BYD Dolphin Mini vs Renault Kwid E-Tech: qual o melhor elétrico mais barato?
Com preço de hatch a combustão, colocamos a dupla no uso real e mostramos autonomia, consumo e recarga
Quem diria que em tão pouco tempo os carros elétricos já estariam custando o mesmo (ou até menos) que semelhantes a combustão? Os dois mais baratos do país são o Renault Kwid E-Tech, por R$ 99.990, e o BYD Dolphin Mini, de R$ 119.990, que se encontram neste esperado comparativo em um mercado que cresce a cada dia.
Sim, existe uma diferença de preço entre eles, mas qual levar para casa? O mais barato, que é menor e mais equipado principalmente em itens de segurança, ou pagar os R$ 20 mil a mais que a marca chinesa pede pelo seu carro de entrada, com porte maior e projeto mais moderno? Uma semana convivendo com os dois no uso diário (e até uma viagem curta ao litoral paulista), me trouxe conclusões bem interessantes sobre cada um. Não é só uma diferença de valor, tem muita coisa em jogo aqui.
Chineses diferentes
O Renault Kwid E-Tech nasceu na China, onde é produzido junto com os Renault K-Ze, para o mercado local, e Dacia Spring, destinado a Europa. É a mesma base do modelo a combustão com algumas adaptações, como bateria no lugar do tanque, e lista de equipamentos ampliada, além de um visual exclusivo para a versão elétrica que deve chegar ao combustão ainda em 2026.
O BYD Dolphin Mini segue outra escola e foi concebido como um elétrico desde o projeto, baseado na e-Platform da BYD, uma arquitetura pensada desde o zero para veículos elétricos. É a mesma que sustenta modelos como Dolphin, Yuan Pro, Yuan Plus, entre muitos outros elétricos da marca chinesa.
Aqui, as diferenças de projeto e concepção são claras e isso aparece direto na percepção de segmento superior, nível de conforto, equipamentos, ruído interno, montagem e materiais, isolamento acústico, rodagem e dinâmica de condução.
O Dolphin Mini é um elétrico que chegou com opção para quatro ocupantes, mas em seguida recebeu uma variante para cinco pessoas, que se tornou o padrão na linha. Já o Kwid E-Tech foi homologado desde o início para quatro ocupantes, o que pode limitar seu uso em alguma situações. Além disso, seu projeto mais antigo traz um acabamento mais modesto, bem como o nível conforto inferior, ainda que se destaque pelo bom pacote de segurança, incluindo ADAS completo e até leitor de sinais de trânsito.
Evolução vs consolidação
E esse comparativo é interessante por dois motivos: eu já havia avaliado e dirigido o Dolphin Mini em várias ocasiões, mas esta é a primeira vez dirigindo por mais tempo a linha 2026 do BYD, que teve melhoras na suspensão, casando com a primeira avaliação do Kwid E-Tech 2026, que recebeu uma atualização mais abrangente de visual externo, acabamento e itens de segurança.
Quando o assunto é equipamentos, a dupla tem pontos positivos, mas focos diferentes. O Kwid E-Tech 2026 avançou na parte tecnológica e de segurança, trazendo painel digital de 7 polegadas, multimídia de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, volante multifuncional com ajuste de altura e o novo seletor eletrônico de marchas. Além disso, o modelo passou a oferecer pacote ADAS, algo que ainda não está disponível no Dolphin Mini, reforçando o foco da Renault em segurança ativa dentro do segmento de entrada.
Já o Dolphin Mini aposta em uma abordagem mais voltada ao conforto e à experiência geral dentro do carro. O modelo oferece banco do motorista com ajuste elétrico, câmera 360°, freio de estacionamento eletrônico, freios a disco nas quatro rodas e central multimídia com tela giratória de 10,1 polegadas - itens pouco comuns entre elétricos de entrada.
Nesse quesito, o BYD continua causando uma impressão bem melhor e sensação de carro mais moderno, enquanto o Renault evoluiu claramente, mas ainda não afastou aquela percepção de “elétrico barato”.
Mais autonomia ou mais agilidade
Essas sensações ficam mais evidentes quando colocamos os dois na rua, e depois na estrada. No habitat natural dessa dupla, dirigimos principalmente na cidade de São Paulo e região, bairros, vias locais e expressas como as marginais. E aqui já vai um spoiler: tanto o BYD quanto o Renault cumprem muito bem o papel de carro urbano, mas eles são bem diferentes no perfil.
Na cidade, o Dolphin Mini roda mais macio, silencioso, com direção e dinâmica mais adequados, sobretudo após o ajuste de suspensão na linha 2026, além de melhor isolamento acústico. Por outro lado, o Kwid E-Tech já mostra o peso da idade do projeto em elementos como direção, suspensão mais áspera, dinâmica e isolamento menos refinados, mas que no uso prático não prejudica tanto a experiência.
O BYD é mais potente, com 75 cv e 13,8 kgfm, mas o Kwid joga com sua relação peso/potência favorável, com 65 cv e 11,5 kgfm para 977 kg contra os 1.239 kg do seu oponente. Na cidade, principalmente até os 60 km/h ou na estrada perto dos 100 km/h, o Renault é mais ágil nas saídas e retomadas, enquanto o Dolphin Mini tem um acelerador mais anestesiado principalmente em modo eco.
