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BYD Dolphin Mini vs Renault Kwid E-Tech: qual o melhor elétrico mais barato?

Com preço de hatch a combustão, colocamos a dupla no uso real e mostramos autonomia, consumo e recarga

BYD Dolphin Mini X Renault Kwid E-Tech 2026
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Quem diria que em tão pouco tempo os carros elétricos já estariam custando o mesmo (ou até menos) que semelhantes a combustão? Os dois mais baratos do país são o Renault Kwid E-Tech, por R$ 99.990, e o BYD Dolphin Mini, de R$ 119.990, que se encontram neste esperado comparativo em um mercado que cresce a cada dia. 

Sim, existe uma diferença de preço entre eles, mas qual levar para casa? O mais barato, que é menor e mais equipado principalmente em itens de segurança, ou pagar os R$ 20 mil a mais que a marca chinesa pede pelo seu carro de entrada, com porte maior e projeto mais moderno? Uma semana convivendo com os dois no uso diário (e até uma viagem curta ao litoral paulista), me trouxe conclusões bem interessantes sobre cada um. Não é só uma diferença de valor, tem muita coisa em jogo aqui. 

BYD Dolphin Mini X Renault Kwid E-Tech 2026
BYD Dolphin Mini GS 2026 (BR)
Renault Kwid E-Tech Techno 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Chineses diferentes

O Renault Kwid E-Tech nasceu na China, onde é produzido junto com os Renault K-Ze, para o mercado local, e Dacia Spring, destinado a Europa. É a mesma base do modelo a combustão com algumas adaptações, como bateria no lugar do tanque, e lista de equipamentos ampliada, além de um visual exclusivo para a versão elétrica que deve chegar ao combustão ainda em 2026.

O BYD Dolphin Mini segue outra escola e foi concebido como um elétrico desde o projeto, baseado na e-Platform da BYD, uma arquitetura pensada desde o zero para veículos elétricos. É a mesma que sustenta modelos como Dolphin, Yuan Pro, Yuan Plus, entre muitos outros elétricos da marca chinesa. 

BYD Dolphin Mini X Renault Kwid E-Tech 2026
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Aqui, as diferenças de projeto e concepção são claras e isso aparece direto na percepção de segmento superior, nível de conforto, equipamentos, ruído interno, montagem e materiais, isolamento acústico, rodagem e dinâmica de condução.

O Dolphin Mini é um elétrico que chegou com opção para quatro ocupantes, mas em seguida recebeu uma variante para cinco pessoas, que se tornou o padrão na linha. Já o Kwid E-Tech foi homologado desde o início para quatro ocupantes, o que pode limitar seu uso em alguma situações. Além disso, seu projeto mais antigo traz um acabamento mais modesto, bem como o nível conforto inferior, ainda que se destaque pelo bom pacote de segurança, incluindo ADAS completo e até leitor de sinais de trânsito.  

Evolução vs consolidação

E esse comparativo é interessante por dois motivos: eu já havia avaliado e dirigido o Dolphin Mini em várias ocasiões, mas esta é a primeira vez dirigindo por mais tempo a linha 2026 do BYD, que teve melhoras na suspensão, casando com a primeira avaliação do Kwid E-Tech 2026, que recebeu uma atualização mais abrangente de visual externo, acabamento e itens de segurança. 

BYD Dolphin Mini GS 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Renault Kwid E-Tech Techno 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Quando o assunto é equipamentos, a dupla tem pontos positivos, mas focos diferentes. O Kwid E-Tech 2026 avançou na parte tecnológica e de segurança, trazendo painel digital de 7 polegadas, multimídia de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, volante multifuncional com ajuste de altura e o novo seletor eletrônico de marchas. Além disso, o modelo passou a oferecer pacote ADAS, algo que ainda não está disponível no Dolphin Mini, reforçando o foco da Renault em segurança ativa dentro do segmento de entrada.

Já o Dolphin Mini aposta em uma abordagem mais voltada ao conforto e à experiência geral dentro do carro. O modelo oferece banco do motorista com ajuste elétrico, câmera 360°, freio de estacionamento eletrônico, freios a disco nas quatro rodas e central multimídia com tela giratória de 10,1 polegadas - itens pouco comuns entre elétricos de entrada. 

BYD Dolphin Mini GS 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Renault Kwid E-Tech Techno 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Nesse quesito, o BYD continua causando uma impressão bem melhor e sensação de carro mais moderno, enquanto o Renault evoluiu claramente, mas ainda não afastou aquela percepção de “elétrico barato”. 

Mais autonomia ou mais agilidade

Essas sensações ficam mais evidentes quando colocamos os dois na rua, e depois na estrada. No habitat natural dessa dupla, dirigimos principalmente na cidade de São Paulo e região, bairros, vias locais e expressas como as marginais. E aqui já vai um spoiler: tanto o BYD quanto o Renault cumprem muito bem o papel de carro urbano, mas eles são bem diferentes no perfil. 

BYD Dolphin Mini GS 2026 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Na cidade, o Dolphin Mini roda mais macio, silencioso, com direção e dinâmica mais adequados, sobretudo após o ajuste de suspensão na linha 2026, além de melhor isolamento acústico. Por outro lado, o Kwid E-Tech já mostra o peso da idade do projeto em elementos como direção, suspensão mais áspera, dinâmica e isolamento menos refinados, mas que no uso prático não prejudica tanto a experiência. 

O BYD é mais potente, com 75 cv e 13,8 kgfm, mas o Kwid joga com sua relação peso/potência favorável, com 65 cv e 11,5 kgfm para 977 kg contra os 1.239 kg do seu oponente. Na cidade, principalmente até os 60 km/h ou na estrada perto dos 100 km/h, o Renault é mais ágil nas saídas e retomadas, enquanto o Dolphin Mini tem um acelerador mais anestesiado principalmente em modo eco. 

