Jurassic Park: dinossauros automotivos recordistas de tempo em produção
Modelos que ficaram por mais de 40, 50, 60 ou até 80 anos em produção
Pense em um carro que durou muitos anos em produção. Uno, Santana e Opala permaneceram décadas nas linhas de montagem, mas passam longe de entrar em nossa lista dos modelos mais longevos de todos os tempos… Também não levamos em consideração sucessos como o Porsche 911 ou o Toyota Corolla, que conservam o nome original de seus antepassados, mas tiveram seus princípios básicos profundamente alterados ao longo de sucessivas gerações.
Nosso papo aqui é sobre modelos que resistiram ao tempo, mantendo-se fiéis aos seus projetos originais. Ainda que tenham recebido muitos aperfeiçoamentos ao longo de sua existência, em diferentes séries, seus fundamentos técnicos, estéticos, dimensões, estrutura e características mecânicas permaneceram, essencialmente, os mesmos.
Vamos, então, à nossa relação do Jurassic Park automotivo.
Toyota J40 - modelo estreou em 1960 (1)
Toyota Land Cruiser J40 (1960–2001) – 41 anos
O Toyota Land Cruiser de segunda geração (série J20) foi criado no Japão em 1955. Por meio da Sociedade Comercial Arpagral Ltda., o Brasil se tornou o primeiro país a montar o jipinho fora de sua terra natal. Em 1960, a Toyota apresentou uma evolução do modelo: nascia o J40. A “cara” era praticamente a mesma do J20, mas chassi, carroceria e mecânica passaram por importantes melhorias. Repleto de qualidades, o modelo conquistou trilhas em todo o planeta e ajudou a consolidar a imagem da Toyota como fabricante de veículos indestrutíveis.
Toyota J40 - O fim da produção do Bandeirante, em 2001
Sua versão brasileira recebeu motor Mercedes-Benz a diesel e foi batizada de Bandeirante. No exterior, a linha Land Cruiser continuou a evoluir, e a geração J40 saiu de cena em 1984. Já na fábrica de São Bernardo do Campo, o 4x4 foi mantido em produção praticamente sem mudanças — no máximo, ganhou faróis retangulares, motor Toyota no lugar do Mercedes OM e câmbio de cinco marchas. Para tristeza de muitos fãs, o Bandeirante saiu de linha em 2001.
Os últimos Mini originais deixam a linha de produção, em outubro de 2000 (1)
O Mini original (1959–2000) – 41 anos
Criado por Alec Issigonis, projetista da British Motor Corporation (BMC), o Mini não foi o primeiro carro com tração dianteira ou, tampouco, o primeiro com motor transversal. Mas foi pioneiro ao juntar essas características em um hatch com estrutura monobloco e dimensões compactas – um conceito que foi copiado por todos os grandes fabricantes do mundo ao longo das décadas seguintes, revolucionando a maneira de se desenhar carros.
O Mini estreou em 1959
Símbolo pop britânico dos anos 60 equiparável aos Beatles e à minissaia, o Mini foi preparado por John Cooper e derrotou competidores muito maiores e mais potentes em ralis. Sua fabricante, a BMC, trocou de nome para British Leyland e Rover Group. O próprio Mini foi ganhando incontáveis denominações ao longo do tempo e nos países onde era produzido: Austin Seven, Morris Mini Minor, Innocenti Mini, Wolseley 1000…
Issigonis foi condecorado com o título de "Sir" em 1969, ao ser nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth II, em reconhecimento às suas contribuições para a indústria britânica. E o Mini criado por ele só deixou de ser fabricado em 2000, após 41 anos em linha. A alemã BMW comprou a fábrica, transformou o nome Mini em marca e lançou um novo modelo em 2001.
Portugal, 1990 - o último Citroën 2CV sai da linha de produção
Citroën 2CV (1948–1990) – 42 anos
Concebido antes da Segunda Guerra por Pierre-Jules Boulanger, então presidente da Citroën, o projeto Très Petite Voiture (TPV) tinha como meta criar um pequeno automóvel capaz de transportar quatro pessoas e 50 quilos de carga a 50 km/h, consumindo pouco combustível, Sua suspensão extra suave permitiria levar uma caixa de ovos por um campo arado sem quebrá-los. Liderado pelo engenheiro André Lefebvre e pelo designer Flaminio Bertoni, o desenvolvimento foi temporariamente suspenso durante a ocupação alemã da França.
Em 1948, o Citroën 2CV foi finalmente lançado com a proposta de ser um carro extremamente simples, barato e funcional para o público rural. Equipado com motor boxer de dois cilindros refrigerado a ar e tração dianteira, o 2CV também conquistou o público urbano por sua robustez, economia e facilidade de manutenção. Era uma espécie de guarda-chuva sobre quatro rodas.
