Teste Ford Territory Titanium 2026: construção de identidade
Novo visual atualiza o SUV, mas versão híbrida seria boa opção
Sempre tive um certo fascínio pelo Ford Territory. Em 2020, foi o primeiro modelo apresentado pela marca depois da sua mudança de estratégia, com foco em modelos importados, sempre picapes ou SUVs. Mas aquela primeira geração estava bem longe de ser um verdadeiro Ford, já que era um JMC Yusheng 330, um modelo chinês, que nada tinha de algo que os donos De Focus, EcoSport ou Fusion estavam acostumados. E não fez sucesso.
Em 2023, a nova geração já trouxe muita evolução, apesar de ainda ser um projeto em parceria com a China. Apresentado em 2025, esta é a reestilização deste novo Territory, que atualizou seu visual, mais alinhado ao que encontramos em outros modelos globais da Ford, além de ser o modelo mais barato da marca, por R$ 215 mil.
Segunda geração mudou tudo
A Ford percebeu que apenas trocar os emblemas de um projeto de outro país não seria suficiente para chamar atenção no concorrido segmento de médios, que ganha novos players praticamente a cada mês - muitos deles também de origem chinesa.
Primeiro Ford Territory, lançado em 2021, carecia de personalidade
Tudo mudou. E para melhor. Parte disso, vale dizer, se deve à participação da engenharia do Brasil e de outros países no desenvolvimento do modelo desde o início. Por isso, este novo Territory tem mais elementos que remetem a SUVs da Ford globalmente, como o Kuga, apesar de ainda trazer algumas linhas genéricas, principalmente nas laterais.
Para a linha 2026, o SUV ganhou nova dianteira, com faróis que abandonaram o estilo em duas partes e passaram a adotar o formato em L, tendência em outros modelos da Ford. São acompanhados por uma grade preta, cor que cria uma espécie de máscara no novo Territory. Na traseira e nas laterais, as mudanças foram bem mais discretas, resumindo-se a um leve redesenho no para-choque, novas rodas de liga leve aro 19'' e maçanetas cromadas.
Nessa geração o SUV também cresceu bastante, algo que foi mantido na reestilização. Perto de um Compass, seu porte parece consideravelmente maior, ainda que, nos números, a diferença esteja mais na extensão geral do carro.
Perto de um Compass, porte do Territory parece consideravelmente maior
O Territory 2026 tem 4.630 mm de comprimento, 2.726 mm de entre-eixos, 1.936 mm de largura, 1.706 mm de altura e porta-malas de 448 litros. O modelo da Jeep, como referência, mede 4.404 mm de comprimento (−226 mm), 2.636 mm de entre-eixos (−90 mm), 1.819 mm de largura (−117 mm), 1.632 mm de altura (−74 mm) e leva 410 litros no bagageiro (−38 litros). Ainda assim, a impressão visual é de que o Ford pertence a um meio passo acima em tamanho.
Ao entrar no SUV, o acabamento impressiona. Se não for o melhor entre os modelos médios em sua faixa de preço, está certamente entre os primeiros. Todas as áreas onde ombros, mãos ou braços encostam são macias ao toque: o console central, os forros de porta - dianteiros e traseiros - e o painel.
De fato, o que realmente agrada no Territory é o conforto a bordo. Há espaço suficiente para três passageiros no banco traseiro, e o isolamento da cabine é exemplar. Entre os equipamentos, um pacote bem completo, com painel digital e central multimídia integrados em uma única peça destacada, ambos com 12,3”, sistema de iluminação ambiente, câmera 360º, ar-condicionado digital de duas zonas com saídas para o banco traseiro, teto solar panorâmico, abertura e fechamento automatizado do porta-malas por botão e chave presencial com partida remota, só para citar alguns.
Outro item que merece destaque são os bancos. Vendido em versão única, a Titanium, o modelo já vem de série com os dianteiros elétricos, sendo o do motorista ventilado. Eles são forrados em couro com costuras laranja nas laterais e nos painéis de porta, um detalhe estético um tanto questionável para a proposta mais familiar do carro.
