Teste BYD Song Plus 2027: a pressão do turbo no pico da evolução híbrida
Um dos queridinhos do mercado, SUV mostra maturidade e evolução antes de ser nacional
Depois de quase três anos, podemos chamar o BYD Song Plus de um produto maduro no mercado brasileiro. Além do fato de estar espalhado pelas ruas, passou por mudanças ao longo do tempo para atender o que o segmento competitivo de SUVs médios procura, mesmo que em uma quantidade que não estávamos acostumados em um prazo relativamente curto de tempo.
O BYD Song Plus 2027 é a materialização de um produto maduro e que entendeu o consumidor brasileiro. Agora com motor 1.5 turbo no lugar do 1.5 aspirado, melhora a experiência ao volante e, com nova bateria, vai mais longe em modo elétrico. Mas serão tudo flores ou há o que melhorar antes do Song Plus ganhar seu CPF brasileiro?
O tempo ensinou
De 2022 pra cá, o Song Plus viu a chegada de muitos concorrentes chineses e híbridos, como ele. A velocidade de evolução também aparece na briga "local" e fez a BYD mexer no Song Plus algumas vezes nesse tempo, como a troca da bateria de 8,3 kWh pela de 18,3 kWh em 2024 ou a mudança visual que hoje está nas lojas feita em maio de 2025.
O motor 1.5 turbo não é uma novidade total na linha Song Plus. É o mesmo que está no Song Plus Premium, mas aqui sem a adição do motor elétrico traseiro. O Song Plus 2027 segue com tração dianteira e o motor elétrico neste eixo com o motor a combustão, agora mais moderno e com maior capacidade de recarga das baterias.
Isso pois a troca do motor a combustão foi mais pela capacidade de trabalhar como gerador do que para a tração do Song Plus. Basta ver que a potência combinada foi de 235 cv e 40,8 kgfm para 239 cv e 30,6 kgfm, sendo que o motor elétrico foi de 194 cv para 204 cv. O combustão é uma troca maior sobre como ele trabalha no conjunto do que como ele funciona sozinho, algo que dificilmente acontece em um PHEV como o Song Plus.
Ao mesmo tempo, o Song Plus pegou as baterias do Premium, LFP de 26,6 kWh, e a recarga rápida antes ausente, com capacidade de 18kW em DC e mantendo os 6,6 kW em AC. Tudo isso somado muda como o Song Plus se comporta no dia a dia, principalmente para quem precisa pegar estrada ou não pode depender sempre de pontos de recarga.
Em modo elétrico, o Song Plus vai até os 20% de bateria sem acionar o motor a combustão e, em nosso teste, rodou 117 km sem precisar de gasolina. O motor único dá conta do SUV médio principalmente na cidade, onde arranca bem e encara até um pouco de estrada sem reclamar, quebrando a lenda sobre seu peso.
Para repor, a recarga DC é interessante pela quantidade de carregadores deste tipo que aparecem em rodovias todos os dias. Se não for possível, aqui vemos o valor do novo 1.5 turbo no conjunto: mesmo quando o sistema do Song Plus foi recalibrado para evitar que a bateria chegasse a zero mesmo no modo híbrido, o aspirado parecia limitado em diversos sentidos.
Isso pois a potência do motor a combustão também mostra o quanto ele pode recarregar as baterias. O 1.5 aspirado sofria para isso e, se precisasse também tracionar, limitava ainda mais o Song Plus e chegou a apresentar casos onde praticamente ficou sem força, ainda mais em rodovias e carregado. Isso melhorou com o passar do tempo, mas o novo conjunto é o melhor até então.
Mesmo com a bateria no nível mínimo, o Song Plus conseguiu alimentar o motor elétrico para dar a força total e ainda colocar velocidades boas. Além disso, o funcionamento do 1.5 turbo é mais suave e silencioso justamente pela rotação mais baixa que pode gerar a energia e aliado ao bom isolamento acústico. Na cidade, com bateria mínima, o SUV marcou bons 19,2 km/litro e 17,2 km/litro na estrada, ou cerca de 980 km com os 57 litros do tanque sem depender de carga de bateria.
Isso mostra que o Song Plus entendeu o mercado brasileiro e como o usuário se comporta. Ao mesmo tempo, o 1.5 aspirado era um "problema" na hora da briga com GWM Haval H6, por exemplo, que sabe jogar com a potência que, inclusive, agora é flex.
Melhorias além do motor
Ainda ao volante, o Song Plus 2027 está melhor em suspensão e direção. Apesar da BYD não falar, a suspensão parece ter uma nova calibração, um pouco mais firme, e não bate seco. Ainda é um carro confortável e que acaba balançando em velocidades mais altas, mas entramos aqui em uma questão de porte, peso e uso focado em família, não desempenho. Comparado ao primeiro Song Plus, é uma considerável evolução.
No interior, além da opção do acabamento escurecido que caiu bem ao SUV, novo software e interface da tela da central multimídia de 15,6", que deixa de ser rotativa, e do painel de instrumentos de 12,3", este melhor de visualizar, mais moderno e com direito a espelhamento dos mapas, mesmo que Google Maps ou Waze. Mantém o bom sistema de som Infinity, ar-condicionado de duas zonas e o console central com o seletor de marchas e alguns comandos básicos.
A interface do sistema multimídia melhorou, tanto em velocidade quanto usabilidade, com a opção de atalhos e os comandos de ar-condicionado que se mantém na parte inferior, mesmo com espelhamentos ativos. Isso foi uma crítica no passado que a BYD entendeu, mas outras montadoras chinesas seguem insistindo no erro.
Mas o pacote ADAS, completo, falha na calibração principalmente do piloto automático adaptativo. Reduz velocidade de forma brusca e insiste em retomadas fortes e desconfortáveis, assim como o assistente de faixas um pouco perdido. Pensando em uma empresa tão moderna, esse detalhe não pode passar despercebido.
Vale a pena? E quem já tem?
O BYD Song Plus 2027 é a melhor versão deste SUV. Maduro, evoluído e que foi melhorando seus pontos falhos com o passar dos anos pouco antes de começar a ser produzido no Brasil. Fica claro que, principalmente o novo motor, está aqui para o afastar do Song Pro, outro que deve melhorar alguns aspectos para abrir um espaço do novo Atto 2 nas lojas.
Só fica a questão sobre quem comprou um Song Plus aspirado há menos de um ano. Haverá desvalorização no mercado de usados e isso é importante para o brasileiro e uma das grandes questões das marcas chineses e as frequentes mudanças que esses produtos recebem. E, ao mesmo tempo, o próprio Song Plus se tornou um produto para mercados fora da China, já que uma nova geração já está na China como Sealion 06, mas que não deve aparecer por aqui tão cedo.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)/Teste: David Costa
BYD Song Plus DM-i 2027
RECOMENDADO PARA VOCÊ
As peruas vão voltar? A China acredita que sim
Flagra: o Audi mais potente da história já está rodando em Nürburgring
Exclusivo: BYD confirma picape Mako ainda para 2026 e estuda Dolphin híbrido
Jeep prepara 3 estreias, incluindo novo Renegade e SUV chinês
Em 6 meses, BYD saltou de 200 mil para 300 mil carros vendidos no Brasil
Segredo: Renault Kwid reestilizado estreará em julho
BYD lança o Great Tang elétrico com 950 km de autonomia e 0-100 km/h em 3,9 s