Citroën 2CV - a apresentação em 1948 (1)
Ao longo de sua longa carreira, o “Deux Chevaux” evoluiu em pequenas doses, sempre fiel ao espírito original e à sua característica silhueta. Tornou-se um ícone popular na Europa e em países da América do Sul, com variantes como a furgoneta AK e modelos derivados, como o jipinho Méhari. Quando deixou de ser produzido, em 1990, já era um anacronismo rodante, com seus para-lamas e faróis destacados da carroceria, bem como a capota de enrolar, que abria como uma lata de sardinha. Teve mais de 5 milhões de unidades fabricadas, não só na França, mas também em países como Bélgica, Portugal, Argentina e Chile.
Lada - o modelo foi produzido na Rússia até 2012, com o nome VAZ-2107
AutoVAZ Zhiguli / “Lada Laika” (1970–2015) – 45 anos
A AutoVAZ iniciou suas atividades no final da década de 1960, em Togliatti, União Soviética, com apoio técnico da Fiat. Seu primeiro modelo, o VAZ-2101, tornou-se mais conhecido como “Zhiguli” — nome da região montanhosa próxima ao rio Volga, na província de Samara, onde ficava a fábrica. Era uma versão local do Fiat 124, com suspensão reforçada, freios diferentes e motor adaptado para as severas condições soviéticas.
A produção começou em 1970 e logo conquistou popularidade pela simplicidade, confiabilidade e baixo custo, fazendo a fabricação anual de carros de passeio na URSS saltar da casa dos 300 mil para 1,3 milhão de unidades.
VAZ-2101 - o início da produção dos Lada, em 1970
A família Zhiguli evoluiu do básico VAZ-2101 até os VAZ-2105, 2106 e 2107, sempre mantendo o monobloco do Fiat 124 e a arquitetura com tração traseira. Exportados sob a marca Lada, chegaram a países da Europa Oriental, Cuba, Canadá e Reino Unido. No Brasil, a série VAZ-2105 desembarcou em 1990 como Lada Laika, símbolo da reabertura das importações.
O modelo resistiu ao fim do regime comunista e só teve sua produção encerrada na Rússia em 2012 (permanecendo em linha no Egito até 2015). Com cerca de 17 milhões de unidades produzidas em mais de 40 anos, é o carro mais importante da história automobilística russa.
Niva - o modelo 2025 à venda no site da Lada (1)
AutoVAZ 2121 / Lada Niva (desde 1977) – 48 anos e ainda em produção
O Lada Niva, originalmente chamado de VAZ-2121, é um todo-terreno compacto produzido pela AvtoVAZ desde 1977. Com projeto soviético e alguns componentes de origem Fiat, o modelo combina uma leve estrutura monobloco com tração nas quatro rodas permanente, suspensão independente na dianteira e eixo rígido traseiro com molas helicoidais — soluções bem avançadas para um 4x4 na época de seu lançamento.
Seu motor de quatro cilindros e a mecânica simples contribuíram para a robustez e a confiabilidade em terrenos difíceis, tornando-o popular em zonas rurais e climas extremos. O modelo passou por diversas atualizações mecânicas e estéticas, mas manteve o projeto original como base até os dias atuais.
Niva pré-série em 1976 (1)
Historicamente, o Lada Niva foi pioneiro entre os SUVs compactos com capacidade real de fora de estrada, antecipando em décadas a popularização do segmento. Foi exportado para mais de 100 países, incluindo Brasil, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Austrália. Estima-se que mais de 2,5 milhões de unidades tenham sido produzidas até hoje, sendo um dos veículos russos mais bem-sucedidos internacionalmente — já são 48 anos em linha, e seguimos contando. Hoje, um Niva Legend 0 km custa a partir de 1.059.000 rublos, ou R$ 73 mil, uma pechincha! Em tempo: o nome “Niva” quer dizer “lavoura” em russo, você sabia?
O modelo 2025 do jipe UAZ é chamado de Hunter
UAZ-469 (desde 1972) – 53 anos e ainda em produção
Um dos modelos mais imutáveis de todos os tempos é o UAZ-469, carinhosamente chamado de Kosliô ("Bode"). Esse todo-terreno russo mantém a mesma aparência desde sua fase de protótipo, nos anos 1960, até os dias de hoje. Em 2003, seu nome foi trocado para Hunter — e esta foi uma das poucas novidades desde então, juntamente com a introdução da injeção eletrônica.
Desenvolvido na União Soviética para uso militar e civil, o UAZ-469 foi lançado oficialmente em 1972 pela Ulyanovsky Avtomobilny Zavod. Substituto do GAZ-69, seu projeto valorizava a manutenção fácil em campo e a capacidade de operar em climas extremos — desde as estepes geladas até desertos e montanhas.
