Teste rápido Chevrolet Montana RS 2027: picape evolui para novos concorrentes
Com pequenas evoluções desde seu lançamento em 2023, picape tem qualidades para o que vem por aí?
Nos próximos anos, diversas picapes compactas entrarão na briga neste segmento que hoje é da Fiat Toro. Em 2023, foi a Chevrolet Montana que abriu esta porteira de "anti-Toro", mas não chegou ao mesmo patamar de vendas de sua concorrente, mesmo sendo mais barata e com uma catálogo que inclui até versão com câmbio manual.
Já se preparando para seguir nesta briga contra mais nomes, a Chevrolet Montana recebeu melhorias nos últimos tempos, como o motor 1.2 turbo atualizado com injeção direta e o interior com duas telas, que já eram esperadas no seu lançamento de 2023. Na versão RS, a topo, consegue mostrar boas qualidades para viver estes novos tempos?
Como é a Chevrolet Montana RS?
Posicionada no topo da linha, a Chevrolet Montana RS se destaca principalmente pelo pacote visual mais esportivo, com grade colmeia, rodas de 17" diamantadas, detalhes em preto brilhante e interior com acabamento que mistura, com suavidade, o vermelho e preto. Segue com as dimensões conhecidas, de quase 4,72 m de comprimento, 2,80 m de entre-eixos, 1,80 m de largura e 1,66 m de altura.
É menor que a Fiat Toro (4.954 mm de comprimento e 2.989 mm de entre-eixos), mas seu porte é similar ao que deveremos encontrar na nova VW Tukan. O lado positivo é que se torna mais tranquila de conviver no dia a dia de grandes centros, com dimensões não longe do que o Tracker tem (4.304 mm e 2.570 mm), de quem deriva.
Na caçamba, leva 600 kg ou 874 litros e pode receber acessórios para um uso mais comum, como nichos para levar objetos menores. Apesar do protetor e capota marítima de série, vale ficar de olho em viagens, já que ainda entram água e poeira em algumas situações.
Por dentro, um acabamento que se baseia bastante em plásticos, como na família Onix e Tracker. Na versão RS, quebra com alguns pontos em tecido perfurado e costuras aparentes, mas ainda dá para ver que a Montana se baseia na família de entrada da marca, principalmente ao compartilhar elementos como comandos do ar-condicionado automático e chave presencial com partida por botão, por exemplo. Ao menos os bancos são os mesmos do Tracker e em couro com tecido.
Uma das novidades da Montana é o painel. Finalmente a picape recebeu o painel de instrumentos em tela de 8" e um novo sistema multimídia de 11" com espelhamentos sem fios, um conjunto integrado mais moderno e que era esperado desde seu lançamento, mas que chegou depois como uma correção de percurso.
O espaço para os ocupantes da frente é bom, mas não espere o mesmo para o banco traseiro. Apesar do entre-eixos de 2,80 m, a prioridade foi a caçamba. Para os passageiros, o espaço é pequeno principalmente para as pernas e, em viagens longas, o encosto mais reto vai incomodar e gerar certo desconforto. Se precisa de espaço interno por completo, melhor ficar no Tracker ou até no Onix Plus ou Sonic.
Como anda?
Uma das mudanças recentes da Montana foi a adoção do motor 1.2 turbo com injeção direta. Com isso, foi de 132/133 cv e 19,4/21,4 kgfm para 139/141 cv e 22,4/22,9 kgfm, ganhos consideráveis para a picape que pesa 1.310 kg nesta versão RS. Veja a comparação entre os números de teste do Motor1 para as duas versões.
| Montana 1.2T (2023) | Montana 1.2T (2026) | |
| 0 a 60 km/h | 4,0 s | 3,9 s |
| 0 a 80 km/h | 6,6 s | 6,3 s |
| 0 a 100 km/h | 9,6 s | 9,1 s |
| 40 a 100 km/h | 7,4 s | 6,8 s |
| 80 a 120 km/h | 7,5 s | 6,5 s |
| Consumo cidade (G) | 9,8 km/litro | 10,2 km/litro |
| Consumo estrada (G) | 15,1 km/litro | 15,5 km/litro |
A melhora no desempenho era esperada justamente pela potência e torque maiores. Mais do que isso, o delay e lag da Montana reduziram consideravelmente e a picape responde bem ao acelerador com este novo motor. O câmbio automático de 6 marchas não é o mais rápido, mas faz seu papel e conversa bem com este novo motor tanto em suavidade de trocas quanto para aproveitar o torque em baixas rotações. Principalmente nas retomadas, a Montana está mais esperta, chegando a 1 segundo de melhora na situação que simula o rodoviário (80 a 120 km/h).
A melhor parte está no consumo com gasolina na cidade. Foi de 9,8 km/litro para 10,2 km/litro, que pode parecer pouco, mas já impacta até o bolso no fim do mês (ou do tanque). Com 41 litros, significa 16 km extras por tanque antes de abastecer. Na estrada, foi aos 15,5 km/litro, melhora também na faixa dos 0,4 km/litro.
Ao volante, a Montana é uma boa picape. A suspensão não reclama nos buracos e tem boa estabilidade, mas a traseira é mais firme justamente como característica de picape, mas longe do desconforto que algumas picapes médias tem. Mas fato que vemos que seu projeto deriva da linha de entrada da Chevrolet, e não de uma base de carro médio, como no caso da Fiat Toro.
Vale a pena?
Com o tempo, a Chevrolet Montana corrigiu pontos, como o motor mais potente e a atualização leve do interior, mas ainda deve equipamentos principalmente de segurança ativos, como alerta de colisão com frenagem automática ou piloto automático adaptativo. Na versão RS, só há alerta de ponto-cego neste sentido.
No caso da Montana RS, custa R$ 171.390 e está perto de onde a Fiat Toro começa (R$ 167.490 pela Endurance), o que a torna justamente a versão que pode perder clientes na visita aos concessionários, dependendo da negociação. Mas vale lembrar que vem aí a VW Tukan, com porte semelhante ao da Montana e talvez até preços e posicionamento. É uma boa picape, mas depende muito do poder de negociação do concessionário para realmente emplacar.
Fotos: Leo Fortunatti/ Teste: David Costa
Chevrolet Montana 1.2T AT6
1.310
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