Teste Ford Bronco Sport Badlands 2025: estratégia de preço funciona!
Mais uma vez, é boa opção por R$ 270 mil diante até dos chineses híbridos
Tenho em minha mente uma série de carros que considero injustiçados. Bons, não vendem o quanto merecem pelo o que oferecem, principalmente quando o preço dentro do segmento é competitivo. Sempre renovo minha posição com o Ford Bronco Sport a cada teste, principalmente após as mudanças da linha 2025 e a tabela de R$ 270 mil.
No visual, são poucas mudanças, mas trocou de nome de versão (sai Wildtrak, entra Badlands) e recebeu tecnologias no interior, pontos cada vez mais relevantes para o comprador desta faixa de preços. Por outro lado, mantém o 2.0 turbo, tração integral e um bom pacote de equipamentos e, diferente do que vemos, não subiu (tanto) o preço. Como referência, em fevereiro de 2023, testamos o Bronco Sport a R$ 267.900.
Estilo quase intocado
Muitos julgam que esse visual mais quadrado é um dos pontos fortes e diferentes do Bronco Sport. Até por isso que a Ford pouco o mudou na linha 2025, apenas adicionando elementos, como o para-choque dianteiro com esse falso peito-de-aço com ganhos de reboque, apliques de caixas de rodas maiores, friso lateral e um pequeno spoiler na tampa traseira, que acompanha o engate traseiro como item de série.
Mantém pontos legais, como a tampa traseira com o vidro que pode ser aberto separado, teto-solar, os faróis com luzes diurnas redondas e as rodas de 17" com pneus de uso misto. Não faz questão de passar como carro urbano, pelo contrário, até reforçou seu posicionamento como fora-de-estrada, mesmo que seus donos não vão o usar para tal.
Por dentro, a atualização é bem característica dos novos tempos: o painel de instrumentos é uma tela de 12,3" de alta resolução e completa em informações, enquanto o sistema multimídia recebe uma tela de 13,2" com mais funções, como espelhamentos sem fios e navegação nativa, ligado ao sistema de som assinado pela Bang&Olufsen. A interface é rápida e, com os comandos de ar-condicionado agora na tela, isso fica na parte inferior.
Manteve um acabamento composto por materiais pensados para um uso diferente, fáceis de limpar e resistentes a riscos, com boa escolha de texturas, cores e toques. As cores estão mais sóbrias nos bancos em couro e acabamentos, e os curiosos features pensados para quem vai, mais uma vez, se aventurar, como as bolsas nos bancos, porta-objetos escondidos, tampão traseiro que vira uma mesa, abridores de garrafas no porta-malas e até mesmo luzes ambientes para aventuras na tampa traseira.
Refinamento de quem sabe fazer carro
Para atender normas de emissões sem perder potência, o 2.0 turbo, da família Ecoboost, recebeu atualizações, como na programação de variação dos comandos, nova caixa de ar, sensores mais precisos e arquitetura do cabeçote, entre outras - ao abrir o capô, dá para ver algumas dessas novas peças. Os números de potência e torque não mudaram: 253 cv a 5.500 rpm e 38,7 kgfm a 3.000 rpm.
Bem nascido, o Bronco Sport é um carro com estrutura rígida e um trabalho de suspensão muito bem calibrado. Consegue ser estável em velocidades mais altas e confortável, com bom curso dos amortecedores e que não bate seco. Pneus altos, 225/65, estão nesta conta e espantam aquele medo de passar em buracos e precisar fazer um reparo. Na verdade, o Bronco Sport em si nos faz ignorar pisos piores, lombadas e valetas, tanto pela suspensão boa quanto pela boa altura do solo.
Esse conjunto completo agrada bastante quem gosta de dirigir. Pelo desempenho do 2.0 turbo e a relação com câmbio de 8 marchas, temos um seletor de modos de condução que muda até o ronco no modo Sport e acalma o conjunto em eco. Em baixas rotações, não falta fôlego, mas pé embaixo nos entrega o 0 a 100 km/h em 7,1 segundos e retomadas na turma dos 5 segundos. O sistema de tração integral automático faz essa distribuição para garantir que ele siga nos trilhos.
É um carro na mão, como diz o popular. Direção responsiva e comunicativa, sem aquela sensação de algo falso e vazio que alguns carros estão trazendo, que passa bastante segurança. O consumo não é exemplar (7,9 km/litro na cidade e 12,1 km/litro na estrada), e o tanque ficou menor para atender as novas normas, agora com 59,5 litros, antes 64 litros, te levando mais vezes ao posto para abastecer.
O lado família e racional
Para a família, o espaço no banco traseiro é bom, assim como o porta-malas de 580 litros - que poderia ter a abertura elétrica da tampa. Saídas de ar-condicionado e recarga de smartphones estão ali para longas viagens, como todo o conjunto do Bronco Sport quer te levar a fazer. Quase pronto para acampar, no caminho também joga com assistentes de condução e segurança ativa completos.
Um dos motivos para o preço competitivo é a chegada dos chineses nesta faixa de preço. Na maioria híbridos, o Bronco Sport precisa mostrar suas qualidades e diferenciais - o que parece ter funcionado, já que emplacou 2.046 unidades até setembro, enquanto foram 2.273 unidades em 2024 completo. Não é o mais vendido, mas parece ter uma vida suficiente por aqui.
Para finalizar, o Bronco Sport é...o Bronco Sport. Um bom carro que precisa de mais atenção do mercado por suas qualidades. Evoluiu em pontos importantes, mas não impactaram a boa experiência que já tivemos com ele. No mundo onde todos são iguais, ele se diferencia sem exagerar e garante seu espaço em um segmento competitivo.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Ford Bronco Sport 2.0T AWD
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Dono descobre 'item secreto' no porta-malas do Ford Bronco e viraliza
BYD e Toyota trocam provocações após King superar Corolla em agosto
Ford Mustang GT Performance está de volta ao Brasil com V8 de 492 cv
Fiat paralisa produção do 500 com motor de Mobi (de novo)
Ford confirma F-150 Raptor no Brasil no início de 2027
Foi o destino? Ferrari F40 de Hamilton usa motor número 44 produzido paro o superesportivo
Ford cria curso gratuito para formar profissionais em manutenção de veículos