Óleo sintético é sempre melhor? Mobil explica por que você pode estar gastando dinheiro à toa
Especialista também explica como identificar óleo falsificado, a importância da especificação correta e por que carro e moto exigem lubrificantes diferentes
Escolher o óleo mais caro da prateleira pode parecer uma maneira simples de cuidar melhor do motor. Se o lubrificante é 100% sintético e promete maior desempenho, então necessariamente será melhor do que um mineral ou semissintético, certo? Não é bem assim.
Essa foi uma das respostas que mais nos surpreenderam durante a conversa com Marina Casari, gerente de Marketing da Mobil, no novo episódio do Podcast Motor1. Ao lado de Fábio Trindade e Rodrigo Perini, ela explicou que a escolha do lubrificante não deve começar pelo preço ou simplesmente pela tecnologia utilizada em sua fabricação, mas pela especificação determinada pelo fabricante do veículo.
E a conversa foi além. Falamos sobre um problema que vem ganhando importância no mercado brasileiro: a falsificação de óleo lubrificante, incluindo maneiras de identificar um produto original e os riscos que um óleo adulterado pode representar para o motor.
Sintético não é necessariamente melhor
Um óleo lubrificante é formado basicamente pelo óleo básico e por um pacote de aditivos. Segundo Casari, existem diferentes grupos de óleos básicos, que ajudam a determinar a classificação do produto como mineral, semissintético ou sintético.
A tendência é imaginar uma espécie de escala em que mineral é o produto mais simples e sintético necessariamente o melhor. Para o consumidor, porém, essa lógica pode levar à escolha errada.
“Quem determina qual é o melhor óleo para o seu veículo é a montadora”, explica Casari. É o fabricante que conhece as características do motor e define no manual a viscosidade, a especificação e as demais características que o lubrificante precisa atender.
Isso significa que colocar um óleo sintético mais caro em um motor projetado para trabalhar com outra especificação não representa automaticamente uma melhoria. Em determinadas situações, o motorista simplesmente estará gastando mais sem obter benefício. A regra, portanto, é bem menos complicada: antes de escolher o óleo, leia o manual.
O número na embalagem não está ali por acaso
Expressões como 0W-20, 5W-30 ou 15W-40 podem parecer uma sopa de letras para quem não acompanha o assunto. E a própria Mobil reconhece que boa parte dos consumidores ainda tem dificuldade para compreender as diferenças entre os lubrificantes disponíveis no mercado.
Casari cita um dado interessante: quase metade dos manuais consultados pela empresa já recomenda óleo 5W-30. O 15W-40 aparece em seguida e o 0W-20 já ocupa a terceira posição. Nas vendas, porém, lubrificantes de viscosidades maiores ainda têm participação relevante, mostrando uma diferença entre aquilo que os motores mais recentes exigem e o que efetivamente chega a parte dos consumidores.
E não basta observar apenas a viscosidade. Existem também as especificações e homologações exigidas por cada fabricante. Um exemplo conhecido envolve os motores com correia dentada banhada a óleo. Utilizar um produto fora da especificação pode comprometer materiais que trabalham em contato direto com o lubrificante. É justamente por isso que seguir a recomendação do manual é muito mais importante do que simplesmente escolher uma marca ou um óleo considerado superior.
Óleo falsificado pode transformar economia em prejuízo
Outro ponto importante da conversa foi a falsificação. Segundo a Mobil, uma prática encontrada nesse mercado envolve o reaproveitamento de óleo usado, posteriormente colocado novamente em circulação em embalagens que procuram reproduzir as originais.
O problema não é apenas receber algo diferente daquilo que foi comprado. Um lubrificante usado já não conserva as mesmas características de óleo básico e aditivação de um produto novo e pode favorecer o acúmulo de resíduos, prejudicando o funcionamento e até provocando falhas no motor.
Para dificultar esse tipo de fraude, a Mobil apresentou recentemente uma nova camada de proteção em suas embalagens: um elemento holográfico incorporado ao próprio rótulo, e não simplesmente um adesivo colocado sobre ele.
A recomendação também passa pelo preço. Uma oferta muito abaixo do praticado normalmente no mercado merece atenção, especialmente em compras pela internet.
Até o descarte da embalagem pode ajudar. A orientação apresentada durante o podcast é retirar o rótulo e inutilizar o frasco, inclusive fazendo um furo em sua parte inferior, antes de encaminhá-lo corretamente para reciclagem. Isso dificulta que embalagens originais vazias sejam reutilizadas por falsificadores.
Das pistas para o seu carro
A Mobil também utiliza o automobilismo como laboratório para desenvolvimento e validação de seus produtos. A empresa mantém envolvimento com categorias como Fórmula 1, Porsche Cup e competições de motovelocidade.
Há uma diferença interessante, porém. Na Fórmula 1, o lubrificante possui características específicas para a competição. Já em outras aplicações citadas por Casari, como Porsche Cup e Moto4, há produtos correspondentes aos disponíveis comercialmente para o consumidor.
O ambiente de competição permite submeter lubrificantes a temperaturas, cargas e condições de funcionamento muito mais extremas do que aquelas normalmente encontradas no trânsito.
E quando os carros forem elétricos?
A eletrificação também entrou na conversa. Um híbrido continua tendo um motor a combustão e, portanto, ainda utiliza óleo lubrificante. Nos elétricos a bateria, desaparece o óleo do motor, mas não a necessidade de fluidos.
Transmissão, freios e sistemas de gerenciamento térmico continuam exigindo produtos específicos. E a diversificação das tecnologias de veículos híbridos, híbridos plug-in, elétricos e elétricos com extensor de autonomia indica que diferentes soluções devem conviver por bastante tempo.
No episódio completo do Podcast Motor1, Fábio Trindade e Rodrigo Perini conversam com Marina Casari sobre esses temas e respondem algumas das dúvidas mais frequentes sobre óleo de carros e motos.
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