Teste GWM Poer P30 Exclusive: peguei no pulo
Picape média da chinesa acerta em preço e equipamentos, mas deixou um fundamento de lado
Ela deveria ser o primeiro produto nacional da GWM, mas a Poer P30 deu espaço aos bons de loja Haval H6. A marca teve um pouco mais de tempo antes de trazer sua primeira picape média para um dos segmentos em que fidelidade de marca tem peso e, ao menos no preço, adotou uma estratégia condizente com sua condição de estreante.
A GWM Poer P30 Exclusive 2026, que passa agora pelo crivo do Motor1.com Brasil, custa R$ 240.000 e é a opção mais completa da picape oferecida em nosso mercado. A lista de itens de série também é farta, o que combinado ao preço de Ford Ranger Black 4x2 (R$ 242.600) e mais barata que a Toyota Hilux cabine dupla mais em conta (STD Power Pack manual, R$ 282.090) a colocaria em posição de vantagem. Seria uma pena se ela ainda não tivesse acertado um fundamento importante, não é mesmo?
Galeria: Teste GWM Poer P30 Exclusive 2026
Peso demais para a potência?
A GWM Poer P30 foi lançada no Brasil em setembro de 2025, junto ao Haval H9. A picape chegou com motor 2.4 turbodiesel de 184 cv e 48,9 kgfm de torque, sempre aliado à transmissão composta pelo câmbio automático de 9 marchas desenvolvido e construído pela própria marca e ao sistema de tração 4x4. Segundo dados do Inmetro, a picape registra consumo de 9,5 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada, com autonomia superior a 800 km. A GWM declara que a aceleração de 0 a 100 km/h se dá em 11,2 segundos.
Agora, segundo os dados aferidos pelo Motor1.com Brasil, a Poer P30 exclusive não chegou perto do consumo urbano declarado, com 7,9 km/l. Por outro lado, superou no rodoviário: 12,4 km/l. A picape tem 2.223 kg de peso em ordem de marcha e menos de 200 cv de potência, penalizando o consumo no anda e para do trânsito. Mas compensa na estrada graças ao câmbio de 9 marchas, que mantém a rotação em cerca de 1.900 rpm a 120 km/h. Em nossos testes, a aceleração de 0 a 100 km/h aconteceu em 11,2 segundos, exatamente o declarado.
O modelo é oferecido em duas versões: Trail e Exclusive. Em qualquer uma das configurações, a Poer P30 se destaca pela garantia de fábrica de 10 anos. Hoje, apenas a Toyota Hilux entre as rivais diretas tem uma garantia de igual período, mas, ainda assim, ela tem 5 anos e é renovada anualmente até os 10 anos.
A versão Trail da Poer P30 traz bancos em couro ecológico, multimídia com tela de 14,6”, seis airbags, rodas de 18” e caçamba com 1.248 litros de capacidade e tampa com abertura amortecida e travamento elétrico. O conjunto é complementado por suspensão dianteira independente de braços duplos e eixo rígido com feixes de mola na traseira.
Já a Poer P30 Exclusive tem proposta mais voltada ao conforto e sofisticação, trazendo bancos em couro legítimo com ventilação e aquecimento, ajuste elétrico para os bancos dianteiros, painel com acabamento soft touch, iluminação ambiente, além de um pacote avançado de assistências à condução (ADAS). Entre os recursos estão piloto automático adaptativo, alerta de colisão, frenagem autônoma de emergência e manutenção de faixa.
Em termos dimensionais, a Poer P30 mede 5.416 mm de comprimento, 1.947 mm de largura, 1.886 mm de altura e 3.230 mm metros de entre-eixos. A caçamba leva 1.248 litros, tendo medidas de 1.520 mm de comprimento, 1.520 mm de largura e 540 litros de altura. A carga útil é de 1.018 kg na versão Trail com rodas de 18" e de 1.010 kg na Exclusive com rodas de 19". Para reboque, a picape pode puxar até 750 kg (sem freio) ou 3.100 kg (com freio).
Visualmente, a Poer P30 traz faróis Full LED com projetores e piscas dinâmicos, além de grade frontal larga. No interior, ambas as versões contam com painel digital, central multimídia compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio e carregador por indução de 50 Watts, além de sistema de som premium. A picape também oferece três pontos de energia 12V, distribuídos na cabine e na caçamba, acionados por botões no console central.
Para quem fizer uso fora-de-estrada, ambas as configurações saem de fábrica com tração 4x4 convencional, com caixa de redução divorciada. Elas ainda contam com bloqueio do diferencial traseiro. O ângulo de ataque é de 27º, o de saída é de 25º e o de rampa é de 21,1º. A altura mínima do solo é de 227 mm, enquanto a capacidade de imersão é de 500 mm.