Na parte mais sensível dos elétricos, a bateria, temos soluções diferentes. O Dolphin Mini usa uma bateria LFP com 37 kWh de capacidade efetiva (38,8 kWh), contra apenas 25 kWh NMC (26,7 kWh) do Kwid E-Tech. Oficialmente, isso traz uma autonomia, declarada de 290 km para o BYD contra apenas 186 km para o Renault.
Mas no mundo real, os números são mais animadores. Em nossos testes, o Kwid registrou 10,8 km/kWh (alcance de 270 km) na cidade e 8,5 km/kWh (alcance de 212 km) na estrada, versus 9,5 km/kWh (351 km) na cidade e 7,9 km/kWh (292 km) na estrada do Dolphin Mini. Uma vantagem do chinês é a regeneração em dois níveis, enquanto o Renault tem apenas um, pelo B da alavanca do câmbio.
Na recarga, o Dolphin Mini aceita até cerca de 40 kW em DC e consegue sair de níveis baixos para perto de 80% em cerca de meia hora em carregadores rápidos. O Kwid E-Tech fica próximo dos 30 kW e costuma levar algo perto de 45 minutos na mesma situação. Em wallbox residencial, os dois trabalham na faixa de 6,6 kW, permitindo recarga completa durante a noite.
Na prática, mais do que a potência máxima de recarga, o que pesa no dia a dia é a facilidade de encontrar carregadores compatíveis e o tempo que o carro passa parado em recargas curtas cotidianas. Aqui, o Kwid E-Tech leva uma certa vantagem, já que a bateria bem pequena permite recuperar cerca de 50% da carga em cerca de duas horas em carregadores lentos, ou seja, aquela simples ida ao shopping pode te dar uma carga bem robusta para rodar boa parte da semana.
Vale a diferença de R$ 20 mil?
Olhando para o consumidor que muitas vezes está pensando no primeiro carro elétrico, o Kwid E-Tech pode atrair pelo preço mais competitivo de R$ 99.990. E não está errado em pensar assim: mais barato, atende perfeitamente no uso urbano, é prático, fácil de dirigir e estacionar e ainda super ágil no trânsito, sem contar o pacote ADAS e um porta-malas que é condizente para o porte. Por outro lado, ele tem capacidade para quatro pessoas, acabamento mais pobre e autonomia que para na faixa dos 250 km.
Carro elétrico mais vendido do Brasil praticamente desde o seu lançamento, o Dolphin Mini custa R$ 119.990 e conquista pelo padrão de qualidade e equipamentos, sem contar o moderno conjunto elétrico para uma autonomia real de 340 km que permite até viagens curtas. Aqui, o BYD perde por não ter os assistentes de condução e um porta-malas menor que o oponente Renault - são 290 litros contra 230 litros.
Presente ou futuro?
Dois carros elétricos urbanos com proposta diferentes. Se o foco é ter um carro elétrico, com mais tecnologia, conforto, espaço e alcance maior, deve considerar o Dolphin Mini, lembrando que o BYD eventualmente tem promoções para públicos específicos, como PJ, que deixam o preço final mais próximo do Renault, além de um horizonte de forte expansão da marca no país e produção nacional já iniciada, o que melhora a perspectiva de longo prazo do modelo.
Agora se o foco é praticidade, agilidade no uso, pacote de segurança mais completo, manutenção mais simples e barata (já que ele utiliza a mesma carroceria do modelo a combustão), além de uma rede de concessionárias mais ampla e marca Renault já conhecida, o Kwid E-Tech pode ser a escolha.
Na prática, essa diferença também passa pelo quanto esse valor extra pesa dentro da realidade de cada comprador. Para quem busca simplesmente entrar no mundo dos elétricos com o menor custo possível, o Kwid E-Tech continua muito competitivo. Já para quem consegue absorver essa diferença no preço final do carro, o Dolphin Mini entrega uma experiência elétrica claramente mais completa.
Fotos: Mario Villaescusa / Motor1.com
Fichas técnicas
| BYD Dolphin Mini | Renault Kwid E-Tech | |
| MOTOR | elétrico, síncrono de imã permanente, no eixo dianteiro | elétrico, síncrono de imã permanente, no eixo dianteiro |
| POTÊNCIA E TORQUE | 75 cv; 13,8 kgfm | 65 cv; 11,5 kgfm |
| TRANSMISSÃO | uma marcha, tração dianteira | uma marcha, tração dianteira |
| SUSPENSÃO E RODAS | McPherson na dianteira; eixo de torção na traseira; rodas 16" com 175/55 | McPherson na dianteira; eixo de torção na traseira; rodas 14" com pneus 175/70 |
| DIMENSÕES | comprimento 3.780 mm; largura 1.715 mm; altura 1.580 mm; entre-eixos 2.500 mm | comprimento 3.734 mm; largura 1.579 mm; altura 1.534 mm; entre-eixos 2.423 mm |
| PORTA-MALAS | 230 litros | 290 litros |
| BATERIA E RECARGA | Blade LFP 37 kWh (38,8 kWh brutos); 6,6 kW AC / até 40 kW DC | íon-lítio NMC 25 kWh (26,8 kWh brutos); 7 kW AC / até 30 kW DC |
| PREÇO | R$ 119.990 | R$ 99.990 |
| ALCANCE | cidade: 9,5 km/kWh (351 km); estrada: 7,9 km/kWh (292 km) | cidade: 10,8 km/kWh (270 km); estrada: 8,5 km/kWh (212 km) |
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