Teste: Geely EX5 EM-i 2026 tem consumo show na realidade contra os BYD Song Plus e Pro
SUV híbrido plug-in da Geely combina 262 cv, autonomia acima de 1.000 km e consumo que impressiona no uso real.
A Geely chegou com a mira apontada para a BYD. Depois do EX2 bagunçar a vida do Dolphin, mesmo com um problema de demanda, o EX5 híbrido está disposto a ser superior aos Song Pro e Plus, apostando em um conjunto híbrido bastante eficiente, mesmo se você não for fã de recargas, e um bom pacote de equipamentos de série em três versões que começam em R$ 199.990.
Este é o Geely EX5 EM-i Ultra, versão topo que se diferencia pela bateria maior e capacidade de recarga rápida melhorada, que custa R$ 244.990, importada da China enquanto a produção no Paraná não começa. Uma das estrelas do Salão do Automóvel de São Paulo no ano passado, já apareceu até na TV como prêmio de reality show.
Plataforma nova e visual sóbrio
A Geely se aproveitou muito dos conhecimentos Volvo para criar seus modelos. Além de salvar a marca sueca, a empresa chinesa trouxe o refinamento premium em diversos aspectos, principalmente quando falamos em estrutura, conjuntos mecânicos e calibração. No EX5 EM-i, a sua base é a GEA, apresentada em 2024 já considerando elétricos e híbridos bastante eficientes.
Com seus 4.740 mm de comprimento e 2.755 mm de entre-eixos, é um pouco menor que o Song Plus (4.775 mm e 2.765 mm, respectivos), e seu design o faz parecer até ainda menor, mas tem 1.685 mm de altura e 1.905 mm de largura, dentro da média do segmento de SUVs médios.
O design carrega elementos conhecidos, como os faróis em duas partes com a parte superior das luzes diurnas interligadas por uma faixa de LEDs e as lanternas interligadas, e aposta em um estilo mais limpo nas laterais. Há uma inspiração no Porsche Cayenne na traseira quando se olha em 3/4, e como todo SUV chinês, nada o destaca na multidão. Segue discreto, mesmo nesse belo tom de verde metálico bastante pigmentado com jeitão de marca premium.
Não há itens que querem mudar a concepção do mundo, como maçanetas integradas na carroceria, tentativas de ser cupê ou rodas exageradas, aqui nesta versão com 19" e pneus 235/50. É até limpo demais, como a ausência de uma grade dianteira superior e apenas o escrito do nome do carro e marca na traseira direita, sem algo destacadão ao centro. Sóbrio e neutro. Aprendizado Volvo? Talvez.
Por dentro, a lista básica de quase todos os chineses: linhas horozintais, bom acabamento e duas telas flutuantes, sendo a do painel de instrumentos com 10,2", complementado por um Head Up Display, e a central com 15,4", esta com boa parte dos comandos do carro e espelhamentos sem fios para Apple CarPlay e Android Auto. No console central, comandos do ar-condicionado e carregador por indução, este exposto até demais, principalmente se você mora em um grande centro urbano.
Em prol da eficiência
A Geely aposta bastante em conjuntos híbridos com alta eficiência do motor a combustão. No EX5 EM-i, o 1.5 aspirado tem eficiência térmica de 46,5%, com injeção indireta de gasolina e comandos variáveis, mas um grande trunfo em como a mistura é admitida para a câmara de combustão. Os seus 98 cv e 12,7 kgfm não são os mais importante no pacote e, até pela baixa potência específica, ajudam na eficiência completa.
Quem realmente manda é a parte elétrica, com 218 cv e 26,7 kgfm, ou os números que mais estarão a sua disposição no uso do SUV. A versão Ultra tem baterias LFP de 29,8 kWh, com recarga AC de 6,6 kW ou DC de 60kW, enquanto as demais tem 18,4 kWh com DC de 30 kW. Em qualquer configuração, a potência combinada é de 262 cv e 38,7 kgfm, que aparecerão em poucos momentos.
O funcionamento é baseado em diversas situações. Em modo elétrico, a versão Ultra chegou a 151 km em nosso teste até o motor ser acionado com 20% de bateria, bom número para a capacidade e que cumpre um papel de uso diário sem combustível para boa parte dos compradores. Aqui, entrega os 218 cv e 26,7 kgfm de forma instantânea e suave.
O interessante é como ele se comporta sem bateria, algo que muitos donos de PHEV acabam fazendo. O EX5 colocará o 1.5 aspirado para trabalhar da forma mais eficiente baseado principalmente em velocidade. Onde o elétrico é mais eficiente, o 1.5 trabalha como um gerador de energia focado em alimentar o motor elétrico, sem se preocupar com recarregar as baterias. Neste momento, os 21,7 km/litro apareceram em nosso teste urbano, bem melhor que o normal dos PHEVs.
