Teste Ford Maverick Tremor 2026: quem é Rampage 2026?
Picape intermediária renovada pode ser importada, mas já forçou a rival nacional da Ram a ficar mais barata
Foram raras as ocasiões em que um carro me surpreendeu positivamente em 2025. E, felizmente para a Ford, a nova Maverick 2026 pode se gabar de ser um deles. Mas aparentemente não fui o único a enxergar as qualidades da picape intermediária: a Ram Rampage 2026, uma das rivais diretas, chegou com desconto R$ 30 mil reais para a versão R/T, a única com o 2.0 turbo a gasolina a partir de agora.
Testamos a versão Tremor, a grande novidade da linha e topo da gama que, ainda assim, continua mais barata que a rival topo de linha. Custa R$ 239.990, bem menos que R$ 269.690 que a Ram cobra pela Rampage R/T 2026 e, enquanto a Ford optou pela roupagem de aventura, a Ram, pela esportividade. Mas topo de linha por topo de linha, a Maverick Tremor entrega no mínimo o mesmo e cobra muito menos.
Galeria: Teste Ford Maverick Tremor 2026
Novo visual e mais equipamentos
Visualmente, a Ford Maverick 2026 traz as atualizações pelas quais a picape passou nos EUA já há algum tempo. A principal delas é o visual, com a dianteira ostentando novos faróis, menores e em forma de vírgula, que deixaram a Maverick com uma cara mais limpa. No interior, há uma nova tela sensível ao toque de 13,2" equipada com Apple CarPlay e Android Auto sem fio.
Na parte de segurança, ela traz de série 7 airbags, câmeras com visão 360º, sensores de estacionamento e sensor de chuva. Para 2026, recebeu alerta de mudança de faixa, assistente de centralização em faixa, monitor de ponto cego com cobertura para reboque, controle de cruzeiro adaptativo e assistente autônomo de frenagem, itens que faziam falta anteriormente.
O painel de instrumentos é digital com tela de 8" e, já na versão inferior Lariat Black, tem GPS nativo, carregador por indução, porta-objetos sob o assento traseiro, teto-solar com abertura elétrica e o sistema de som é assinado pela B&O, este último uma adição para a Maverick 2026.
Já a nova versão Tremor traz o mesmo pacote de itens de série mais grade com visual exclusivo e detalhes laranja, emblemas Tremor nas laterais, ganchos de reboque dianteiros, rodas de 17" exclusivas com detalhe laranja, pneus todo-terreno 235/65 e suspensão exclusiva com o emblema Tremor e altura elevada. A versão ainda traz diferencial traseiro blocante, piloto automático off-road e mais o modo de condução Off-Road. Ambas as versões também contam com os modos Normal, Eco, Esportivo, Escorregadio e Rebocar/Transportar.
Para quem for levar a Maverick Tremor para a terra, a picape tem um ângulo de entrada de 30,9º, de saída de 21,3ª e de transposição de 20ª. Com suspensão elevada em relação à Lariat Black, oferece 226 mm de altura em relação ao solo e uma capacidade de imersão de 450 mm.
Na mecânica, a Ford recalibrou o motor 2.0 turbo a gasolina para a linha 2026. Com isso, o propulsor entrega 253 cv a 5.500 rpm e 38,7 kgfm a 3.000 rpm. O câmbio é sempre automático de 8 velocidades e tanto a versão Lariat Black quanto a Tremor possuem tração integral. No caso da variante off-road, que tem consumo menor por conta das alterações, a Ford declara 10,7 km/l na estrada e 8,4 km/l na cidade.
Nas medidas, a Ford Maverick Tremor 2026 tem 5.096 mm de comprimento, 1.844 mm de largura, 1.758 mm de altura e 3.075 mm de entre-eixos. A caçamba tem uma capacidade volumétrica de 943 litros e, mais importante, 550 kg de carga útil e 499 kg de capacidade de reboque caso o implemento não tenha freios próprios. O peso da picape em ordem de marcha é de 1.832 kg.
Para comparação, a Rampage tem 5.028 mm de comprimento, 1.886 mm de largura, 2.994 mm de entre-eixos, 980 litros de capacidade na caçamba e carga útil de 750 mm. Ela até leva mais, mas sua caçamba é mais alta e curta que da Maverick, fazendo ser necessário empilhar a bagagem para usar a capacidade máxima. Além disso, a Ram leva 400 kg a reboque sem freios, é mais pesada (1.917 kg) e não vem de série com preparação para reboque.
Um carro verde
"Uma picape intermediária pensada para uso urbano vestida de aventureira". Parece algo que você leria numa propaganda ilustrada por modelos descolados em alguma atividade esportiva ao lado da Maverick. Ótima receita para um carro que vende uma ideia, não uma capacidade. Ou então a marca entrega o que promete. E a Ford entregou.
Começando pelo visual, muito acertada a reestilização da Maverick 2026. Mudou pouco, mas onde precisava: os grandalhões e um tanto desajeitados faróis da linha 2025 deram lugar a um conjunto ótico mais afilado e um parachoque que avança para cima, ocupando o espaço liderado. Tudo isso em conjunto com a nova grade com detalhe laranja. Aqui a Ford poderia ter se mantida em posição segura, aplicando bem pouco desse laranja só para falar que tem. Também poderia ter pesado a mão e deixado a Maverick Tremor espalhafatosa.
O que Ford fez? A medida certa. Os pontos de contraste se fazem presentes, mas não dominam o visual da picape e se adequam bem às proporções da Maverick. E fica meu agradecimento pessoal à Ford por não desistir das cores. São 10 opções e, pasmem, 5 delas são realmente coloridas: Azul Indianápolis, Cinza Glasgow (azul), Verde Fuji, Vermelho Vermont e Branco Itaúnas (bege areia).
