M1 nas Lojas: Chevrolet Spin 1.8 Premier 2027 mostra porque ainda faz sentido
Mesmo após 14 anos sem trocar de geração, veterana segue praticamente sozinha entre os modelos de sete lugares em sua faixa de preço
Carro mais antigo da Chevrolet em produção no país, a Chevrolet Spin, vendida desde 2012, é a opção da marca para quem deseja um produto mais versátil do que um Tracker ou precisa levar sete passageiros sem partir para carros bem maiores - e mais caros.
E, mesmo com o peso da idade - já que nunca trocou de geração -, a minivan continua boa de loja. Praticamente sozinha em sua faixa de preço, emplacou 8.022 unidades de janeiro a maio de 2026. Não é pouca coisa. Mas será que ela ainda tem atributos para conquistar outros tipos de consumidores?
Neste M1 nas Lojas, demos uma olhada na versão Premier, topo de linha, tabelada hoje em R$ 165.590, o que não é exatamente barato. Dentro da própria Chevrolet, caso o cliente esteja de olho apenas em um carro mais altinho, há o Tracker LTZ Turbo, de R$ 162.890, que é mais moderno e traz motor 1.0 turbo, bem como o elétrico Spark EUV, de R$ 159.990. Nenhum, é claro, oferece a mesma versatilidade da veterana.
Já entre os modelos de sete lugares, seu principal concorrente hoje é o Citroën Aircross em versões de topo, também com capacidade para sete ocupantes - e tratado pela francesa como um SUV. Na versão equivalente, a XTR 7L, o modelo sai por R$ 156.490 (ou R$ 134.790 no site de ofertas da marca). A seu favor, traz projeto mais moderno, preço menor e motor 1.0 turbo compartilhado com a linha Fiat e Peugeot, mas é presença rara nas ruas: foram 277 unidades no mesmo período da Spin.
Antiga sim, mas não desatualizada
Ironicamente, mesmo sendo um projeto com mais de uma década, a Spin é o carro que mais recebeu atenção por parte da Chevrolet em seus facelifts. Tanto em 2018 (como linha 2019) quanto em 2024 (linha 2025), a marca não economizou em estamparia e novas peças móveis, modificando toda a parte dianteira e - mais raro ainda - também a traseira.
Com isso, ficou alinhada à linguagem visual dos carros da marca vendidos tanto aqui quanto lá fora, mesmo que sua lateral entregue bem a origem como derivada da primeira geração do Onix. Falando especificamente da última atualização, ganhou um capô mais alto, arcos plásticos nas caixas de roda e uma dianteira com os faróis divididos, com os DRLs na parte superior e o bloco principal na inferior.
A traseira ficou mais retilínea, mantendo a mesma proposta de lanternas verticais do primeiro facelift, bem como o suporte da placa na tampa do porta-malas, mas com uma régua superior mais fina e ligada às lanternas. É mais, por exemplo, do que teve direito a família Onix em sua reestilização de meio de ciclo.
Coube a ela, também, estrear o interior presente em toda a linha nacional da marca hoje, com duas telas digitais, de 8" para o cluster e de 11" para a central multimídia, que são interligadas e destacadas. Ao contrário dos irmãos, que mudaram apenas a parte superior da peça para acomodar os novos itens, o desenho do painel da Spin foi totalmente refeito, e o resultado é melhor visualmente do que em um Tracker ou Sonic.
O que não muda entre eles, no entanto, é a qualidade do acabamento. Há plásticos duros por todos os lados. Também existem algumas questões de ergonomia, como os botões de destravamento das portas, que ficam muito abaixo no console, os comandos dos retrovisores ao lado da coluna A e o botão de volume da multimídia, distante da mão do motorista.
Mesmo com as mudanças, o porte da Spin nunca se distanciou muito do da versão original e continua próximo ao da maioria dos SUVs compactos. São 4.420 mm de comprimento, 1.768 mm de largura, 1.699 mm de altura e 2.620 mm de distância entre-eixos.
A Spin consegue acomodar bem três adultos na segunda fileira graças ao teto alto, enquanto o assento mais alto que os dianteiros dá uma visão melhor para os passageiros. A segunda fileira também é corrediça, então pode-se colocá-la mais para frente e dar um pouco mais de espaço para a terceira fileira.
Na última fileira, entretanto, não tem milagre. Se carros bem maiores como um Jeep Commander já não têm o melhor dos acessos, uma Spin não seria melhor. O porta-malas também diminui consideravelmente, indo de 553 litros quando com cinco bancos para 162 litros, menos do que um Fiat Mobi.
Motor é qualidade e também ponto fraco
É sob o capô que a Spin mais entrega sua idade. Usando a plataforma Gamma II, que também equipou o Cobalt e o primeiro Sonic vendido aqui, ela é hoje o único compacto da marca produzido no país a ainda contar com um propulsor 1.8 aspirado, uma forte atualização do antigo Família 1, usado desde os tempos do Corsa.
A Chevrolet atualizou o powertrain tecnicamente durante todos esses anos e conseguiu calibrá-lo para passar nas rigorosas regras do Proconve L8, o que atesta que ele ainda é eficiente, mesmo que seus números não sejam muito diferentes do que sempre foram: 111/106 cv e 17,7/16,8 kgfm. Na maioria das versões, o motor trabalha em conjunto com um câmbio automático de seis marchas com conversor de torque, sem muitas complicações.
Com isso, está livre das polêmicas envolvendo o sistema de correia banhada a óleo de Onix, Sonic, Tracker e Montana. Também tem custo consideravelmente menor graças aos seus anos de estrada. Não à toa, é um dos queridinhos das praças e das licitações públicas, aguentando o tranco quando usado na lida.
Vale a pena?
Pensando que boa parte das vendas é direta - como provam os números de maio, com 80,97% das unidades comercializadas nessa modalidade -, o apelo da Spin aumenta bastante. É um projeto maduro, e quem a compra sabe disso e a escolhe justamente por isso.
O último facelift também voltou a lhe dar algum apelo para quem busca um carro mais altinho nessa faixa de preço, mas não quer um Tracker, Spark ou um SUV compacto semelhante. Ainda assim, esse é um volume pequeno. Essa, aliás, não parece nem ser a intenção da Chevrolet com ela.
De qualquer forma, a Spin é hoje um produto praticamente sozinho em seu nicho e ainda deve permanecer por muito tempo graças ao espaço que ocupa, tal como ocorreu com a Fiat Doblò ou a Volkswagen Kombi.
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