Não é difícil se ajustar neles, mesmo para pessoas de baixa estatura, como este que vos escreve. Os ajustes elétricos fazem seu trabalho e, em poucos minutos, motorista e carro dão “match”. Como dito mais acima, sua proposta é muito mais voltada ao uso familiar do que a qualquer pretensão esportiva.
Quer alguns exemplos? Não há paddle-shifts no volante nem possibilidade de controlar as marchas pela alavanca do console, agora bem parecida com a que encontramos em uma Maverick ou Bronco Sport. Na prática, nem faria tanta falta: o motor 1.5 EcoBoost do Territory está distante do vigor demonstrado pelos irmãos mais caros equipados com o 2.0 turbo.
Nova cara, mesmo coração
Este talvez seja o grande Calcanhar de Aquiles do carro. Mesmo com a troca de geração, a Ford não modificou o propulsor que o equipa, mantendo a já conhecida configuração apenas a gasolina, que entrega 169 cv e 25,5 kgfm de torque.
A suspensão é ótima nos buracos e suaviza bem as imperfeições na estrada, onde o SUV roda com mínimo ruído. Por outro lado, tem rolagem bem perceptível em curvas, e os comandos do volante parecem um tanto desconectados do que o restante da carroceria está fazendo, lembrando muitos de seus conterrâneos nesse aspecto.
Quem também permaneceu foi o polêmico câmbio automatizado de dupla embreagem, de sete velocidades - não, não é o PowerShift - que pouco impressiona quando exigido. Ao volante, o Territory não parece ter a cavalaria que tem, com respostas um tanto lentas e aceleração de 0 a 100 km/h na casa dos 10,6 s. Está no limite do que se espera de um modelo dessa categoria e talvez faça alguns motoristas repensarem antes de lotá-lo com pessoas e bagagens.
No consumo, o Territory 2026 também não se destaca. Em nosso teste, marcou 8,8 km/litro na cidade e 11,2 km/litro na estrada, sempre rodando com gasolina. É uma combinação que pode fazer possíveis interessados no SUV repensarem suas vontades, principalmente pela grande variedade de modelos híbridos, elétricos e até EREVs nesta mesma faixa de preço.
Ao menos por enquanto, vale dizer, a fabricante não recorreu a nenhum tipo de eletrificação - algo que deve acontecer nos próximos meses, quando o modelo passar a contar com a variante híbrida plena, já vendida na Argentina. Por lá, essa configuração é oferecida com um motor 1.5 turbo a gasolina com um motor elétrico, totalizando 245 cv de potência e 55,5 kgfm de torque, o que garantiria, segundo a Ford, um alcance de mais de 1.000 km.
No fim das contas, é preciso reconhecer o quanto a Ford evoluiu na segunda geração do Territory. Se antes ele parecia um produto sem identidade, quase um tampão até a chegada das “pratas da casa” - Maverick, Bronco Sport e Mustang - agora há substância suficiente para que os consumidores voltem a considerar a marca no segmento mais concorrido do mercado.
Muito desse brilho, porém, se perde (e de maneira surpreendentemente rápida) quando lembramos que a mecânica permanece a mesma, com o 1.5 turbo apenas a gasolina. Honestamente, não combina com a modernidade do projeto nem com o que os rivais passaram a oferecer. Até lá, a marca tenta apostar no custo-benefício, que está longe de ser ruim, ao vender apenas uma versão por R$ 215.000.
Resta torcer para que a Ford traga ao Brasil a versão híbrida, já disponível em outros mercados. Aí sim, o Territory poderá brigar de igual para igual com a nova concorrência que desembarcou por aqui nos últimos dois anos.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Ford Territory 1.5T
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Ford oferece Territory em promoção com taxa 0% no financiamento
Corsa GSE elétrico tem base de Peugeot e é mais rápido que Golf GTI
Ford tem Territory em oferta por preço de Honda HR-V; vale a pena?
Primeiras impressões Lexus RZ 500e: quando o luxo é pura percepção
Ford Territory híbrido chega à Argentina por menos que o nosso a combustão
GWM já tem data para revelar Ora 05 no Brasil; confira quando
Ford lança novo Territory 2026 mais equipado pelo mesmo preço