A unidade testada veio na cor Verde Fuji. E me conquistou: tem um reflexo dourado à luz do sol e traz um balanço entre contraste e harmonia com as peças pintadas de laranja. De longe a melhor pintura da linha 2026 para essa versão.
E isso nos leva ao interior. A Ford lançou uma cabine azul com detalhes em laranja correndo um sério risco de ficar exagerado. Mas, bem feita, a aposta se pagou: a picape ousa sem incomodar, enquanto as rivais ficam nas cabines pretas, mais seguras e difíceis de errar. A Maverick usa a cor para disfarçar o acabamento de plástico rígido no painel, mas tem bancos largos e confortáveis, junto a painéis de porta bem forrados.
Para quem vai atrás há espaço confortável para dois adultos com sobras para cabeça e joelhos. Até um terceiro ocupante dá para encarar. O assento em si dobra para cima e o encosto rebate, revelando partes do sistema de som e até o motorzinho elétrico para a abertura da janelinha traseira. Parece preguiça, mas, bem implementado, vira um mostruário para tecnologia e a proposta utilitária da picape. Mais um destaque para o som da B&O que, na traseira, tem alto-falantes na altura da cabeça dos ocupantes e liberando farto espaço nas portas para todos os ocupantes, na frente e atrás.
Essa Maverick Tremor me pegou desprevenido, tanto que mandei fotos para a minha esposa, algo reservado a um punhado de carros novos nesses meus 17 anos de carreira. E ela, nada ligada em carros, concordou com a beleza da picape da Ford.
Mas beleza não põe a mesa, hora de dirigir. É engraçado como a Rampage passa a impressão de ser grande e alta, mas é apertada por dentro. A picape da Ram é mais larga nos para-lamas. Por dentro, a plataforma Small Wide mostra suas limitações. A Maverick é o oposto. Com linhas retas e simples, parece menor por fora, mas sobra espaço por dentro.
O painel retilíneo e o console central baixo ajudam nessa sensação de conforto. As janelas são grandes e a linha de cintura é relativamente baixa. O resultado é uma ótima visibilidade sem depender de dezenas de sensores e módulos. Mas ainda é um carro comprido e de entre-eixos avantajado. A Maverick demora a esterçar e contar com as câmeras para a visão de 360º do carro ajuda bastante. No entanto, para o uso na cidade, é quase como guiar um carro normal. Tanto que minha esposa a guiou e não estranhou, mesmo acostumada com hatches subcompactos em seu uso diário.
Bonita e confortável, a Maverick tem que pecar em algo não é mesmo? Faltavam os dados de performance e consumo padronizados que você só vê aqui no Motor1.com Brasil. O 0 a 100 km/h foi feito em 7 segundos cravados, 0,3 s a mais que a Rampage R/T. O consumo urbano foi de 8,9 km/l e o rodoviário de 11,7 km/l, uma verdadeira lavada na picape da Ram, que faz 6,3 km/l na cidade. Na estrada, são 11,9 km/l, pouca diferença. Lembrem-se: a Maverick tem 19 cv e 2,1 kgfm a menos, além de o câmbio ter menos marchas (8 contra 9).
Na estrada, veio mais um sinal de carro bem pensando e não um que só tem um monte de recursos para dizer que tem. O conjunto de controle de cruzeiro adaptativo e auxiliar de manutenção em faixa opera de forma imperceptível. Minha régua para ver se o sistema funciona direito é o tempo que minha paciência me permite não querer assumir o comando. Na Maverick, não senti essa necessidade.
Engraçado como os pneus todo-terreno da versão Tremor são mais ruidosos em velocidades baixas do que na estrada, mas de qualquer forma é o preço a se pagar pela capacidade maior que eles provêm fora do asfalto. Na estrada, não se ouve nada dos pneus. Aliás, pouco se escuta do mundo externo na velocidade estrada. Se você quiser ouvir algo, basta acelerar. Pisando e acima de 3.000 rpm o 2.0 da Ford ronca de verdade ao ponto de me fazer perguntar à marca duas vezes se esse som era sintetizado nas caixas de som. Não era e, mais uma vez, é um baile de emoção no da Rampage.
No caso da Maverick Tremor, a altura do solo maior é trunfo para a terra, mas poderia ser um ônus na hora das curvas. Os Goodyear - ironicamente chamados de - Territory cantam com facilidade, mas não desgarram e a suspensão específica não transpassa rolamento de carroceria nas mudanças de direção. Equilíbrio fino.
Mas sabem onde a Maverick realmente acertou? Em algo que os marketeiros amam: percepção de valor. Depois de analisar a picape da Ford no papel e andando, seu preço parece até junto diante das rivais. Melhor ainda, nem a minha esposa achou a Maverick Tremor cara e ela não compra carro 0km nem se tivesse dinheiro.
Todos que andaram nessa linda Maverick verde gostaram e não reclamaram de seu preço. Gostaria de dizer o mesmo da Rampage, mas mesmo ficando mais barata, a picape da Ram não consegue passar a mesma impressão de entregar o que cobra ou de corresponder à ideia que vende.
A Maverick é mais espaçosa e preparada para fazer coisas que se espera de um picape, mesmo que seja puxar um reboque com motos ou motos aquáticas para a praia, ou ainda bicicletas na caçamba, algo que faz melhor que a rival da Ram. A versão Tremor ainda acrescenta uma camada de capacidade para as eventuais trilhas, enquanto a picape da Ford em si é bem equipada e ousa visualmente na medida certa. Sinceramente, não sei o que resta à Rampage e a repentina redução de preços é um sinal de que a Ram sentiu a concorrência no cangote.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Ford Maverick Tremor
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