Um pulo de fé
Quem foi no lançamento da Poer P30 em setembro? Eu. E lembro de ter encerrado as impressões iniciais curioso para andar com a picape no asfalto. A primeira volta foi estrada de terra e a picape da GWM pulou ao ponto de o meu editor de vídeo quase descartar as imagens gravadas na cabine com o carro em movimento.
Mas vai que no asfalto a Poer P30 mostra a vantagem de se ter uma suspensão mais firme, não é mesmo? Bem, não tem vantagem. Da mesma forma que a picape da GWM pulou na terra, trepida com igual ímpeto no asfalto mal cuidado, o padrão brasileiro. Ao menos deu para identificar a origem: é o eixo traseiro que está duro demais. O dianteiro é ok.
Isso deixa a Poer P30 num lugar de contraste: é cheia de telas e tecnologias modernas dos dias de hoje, mas seu rodar é de picape de duas gerações atrás. Rivais como a Hilux e a S10, por mais que antigas, rodam melhor. A veterana VW Amarok também e a Ford Ranger, referência em dirigibilidade e conforto na categoria, nem se fala.
Tipicamente, uma suspensão mais firme poderia ser benéfica em velocidades mais altas, controlando a carroceria, mas a P30 passa do ponto: qualquer imperfeição em curvas na estrada ativa o controle de estabilidade rapidamente, evidenciando as rodas pulando e perdendo contato com asfalto. Por conta disso, a picape da GWM não assusta na condução, mas não tive coragem de desligar os controles eletrônicos.
E isso nos leva ao pacote de assistentes à condução, o famigerado ADAS. Tem de tudo: controle de cruzeiro adaptativo, assistente de manutenção de faixa, frenagem autônoma de emergência... enfim, tudo o que as rivais não trazem mesmo sendo mais caras. Pessoalmente, meço a qualidade do ADAS em minutos que aguento sem querer desligar todos os sistemas. Os melhores não me dão vontade de desligar, os bons consigo conviver entre meia e uma hora, os abaixo da média costumo desligar após 30 minutos. O ADAS da Poer P30 me irritou em 15 minutos na estrada, mesmo em condições ideais para seu funcionamento.
O controle de cruzeiro adaptativo da picape da GWM mantém uma distância muito grande em relação ao carro da frente, logo, no Brasil, alguém sempre entra no espaço e você vai ficando para trás. Esse sensor de distância também demora a perceber motocicletas cruzando o caminho e, quando o faz, freia intensamente. Nada contra, só não tenho certeza se quem vem atrás de mim vai conseguir parar com o mesmo ímpeto.
O centralizador de faixa da Poer P30 parece brigar com o motorista. Eu já entendi que esses sistemas autônomos não sabem que o Brasil existe e vão te manter o meio da faixa independente da existência de buracos ou motos passando no corredor. Mas o da Poer vai além: começa atuar antes de você pisar na faixa e, quando atua, deixa o volante duro, como se não quisesse intervenção do motorista.
Mas há acertos. O visual da Poer P30, se não é ousado, não tenta copiar ninguém e traz a impressão de tamanho e robustez esperada de uma picape média. No fundo, é neutra aos olhos. Mas é na parte interna que a picape brilha. Acabamento impecável, console e painel de aparência moderna. Por R$ 240 mil, a picape já traz na versão Exclusive bancos ventilados, item que é encontrado em rivais em configurações topo de linha.
Fica um porém para a multimídia da Poer P30. Seu software parece de uma geração passada em relação aos GWM das linhas Haval e Tank, um tanto lento e, usando espelhamento, o único jeito de se ajustar o volume é por meio dos botões no volante ou comando de voz. O sistema de visão 360 graus atua em velocidades baixas, de manobra. A questão é que não encontrei onde desligá-lo, pois nem sempre queria a visão das câmeras quando elas ligavam.
Em desempenho, a Poer P30 está na porção mais baixa da categoria, mas não é morosa para se locomover. Mérito do câmbio automático de 9 marchas, que tira o máximo da estreita faixa de potência e torque do 2.4 turbodiesel. Mas ele está sempre trocando de marchas, o que seria um problema se a transmissão não fosse rápida e suave.
Após uma semana com a GWM Poer P30 Exclusive 2026, vi uma picape média com todos os atributos no papel para dar trabalho às rivais. Mas na prática a teoria é outra e a caminhonete foi pega no pulo.
GWM Poer P30 Exclusive
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