Na estrada, o 1.5 atua como tração, já que o SUV não precisa de potência para embalar, ao mesmo tempo em que o elétrico aparece em algumas situações para ajudar. Os 17,2 km/litro ainda são bons e, com 60 litros no tanque, em ambas as situações, sem bateria, são mais de 1.000 km de autonomia. Nas duas situações, melhor até que alguns HEV do mercado.
Pela tela, dá para colocar o 1.5 para recarregar as baterias, mas já perde a eficiência de consumo. Isso pode acontecer em movimento ou até com o carro parado, mas é melhor procurar um carregador para isso, principalmente considerando o preço da gasolina versus o que é cobrado mesmo em carregadores rápidos públicos. O modo de regeneração pode ser ajustado ou automático.
Há um modo potência, onde os dois motores atuam e chegamos aos 262 cv e 38,7 kgfm. Na arrancada, destraciona e vai aos 100 km/h em 7,9 segundos, com 201 metros em 10,2 segundos a 116 km/h. Ou seja, não é o motor 1.5 aspirado que será o problema de desempenho, já que a calibração do sistema por completo deixou o EX5 EM-i eficiente e com bom desempenho.
Confortável e com som assinado!
Mas o desempenho em um SUV médio é algo secundário. O principal é o espaço interno, amplo no EX5 principalmente no banco traseiro, que levou vantagem diante do porta-malas de 428 litros (que conta com estepe!) na escolha da marca. Bancos confortáveis, acabamento suave ao toque onde é possível e, se possível, escolha o interior escuro, já que o claro tende a sujar e, no fundo, é exagerado.
O conforto foi também para a suspensão, mas surpreendentemente em um chinês, equilibrado. Não bate seco, tem boa comunicação do volante e a carroceria dobra pouco sem perder o conforto mesmo em pisos piores ou, em estradas com velocidades mais altas, aquele excesso de balanço que chega a enjoar. Em uma escola com diversas marcas, a Geely conseguiu extrair bom resultado em seu SUV e que, segundo a marca, pode até melhorar na versão nacional.
Uma citação para o sistema de som Flyme Sound. Desenvolvido pela própria Geely, tem boa definição de vozes e graves melhor até que de algumas marcas mais famosas. Tem canal central e subwoofer, além dos falantes nas portas, nos encostos de cabeça dianteiro e até no teto para os ocupantes traseiros, algo que é valorizado por clientes de segmentos premium e ganha cada vez mais espaço nos segmentos abaixo.
Mas o que pode melhorar é o sistema ADAS, não pela quantidade de sistemas auxiliares, mas pela calibração principalmente do ACC, um pouco perdido, e do assistente de faixas, que beira um certo exagero e precisa ser desligado toda vez que se entra no carro. Intrusivos, não são eficientes como o restante do carro e exageram no cuidado.
Pronto para a missão?
Meu primeiro conselho: leve a versão Max, com o mesmo pacote bem completo do Ultra, mas economize R$ 25 mil e ainda tenha um bom pacote de baterias que ainda te dará boa autonomia elétrica pro uso diário ou a eficiência do sistema completo com um consumo muito bom. Mas se seu orçamento permitir, leve este, já que é competitivo diante dos demais chineses PHEV.
O Geely EX5 EM-i está pronto para enfrentar os BYD, GWM e afins do mercado. Com a nacionalização ainda em 2026, ganhará volume e será um rival até mesmo para o Renault Boreal, com quem está dividindo o terreno da concessionária e, em breve, na fábrica do Paraná. Em qualquer cenário, apostou em um projeto mais moderno e, como o EX2, será uma pedra no caminho que a BYD acha que está fácil.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Geely EX5 EM-i Ultra
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Geely desembarca 5 mil EX5 híbridos no Brasil e contornará aumento de impostos
Parcial de maio: BYD Dolphin Mini estreia no Top 5 geral e Toyota Yaris Cross surpreende
Geely EX5 EM-i: como é e quanto custa o SUV da prova do finalista do BBB 26
CG pagando a conta do Civic? Motos da Honda irão conter prejuízo da marca
Semana Motor1.com Brasil: detalhes do Jeep Avenger, Volvo EX60 no Brasil e mais
Calmon: novo Chevrolet Sonic chega por R$ 129.990 e VW Golf GTI esgota no Brasil
M1 nas lojas: novo Chevrolet Sonic 2027 é mais Onix do que Tracker