144.900 e R$ 149.900.
Nas dimensões, o WR-V 2026 cresceu de forma significativa. São 4,32 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,65 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. O HR-V 2026, por comparação, mede 4,385 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,59 m de altura e tem 2,61 m de entre-eixos.
Mesmo sendo um pouco mais curto, o WR-V é seis centímetros mais alto e tem quatro centímetros a mais de entre-eixos, o que se reflete em melhor espaço para os ocupantes traseiros. O porta-malas de 458 litros também supera com folga o do HR-V, que oferece 354 litros, reforçando o apelo mais familiar do novo modelo.
Galeria: M1 nas lojas: como é de perto o novo Nissan Kait 2026
Nissan Kait
Ainda que sua versão de topo ultrapasse ligeiramente o ticket médio de R$ 150 mil, é difícil ignorar que o Kait foi o lançamento mais ambicioso da Nissan em 2025, pensado justamente como resposta ao crescimento do segmento de SUVs de entrada nessa faixa de preço.
Utilizando a base do antigo Kicks Play, o novo modelo atualiza a proposta do SUV mais acessível da marca em uma carroceria mais moderna e com visual minimalista. Assim como o WR-V, a Nissan aposta no custo-benefício ao manter o motor 1.6 16v aspirado e o câmbio CVT, conjunto já conhecido do Kicks e do Versa.
Mesmo não sendo a motorização mais moderna do segmento, o conjunto encontra respaldo entre consumidores que ainda não querem ou não podem migrar para motores turbinados ou eletrificados, especialmente motoristas de aplicativo e frotistas.
Em dimensões, o Nissan Kait 2026 permanece muito próximo do antigo modelo de entrada da marca, com cerca de 4,30 metros de comprimento, 1,76 m de largura, entre-eixos de 2,62 metros e porta-malas de 432 litros.
Diferentemente do WR-V, a Nissan aposta em uma faixa de preços mais ampla. A linha começa em R$ 117.990, na versão Active, e vai até R$ 152.990, na configuração Exclusive, cobrindo um espectro maior do mercado dos SUVs de entrada.
Fiat Pulse
Entrando no campo das reestilizações, o precursor dos SUVs de entrada, lançado em 2021, passou por sua primeira atualização visual desde a estreia. As mudanças foram pontuais, mas suficientes para garantir fôlego diante da chegada de novos rivais. Hoje, seus preços rondam entre R$ 101.990 na versão 1.3 Drive manual e podem chegar aos R$ 158.990 na Abarth 1.3 T270.
As alterações concentraram-se na dianteira, aproximando o visual do Pulse da identidade adotada atualmente pela Fiat na Europa, como no Grande Panda. O SUV ganhou grade com filetes horizontais, novo desenho do para-choque dianteiro, com área inferior maior e mais quadrada, além de apliques laterais inspirados no Pulse Abarth.
O Pulse também segue como o único entre os rivais a oferecer eletrificação leve de 12V. Embora o sistema não tracione as rodas, ele contribui para pequenas melhorias de consumo e alívio do motor em situações como arrancadas. Outra exclusividade é o teto solar com vidro fixo, novidade da linha 2026. O item é opcional na versão mais cara com motor 1.0 T200 e de série na esportiva Abarth, equipada com o 1.3 T270.
Por falar na esportiva Abarth, ela também recebeu novos bancos mais anatômicos, agora com ajustes elétricos. Mesmo com alterações discretas, o Pulse manteve bom desempenho comercial. De janeiro a novembro, foram 40.320 unidades emplacadas, número expressivo diante do aumento da concorrência.
Galeria: Renault Kardian 2026
Renault Kardian
Lançado em 2024, o Kardian marcou o início de uma nova fase da Renault no Brasil, agora focada em produtos de maior valor agregado em relação aos antigos modelos de origem Dacia. Para isso, estreou a nova plataforma RGMP, o motor 1.0 turbo flex da Horse e a transmissão automatizada de dupla embreagem com seis marchas.
Na linha 2026, o modelo recebeu refinamentos na versão topo de linha, agora chamada Iconic. Entre as novidades estão o acabamento interno em couro marrom, a nova cor Azul Iron, central multimídia atualizada e novos recursos de assistência ao motorista.
Feito na mesma base do Boreal, o Renault Kardian mede 4,11 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,54 m de altura e 2,60 m de entre-eixos, sendo um dos maiores de sua faixa de preço, principalmente no espaço interno. Seus preços partem de R$ 113.690 e podem chegar aos R$ 149.990.
Os números de vendas, porém, são mais modestos. Entre janeiro e novembro, o Kardian somou 18.189 unidades emplacadas, contra 40.320 do Pulse e 37.695 do Tera. Ainda assim, é preciso considerar a rede de concessionárias menor da Renault em comparação às rivais italiana e alemã.
O avanço dos SUVs de entrada deixa claro que o conceito de “modelo acessível” mudou no Brasil. Mais do que preço baixo, esses carros passaram a representar uma porta de entrada a um dos segmento mais desejado do mercado, ainda que isso signifique pagar valores que, até poucos anos atrás, eram associados a categorias superiores. Para o consumidor, há mais opções e propostas distintas; para o mercado, consolida-se uma nova referência, em que R$ 150 mil já não é exceção, mas ponto de partida.
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