Teste Honda WR-V EXL 2026: nem HR-V, nem City, talvez Fit
Afinal, o novo SUV é uma ameaça a algum outro Honda ou a resposta aos orfãos do Fit?
Em 2017, a Honda apresentou o WR-V, que apesar do design diferente, inegavelmente era o Fit com uma nova roupa e suspensão (melhor, de fato...) para atrair os clientes que não poderiam comprar um HR-V. A receita melhorada está aqui, com a volta do WR-V, agora carregando uma identidade própria e mais tecnologias para, além de ficar abaixo do HR-V, brigar num segmento recente no mercado brasileiro.
De olho em VW Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian e diversos que ainda vem por aí, como o Chevrolet Sonic, o Honda WR-V voltou a tempo de ser uma das estrelas do Salão do Automóvel e, entre muitas missões, trazer de volta à marca o orfão do Fit que não quis um City ou, mais uma vez, não chega ao HR-V. Este primeiro teste é com o WR-V EXL que, de forma surpreendente para os atuais padrões, custa R$ 149.900.
Primo do City, porém mais independente
Diferente da sua geração anterior, o WR-V é um projeto totalmente novo, não apenas uma adaptação de um carro da linha. Sim, é um derivado da base do City e dele vai trazer alguns elementos, mas a Honda teve o cuidado de o dar uma personalidade própria por fora e por dentro. O primeiro ponto são suas dimensões. Para isso, vamos analisar a tabela abaixo.
| Honda WR-V | Honda City Hatch | Honda HR-V | |
| Comprimento | 4.325 mm | 4.343 mm | 4.346 mm |
| Entre-eixos | 2.650 mm | 2.600 mm | 2.610 mm |
| Largura | 1.790 mm | 1.748 mm | 1.790 mm |
| Altura | 1.650 mm | 1.498 mm | 1.590 mm |
O Honda WR-V é pouco menor que o HR-V em comprimento, mas curiosamente tem entre-eixos 40 mm maior, com 2.650 mm. Com estilo mais quadrado, tradicional, o WR-V é mais alto que seu irmão mais caro, que aposta no estilo mais cupê, já dando a entender um melhor aproveitamento do espaço interno e até mesmo um posicionamento mais próximo ao que era o Fit no mercado.
Pelas fotos, o Honda WR-V até parece um SUV menor, mas na verdade é consideravelmente maior que os SUVs compactos que ele quer enfrentar, como Tera, Pulse e Kardian. Como um bom japonês, não há muitos elementos de design inovadores, com um estilo mais sóbrio e que parece ter sido pensado para durar bons anos sem envelhecer. Nem mesmo a moda das lanternas interligadas ou muitos vincos para dar a sensação de tamanho foram utilizados.
Do City, o Honda WR-V também recebeu uma escolha natural sob o capô: motor 1.5 aspirado, com injeção direta, e câmbio CVT com simulação de 7 marchas. São 126 cv e 15,5/15,8 kgfm de torque, como nos demais carros da marca com este mesmo conjunto, conhecido pelo bom consumo, mas não por um desempenho exemplar, principalmente comparado aos 1.0 turbo em torque, o que mais usamos no dia a dia.
Aos orfãos do Fit, a boa notícia
Se você é um dos que sentem falta do Fit, o WR-V é a resposta a tanto tempo pedida. Impossível não lembrar do carismático Honda com o novo SUV, principalmente em como ele anda e seu aproveitamento de espaço interno. Começando pelo teto alto e ampla área envidraçada, coloca o motorista e os ocupantes em uma posição confortável e de boa visibilidade, sem a sensação de claustrofobia.
O tropeço veio pela ausência do Magic Seat, que os Honda City Hatch e HR-V têm, sistema de modularidade que tanto fez fama no Fit e que encaixaria perfeitamente na proposta do WR-V. O espaço no banco traseiro é bom para as pernas e acomoda dois adultos com conforto, mas o terceiro irá brigar com os ombros, algo comum na categoria. Há saída de ar-condicionado para os ocupantes traseiros e apoio de braço central com porta-copos.
A carroceria alta rendeu também um porta-malas de 458 litros, maior que o do Honda HR-V (354 litros), e uma boa média dentro do segmento pelo bom aproveitamento do compartimento. Se tirar o estilo SUV, suspensão elevada e apliques, seria um novo Fit tranquilamente, o que é uma boa notícia inclusive aos concessionários da Honda, que resgatarão os clientes que estão longe desde o fim do monovolume em nosso mercado.
Como afastá-lo do HR-V?
Esta foi uma pergunta que sempre fizemos desde o primeiro flagra do WR-V. Se em porte são próximos, a Honda não poderia colocá-lo como uma ameaça principalmente para as versões de entrada do HR-V, com o mesmo 1.5 aspirado, e até mesmo tomar cuidado com o City e City Hatch. Conviver com o SUV responde bem essa pergunta.
