Teste Fiat Toro 2.2 turbodiesel Ranch 2026: em time que está ganhando se mexe sim
Picape ganha cara de Fiat europeu e freio de estacionamento eletrônico, mas esquece de tecnologias
A Fiat Toro é um sucesso. Com praticamente dez anos de estrada (trocadilhos à parte), a picape médio-compacta acabou por definir toda uma categoria, ainda que não tenha sido a primeira do tipo a chegar ao mercado, feito da Renault Oroch, que chegou pouco antes. Ainda assim, não ficou parada sobre berço esplêndido aproveitando os louros da liderança, já que, com o tempo, a picape ganhou evoluções significativas, a maior parte delas na motorização.
Se em 2021 a picape ganhou um motor 1.3 turbo substituindo o 1.8 aspirado, só em 2025 que o 2.0 turbodiesel se aposentou por um motor mais potente e eficiente. Como os demais modelos da Stellantis nesta base, chegou o 2.2 turbodiesel, com saudáveis 200 cv e 45,8 kgfm, renovando por completo o catálogo da picape. Com isso, quem ganhou foi o consumidor.
Galeria: Teste Fiat Toro Ranch 2.2 TD450 2026
Quadrado arredondado?
É fato: alguns carros são difíceis de serem modificados. Pense em designs muito específicos, como o do já citado Jeep Renegade, do Fiat 500, do MINI ou do Ford Mustang, entre outros. A Fiat Toro é um desses casos.
Quando nasceu em 2016, os faróis divididos eram uma novidade e tanto. A tampa traseira bipartida também se destacava, enquanto, por dentro, ainda que o acabamento não estivesse no mesmo nível dos parentes da Jeep, mostrava claros sinais de evolução técnica e refinamento quando comparada aos Fiat vendidos até então.
Passados quase dez anos, a picape acabou atravessando três fases visuais da marca italiana sem mudar de fato de geração. As laterais ainda são as mesmas, bem anguladas, mas a dianteira e a traseira agora contam com linhas mais retas, próximas às dos novos Fiat feitos na Itália, como o Grande Panda.
É uma linguagem que não casa perfeitamente com o desenho original da picape, ainda que, depois de algum tempo, se acostume com ela. Ao menos os novos DRLs, com elementos em pixel, e os faróis Full LED oferecem boa visibilidade. Já na traseira, a nova lanterna translúcida cumpre bem o papel de afastar a Toro da Strada.
É no interior, entretanto, que mais se nota o peso da idade da Toro. Estão ali as mesmas chaves de seta e comandos do limpador vindos da Jeep, os botões, maçanetas de porta...nada aqui foi realmente alterado. Por um lado, isso é bom, já que a Toro sempre foi uma picape confortável e com boa ergonomia.
Por outro lado, chama atenção o nível dos plásticos em um carro que hoje beira os R$ 230 mil. O forro de porta do motorista, quase todo em plástico, apresentava rebarbas próximas aos vidros, enquanto um estranho ruído vinha do acabamento do painel, no lado do passageiro. Não conseguimos identificar de onde. O carro de testes tinha menos de 1.000 km quando chegou a nós.
No lado bom, a linha 2026 recebeu, enfim, o freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold e comando por botão. Era o único produto feito em Goiana (PE) e montado sobre a base Small Wide que ainda utilizava alavanca tradicional - o famoso “freio de mão”. É uma boa evolução em tecnologia e segurança, acompanhada por um console central redesenhado, agora mais limpo, além da inclusão de freios a disco traseiros desde a versão de entrada. Faltou, entretanto, a introdução do sistema ACC, o piloto automático adaptativo. Novamente, a Toro é o único produto feito nessa base que não conta com esse recurso de segurança.
Exclusivos da versão Ranch, os bancos de couro têm tonalidade marrom, o que ajuda a dar sensação de maior refinamento. Já os detalhes cromados, em profusão tanto por dentro quanto por fora (estão nos estribos, retrovisores, santantônio, parte inferior das janelas e em trechos do para-choque traseiro), são um tanto questionáveis. Se tantos detalhes reluzentes não são sua praia, talvez a versão Volcano (R$ 210.490), também com o propulsor turbodiesel, lhe caia melhor.
Tamanho de picape, direção de SUV
Talvez a maior qualidade da Toro continue sendo sua dirigibilidade. Para quem é condutor de primeira viagem em um carro tão grande - comprimento de 4.954 mm, entre-eixos de 2.982 mm e largura de 1.849 mm - a experiência é surpreendentemente tranquila logo nas primeiras manobras.