Renault Kwid E-Tech Techno 2026 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Na parte mais sensível dos elétricos, a bateria, temos soluções diferentes. O Dolphin Mini usa uma bateria LFP com 37 kWh de capacidade efetiva (38,8 kWh), contra apenas 25 kWh NMC (26,7 kWh) do Kwid E-Tech. Oficialmente, isso traz uma autonomia, declarada de 290 km para o BYD contra apenas 186 km para o Renault. 

Mas no mundo real, os números são mais animadores. Em nossos testes, o Kwid registrou 10,8 km/kWh (alcance de 270 km) na cidade e 8,5 km/kWh (alcance de 212 km) na estrada, versus 9,5 km/kWh (351 km) na cidade e 7,9 km/kWh (292 km) na estrada do Dolphin Mini. Uma vantagem do chinês é a regeneração em dois níveis, enquanto o Renault tem apenas um, pelo B da alavanca do câmbio. 

Renault Kwid E-Tech Techno 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com
BYD Dolphin Mini GS 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Na recarga, o Dolphin Mini aceita até cerca de 40 kW em DC e consegue sair de níveis baixos para perto de 80% em cerca de meia hora em carregadores rápidos. O Kwid E-Tech fica próximo dos 30 kW e costuma levar algo perto de 45 minutos na mesma situação. Em wallbox residencial, os dois trabalham na faixa de 6,6 kW, permitindo recarga completa durante a noite.

Na prática, mais do que a potência máxima de recarga, o que pesa no dia a dia é a facilidade de encontrar carregadores compatíveis e o tempo que o carro passa parado em recargas curtas cotidianas. Aqui, o Kwid E-Tech leva uma certa vantagem, já que a bateria bem pequena permite recuperar cerca de 50% da carga em cerca de duas horas em carregadores lentos, ou seja, aquela simples ida ao shopping pode te dar uma carga bem robusta para rodar boa parte da semana. 

BYD Dolphin Mini GS 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Renault Kwid E-Tech Techno 2026 (BR)
Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Vale a diferença de R$ 20 mil?

Olhando para o consumidor que muitas vezes está pensando no primeiro carro elétrico, o Kwid E-Tech pode atrair pelo preço mais competitivo de R$ 99.990. E não está errado em pensar assim: mais barato, atende perfeitamente no uso urbano, é prático, fácil de dirigir e estacionar e ainda super ágil no trânsito, sem contar o pacote ADAS e um porta-malas que é condizente para o porte. Por outro lado, ele tem capacidade para quatro pessoas, acabamento mais pobre e autonomia que para na faixa dos 250 km.

Carro elétrico mais vendido do Brasil praticamente desde o seu lançamento, o Dolphin Mini custa R$ 119.990 e conquista pelo padrão de qualidade e equipamentos, sem contar o moderno conjunto elétrico para uma autonomia real de 340 km que permite até viagens curtas. Aqui, o BYD perde por não ter os assistentes de condução e um porta-malas menor que o oponente Renault - são 290 litros contra 230 litros. 

Presente ou futuro? 

Dois carros elétricos urbanos com proposta diferentes. Se o foco é ter um carro elétrico, com mais tecnologia, conforto, espaço e alcance maior, deve considerar o Dolphin Mini, lembrando que o BYD eventualmente tem promoções para públicos específicos, como PJ, que deixam o preço final mais próximo do Renault, além de um horizonte de forte expansão da marca no país e produção nacional já iniciada, o que melhora a perspectiva de longo prazo do modelo. 

Agora se o foco é praticidade, agilidade no uso, pacote de segurança mais completo, manutenção mais simples e barata (já que ele utiliza a mesma carroceria do modelo a combustão), além de uma rede de concessionárias mais ampla e marca Renault já conhecida, o Kwid E-Tech pode ser a escolha. 


O que você pensa sobre isso?

Na prática, essa diferença também passa pelo quanto esse valor extra pesa dentro da realidade de cada comprador. Para quem busca simplesmente entrar no mundo dos elétricos com o menor custo possível, o Kwid E-Tech continua muito competitivo. Já para quem consegue absorver essa diferença no preço final do carro, o Dolphin Mini entrega uma experiência elétrica claramente mais completa.

Fotos: Mario Villaescusa / Motor1.com

Fichas técnicas

  BYD Dolphin Mini Renault Kwid E-Tech
MOTOR elétrico, síncrono de imã permanente, no eixo dianteiro elétrico, síncrono de imã permanente, no eixo dianteiro
POTÊNCIA E TORQUE 75 cv; 13,8 kgfm 65 cv; 11,5 kgfm
TRANSMISSÃO uma marcha, tração dianteira uma marcha, tração dianteira
SUSPENSÃO E RODAS McPherson na dianteira; eixo de torção na traseira; rodas 16" com 175/55 McPherson na dianteira; eixo de torção na traseira; rodas 14" com pneus 175/70
DIMENSÕES comprimento 3.780 mm; largura 1.715 mm; altura 1.580 mm; entre-eixos 2.500 mm comprimento 3.734 mm; largura 1.579 mm; altura 1.534 mm; entre-eixos 2.423 mm
PORTA-MALAS 230 litros 290 litros
BATERIA E RECARGA Blade LFP 37 kWh (38,8 kWh brutos); 6,6 kW AC / até 40 kW DC íon-lítio NMC 25 kWh (26,8 kWh brutos); 7 kW AC / até 30 kW DC
PREÇO R$ 119.990 R$ 99.990
ALCANCE cidade: 9,5 km/kWh (351 km); estrada: 7,9 km/kWh (292 km) cidade: 10,8 km/kWh (270 km); estrada: 8,5 km/kWh (212 km)
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