Teste Ford Maverick Hybrid 2026: você escolhe performance ou eficiência?
Sem perder muito desempenho, versão eletrificada se destaca na hora de abastecer diante das demais
Em 2025, a Ford Maverick passou por diversas mudanças visuais e no pacote de equipamentos. Premiada como melhor picape compacta no Best Of The Best 2025, recebeu uma atualização visual e novos itens de série, além de manter a oferta das motorizações 2.0 turbo e do conjunto híbrido HEV, focado em eficiência.
Este é o teste completo da Ford Maverick Hybrid, que tem o mesmo preço da Maverick Tremor 2.0 turbo (R$ 239.900), mas com melhor consumo de combustível e um pacote visual mais urbano. Vale a pena abrir mão de desempenho em prol do consumo? E o quanto a Maverick Hybrid é mais lenta — e mais eficiente — que as versões com o motor 2.0 turbo?
O sistema híbrido e suas novidades
A Maverick Hybrid conta com um motor a gasolina 2.5 aspirado, de quatro cilindros em linha e ciclo Atkinson, aliado a um motor elétrico. O conjunto é acoplado a uma transmissão continuamente variável eletrônica, conhecida como e-CVT. A bateria de íons de lítio tem capacidade de 1,1 kWh e, por ser pequena, recarrega rapidamente. O sistema HEV pode funcionar de forma independente ou em conjunto, de acordo com a necessidade e o modo de condução. A bateria é carregada tanto pelo motor a combustão quanto pela regeneração dos freios, não havendo a opção de carregamento por tomada (plug-in).
A versão híbrida conta com o sistema de grade ativa, que consiste em aletas móveis que se abrem e fecham automaticamente, reduzindo a resistência do ar e auxiliando na economia de combustível. Quando abertas, em situações de trânsito ou baixa velocidade, permitem maior passagem de ar para o radiador. Quando fechadas, em velocidades mais elevadas, melhoram a aerodinâmica ao reduzir o arrasto, contribuindo para a eficiência energética e o controle da temperatura do motor e do sistema híbrido.
A grande novidade é a tração, que agora é integral (AWD) e atua conforme a demanda e os modos de condução. A Maverick Hybrid utiliza prioritariamente a tração dianteira e, quando necessário, distribui automaticamente o torque para as rodas traseiras por um diferencial, como em situações de baixa aderência, pisos molhados ou estradas de terra.
Visualmente, a versão híbrida acompanha a atualização das Black e Tremor, cuja principal mudança externa está no novo conjunto de faróis. A Ford Maverick Hybrid passa a contar com rodas de 19" (antes de 18"), calçadas com pneus na medida 225/55. Outra novidade é o teto solar elétrico de série, que nas versões anteriores não era disponível nem como opcional. Cada versão apresenta detalhes visuais próprios que ajudam a diferenciá-las.
O interior da Ford Maverick utiliza plásticos de boa qualidade, com textura agradável e bons encaixes, mesclando cores escuras e claras tanto nos acabamentos quanto nos bancos com revestimento em couro. A picape conta com diversos porta-objetos, com destaque para o console central, que oferece carregamento por indução, além de apoio para celular e porta-copos.
No painel, há uma tomada 12V e duas saídas USB (uma do tipo A e outra do tipo C). A iluminação interna é composta por luzes de teto em LED, além de iluminação ambiente para os pés e nas maçanetas internas das quatro portas. Para os ocupantes do banco traseiro, a Maverick oferece apoio de braço central e duas saídas de carregamento USB-C.
Ainda na parte de trás, o pequeno vidro traseiro da caçamba possui abertura elétrica, com acionamento por botão localizado no painel. Outro destaque é o assento traseiro basculante, que conta com um amplo porta-objetos de 73 litros, permitindo o transporte de itens sem comprometer o conforto dos passageiros.
A central multimídia com tela de 12,3" conta com o sistema SYNC da Ford, oferecendo conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. Além disso, dispõe de comando por voz, acesso a aplicativos e integração com os principais recursos do veículo. No canto direito da tela, há um menu no qual é possível monitorar o consumo médio de combustível e visualizar se a condução está sendo realizada em modo elétrico ou com o motor a combustão.