Isso porque, apesar do porte, a picape está muito mais próxima de seus irmãos SUVs, como o Jeep Renegade e o Compass, do que de modelos maiores, como a Titano. A direção elétrica é leve em baixa velocidade e firme na estrada, e o ajuste da suspensão segue equilibrado, filtrando bem as irregularidades do asfalto sem abrir mão da estabilidade.
Ajudam também a boa posição de dirigir - graças ao amplo curso de regulagem de altura e distância do volante, além do banco do motorista com ajuste elétrico. Mesmo assim, a sensação ainda é de se estar “lá em cima”, em posição bem mais elevada do que em uma Ford Maverick, por exemplo.
A direção, por sua vez, é bastante leve, embora o volante tenha dimensões um tanto grandes, como acontece nos outros produtos da base Small Wide. O diâmetro de giro, entretanto, não é dos melhores: são 12,2 m, contra 12 m da Ram Rampage. É preciso um pouco mais de cuidado nas manobras, especialmente em garagens de prédio e lugares mais apertados, mas ainda sim prática em uso diário na cidade.
Motor 2.2 é a cereja do bolo
Estreando alguns meses antes da linha 2026, o novo 2.2 turbodiesel Pratola Serra, também conhecido como Multijet, é sem exageros a melhor atualização que a Toro recebeu desde o seu lançamento. Trata-se de uma evolução direta do antigo 2.0, com injeção mais precisa e inteligente, uso de Arla32, turbo de geometria variável e coletor de admissão ativo.
Saíram os 170 cv e 38,8 kgfm, e entraram 200 cv e 45,9 kgfm, um salto de 17% em potência e 28% em torque. E dá para sentir. O ganho de força é evidente nas acelerações e retomadas, com respostas mais cheias e lineares, especialmente nas faixas médias de rotação.
O novo motor exigiu também uma recalibração do câmbio automático de nove marchas, agora com relações mais longas, o mesmo ajuste aplicado ao Jeep Commander 2025, que adota o mesmo propulsor na versão Overland. Mesmo com os 15 kg extras sobre o eixo dianteiro e os 1.910 kg em ordem de marcha (contra 1.895 kg da linha 2024), a Toro ficou mais rápida e eficiente.
Para compensar o peso adicional, a engenharia da Fiat aumentou a pré-carga das molas dianteiras, garantindo que a picape mantivesse o mesmo equilíbrio de suspensão. O resultado é um conjunto mais maduro, com desempenho convincente e consumo dentro do esperado para o porte e a proposta do modelo. Ainda que mais pesada, a Fiat não alterou a carga útil da Toro, que continuou em 1.010 kg.
Arrisco dizer que, entre todos os modelos equipados com o novo 2.2 turbodiesel, a Toro é o que melhor aproveita o conjunto. Fica livre do peso extra da Rampage, é mais civilizada que a Titano e bem mais prática que o Commander.
Nas medições realizadas durante o teste, a Toro Ranch 2.2 TD 2026 registrou médias de 11,3 km/l na cidade e 16,2 km/l na estrada, números melhores que os divulgados pela própria Fiat, que cita 10,5 km/l e 13,6 km/l, respectivamente. O resultado é fruto direto da nova calibração do câmbio e da eficiência do motor 2.2 turbodiesel, que trabalha em rotações mais baixas na maior parte do tempo. Em velocidades de cruzeiro, a picape roda a cerca de 1.800 rpm a 120 km/h, o que ajuda a manter o consumo sob controle e garante silêncio a bordo.
Mesmo com quase duas toneladas, tração integral e pneus de uso misto, a Toro continua entregando um bom equilíbrio entre desempenho e eficiência, especialmente em rodovia, onde o novo propulsor mostra todo o seu potencial.
Ainda vale a pena?
Mesmo com o peso da idade, a Toro continua tão boa quanto sempre foi. A concorrência, porém, já começa a se movimentar e promete não dar vida fácil para a picape da Fiat nos próximos anos, com novos modelos da Renault e da Volkswagen já em fase de testes.
As mudanças da linha 2026 foram tímidas, acrescentando pouco ao conteúdo que a picape já oferecia. Com dois modelos maiores sendo vendidos lado a lado nas concessionárias, geralmente com uma ou mais bandeiras do grupo Stellantis dividindo parede, caso de Titano e Rampage, a Toro acaba ficando em uma zona intermediária que limita certas evoluções. Fica a dúvida se, do jeito que está, ela conseguirá se manter na liderança. Qualidades para isso ainda existem, e não são poucas. Mas o fator novidade já se foi, e só uma nova geração de fato será capaz de recuperá-lo.
Fiat Toro 2.2 TD
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