Protótipo do UAZ-469 (1966)
Foi o jipe padrão das forças armadas dos países do Pacto de Varsóvia e até do Uruguai. Fabricado na Rússia, também foi montado em Cuba, Alemanha, Vietnã, Azerbaijão, Ucrânia e... Estados Unidos. Sim: por alguns anos, existiu uma UAZ of America em Pasadena, Califórnia! Estima-se que mais de 2 milhões de unidades já tenham sido fabricadas.
Hindustan Ambassador - modelo de 1957 (1)
Hindustan Ambassador (1957–2014) — 57 anos
Lançado em 1957 pela Hindustan Motors, o Ambassador era a versão indiana do britânico Morris Oxford Series III (1956–1959). Seu interior espaçoso e a suspensão robusta, porém macia, agradavam tanto às famílias quanto às autoridades, fazendo com que o sedã se tornasse onipresente como veículo oficial do governo e táxi nas grandes cidades. Rapidamente, virou um símbolo da indústria automobilística da Índia pós-independência.
O Hindustan Ambassador foi produzido até 2014 (1)
Ao longo de seus 56 anos de produção, o Ambassador passou por poucas mudanças visuais ou técnicas significativas. O motor original a gasolina de 1,5 litro deu lugar a opções a diesel nas décadas seguintes, e alguns retoques estéticos foram aplicados, mas o desenho clássico permaneceu praticamente inalterado. Sua mecânica simples o tornava fácil e barato de manter. Mesmo com a chegada de concorrentes mais modernos, o modelo manteve uma clientela fiel até o início do século XXI. A produção foi encerrada em 2014, após cerca de 4 milhões de unidades fabricadas — bem mais que os 58.117 Morris Oxford Series III produzidos no Reino Unido.
UAZ SGR Expedition 2025 - 60 anos depois, o Buchanka continua em produção
UAZ-452 (desde 1965) – 60 anos e ainda em produção
Os ocidentais tiveram a Kombi da Volkswagen; já o antigo bloco soviético contou (e ainda conta) com o UAZ-452. Apelidado de Buchanka, que significa “pão de forma” em russo, o modelo vem sendo fabricado continuamente há 60 anos.
Sua história começa em 1965, quando a fábrica soviética Ulyanovsky Avtomobilny Zavod (UAZ) apresentou um furgão todo-terreno voltado para uso agrícola, médico e militar, projetado para operar em condições climáticas e rodoviárias extremas, transportando até 800 quilos de carga protegida das intempéries.
UAZ-452 dos anos 60 (1)
Tecnicamente, o UAZ-452 se destaca pela estrutura robusta, com chassi separado da carroceria, tração 4x4, caixa de redução e bloqueios de diferencial — soluções que garantem excelente desempenho fora de estrada. O motor de quatro cilindros em linha, a gasolina, vai instalado entre os bancos dianteiros.
Sua construção simples, o grande vão livre e as dimensões relativamente compactas (entre 4,36 e 4,50 metros de comprimento, conforme a versão) permitiram que o Buchanka fosse usado como van de passageiros, furgão de carga, ambulância e base para diversas modificações especializadas. Em seis décadas, mais de 1,2 milhão de unidades foram produzidas em várias configurações. Hoje rebatizado como UAZ Classic, o modelo mantém a carroceria original de 1965, agora com “luxos” como direção hidráulica e ABS. Gostamos especialmente da versão Expedition, para missões extremas.
Kombi - a Última Edição foi fabricada em 2013 (1)
VW Kombi (1950–2013) – 63 anos
Utilitário derivado do Fusca, o Volkswagen Typ 2 começou a ser fabricado na Alemanha em março de 1950. Apenas seis meses depois, em 11 de setembro, um primeiro lote de exemplares importados desembarcou no porto de Santos (SP). Inicialmente, o modelo sequer tinha um nome. Nos anúncios lá fora, era chamado de Transporter, enquanto no Brasil podia ser “Furgão Volkswagen”, “Perua Volkswagen” ou “Caminhonete Volkswagen”.
Apenas alguns anos depois é que o nome de uma de suas configurações, a “Kombi Rural”, passou a designar toda a linha no Brasil. E virou simplesmente Kombi, uma abreviatura de Kombinationskraftwagen, ou “veículo combinado de transporte”.
Kombi - furgão pré-série alemã de 1949 (1)
Ágil e versátil, podia transportar até nove pessoas ou carga quase equivalente ao seu peso, com motor traseiro refrigerado a ar e bom desempenho fora de estrada. No Brasil, a primeira geração da Kombi (T1), hoje apelidada de “Corujinha”, foi produzida aqui entre 1957 e 1975.