Com certeza alguém da Honda sentou com uma planilha e calculadora na mão ao lado dos WR-V e HR-V para ver o que dava para fazer. Até comparado ao City ele foi simplificado mesmo sendo o sedã EXL, como a ausência do freio de estacionamento eletrônico e autohold, a câmera lateral e até mesmo os vidros elétricos com um toque para todas as posições e portas USB-C. Algumas ausências chegam a incomodar, como uma simples regulagem de altura do cinto de segurança, coisa de hatch de entrada.
Em uma escala de comparação, o Honda WR-V está bem mais próximo do City que do HR-V em praticamente todos os pontos. Começamos pelo acabamento, o WR-V é um pouco inferior ao City na escolha dos plásticos do painel e portas e mais simples até na escolha de outros elementos, como os comandos do ar-condicionado e a falta até de tweeters no sistema de som. É bem montado, sem rebarbas, mas temos uma economia focando no segmento em que o WR-V concorre.
Mas a troca veio em outros itens. Faróis e lanternas em LEDs, chave presencial com partida por botão, painel de instrumentos com a tela de 7", uma nova multimídia com tela de 10" e um bom software inédito, volante em couro, pacote ADAS com piloto automático adaptativo (sem a função de baixa velocidade), carregador por indução, farol-alto automático, assistente de faixas e alerta de colisão com frenagem automática, além de faróis com acendimento automático e 6 airbags são equipamentos de série neste Honda WR-V. Como referência, o HR-V EX custa R$ 163.200, enquanto o City sedã Touring, R$ 150.800, se te ajudar a pensar.
Ao gosto dos novos tempos
A Honda brasileira não fez um novo Fit pois...o mercado quer SUV. É o que vende e todo mundo procura, mesmo não sendo o segmento com melhor custo/benefício, e nasceu o WR-V. E a Honda sabe fazer um carro no ponto de engenharia, mas como já citamos acima, a novidade tem pontos de economia pela escolha de ser mais barato.
Ao volante, a boa estrutura da Honda faz a diferença, com a suspensão do WR-V calibrada para absorver os impactos do dia a dia sem reclamar, mas vai ao ponto um pouco mais firme que os concorrentes diretos. Como sempre, componentes que passam a boa impressão de durabilidade, direção comunicativa e boa estabilidade mesmo em velocidades mais altas. A boa altura do solo protege de valetas e lombadas, mesmo as mais agressivas aventuras urbanas, e se comporta bem nos buracos.
A dupla do motor 1.5 com o câmbio CVT é bem conhecida e nesta geração chegou a um patamar interessante na turma compacta da Honda. Não é o motor com maior torque, mas seus 15,5/15,8 kgfm aparecem em rotações baixas com a ajuda do CVT, que faz o possível para colocar o ponteiro do conta-giros onde há força para aquela situação. Se mantiver o pé leve, ele ganha velocidade sem gritar, mas caso precise, vai ouvir e sentir o 1.5 até demais - um ponto de economia foi o isolamento acústico, mais simples que no City e HR-V. E ele gosta de girar e será ouvido, assim como barulho de rolagem dos pneus e até de vento.
O consumo do Honda WR-V é bom. Com gasolina, foram 10,9 km/litro na cidade e 17,1 km/litro na estrada, mesma faixa que os 1.0 turbo automáticos em SUVs registram, mas com a linearidade e suavidade de um 4-cilindros aspirado, a preferência de muitos consumidores. Vale a observação de um tanque de apenas 44 litros, que limita a autonomia principalmente urbana.
Mas não há milagres. No dia a dia, o Honda WR-V vai bem com esse conjunto, mas na estrada já sente principalmente nas ultrapassagens e carregado, onde o torque maior dos motores turbo faz a diferença. Acelera de 0 a 100 km/h em 11 segundos, mas as retomadas acima dos 8 segundos mostram como faz falta a força extra, ainda mais pensando que seus concorrentes diretos já são sobrealimentados.
Há compradores, mais uma vez, que preferem a linearidade e suavidade do aspirado, mas não tem como negar que perdem nos números e, quando precisar de respostas, precisará a afundar o pé e deixar a rotação crescer, diferente dos turbo e suas respostas em baixa.
Afinal, quem tem que ter medo do WR-V?
No fim das contas, o Honda HR-V está salvo nesta briga. Quem o quer, vai pagar a mais pelo refinamento e estilo sem risco de perder pro WR-V. No caso do City, seja hatch ou sedã, há mais equipamentos e também refinamentos que, dependendo da versão, pode até custar menos se abrir mão de ter o segmento da moda na garagem e adotar um sedã ou hatch.
O WR-V é a boa notícia para os orfãos do Honda Fit e quem quer um SUV compacto desta faixa de preço sem abrir mão do que a Honda sempre oferece, com a confiabilidade, pós-vendas e até revenda. Já ouvi de amigos com Fit e City que vão olhar a novidade, mas precisam ficar atentos ao que ele economizou para ter esse preço competitivo. Afinal, se o Fit vivia sozinho no mundo, agora o WR-V tem Pulse, Kardian e Tera. Será que ele vai bem diante de um deles? Te respondo amanhã.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Honda WR-V 1.5 CVT
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