Um dos destaques é o sistema de som Bang & Olufsen, com oito alto-falantes, incluindo um subwoofer localizado atrás do encosto do banco traseiro. O som é limpo, de alta qualidade e se destaca positivamente. A única ressalva fica por conta da localização dos falantes traseiros na coluna C, na altura dos ouvidos; em viagens longas, isso pode incomodar, mas nada que uma boa regulagem não consiga amenizar.
Em equipamentos, a Maverick Hybrid dispõe de ar-condicionado digital de duas zonas, freio de estacionamento eletrônico, câmeras de ré e 360º, além de assistente para reboque e cinco modos de condução (Escorregadio, Reboque, Esportivo, Normal e Eco).
No quesito segurança, oferece sete airbags (frontais, laterais, de cortina e de joelho para o motorista), freios a disco nas quatro rodas com ABS, alerta de colisão frontal, monitoramento de ponto cego, assistência eletrônica de frenagem, assistente de permanência em faixa, assistente de partida em rampa e piloto automático adaptativo. Itens de segurança ativa e assistentes também foram novidades desta reestilização.
Ergonomia e dirigibilidade
A Maverick Hybrid conta com banco do motorista com diversas regulagens elétricas, incluindo ajuste lombar. O volante multifuncional possui regulagem de altura e profundidade, permitindo controlar o computador de bordo, as assistências de condução e o sistema de som.
Com uma direção precisa e um pouco mais pesada para os padrões atuais, a picape oferece respostas rápidas, transmitindo segurança. A altura em relação ao solo, aliada ao conjunto de suspensão e ao sistema de tração integral, reforça a sensação de estabilidade, fazendo muitas vezes o motorista esquecer que está em uma picape. A suspensão absorve bem os pisos irregulares e o bom isolamento acústico garante o conforto a bordo.
E o consumo? E desempenho?
No uso diário, em avenidas e ruas com semáforos, a eficiência foi perceptível, principalmente no ciclo urbano. Em velocidades na faixa de 60 km/h, ela consegue rodar praticamente 70% do tempo no modo elétrico. Em nosso teste urbano no modo Eco, percorrendo 21 km, a Maverick rodou 16,3 km em modo elétrico (mais de 75%). O consumo registrado foi de 19,2 km/l.
O segredo está no "pé leve" e na otimização em descidas e frenagens. Ao acionar o freio, o painel mostra a barra de regeneração praticamente cheia. Sempre que a recarga é otimizada, o painel exibe a mensagem de “instrutor de freios” com a porcentagem de energia regenerada.
No teste rodoviário (110-120 km/h), o consumo foi de 16,2 km/l. O motor a combustão permaneceu ligado por mais tempo devido à maior demanda de força e à bateria de 1,1 kWh, mas as desacelerações e paradas em pedágios permitiram que 28% do percurso fosse feito em modo elétrico.
Com 194 cv de potência e 21,4 kgfm de torque combinados, a Maverick Hybrid registrou os seguintes números no modo Esportivo, onde a comparamos com o ultimo teste da Maverick 2.0 turbo na versão Tremor.
| Maverick Hybrid | Maverick 2.0 turbo | |
| 0 a 100 km/h | 8,0 s | 7,0 s |
| 40 a 100 km/h | 6,2 s | 5,1 s |
| 80 a 120 km/h | 6,0 s | 4,9 s |
| Consumo cidade | 19,2 km/litro | 8,9 km/litro |
| Consumo estrada | 16,2 km/litro | 11,7 km/litro |
Conclusão
Custando os mesmos R$ 239.900, a escolha entre as versões depende das prioridades do usuário. A diferença na aceleração é de apenas 1 segundo, mas no consumo a híbrida leva ampla vantagem. Para quem prioriza eficiência e autonomia (que pode superar os 800 km), abrir mão desse segundo de performance vale muito a pena. Essa faixa de preço torna a Maverick Hybrid uma opção competitiva inclusive contra SUVs e sedãs médios.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Ford Maverick Hybrid AWD
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