Em 1976, veio a chamada Clipper, com a frente do modelo alemão de 1967 (T2), para-brisa curvo e inteiriço, mas ainda com laterais semelhantes às da velha T1. Fabricada exclusivamente em nosso país, era, digamos assim, uma “T1.2”.
Somente em 1996 é que a metamorfose da geração T2 se completou no Brasil, com porta traseira de correr, três janelões laterais e teto mais alto. Mesmo com a chegada do motor flex refrigerado a água, em 2006, ainda mantinha a essência do modelo original de 1950. Foi o último VW do mundo com motor traseiro, câmbio de quatro marchas e suspensão por barras de torção. Sempre vendeu bem e só saiu de linha, em dezembro de 2013, por força das novas exigências de segurança (ABS e airbags).
Fusca - a apresentação em Berlim, em 1938
VW Fusca (1939–2003) – 64 anos
O Volkswagen (“carro do povo”, em alemão) foi desenvolvido na década de 1930 sob a direção técnica de Ferdinand Porsche e com o financiamento do regime nazista de Adolf Hitler. O objetivo inicial era criar um automóvel acessível à população da Alemanha, mas a história tomou outros rumos.
Janeiro de 1939 é considerado o início oficial da produção do Fusca (na época chamado de KdF-Wagen Typ 1). Em setembro daquele mesmo ano, porém, Hitler invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Os poucos exemplares pré-série fabricados foram entregues a figurões do regime nazista, enquanto a população em geral — que havia pago cotas para adquirir o carro, preenchendo uma espécie de álbum de figurinhas — ficou na mão. A produção do KdF-Wagen Typ 1 foi praticamente interrompida, dando lugar a veículos militares, com destaque para o jipe Kübelwagen e o anfíbio Schwimmwagen.
No pós-guerra, em 1945, a arruinada fábrica de Wolfsburg foi assumida pelos britânicos. A produção civil do Fusca recomeçou em 1946, iniciando a trajetória de sucesso global do modelo, que se tornaria símbolo da reconstrução alemã e, nos anos 1950, o carro mais vendido do mundo.
O Brasil foi o primeiro país fora da Alemanha a fabricar o modelo, em 1959, seguido pelo México em 1967. Mesmo após sair de linha na Alemanha, em 1979, o Fusca continuou a ser feito nesses dois países latino-americanos. No Brasil, sua fabricação foi encerrada em 1986, mas retornou entre 1993 e 1996 por iniciativa do governo Itamar Franco. No México, permaneceu em linha até julho de 2003. Ao todo, 21,5 milhões de unidades foram construídas ao longo de 64 anos.
O úlimo Morgan 4-4 produzido (2018)
Morgan 4/4 (1936–2018) – 82 anos
Fundada em 1910, a britânica Morgan Motor Company dedicava-se inicialmente à produção de carros de três rodas. Em meados dos anos 1930, a fábrica lançou um modelo com quatro rodas e motor de quatro cilindros. Nascia aí o 4-4 (nome que, no início, era grafado com hífen em vez de barra).
Apresentado nos salões de Londres e Paris de 1936, o Morgan 4-4 tinha a construção típica dos esportivos ingleses da época: era um leve roadster de dois lugares, com motor dianteiro de pequena cilindrada (inicialmente um Coventry Climax de 1.122 cm³) e tração traseira. Sobre o chassi com longarinas de chapa dobrada ia a carroceria de alumínio. Sua estrutura, como em tantos modelos pré-guerra, era de madeira.
Morgan 4-4 de 1936, primeiro ano de produção
Com 34 cv, o carrinho se garantia na relação peso-potência. E tinha a vantagem de ser muito estável, graças a um detalhe bolado pelo fundador H.F.S. Morgan: a suspensão independente tipo sliding pillar (ou coluna deslizante), em que a manga de eixo de cada roda dianteira sobe e desce encaixada em um tubo vertical fixado ao chassi.
Ao longo das décadas, aquele 4-4 inicial foi mudando em detalhes. Em 1955, veio a Série II: os faróis foram incorporados aos para-lamas e a grade, antes reta, passou a ser encurvada. O modelo deu crias como o Morgan Plus 4 (com motores na faixa dos 2,0 litros) e o Plus 8 (com V8), além de ganhar uma configuração de quatro lugares.
O Morgan 4/4, contudo, sempre se manteve como o modelo mais leve e simples da linha. Fabricados até 2018, os últimos 4/4 eram equipados com motor Ford Duratec de 1,6 litro (com 111 cv) e câmbio do Mazda MX-5. Sua essência de 1936 continuava presente nas formas, na estrutura de madeira, na suspensão exótica, no vento no rosto e na construção artesanal, restrita a poucas unidades por ano, sempre com longas filas de espera. Entre o início e o fim da produção, passaram-se 82 anos — um recorde de longevidade que dificilmente será superado.
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